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Publicado na Revista: e-learning Brasil. São Caetano do Sul - São Paulo - Brasil. p. 01-17- nov.2002. ISSN-1678-0728- www.elearningbrasil.com.br

O ENFOQUE GLOBALIZADOR DE ENSINO E OS MÉTODOS GLOBALIZADOS: POR UMA ORGANIZAÇÃO CURRICULAR INTEGRADA ENTRE AS DISCIPLINAS ACADÊMICAS, OS CONTEÚDOS ESCOLARES, A PRÁTICA PEDAGÓGICA E O USO DAS NOVAS TECNOLOGIAS DA COMUNICAÇÃO NA EDUCAÇÃO SUPERIOR. Silma Côrtes da Costa Battezzati1

Resumo: Este artigo aborda as concepções de Antoni Zabala sobre as proposições do enfoque globalizador de ensino e aplicação dos métodos globalizados frente as propostas de utilização do computador e da Internet na educação. Diferentemente do modelo tradicional, ou cartesiano, que enfatiza a memorização de conteúdos e a organização das disciplinas curriculares de forma isolada, o enfoque globalizador de ensino e os métodos globalizados visam romper a estrutura parcializada do ensino em cadeiras, propõem mudanças nas formas de trabalhar as disciplinas e os conteúdos escolares, para uma ação pedagógica integrada com o uso de novos recursos tecnológicos. Talvez um dos possíves problemas para a utilização das novas tecnologias digitais na educação seja a falta e aplicação de métodos adequados. Convidar os educadores para uma reflexão acerca das proposições do enfoque globalizador de ensino e dos metódos globalizados, como meios para dinâmizar a interdisciplinaridade e o aproveitamento significativo das novas tecnologias da comunicação, na educação superior, é o objetivo central deste trabalho que está assim estruturado. Introdução - Breve análise entre o modelo tradicional, ou cartesiano, e as proposições do enfoque globalizador de ensino; Item 1 - O enfoque globalizador de ensino, os métodos globalizados e a prática pedagógica no ensino superior; Item 2 ­ As novas tecnologias digitais e os métodos globalizados: um caminho para a compreensão sobre a importância da aprendizagem com o uso do computador; Item 3- A expansão dos recursos tecnológicos no contexto educacional contemporâneo e os métodos globalizados: uma proposta para o ensino; Item 4 ­ Os diferentes graus de relações entre as disciplinas escolares e o uso de recursos tecnológicos; Item 5 ­ Considerações finais; Item 6 - Bibliografia. Palavras-chave: enfoque globalizador de ensino, métodos globalizados, computador, Internet, aprendizagem, interdisciplinaridade, prática pedagógica.

Abstrac: This article discusses Antoni Zabala's conceptions about the global teaching approach and the application of global methods to the proposals of using the computer and Internet in the education process. Differently of the traditional model, or Cartesian, that emphasizes the memorization of contents and the organization of the disciplines in an isolated way, the global approach and methods seek to break the segmented structure of teaching, they propose changes in the forms of working the disciplines and the school contents, for a pedagogic action integrated with the use of new technological resources. Possibly one of the problems to use the new digital technologies in the education process is the lack of appropriate methods or inadequate application. The central objective of this work is to invite educators for a reflection concerning the propositions of the Global teaching approach and methods, as means to make the teaching a more dynamic process, by the significant use of the new information and communication technologies, in the superior education. This article is structured as : Introduction - Brief analysis among the traditional or Cartesian model and the propositions of the global teaching approach; Item 1 - The global teaching approach and methods and the pedagogic practice in the higher education; Item 2 - The new digital technologies and the global teaching approach and methods: a road for the understanding on the importance of the learning with the use of the computer; Item 3 - the expansion of the technological resources in the contemporary education context and the global teaching approach: a proposal for the teaching; Item 4 - The different degrees of relationships between the school disciplines and the use of technological resources; Item 5 - final Considerations; Item 6 - Bibliography. Word-key: global teaching approach and methods, computer, Internet, learning, pedagogic practice.

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Mestranda em Educação pela PUCPR. Professora de Educação Brasileira- Sistemas e Políticas e de Teorias do Conhecimento Pedagógico na Faculdade Internacional de Curitiba ­ FACINTER e do Instituto Superior de Ensino Pesquisa e Extensão ­ ISEPE. Curitiba Pr.

Revista: e-learning Brasil. São Caetano do Sul - São Paulo - Brasil. p. 01-17- nov.2002. ISSN-1678-0728- www.elearningbrasil.com.br

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Introdução

Históricamente sabemos que o modelo cartesiano de ensino privilegiou a transmissão rigída dos saberes escolares como a única maneira de equalização do saber, reforçou a idéia de que os estudantes deveriam adotar uma postura de receptores passivos do conhecimento e, na maioria das vezes, contemplou a utilização de recursos tecnológios, a exemplo do computador, como um meio para aplicação de exercícios mecânicos e de repetição. De acordo com Eyng (2002, p.29) "Esse modelo educativo foi denominado por Paulo Freire (1987) de educação bancária, uma vez que sua preocupação central era o depósito de dados descontextualizados na cabeça dos alunos e sua ênfase está, pois, na reprodução do conhecimento e na negação da diversidade". Para Moraes, (2000, p. 37). "[...] o método cartesiano nos marcou a todos fortemente, e devemos também a ele e a Galileu a idéia de que a natureza é governada por leis, cujas fórmulas são matemáticas. Daí a matematização do pensamento humano, que constituiu a herança mais importante de Descartes". Rene Descartes, (1596-1650). Filósofo francês, cientista e matemático, pode ser considerado o fundador da filosofia moderna por ter criado seu próprio sistema de pensamento, no qual questiona a própria existência do mundo; segundo ele, não era prudente confiar nos sentidos, pois, estes podem nos enganar a qualquer momento, ou seja, era preciso rejeitar todas as idéias do mundo por julgá-las falsas. A frase Cogito, ergo sum (penso, logo existo) é a base de sua filosofia. O cogito - pensar, duvidar - nasceu da certeza de Descartes de que a dúvida é natural, própria dos seres racionais. Através dela, é possível estabelecer uma dúvida metódica e revisar todos os conhecimentos adquiridos ou por adquirir. (COOPER, 2002, p.265). O método da dúvida cartesiana apoia-se em quatro princípios: 1º) Não aceitar como verdade nada que não seja claro e distinto; 2º) Decompor os problemas em suas partes mínimas; 3º) Deixar o pensamento ir do simples ao complexo; 4º) Revisar o processo para ter certeza de que não ocorreu nenhum erro. Se as características do paradigma cartesiano marcaram de modo relevante o processo reprodução do conhecimento, até o presente momento, nas proposições de um enfoque globalizador de ensino, e adoção dos métodos globalizados, para a incorporação de novos recursos tecnológicos como meios de para integrar os conhecimentos e facilitar a aprendizagem na universidade "o docente terá de repensar "para que" e "por que" está formando os estudantes". (BEHRENS 2000, p. 68).

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No atual contexto social, onde os meios de comunicação estão potencializados pelo avanço das novas tecnologias, desenvolver novos métodos de ensino e aprendizagem para aproximar o modelo educacional à realidade do aluno e motivá-lo a tecer novas redes de conhecimento é um ponto fundamental para aplicação dos métodos globalizados. "Nessa modalidade curricular, globalizada, os conteúdos selecionados para a reflexão no processo formativo são aqueles que detêm atualidade formativa e são nucleares em cada área do conhecimento. Os conteúdos com essas caraterísticas possibilitam a aprendizagem

significativa"(EYNG, 2002, p. 31). Grifo nosso. Neste contexto a aprendizagem significativa é compreendida como uma aprendizagem que integra os vários saberes escolares e contempla a relação entre os diversos conteúdos trabalhados com a vida do educando e utilização dos novos recursos tecnológicos da informática. Embora a inserção das novas mídias no contexto social aponte para a necessidade de novas formas de ensinar a ensinar, o conceito de ensino globalizado não é uma proposição nova. Conforme Zabala, (2002, p. 17), "desde os primeiro filósofos gregos até meados do século XIX, a unidade do conhecimento foi um princípio diretor no estabelecimento dos diferentes currículos. Os sofitas gregos já haviam definido o programa de uma enkuklios paideia, ensino curricular que devia levar o aluno a percorrer as disciplinas constitutivas da ordem intelectual centradas em um desenvolvimento humano entendido como um todo". Outros filósofos, como Platão, também defenderam a educação como uma arte para desenvolver integralmente o ser humano. Aristóteles a concebia como uma formação física, intelectual e moral cuja finalidade era a virtude. Logo, os métodos globalizados podem ser compreendidos a partir destas concepções. Como métodos em que as disciplinas se integram pelas riquezas das diferenças e valorização de aspectos intelectuais, físicos, artísticos e sociais dos alunos frente aos novos saberes. Os métodos globalizados de ensino influênciaram várias teorias de aprendizagem, entre elas Zabala considera, pela sua importância histórica e por seu referencial frente a elaboração de unidades didáticas globalizadoras para educação os centro de interesse de Decroly; os métodos de projetos de Kilpatrick; a investigação do meio do MCE (Movimento de Cooperazione Educativa de Itália) e os projetos de trabalho globais. De acordo com Zabala estes são exemplos de métodos preciosos para auxiliar os educadores que pretendem elaborar propostas curriculares de ensino integradas, inclusive, com a utilização de novos recursos tecnológicos na educação. Sobre os métodos citados Zabala, (2002, p. 197), esclarece que: "Os centros de interesse de Decroly partem de um núcleo temático motivador para os alunos e, seguindo os processos de

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observação, associação e expressão, integram conteúdos de diferentes áreas de conhecimento. O método de projetos de Kilpatrick consiste, basicamente, na elaboração de algum objeto ou na confecção de uma montagem ( uma máquina, um audiovisual, uma estufa, uma horta escolar, um jornal, etc.). A investigação do meio do MCE - (Movimento de cooperazione Educativa de itália) tenta fazer com que as crianças construam o conhecimento através da seqüencia do método científico (problemas, hipóteses, confirmações) e Os projetos de trabalhos globais, com o objetivo de conhecer um tema que os alunos escolheram, propõem que é preciso elaborar um dossiê ou uma monografia como resultado de uma pesquisa pessoal ou de grupo. Para Zabala (2002, p. 197), todos estes métodos são um excelente referencial para o ensino porque contemplam a realização de atividades educacionais globalizadas, ou seja, "o saber científico somente pode ter sentido educativo quando está a serviço do desenvolvimento humano em suas vertentes pessoais e sociais" (ZABALA, 2002.p.58). É interessante salientar, também, que a história da educação nos coloca outros exemplos, e preocupações, acerca da importância de integração dos vários saberes e disciplinas escolares como fundamentais para que não houvesse no âmbito da educação formal uma anarquia

espistemológica. Alguns pensadores, como Bacon e Comênio, esboçavam estas preocupações e enfatizavam a necessidade e a relevância de se construir saberes unificados, inter-conectados, necessários e importantes para uma prática pedagógica nos moldes da pedagogia da unidade, ou, pansophia. Conforme Bacon e Comênio em (dilaceratium scientiarum) o remédio para uma pedagogia da unidade seria a pansophia, ou seja, "[...] uma ciência verdadeira não pode

construir-se isoladamente e manter-se em um egoísmo espistemlógico, fora da comunidade interdisciplinar do saber e da ação". ZABALA. ( 2002, p. 25). Atualmente, na intenção de abrir caminhos para desenvolver atividades globalizadas de ensino, integradas com o uso do computador e da Internet, muitos profissionais da educação estão a procura de métodos que os ajudem a desenvolver novas práticas pedagógicas. "Os estudos sobre desenvolvimento mostram que é necessário reunir disciplinas diferentes se desejamos compreender os problemas mais importantes de nosso tempo e realizar investigações nesse sentido". "[..] é necessária uma cooperação interdisciplinar em numerosos âmbitos de investigação relativos ao meio e aos recursos naturais, à guerra e à paz, aos problemas das comunidades, ao urbanismo, ao tempo livre e às atividades culturais. Assim, no âmbito teórico e metodológico, assistimos a um inegável interesse pelos problemas e pelos métodos gerais, que dependem de mais de uma disciplina". (ZABALA 2002 p.26). Para Eyng (2002, p. 66). "A prática da interdisciplinaridade gera modificações na sistematização e contrução do

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conhecimento, no encaminhamento metodológico do processo formativo pautado no currículo2 integrado". "Nessa dimensão são analisadas e descritas as demandas expressas pelo macro contexto, pela sociedade, e pelo micro contexto, a unidade escolar e seu entorno". (EYNG, 2002, p. 60).

1. O Enfoque Globalizador e Ensino os Métodos Globalizados e a Prática Pedagógica no Ensino Superior Conforme comentamos, brevemente, podemos considerar que o modelo tradicional, ou cartesiano, de ensino serviu de base também para organizar as disciplinas que compõem o currículo escolar e a prática pedagógica na educação superior. Segundo este modelo, a organização das disciplinas constitui campos isolados e especializados do saber. {...} as disciplinas apresentam-se uma atrás da outra, sem que exista nenhum tipo de conexão entre elas, e em que até uma mesma disciplina organiza seus conteúdos internos sob campos aparentemente isolados (a língua apresenta-se dividida em léxico, morfossintaxe, ortografia; a matemática em medida, geometria, estatística; a física em mecânica, estática, dinâmica, etc.)." 2002, p.31). Para Eyng (2002, p. 29) "Nessa forma de organização curricular, as disciplinas são apresentadas seqüencialmente "sem desvios ou complicações". Adota-se um pressuposto de prérequisitos e assim surgem as disciplinas dentro de disciplinas". Os métodos tradicionais de ensino, fundamentados numa visão puramente científica do saber, negavam a complexidade real da educação e da prática pedagógica frente a relação com os novos recursos tecnológicos, impedindo a construção ou o desenvolvimento de um saber integrado. "[...] o processo de progressiva parcialização dos conteúdos escolares em áreas de conhecimento ou disciplinas conduziu o ensino a uma situação que obriga a sua revisão radical, a evolução de um saber unitário para uma diversificação em múltiplos campos científicos notavelmente desconectados uns dos outros levou também à necessidade de busca por modelos que compensem essa dispersão do saber". ZABALA (2002, p. 24). Através de um enfoque globalizador, ou visão globalizadora de ensino Zabala, (2002), propõe uma diferente maneira de organizar as disciplinas, os conteúdos escolares para a prática pedagógica. Este enfoque é interessante, especialmente, quando se pretente utilizar o computador e a Internet como meios para facilitar a comunicação e o desenvolvimento de conhecimentos

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( ZABALA

Para Ferreira (1986), apud Eyng (2002, p. 27) "O termo currículo advém do latim, currículum, cujo significado é corrida, carreira; currículum vivendi ­ carreira de vida e currícula mentis ­ caminhos da inteligência".

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globais na educação. Busca especialmente auxiliar os professores, através da aplicação dos métodos globalizados, a escolherem os diferentes intrumentos conceituais e metodológicos de qualquer um dos campos do saber que, independemente de sua procedência, permitam o desenvolvimento de um conhecimento integrado e global. "Na prática de sala de aula, o enfoque globalizador representa que, seja qual for a disciplina que se trabalhe, seja qual for o conteúdo que se queira ensinar, sempre devem apresentar-se em uma situação mais ou menos próxima da realidade do estudante e em toda a sua complexidade, mostrando que, entre todos os problemas que a realidade coloca serão destacados, aqueles (ou aquele) que convêm ser tratados por razões didáticas". (ZABALA, 2002, p.38). Através da aplicação dos métodos globalizados podemos caminhar em direção a uma concepção de ensino na qual o objeto fundamental de estudo é o conhecimento e a intervenção na realidade, ou seja, o ponto principal não é a disciplina em si mas a relação que estas apresentam com os assuntos, com os recursos didáticos e interesses dos alunos. É uma proposta educacional que contempla uma visão integrada de ensino e privilegia a compreensão e adoção de práticas pedagógicas também integradoras, da qual podem fazer parte os novos recursos da informática. Nesse sentido, a aplicação dos métodos globalizados contribui para estimular no aluno o desenvolvimento do pensamento complexo, ou seja, de um pensamento que lhe permita utilizar de modo criativo os novos recursos tecnológicos em prol da aprendizagem. Portanto quando pretendemos integrar os recursos tecnológicos à prática pedagógica, com a intenção de ir além de uma prática mecanicista de ensino, é recomendável um enfoque globalizador de ensino para relacionarmos os assuntos tratados nas diversas disciplinas com o uso dinâmico do computador e da Internet. 2. As Novas Tecnologias Digitais e os Métodos Globalizados: um caminho para a compreensão sobre a importância da aprendizagem com o uso do computador Os cursos superiores que contemplam em seu currículo disciplinas voltadas para o ensino e aprendizagem da informática educacional geralmente destinam uma carga horária reduzida, em relação a outras, para estas atividades. Nos cursos de pedagogia, por exemplo, muitas ouvimos alguns professores dizerem que não entendem nada de informática e que não pretendem usar o computador em suas atividades docentes. Ainda é pequeno o número de educadores, motivados a incorporarem o uso computador no seu dia-a-dia escolar e, que comentam a existência de relação entre sua disciplina com outras disciplinas, como a informática por exemplo. Em muitas instituições de ensino superior parece

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haver um apego enorme ao modelo tradicional de organização do currículo, que enfatiza a importância de algumas disciplinas em detrimento de outras, e, consequentemente, negligenciam uma possível prática pedagógica que relaçione os conteúdos escolares com a utilização de novos recursos tecnológicos. Alguns cursos superiores, de pedagogia, oferecem disciplinas voltadas para a aprendizagem da informática, porém, os professores trabalham apenas aspectos técnicos de operacionalização do computador. Ensina-se a ligar e desligar a máquina, utiliza-se o word, excell, power-point e acesso à Internet sem uma aparente proposta pedagógica que contribua para o desenvolvimento de novos saberes integrados junto aos alunos. Julgamos que este fato é reflexo da falta de um método que sustente o trabalho pedagógico e a justificativa, geralmente apresentada pelas escolas e educadores, é a de que não há tempo, não há pessoal preparado ou máquinas disponíveis, para o desenvolvimento de métodos, de projetos ou de metodologias que contribuam para a realização de atividades integradas que motivem novas aprendizagens quando se incorpora o uso dos computadores na educação. Talvez um outro fator que dificulta a utilização do computador, na educação superior, seja a falta de comunicação verbal entre os professores acerca dos temas trabalhados em suas disciplinas. Esta comunicação seria possível se os professores pudessem dedicar maior tempo para discutir, e trocar idéias, sobre os temas que estão trabalhando relacionando as atividades pedagógicas com o uso deste recurso. Por meio do computador os alunos podem analisar e reestruturar textos, realizar composições de imagens e gravuras, desenvolver raciocínos matemáticos, trabalhos de desenho e pintura, selecionar softwares, criar diversas atividades lúdicas e, pelo acesso à Internet,

desenvolver debates em tempo real, projetos e pesquisas sobre os assuntos trabalhados nas diversas disciplinas. Esta relação de integração entre o computador, os conteúdos e as disciplinas escolares pode ser considerada como uma das intereessantes e importântes proposições dos métodos globalizados no sentido de orientar os professores a incoporarem os recursos do computador e da internet na educação superior. Segundo Zabala (2002, p.25). "[...] desde sempre existiu a

ambição de estabelecer uma "carta minuciosa do saber" que aponte um lugar específico para cada disciplina, indicando com precisão a relação existente entre determinada disciplina e outras". Entretanto, "à medida que a progressão do saber realiza-se pela especialização, a inquietude pela unidade do conhecimento suscita o desejo de realizar um reagrupamento que dê jeito no desmembramento dos âmbitos do saber e dos cientistas".

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Se a sociedade contemporânea exige novos conhecimentos escolares para que o indivíduo possa atuar na sociedade, exercer seu direito de cidadão e conquistar um espaço no mercado de trabalho, consideramos que é preciso compreender e desenvolver atividades interdisciplinares, comuns a dois ou mais ramos de conhecimento, com a incoporação dos novos recursos

tecnológicos nos diversos na vida acadêmica dos alunos. Por exemplo, um estudante do curso de pedagogia pode aprender um conceito de aprendizagem mediada por computador, mas poderá não saber como aplicá-lo quando for solicitado a utilizar o computador para desenvolver

atividades de aprendizagem, ou seja, desconhece um método que lhe auxilie a utilizar o computador como uma ferramenta para desenvolver tarefas educativas relacionando esta ação com o conceito de aprendizagem mediada por computador. Para que a aprendizagem mediada por computador seja possível entendemos que é preciso que o educador compreenda esta tecnologia como uma ferramenta que oferece recursos de imagem, som, textos, gráficos, etc., e saiba, juntamente com os alunos, utilizá-los para resolver problemas, provocar novas reflexões, novos questionamentos nos estudantes. Para KASTURP apud PELLANDA ( 2000, p.40). "A problematização diz respeito à potência que a cognição possui de diferir de si mesma. Nesta medida a problematização leva à invenção de novas formas de conhecer, de novas regras de funcionamento cognitivo". Se novamente perguntarmos, a este aluno, por que seria interessante utilizar o

computador como um recurso para facilitar o desenvolvimento de novos pensamentos cognitivos, ou complexos, talvez ele não consiga associar que o processo de ensino, e de desenvolvimento do conhecimento, está intimamente relacionado aos métodos que aplica para o uso do computador numa atividade educativa. "[...] a percepção humana jamais é analítica, mas que qualquer primeira aproximação com a realidade é de caráter total ou global (sícresis) e que, por isso, é imprescindível partir dela; por meio de uma análise posterior é que essa primeira aproximação irá aprofundar-se, para chegar a uma fase posterior de síntese em que aquele primeiro conhecimento ou aproximação difusa irá converter-se em um conhecimento real" (ZABALA, 2002 p.22) . Ao longo dos tempos as atividades pedagógicas desenvolveram-se a partir do padrão da especialização e talvez muitos pedagogos, quando atuam na docência, agem como um professor especialista3, ou seja, não compartilham conhecimentos e propostas educacionais com outros

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Centralizador do saber como especialista de conhecimentos absolutos e inquestionáveis; tradicional, austero e imperativo; ignora diferenças individuais.

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professores tornando-se um reprodutor solitário de conteúdos que parece remar seu barco em uma direção única. Muitos destes educadores parecem contemplar seus conteúdos como exclusivos dificultando o desenvolvimento dos alunos, no sentido de compreenderem de forma integrada a relação entre os vários conceitos escolares. A Nova Lei de Diretrizes e Bases, Lei 9394/96, estabelece como princípio fundamental da educação o desenvolvimento integral do aluno para o exercício da cidadania, provavelmente essa determinação seria desnecessária se organizassemos nosso currículo contemplando atencipadamente a relação entre as várias disciplinas, e os conteúdos escolares, respeitando o papel das novas mídias na educação uma vez que estão cada vez mais presentes na vida dos jovens e crianças. Em alguns possíveis cursos de formação de educadores, por exemplo, a estrutura curricular ainda apresenta um forte caráter de divórcio entre os conteúdos trabalhados, a realidade dos alunos e os novos recursos tecnológicos. Entretanto, "para o contexto atual, o elo articulador está na proposição da educação integral que venha a suscitar o processo formativo capaz de potenciar no aprendiz as competências que a atualidade requer". (EYNG, 2002, p. 16). Talvez nunca a sociedade e a educação estiveram tão influenciadas pelos meios de comunicação eletrônicos como atualmente. Com o advento da Internet, novos movimentos comunicacionais permeiam o contexto social e a comunicação mediada por computador está cada vez mais presente no contexto escolar e nos chamados estudos interdisciplinares, como os da cibernética, da informática e da pedagogia, manifestando-se de modo relevante nas atividades científicas, no lazer, no trabalho, e nos demais segmentos da sociedade. Para McLuhan4 (1996), o chamado profeta da era eletrônica que previu, há pelo menos trinta anos, que as formas de comunicação tanto individuais quanto coletivas provocariam mudanças radicais nas sociedades futuras e nos processos de aprendizagem, os meios de comunicação permitem um processo de trocas, configuram-se como canais ou suporte técnico de transmissão de informações e determinam novas formas comunicacionais para a troca de mensagens. Estes novos meios fazem, segundo McLuhan, com que os sentidos humanos elementares, tato, visão, paladar, audição e olfato se encontrem tecnologicamente estendidos, sensivelmente aguçados, pela sua continuada exposição à mídia. Logo, todos os sentidos humanos encontram-se integrados frente a essa exposição. Entretanto, parece que a educação

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Marshall McLuhan (1911-1980): reconheceu-se durante bom tempo, inclusive na mídia, a condição de principal teórico da comunicação.

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ainda não encontrou métodos adequados que privilegiem essa inter-relação para a incorporação do computador e da Internet como recursos que podem facilitar a realização de trabalhos interdisciplinares em beneficio do desenvolvimento do pensamento complexo. A partir desses pressupostos consideramos que é preciso repensarmos as modalidades, ou campos da comunicação na educação, pois, no mundo atual, o aprendizado continuado, presencial ou à distância, apresenta-se como uma necessidade às perspectivas da chamada sociedade do conhecimento, pois, a utilização das novas tecnologias está progressivamente sendo integrada às formas clássicas de ensino mesmo que algumas instituições educacionais ainda não saibam como aproveitar o computador e a Internet como recursos para enriquecer a pesquisa e a comunicação entre as pessoas. Quando não há um bom aproveitamento destes recursos, devido a forma isolada como as disciplinas são trabalhadas por exemplo, os computadores acabam encostados num canto da escola, ou servem apenas de depósito de conteúdos. Logo, "o desafio da modernidade, e da educação, portanto, não é a tecnologia em si, e sim, como fazer uso dela". (BEHRENS, 1996, p. 74).(grifo nosso). Um outro exemplo, no nosso entendimento, de aparente falta de métodos adequados para auxiliar os educadores a desenvolverem uma prática pedagógica interdisciplinar, com o uso dos novos recursos da informática, pode ser decorrente do excessivo volume de informações

disponíveis na Internet. O excesso de informações poderá deturpar o sentido verdadeiro das mensagens, ou conteúdos, que veículam no universo digital, e desse modo, os conteúdos de pesquisas requisitados nas várias disciplinas acadêmicas, poderão transformar-se em informações distorcidas. Vale lembrar que essa preocupação, em selecionar os conteúdos disponíveis nas mais diversas mídias, vem de longa data: Stanley Kubrick em seu legendário filme "Laranja Mecânica" já demonstrava preocupação com a possibilidade da vulgarização da dor e da transformação de seres humanos em pessoas indiferentes ao bem estar coletivo, devido sua exposição inadequada aos meios de comunicação da época, e do acesso fácil há informações pouco recomendáveis para o desenvolvimento pessoal e intelectual. Nesse sentido Eyng (2002, p. 66), ressalta que: "Na construção da proposta pedagógica é de vital importância conhecer o contexto, a situação específica, em que o processo formativo irá se efetivar. Os aspectos que configuram e caracterizam as peculiaridades de cada organização educativa e a inserção dessa no contexto maior da sociedade se define na dimensão contextual. A reflexão acerca desses dados permite estabelecer um diagnóstico da organização educativa e da realidade em que se situa".

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Enfim, o uso de computadores na educação requer

primeiramente o contato pela

comunicação humana, e, se refere à enunciação de conteúdos escolares integrados e significativos. Estes significados são fruto das idéias que se encontram na mente dos professores que pretendem desenvolver junto aos alunos novas maneiras de pensar para compreenderem as linguagens sobre os sistemas complexos que estão na base da vida moderna de todos os seres humanos. "Retomando o exposto, podemos propor que as transformações tecnológicas nas formas de comunicar, de acessar e tratar a informação colocam os profissionais da educação frente a desafios inusitados. Sucumbir ao mal estar, ou construir modos criativos e significativos de apropriação dessas tecnologias são opções que todos, conscientes ou inconscientemente, terão pela frente". MARASCHIN, apud PELLANDA (2000, p.113).

3. A Expansão dos Recursos Tecnológicos no Contexto Educacional Contemporâneo e os Métodos Globalizados: uma proposta para o ensino Com o advento das novas tecnologias da comunicação a humanidade dispõe de fantásticos recursos para dinamizar a troca de informações, a comunicação à distância, o respeito à identidade cultural dos povos, o progresso científico e a democratização do conhecimento. É interessante ressaltar que os jovens, ou a crianças, nascidos na chamada "era digital" apresenta total tranqüilidade e agilidade em utilizar novas tecnologias, como os computadores por exemplo, desde é claro que estas façam parte de seu cotidiano. Segundo a professora Maria Isabel Leme de Mattos, professora do Instituto de Psicologia da USP: "os adultos são mais cautelosos com as novas tecnologias. Os filhos têm maior naturalidade e menos medo de errar"5. Uma significativa parcela da geração nascida no mundo digital parece não ter receio em conviver com as novidades tecnológicas e aprecia os novos jogos de vídeo games, manipula com facilidade as funções de um telefone digital, pesquisa e brinca com computadores e na Internet sem temores; o adulto parece ainda muito tímido diante de tanta tecnologia. Assim, o desafio imposto aos educadores é ensinar num mundo onde o aluno está mais integrado do que ele com o uso de alguns novos recursos tecnológicos. De acordo com Alcantara (1999): "A tendência dos dias atuais tem sido de cada vez mais mergulharmos no mundo da tecnologia de computadores. Hoje essa tecnologia exerce um papel significativo na vida de todos a ponto de sugerir e criar novos papéis e profissões que nunca pensávamos um dia estarem presentes em nossas vidas".

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Na visão de Moran (1999, p. 8). "Ensinar com as novas mídias será uma revolução, se mudarmos simultaneamente os paradigmas convencionais do ensino, que mantêm distantes professores e alunos. Caso contrário conseguiremos dar um verniz de modernidade, sem mexer no essencial. A Internet é um novo meio de comunicação, ainda incipiente, mas que pode ajudarnos a rever, a ampliar e a modificar muitas das formas atuais de ensinar e de aprender." Especialmente a partir de um enfoque globalizador de ensino e adoção dos métodos globalizados. Assim como Zabala, (2002), defendemos a idéia de que os educadores devem oferecer um ensino significativo e dinâmico para seus alunos, a partir de um prática interdiciplinar, pois, se a educação é o meio para promover e conduzir as pessoas a um maior e melhor conhecimento da vida, e para o desenvolvimento de maiores habilidades, no sentido de resolver problemas, não podemos nos acomodar e comungar com situações onde o aluno busca apenas a capacitação ou a formação para o trabalho, ou para a ascensão a níveis cada vez mais elevados de formação, sem interesse real por uma aprendizagem integrada acerca dos vários saberes escolares. De acordo com Zabala ( 2002, p.48), a emergência de inter-relação entre as disciplinas é fundamental, pois, "[...] a situação atual da educação é de absoluta crise, e, esta crise ocorre devido existência de uma tensão entre a aplicação de conteúdos tradicionais, com peso social, e os novos conteúdos emergentes, que correspondem também às exigências das novas profissões, ou, daquelas que possuem maior prestígio na sociedade". Esta tensão parece traduzir-se na educação em uma desarmonia acerca dos critérios que devem ser utilizados para a seleção dos conteúdos de aprendizagem, e, relação entre as disciplinas acadêmicas. Tensão que talvez se agrava especialmente quando os professores

precisam utilizar novas tecnologias, como o computador e a Internet, no processo de ensino e aprendizagem. Conforme Moraes (1997, p.122). "Hoje não se trabalha apenas com textos, livros e teorias escritas no papel, mas também com modelos computacionais corrigidos e aperfeiçoados ao longo do processo. Esse fato, essa mudança técnica provocada pela informática, segundo Levy, desestabiliza o antigo equilíbrio de forças e formas de representação do conhecimento, fazendo com que novas estratégias e novos critérios sejam requeridos para a construção do conhecimento, um conhecimento por simulação, típico da cultura da informática". Enfim, talvez o enfoque globalizador de ensino e a aplicação dos métodos globalizados, na educação superior, passam referendar novos caminhos para eliminar alguns obstáculos de

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Palestra sobre "A Escola do Futuro" da Universidade de São Paulo. USP. São Paulo. 1998. url:http://niee.educom.ufrgs.br/ribie98/cong_1996/congresso_html

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aprendizagem que existiam no modelo tradicional de educação, entre eles, excluir a fragmentação entre os conteúdos curriculares, minimizar possíveis falta de motivação entre os alunos e dificuldades de comunicação entre os educadores.

4. Os Diferentes graus de relações entre as disciplinas escolares e o uso de recursos tecnológicos Num enfoque globalizador de ensino, e para aplicação dos métodos globalizados, o grau de relação e estruturação das disciplinas e dos conteúdos escolares deve transcender, especialmente no ensino superior, uma organização curricular com base na

metadisciplinaridade. De acordo com Zabala, ao mesmo tempo em que dispomos de diversos termos para identificarmos os diferentes graus de relação entre as várias disciplinas acadêmicas, e para a utilização de recursos tecnológicos, é preciso situar um ponto de partida para aplicação de conceitos que se relacionem com a realidade escolar e com a prática pedagógica, pois, "[...] o conceito de enfoque globalizador é um termo especificamente escolar, em que um dos pontos de partida é a aproximação com a realidade que pretende ser fundamentalmente metadisciplinar, embora em seu processo didático os instrumentos para adquirir o conhecimento sejam claramente disciplinares, interdisciplinares e, quando possível, transdisciplinares. (ZABALA, 2002, p. 33). "Em síntese, podemos dizer que, ao organizar os conteúdos de aprendizagem e ensino, podemos partir de modelos nos quais não existe nenhum tipo de relação entre os conteúdos das diferentes disciplinas (multidisciplinaridade); de modelos nos quais se estabelece algum tipo de relação entre duas ou mais disciplinas (interdisciplinaridade) e, inclusive, de modelos nos quais a aproximação ao objeto de estudo realiza-se prescindindo da estrutura por disciplina (metadisciplinaridade) e cujo desenvolvimento didático é abordado sob um enfoque globalizador." (ZABALA, 2002, p.39). A multidisciplinaridade: é um conceito que pode ser compreendido como aquele que considera organização do ensino e a prática pedagógica exercida na educação tradicional. Neste contexto a organização dos conteúdos ocorre de forma independente, ou seja, não há relação entre os conteúdos e as diferentes disciplinas. "A pluridisciplinaridade: é um termo que aponta para relação entre disciplinas mais ou menos afins. Zabala (2002, p. 28), ressalta que a constituição dos diferentes departamentos do

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ensino médio é um possível exemplo de pluridisciplinaridade. Já a interdisciplinaridade pode ser compreendida como a relação entre duas ou mais disciplinas. Referenda a transferência de conceitos de uma disciplina para outra podendo ainda proporcionar a formação de um novo conjunto de conceitos, portanto, de um novo corpo disciplinar. A transdiciplinaridade é conceituada por Zabala, (2002, p. 28-33) como o "grau máximo de relações entre disciplinas, de modo que chega a ser um integração global dentro de um sistema totalizador". Ou seja, permite uma interpretação unificada do conteúdo trabalhado e explica a realidade sem fragmentá-la. Por exemplo, a transdisciplinaridade pode ser contemplada nos vários conteúdos trabalhados na educação infantil, pois, nessa modalidade de ensino ocorre uma aproximação global, integradora, dos assuntos tratados. De acordo com Zabala (2002, p.28) "Nessa ação, para conhecer ou realizar alguma coisa, o estudante precisa utilizar e aprender uma série de fatos, conceitos, técnicas e habilidades que têm correspondência com matérias ou disciplinas convencionais, além de adquirir uma série de novas atitudes". Finalmente, a metadisciplinaridade é compreendida como uma abordagem que não referenda nenhuma relação entre as disciplinas, ou conteúdos. Cada disciplina se desenvolve isoladamente das demais que compõem o currículo escolar. (ZABALA, 2002, p. 34). A partir destas colocações julgamos conveniente considerar que não podemos reduzir o ensino, ou as disciplinas acadêmicas, a um modelo reducionista de currículo e uso dos recursos tecnológicos, pois, embora haja polêmicas acerca da relação existente entre as disciplinas escolares alguns pesquisadores contemplam as proposições do enfoque globalizado de ensino como o ideal para a educação contemporânea. Para Eyng (2002, p. 66). "Os pressupostos pedagógicos em atendimento às demandas do atual contexto, que considerem ainda as necessidades e expectativas individuais deverão viabilizar a pesquisa na prática pedagógica, a análise e compreensão interdisciplinar da realidade do processo coletivo de contrução do conhecimento". Na breve análise que fizemos, acerca do enfoque globalizador de ensino, os

questionamentos apresentados apontam para a necessidade de compreendermos e esclarecermos qual é a real função das disciplinas no sistema educativo, que importância têm a intregação dos conteúdos escolares para a vida dos estudantes frente ao uso de recursos tecnológicos e aplicação dos métodos globalizados na educação superior.

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5. Considerações finais

Amparado no saber extremamente científico o modelo tradicional de educação, no qual impera o progresso, a constante renovação e reformulação da sociedade, da educação e da formação do educador, provocou grandes avanços para a ciência e tecnológia mas também parece ter provocado enganos fatais no campo da educação, especialmente acerca da compreensão e da importância da relação entre as várias disciplinas escolares. Conforme Zabala (2002 p.20). "[...] segundo a sensibilidade social, o poder e o grau de pressão dos diferentes grupos profissionais e universitários, determina a importância de algumas cadeiras sobre as outras ou a inclusão de novas cadeiras e o desaparecimento de cadeiras antigas". O pensamento cartesiano e seus ideais de objetividade, de rigor científico, de economia do pensamento e desapego à metafísica é um fenômeno que pode ser considerado contemporâneo, logo, seria uma atitude complexa tentar afastar este modelo de ensino de uma análise sobre os problemas da educação. Entretanto, parece ser fundamental para a universidade propiciar uma formação de cultura geral para a compreensão da inserção de novos conteúdos e disciplinas escolares, frente a exclusão de outras, de modo que possamos compreender quais as vantagens e desvantagens dessa operação, e para refletirmos sobre a competência dos profissionais da educação quando propõem mudanças educacionais. De acordo com Zabala (2002, p. 20) talvez um dos mais sérios problemas da educação atual, em relação ao modelo tradicional de ensino, esta no fato de que "[...] ao se reduzir o problema da seleção de conteúdos à seleção de matérias, o resultado não é quase nunca conseqüência de uma análise profunda das necessidades formativas dos alunos e, portanto, de uma seleção dos conteúdos de aprendizagem com relação à relevância relativa de cada um desses conteúdos, e sim fruto da força e da ascendência de cada matéria". Portanto a partir das propostas de Zabala, podemos pressupor que, o que diferencia os vários métodos tradicionais dos novos métodos globalizados, quando propõem novas formas de organizar e integrar as disciplinas e os conteúdos escolares, são as formas com que estes são conduzidos no contexto educacional. Conforme Zabala (2002, p.30). "A característica

fundamental que distingue os métodos, globalizados de outros tradicionais, é o fato de que os conteúdos, estão ai para responder a algumas necessidades que são de caráter global e complexo e que não são selecionados somente pela importância que cada um deles têm para uma determinada disciplina acadêmica". Grifo nosso.

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Os novos métodos globalizados parecem ser uma interessante opção para o trabalho pedagógico que contempla a incorporação de recursos tecnológicos no processo de ensino e aprendizagem, de forma integrada com o currículo escolar, ainda que cada instituição contemple em seu currículo a importância e a representatividade dos conteúdos de determinadas disciplinas. Talvez esta breve reflexão sirva de base para incentivar outros estudos, mais profundos, acerca do enfoque globalizador de ensino e aplicação dos novos métodos globalizados, àqueles educadores que têm a intenção de utilizar novos recursos tecnológicos na educação, bem como, para a construção de uma nova e globalizada forma de desenvolver ações pedagógicas no contexto da educação superior.

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