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GUIMARÃES, Aluizio Geraldo de Carvalho. PUC Minas, Mestrando em Psicologia.

Os sentidos atribuídos a Deus nas histórias de vida de moradores de rua

Resumo:

O presente artigo visa abordar, a partir da história oral, os sentidos e as imagens atribuídas a Deus por pessoas que vivem na condição de moradores de rua na cidade de Belo Horizonte. No momento atual em que vive a sociedade, pesquisas apontam que tem aumentado em todo o país o número de pessoas que, por diferentes motivos, passam a viver nas ruas, passam a fazer do espaço público o seu local de moradia e referência. Essa massa denominada população de rua tem ganhado importância no cenário social se tornando um assunto de grande relevância. Nos últimos anos tem crescido o interesse da sociedade civil; da sociedade acadêmica e dos governos com relação a essa temática. Busca-se entender suas especificidades ou mesmo traçar políticas públicas que dêem conta de minimizar seus dilemas e demandas. A prática junto a pessoas que se encontram na condição de moradores de rua na cidade de Belo Horizonte tem revelado que é recorrente a narração de momentos onde aparecem elementos religiosos na vida dessas pessoas. Seja antes da vinda para as ruas; na sua condição atual ou na projeção futura que fazem de suas vidas, tais pessoas expressam um valor simbólico a Deus carregado de subjetividade. Acredita-se que essa ligação exerce uma importante influência na história de vida dessas pessoas podendo assumir diferentes sentidos e significações. Pode ser um elemento de conformismo e alienação ou, ao contrário, elemento de busca de mudança e resistência. A religiosidade pode exercer diferentes influências na vida e no campo Psicológico das pessoas. O método da história oral busca apreender as vivências de pessoas ou grupos buscando entender e resgatar, a partir de seus relatos, a construção que fazem de um fato, uma experiência ou de suas próprias vidas. Analisar e entender a subjetividade de pessoas que vivem nas ruas com relação à sua vivência religiosa e suas experiências de Deus torna-se uma intervenção social podendo auxiliar essas mesmas pessoas a buscarem novos sentidos ou um resgate de suas identidades e a conseqüente transformação de sua condição social e de vida. Introdução: 1.1) O morador de rua, uma possível definição: A figura do chamado "morador de rua" faz parte do cenário dos grandes centros urbanos e das pequenas cidades desde longos tempos. Assumindo identidades como a do "trecheiro", do "mendigo" ou do "doido", sempre foi comum existirem pessoas que viviam nas ruas e praças das cidades, muitos sobreviviam pela caridade de outras pessoas. Na atualidade o que é possível afirmar é que tem aumentado de forma considerável o número de pessoas que vivem nas ruas das grandes cidades. Autores têm voltado seus olhos para o estudo da temática dos moradores de rua e tem crescido a atenção em políticas públicas para essa população visando conhecer suas especificidades e suas demandas. Zaluar (1994) afirma que em todos os tipos de sociedades há a preocupação com o espaço denominado de "lugar do íntimo", daquilo que é secreto, particular e que não é exposto aos olhos públicos. O morador de rua faz um deslocamento permanente para as ruas, espaço público por excelência e, de certa forma, coloca um problema para se pensar essa distinção entre o público e o privado. Faz do público o espaço do privado e de atos privados, algumas vezes, atos públicos. Isso traz

um sofrimento para quem está vivendo nas ruas e o incômodo para os demais e reforça também a postura de coerção de setores da sociedade para com os moradores de rua. Como é apontado no 2º Censo da População de Rua e análise qualitativa da situação dessa população em Belo Horizonte (2006), a população de rua no Brasil é ainda pouco conhecida. As pesquisas oficiais normalmente partem do domicílio como unidade básica de análise e deixam de incluir aqueles moradores que não possuem endereço fixo em suas análises. Isso fez com que, ao longo dos anos, a população de rua ficasse fora das estatísticas oficiais. Paralelamente a isso, os moradores de rua ficam, muitas vezes, excluídos também do mercado formal de trabalho, do acesso às instâncias públicas e aos poucos vão se alienando em sua situação. Nessa mesma pesquisa, procurouse levantar fatores que tem contribuído para o aumento do número de pessoas nas ruas.

"De uma maneira geral, pôde-se concluir que, entre vários fatores, alguns parecem ser mais determinantes para a existência e o aumento do número de pessoas em situação de rua: a falta de moradia, o desemprego, o sofrimento mental, as rupturas familiares, a violência doméstica, o uso de drogas e a pobreza". (2º Censo da População de Rua e análise qualitativa da situação dessa população em Belo Horizonte, 2006, p. 11)

A definição de população de rua é algo que ainda se faz de uma forma confusa. As pesquisas que tem sido feitas com essa população, principalmente nas grandes cidades, tem contribuído para que se conheça melhor o perfil desse público e se estabeleça metodologias de trabalhos com o mesmo. No 2º Censo da População de Rua e análise qualitativa da situação dessa população em Belo Horizonte (2006) os envolvidos na realização desse estudo chegaram à definição de que população de rua é:

"grupo populacional heterogêneo, constituído por pessoas que possuem em comum, a garantia da sobrevivência por meio de atividades produtivas desenvolvidas nas ruas, os vínculos familiares interrompidos ou fragilizados e a não referência de moradia regular". (2º Censo da População de Rua e análise qualitativa da situação dessa população em Belo Horizonte, 2006, p. 11)

Essa definição traz em si três características que são fundamentais para que se possa compreender esse público. O morador de rua, na maioria das vezes, está excluído do sistema formal de trabalho. Ainda que tenha vínculos empregatícios anteriores, muitos ficaram desempregados e chegam a ficar anos sem ter a "carteira assinada". Assim, a única forma de garantir a sobrevivência vem de atividades informais como os bicos ou atividades ligadas a rua como a reciclagem de materiais. Outra característica é a perda dos vínculos familiares. Muitos optam por não terem contato com a família por problemas anteriores, pelo medo de serem rejeitados ou, vão se afastando do contato com a mesma por vergonha de sua situação atual. Não querem que a família saiba que não está bem e "caiu" na rua. A ausência de uma moradia regular é a característica mais marcante desse público que, por isso, passa a ter como referência as ruas, os Albergues públicos ou os espaços públicos como praças e viadutos. De uma forma geral, segundo o2º Censo da População de Rua e análise qualitativa da situação dessa população em Belo Horizonte (2006), pode-se resumir o perfil da população de rua em Belo Horizonte da seguinte maneira: · Em 2005 havia 1.164 pessoas adultas vivendo nas ruas da cidade, das quais 39,04% estavam nessa situação há mais de cinco anos. · A grande maioria (79,66%) é do sexo Masculino; · 41,2% são pessoas que migraram de alguma cidade do interior para a capital. Essa quantia é maior que o número de nascidos na cidade que é de 32,6%. · 55,60% estão na faixa de idade que varia de 18 a 45 anos sendo que o maior percentual (12,43%) está na faixa de 25 a 30 anos. · 46,8% estudaram da 1ª a 4ª série completa.

·

42,8% vive da cata de material reciclável.

· 30,6% declararam que seu maior desejo é conseguir uma moradia e 24,1% disseram que é conseguir um emprego. O viver nas ruas faz com que aos poucos a pessoa que se encontra nessa situação, o morador de rua, assuma a figura de um caído, alguém que sem ter uma rotina fixa e sem desempenhar papéis que a sociedade e suas instituições reforçam como positivos, vai aos poucos perdendo sua identidade.

A simbologia da queda é particularmente forte entre os que abandonam seus laços sociais como a família, os parentes, os amigos e passam a viver na solidão nômade dos que perderam seus referenciais de organização social ­ tão importantes na construção de identidades sociais positivas e de personalidades com auto-estima e noção de dignidade própria. (ZALUAR, 1994, p.23)

É necessário que se reconheça que se tem avançado em termos de políticas públicas buscando traçar metodologias de trabalho com moradores de rua e minimizar sua situação de invisibilidade e exclusão social, contudo, há ainda um longo caminho a ser percorrido para que se resolva a situação.

1.2) O campo religioso brasileiro e formas religiosas atuais: Ao analisarmos a questão religiosa em nosso país, notamos que no Brasil se fazem presentes inúmeras expressões religiosas que circundam o dia-a-dia e a realidade das pessoas. De maneira geral essas distintas religiões convivem harmonicamente cada uma buscando seu espaço e seus fiéis. O campo religioso brasileiro se faz presente para além dos templos, ele está na música, nos nomes de ruas, nos monumentos, enfim, na cultura de maneira geral. A pós-modernidade trouxe mudanças no campo social; econômico, científico e na cultura de uma forma geral, que introduziram cisões nas religiões e na maneira do ser humano se relacionar com Deus. Contudo, essas transformações, apesar de apontar para o declínio das religiões, não determinou o fim das mesmas e nem o fim de sua influência sobre a vida das pessoas. O fenômeno que observamos atualmente é que multiplicam-se o número de igrejas e o número de pessoas que buscam na religião a forma de se ligarem a Deus. Segundo Antoniazzi (2003) no caso do Brasil, isso se torna ainda mais evidente, posto que, pelo censo realizado no ano 2000, a grande maioria da população brasileira se afirma cristã e integrante de alguma religião. Vivemos em um país essencialmente Cristão onde é muito grande o número de católicos e onde o número de cristãos evangélicos cresce de forma acentuada 1. Giovanetti (2004) aponta um fator histórico e antropológico nas raízes do Brasil que podem nos ajudar a compreender esse fenômeno do crescente interesse das pessoas pelo religioso no país. Tais fatores antropológicos vieram a favorecer, preparar o terreno, para a valorização das experiências religiosas em nosso país, o que se reflete ainda hoje.

[...] Nas sociedades em que a dimensão mágica faz parte da cultura, como, por exemplo, no Brasil, onde a visão mágica foi um elemento importante na visão de mundo de índios e negros, a manifestação da dimensão religiosa está mais arraigada na vida das pessoas. (GIOVANETTI, 2004, p. 112).

Podemos entender essa chamada dimensão mágica como a tentativa dos homens de explicar os fenômenos através de causas externas a eles mesmos. A cultura religiosa de negros e índios, somadas ao Cristianismo que foi trazido pelos descobridores criou um terreno amplo para a religiosidade e o sincretismo no solo brasileiro.

No Censo realizado no ano 2000, 73,8% dos brasileiros se declararam católicos (125 milhões/pessoas) e 15,45% se declararam evangélicas (26 milhões/pessoas).

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Bittencourt Filho (2003) busca explicitar as bases religiosas e culturais que deram origem ao campo religioso brasileiro afirmando que há uma matriz religiosa brasileira. Essa matriz serve de base para as formas religiosas que vem se apresentando ao longo do tempo no país e influencia a religiosidade das pessoas. Com relação aos elementos que se fundiram na composição da Matriz Religiosa Brasileira, o autor conclui que para responder a essa pergunta é necessário que se recorra à formação histórica da nossa nacionalidade.

"Com os colonizadores chegaram o catolicismo ibérico (reconhecidamente singular) e a magia européia. Aqui se encontram com as religiões indígenas, cuja presença irá impor-se por meio da mestiçagem. Posteriormente, a escravidão trouxe consigo religiões africanas que, sob determinadas circunstâncias, foram articuladas num vasto sincretismo. No século XIX, dois novos elementos foram acrescentados: o espiritismo europeu e alguns poucos elementos do catolicismo romanizado." (BITTENCOURT FILHO, 2003, p. 41)

É possível afirmar que a Matriz Religiosa Brasileira é, desde a sua essência, marcada por um pluralismo que contribui para o sincretismo que ainda hoje se faz presente em nosso país. A diversidade de crenças atesta essa realidade. Na seqüência o autor reafirma a existência de uma Matriz Religiosa Brasileira e de uma religiosidade que lhe é inerente a qual ele denomina de Religiosidade Matricial.

"É preciso dar por assentado que a religiosidade refere-se ao domínio do religioso não institucionalizado, ou seja, um estado que carece de legitimação social formal. Trata-se do domínio da prática religiosa, em que não existe a sistematização especializada de crenças, nem a reprodução específica de práticas e de rituais. Nesse domínio é perfeitamente plausível a reapropriação, a reinterpretação e, por que não dizer, a reinvenção de conteúdos pertencentes aos sistemas religiosos institucionalizados. Historicamente, essa tem sido a maneira por meio da qual as camadas populares têm assimilado e reproduzido as religiões institucionalizadas e vice-versa." (BITTENCOURT FILHO, 2003, p. 71)

Ainda segundo Bittencourt Filho (2003) o que se pode notar na sociedade atual é que o indivíduo tem tomado para si a tarefa de moldar a própria síntese, isto é, de construir sua religiosidade privada. Essa afirmação vai de encontro às novas formas religiosas que vem se apresentando na contemporaneidade. Hervieu-Léger (2008) afirma que a modernidade trouxe uma mudança na maneira de ser religioso das pessoas. Há na sociedade atual uma dinâmica marcada de mobilidade das pertenças religiosas; a desterritorialização das comunidades, a desregulação dos procedimentos de transmissão religiosa e a individualização das formas de identificação. Tudo isso faz com que se enfraqueça a tradicional figura do praticante religioso e apareçam duas figuras que representam bem essa dinâmica do movimento; a figura do peregrino e a do convertido. Segundo a autora a figura do peregrino remete à fluência dos percursos espirituais individuais e a mobilidade da associação temporária. O peregrino assume para si a responsabilidade de fazer sua forma religiosa. Quanto à figura do convertido Hervieu-Léger (2008) afirma que ela pode aparecer sob três modalidades diferentes reforçando a questão da escolha individual. Apresenta-se como a figura do indivíduo que muda de religião, daquele que se adere a uma tradição religiosa de forma inaugural e daquele que retoma a uma tradição religiosa antes abandonada por ele. Ambas as figuras levantadas pela autora reforçam o caráter de escolha e transitoriedade que marcam o religioso atual se contrapondo às identidades religiosas herdadas e que, de certa forma, determinavam o percurso e o horizonte religioso dos indivíduos. Há a presença do fenômeno do crer sem pertencer e, como afirma a autora, uma bricolagem de fé onde a cada pessoa é dada a possibilidade de moldar sua síntese.

"Diferentemente daquilo que nos dizem, não é a indiferença com relação à crença que caracteriza nossas sociedades. É o fato de que a crença escapa totalmente ao controle das grandes igrejas e das instituições religiosas. (...) A descrição da modernidade religiosa se organiza a partir de uma característica maior, que é a

tendência geral à individualização e à subjetividade das crenças religiosas" (HERVIEU-LÉGER, 2008, p. 41/42)

Outro elemento importante a se pensar com relação à religiosidade e que diz respeito às camadas populares, é a religiosidade popular. É historicamente comprovado que nas classes populares a religiosidade aparece como um elemento importante de sua subjetividade. Se analisarmos a história do Brasil, veremos que sempre existiram práticas religiosas que permeiam a realidade de grupos populares e excluídos constituindo formas únicas de se relacionar com a entidade superior. Nesse sentido somos levados a pensar nas características do que pode ser chamado de religiosidade popular:

... a religiosidade popular é aquela que provém dos costumes rurais da maioria da população. Trata-se de fenômeno não-oficial, espontâneo, fora dos limites governados pela autoridade religiosa e não-especializada. É fruto de criação coletiva, sincrética, que usa diretamente as expressões da vida comum, estabelecendo um relacionamento concreto com as coisas e entidades sobrenaturais. A religiosidade popular integra as dimensões internas e externas das pessoas e dos grupos comunitários, constituindo-se em ponto de vitalidade na luta pela sobrevivência diária e no enfrentamento dos problemas do quotidiano de um povo. (FILHO, 2004, p. 162)

Essa forma de religiosidade popular expressa o modo que as pessoas encontram de se relacionarem com Deus. Essa entidade sobrenatural vem de fora e age no sentido de ser um aparato para a realidade muitas vezes cruel. No caso da população de rua é uma herança que a pessoa traz de sua vida anterior e aquilo que, muitas vezes, lhe dá forças e um sustento psicológico para buscar sair dessa situação.

Superar o cotidiano ­ comer, vestir-se, morar, divertir-se, é uma luta que só pode ser vencida ­ ou suportada ­ com o auxílio dos santos, de Deus, de forças que estão acima da compreensão humana. É por isso que o discurso popular fala mais a Deus do que de Deus. Trata-se de uma experiência pessoal direta, não intelectualizada, que se expressa numa linguagem oblíqua, metafórica (conforme se encontra nas parábolas do Novo Testamento), ao mesmo tempo que tem um caráter profundamente utilitário. (CÉSAR, 1976. P. 15)

Pode-se concluir que a religiosidade e a ligação com o ser transcendente continua a ser uma prática e uma realidade no dia-a-dia das pessoas. Por isso tudo se torna relevante buscar compreender como a religiosidade, como a ligação com Deus se faz presente no universo dos moradores de rua.

1.3) Os moradores de rua e a religiosidade. Minha prática profissional com pessoas em situação de rua vem de cinco anos de trabalho em um equipamento chamado Centro de Referência da População de Rua, esse, é ligado a Secretaria Municipal Adjunta de Assistência Social e se insere dentro da Política para população em situação de rua da Prefeitura de Belo Horizonte. É, portanto, um serviço público que é mantido por recursos da Prefeitura Municipal em sistema de parceria com uma ONG. O Centro de Referência da População de Rua tem como objetivos acolher e atender pessoas adultas e famílias em situação de rua procurando responder demandas pontuais e realizar encaminhamentos para a rede sócio-assistencial e de saúde da Prefeitura de Belo Horizonte. Além disso, é um local que oferece a possibilidade do morador de rua se organizar a partir da oferta de banheiros para higiene corporal; tanques para a lavagem de roupas e armários individuais para guarda de roupas, documentos e outros pertences. No dia-a-dia, tenho a oportunidade de fazer a escuta da história das pessoas que chegam pela primeira vez ao equipamento e também o acompanhamento de outras pessoas

que já são estabelecidas na cidade e mais antigas na freqüência ao local, todos na condição de moradores de rua. Dentro dessa escuta ao longo dos anos, minha atenção foi se voltando para a forma e a grande freqüência com que as pessoas em situação de rua expressam através de suas falas a influência da religiosidade em suas vidas. Posso afirmar a partir dessa prática, que muitas pessoas que se encontram morando nas ruas têm suas histórias atravessadas por uma religiosidade. O fato de estar na rua não faz com que esse fenômeno religioso desapareça. A maioria das pessoas traz algo da influência religiosa em seus discursos e em suas ações. Duas situações aparecem de uma forma mais determinante: Alguns afirmam que estão nas ruas, entre outros motivos, por terem se afastado de Deus. Relatam então experiências de vivências religiosas e como ao se afastarem dessas, suas vidas foram se modificando e se perdendo até chegar a essa situação. Já outras pessoas expressam a fé de que Deus é quem irá tirá-las dessa situação de miséria. Nos seus relatos Deus aparece como uma força que os ajuda no dia-a-dia e quem os pode ajudar a reerguerem-se. A religião ora aparece como alienação, ora aparece como força e possibilidade de superação. Paralelamente a essa religiosidade latente, o ambiente do morador de rua da cidade de Belo Horizonte é marcado pela presença de grupos e instituições religiosas que procuram de diferentes maneiras, acompanhar e assistir a esse público. Algumas dessas instituições tem longo tempo de trabalho com esse público e são inclusive parceiras na política pública da cidade. A presença desses grupos religiosos se torna mais um elemento reforçador possibilitando a presença da religião e da ligação com Deus no dia-a-dia do morador de rua. Dentre vários grupos podemos destacar os de orientação católica, evangélica e espírita. Dentre os católicos ainda é possível subdividir em grupos de uma orientação mais tradicional e outros renovados, carismas mais caritativos e outros mais libertários. Um ponto a ser levantado é que cada um desses grupos é movido por um ideal, tem uma visão política e social do morador de rua e age segundo essa inspiração. Um fato que chama a atenção e que é narrado pelos próprios moradores de rua é que os mesmos convivem e freqüentam diferentes espaços religiosos de forma simultânea. Assim, é normal freqüentar um ambiente católico em um dia da semana, participar de um culto evangélico em outro, em seguida, participar de uma reunião espírita. Não nos cabe fazer juízo de valor sobre esse comportamento e é necessário que se avance no posicionamento do senso comum que acredita que essas pessoas são atraídas simplesmente pelo ganho secundário dessas

práticas religiosas já que é comum que nesses espaços sejam oferecidos alimentos ou roupas. O questionamento que procuro levantar é qual o significado dessa religiosidade, do sentido de Deus para essas pessoas que se encontram na situação de morar nas ruas. Será pura ilusão e uma forma de mascarar a realidade doída? Será uma alienação de seus direitos e um conformismo com a situação de rua? Será se podemos entender também essa religiosidade como uma fonte de energia psíquica vital para a continuidade da sobrevivência dessas pessoas? Será se é a religiosidade quem pode ser uma alavanca nos projetos futuros dessas pessoas as incentivando a sair dessa situação de miséria social?

Desenvolvimento: 2.1) A religiosidade e suas implicações psicológicas:

Frente à presença e a influência da religiosidade na sociedade e na vida das pessoas, nota-se o crescente interesse da Psicologia pela religião e intensifica-se a velha discussão em torno de Deus e o

que essa interação produz nas pessoas. Se, por um lado, a Psicologia, por muitos anos, se mostrou fechada à idéia de Deus, temos hoje um número crescente de teóricos que têm tentado trilhar esse caminho. É assim que surge a possibilidade de um diálogo entre a Psicologia e a Religião. Segundo Giovanetti (2004), a discussão religiosa, que parecia ter desaparecido nesses tempos de pós-modernidade, continua em alta. Além disso, a influência da religião na vida das pessoas continua sendo uma marca. Ainda que não seja da mesma forma e com a mesma intensidade de antes, a religião dita normas e estilos de vida a seus fiéis que, por diferentes razões, se rendem a esses preceitos. Fazem dos ritos religiosos o momento de seu encontro com Deus e com o seu próprio ser. A religião constitui-se como uma forma de encontro. Os sentidos atribuídos a Deus interferem diretamente na maneira de ser e de se relacionar de cada pessoa, além disso, revela também traços psicológicos e subjetivos dessa mesma pessoa.

Segundo Amatuzzi (2001), há no ser humano uma religiosidade latente ou um senso religioso que é algo que está na base de nossas questões de sentido. Se formos nos questionando pelo sentido das coisas, da vida, acabaremos nos perguntando pelo sentido último, mais radical, ou seja, um questionamento que ultrapassa o limite do conhecido, do apreensível. O que dá fundamento a esse questionamento é o senso religioso. Para o autor a experiência religiosa são acontecimentos marcantes que são assumidos com esse significado e relacionados com a ultimidade de sentido por aquele que vivencia essa experiência.

[...] Nessa acepção mais específica, uma determinada experiência religiosa é algo vivido como um encontro pessoal com outra dimensão da realidade de onde decorre a compreensão mais radical de todas as coisas, e que é, em geral, referida a um pólo transcendente do sentido, denominado Deus. (AMATUZZI, 2001, p.29)

Amatuzzi (2001) propõe que o ser humano vai se desenvolvendo ao longo da vida passando a níveis psicológicos cada vez mais complexos. Assim, em cada fase da vida o indivíduo se depara com um desafio central do ponto de vista psicológico. Quando a pessoa responde a esse desafio, permite que surja outro e então passa para uma outra etapa de sua vida. À medida que se avança na vida, que se responde a esses desafios, o sujeito muda a sua concepção de eu, que é a idéia que o sujeito tem de si próprio. O autor parte desse esclarecimento para afirmar que a concepção de eu e a posição religiosa de uma pessoa estão intimamente ligadas já que o sentido de eu é consistente com o sentido de tudo mais. A questão que se coloca é que, caso o desafio central não seja respondido, solucionado, esse movimento de crescimento e evolução do eu pode ser quebrado ou deixar marcas negativas posteriores. No caso do desenvolvimento religioso, uma não solução desse desafio central pode levar o homem a uma relação não sadia com o ser transcendente e com sua própria vida. Ao invés de levar o homem a um autoconhecimento e a assumir uma posição libertadora que envolva a ética e o cuidado, o diálogo, entre outros, a religião pode ser encarada como uma forma de barganha e Deus como um ser punitivo e regulador. A religião muitas vezes acaba sendo usada como uma forma de desresponsabilização da própria vida.

[...] A presença do religioso, psicologicamente falando, é passível de efeitos pessoais contraditórios: ela pode ser promotora ou bloqueadora de desenvolvimento humano. Isso dependerá tanto da qualidade desse religioso como da função psicológica com a qual ele surge. Supõe-se aqui que o religioso mais autêntico seja promotor do humano (tanto em geral como naquele aspecto a ser preservado em termos do todo nesse momento de desenvolvimento para essa pessoa e sua comunidade). Mas isso significa também que existe a possibilidade de um trabalho pessoal em direção a uma autenticidade maior da vivência religiosa. (AMATUZZI, 2001, p. 50).

Cabe a cada um buscar uma maior compreensão de si e dos mistérios que o cercam e, a partir daí, buscar construir relacionamentos mais autênticos tanto com os outros quanto consigo mesmo e o próprio ser transcendente.

Dependendo da forma como é encarada, de como ressoa para cada um, a vivência religiosa pode aproximar o homem de si, dos seus projetos. Nesse caso é uma vivência libertadora e que possibilita ao homem a transcendência, a abertura a novas realidades. Contudo, ela pode também prestar-se a afastar o homem de um encontro verdadeiro consigo.

2.2) A história oral como método de investigação científica: O presente artigo está inserido dentro de uma pesquisa mais ampla que vem sendo desenvolvida por mim junto a pessoas que se encontram em situação de rua na cidade de Belo Horizonte2. Como parte da metodologia que tem sido utilizada na realização da pesquisa, tenho realizado entrevistas com pessoas em situação de rua buscando apreender os sentidos atribuídos a Deus por essas pessoas dentro de suas histórias de vidas. Segundo Machado (2002) a entrevista é um instrumento tradicionalmente utilizado na coleta de dados nas ciências sociais. A entrevista é assim um instrumento de coleta de informações e as respostas que os entrevistados nos dão, falam de um momento de suas vidas, um recorte de suas histórias. Os discursos são construídos a partir de um contexto histórico dentro do qual a pessoa se situa. Como forma de colher os dados para a posterior análise, o método que vem sendo utilizado é o método da história oral. Acreditamos que a partir da oralidade se torna possível entrar em contato com a narração dos sentidos dados pelas pessoas a suas vivências. A partir da narração dessas vivências busca-se compreender qual a importância da religiosidade na vida dos moradores de rua. Segundo Becker (1999) a história de vida não é um dado para a ciência social convencional, mas possui algumas de suas características por se constituir numa tentativa de reunir material útil para a formulação de teoria sociológica geral. Não é uma autobiografia convencional nem uma ficção. O método da história de vida difere de outros por atribuir uma maior importância às interpretações que as pessoas fazem de sua própria experiência, sendo atualmente muito utilizada em pesquisas qualitativas.

"Esta perspectiva difere daquela de alguns outros cientistas sociais por atribuir uma importância maior às interpretações que as pessoas fazem da sua experiência como explicação para o comportamento. Para entender porque alguém tem o comportamento que tem, é preciso compreender como lhe parecia tal comportamento, com o que pensava que tinha que confrontar, que alternativas via se abrirem para si; é possível entender os efeitos da estruturas de oportunidades, das subculturas delinqüentes e das normas sociais (...)". (Becker, 1999, p. 103)

O método da história oral busca apreender as vivências de pessoas ou grupos buscando entender e resgatar, a partir de seus relatos, a construção que fazem de um fato, uma experiência ou de suas próprias vidas.

2.3) Os sentidos atribuídos a Deus por moradores de rua a partir da história oral: Apresento a seguir alguns trechos de entrevistas exploratórias que foram realizadas com pessoas em situação de rua. A proposta inicial foi de que os entrevistados contassem sua história de vida. No decorrer da entrevista foi feita a todos a pergunta: "quem é Deus para você?" As respostas revelam posições subjetivas e religiosas e mostram quais os sentidos atribuídos a Deus em suas histórias.

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A religiosidade de moradores de rua da cidade de Belo Horizonte como processo de subjetivação. Pesquisa para obtenção do título de Mestre em Psicologia ligada ao Curso de Mestrado em Psicologia da PUC Minas.

Cabe ressaltar que as identidades dos entrevistados foram preservadas e serão citados nomes fictícios. Todos os entrevistados são pessoas que se encontram em situação de rua na cidade de Belo Horizonte. Pablo de 29 anos relata uma história de vida marcada por uma prática religiosa. O mesmo relatou com entusiasmo sua infância e adolescência falando de quando morava com a família e freqüentava a igreja. Ao longo da entrevista o mesmo vai atribuindo seu momento atual, o morar nas ruas, ao afastamento que fez da Igreja e da palavra de Deus.

"Eu era evangélico... quer dizer, era não... eu já fui agora eu sou desviado, quer dizer, desviado não eu sou afastado porque desviado é o demônio... Porque Deus é vida sabe e se Deus quizer ele vai tocar no meu coração. Eu quero ter forças pra voltar pra Deus ainda sabe. Eu faço minhas orações todos os dias... Quem não conhece a palavra de Deus sofre, agora, quem conhece e não segue sofre mais ainda. Você sabe que ta errado e ta fazendo... são sete demônios que entram dentro de você. Eu rastejei, eu sofri, fui preso... Deus me fez sofrer..."

Podemos ver que no discurso do entrevistado Deus aparece como um pai castigador que inflige o sofrimento àquele que dele se afastou. Sair das ruas torna-se possível quando acontecer um retorno a Deus, a religião. Há uma alienação da condição de escolha inerente ao ser humano, pois, o entrevistado coloca sua mudança como dependente da vontade de Deus e não de sua própria vontade. Sérgio, de 47 anos, possui longa trajetória de rua. No momento da entrevista, para a qual ele mesmo se ofereceu, estava muito embreagado. O mesmo projeta uma melhoria futura de sua vida, mas, coloca sua mudança como uma condição de situações que deveriam acontecer antes, situações que, naquele momento, eram inexistentes. A figura de Deus e de Jesus, como o mesmo faz referência, surge como um livramento dos vícios e de sentimentos negativos, contudo, faz-se presente a ilusão do possível e ausência de ações concretas para mudar a realidade.

"Ele olha por nós todos e a gente tem que fazer o possível... pra alcançar a salvação. Pra gente obter uma salvação a gente tem que procurar, assim, mais a Deus. E ai gente... ou porque beber e fumar, esses negócios do vício, isso é uma coisa discutível... eu só fumo um cigarro e bebo um álcool. Sabe assim, se eu conseguisse uma boa mulher, um bom serviço, ai eu libertava de tudo sabe. Eu peço a Deus pra me livrar da ambição, da inveja, do vício. Todos nós temos um dom sabe, que é de Deus mesmo. Meu dom é sempre pegar com Jesus e, certo... arrumar um bom serviço. Eu já fiz uma inscrição e tô esperando me chamar, ai eu vou beber uma cerveja só no final de semana, até parar de tudo".

Claudio possui 42 anos de idade. O mesmo, ao ser perguntado sobre quem é Deus, faz uma leitura crítica da religião e de suas instituições diferenciando os ensinamentos religiosos da imagem e da representação de Deus. Na resposta do mesmo Deus aparece como um amparo, uma forma de sustentação para a vida nas ruas.

Quem é Deus? É tão difícil da gente assim falar... Diante dessa vida que eu vou vivendo ai, como muitos ai, Deus tem dado pra gente sabedoria pra se livrar de tudo que é ruim e continuar lutando em busca de viver, em busca de uma vida digna. È Deus mesmo, porque da gente não é... a gente erra muito, a gente é falho, se a gente for querer fazer as coisas conforme a gente, no nosso pensamento, a gente só quebra a cara. Eu acredito que Deus fala com a gente (...) Religião é o homem que cria né... é uma forma de escravizar o outro, de escravizar pobre né... então ele que cria. Mas a religião fala de Deus também, faz uma mescla das coisas de Deus... ai faz aquela mistura: mitologia, superstição, crendice, entendeu? Deus não é essas coisas não.

Pedro de 26 anos faz também a mesma colocação de que Deus é uma força que dá sustentação nos momentos de dificuldades. Fala das dificuldades de viver nas ruas e como Deus aparece em sua realidade o ajudando a suportar a solidão e os medos presentes no seu dia-a-dia.

Deus é tudo... só que ocê tem que fazer por onde pra ele poder te ajudar, se ocê não... se você não vai até ele, como é que ele vai poder te ajudar? Ele te chama só que você não escuta. Ai a.. a rua te oferece coisas que te faz esquecer ele... quando você ta na solidão ai é que você pensa em Deus. Nos medos, aflitos, quando a

polícia te pega... puxa seu nome... tanto que eu não, eu não temo por que o meu nome é limpo. Mas... a primeira coisa que eu penso é em Deus. Penso o tempo todo e peço pra ele me da força.

Gabriela, 21 anos, viveu nas ruas desde que era menor de idade. Na época da entrevista a mesma estava prestes a sair das ruas e morar em uma casa de aluguel. A mesma tem uma visão positiva de si atribuindo-se uma qualidade de guerreira, de quem sobreviveu às ruas e as drogas. Deus aparece para a mesma como a figura que ajudou e deu forças nessa trajetória.

"A... Deus é tudo né... Deus é tudo na minha vida... porque se não fosse ele eu acho que eu não... não conseguiria passar isso que... vencer isso que eu venci não porque.. as vezes.., eu tenho a minha falha, mas, eu acho que eu considero eu como uma guerreira, porque são poucos, poucas pessoas que... até mesmo que eu conheci né, que passou isso e que conseguiu. Muitos tão de baixo da terra né, porque até mesmo do meu lado assim que eu via gente, entende, morrer de tiro assim na minha frente, já vi gente morrer queimado na minha frente, sem eu poder falar nada né... eu acho que se eu não saísse dessa vida meu futuro ia ser esse. Com certeza que Deus me ajudou né... eu buscava oração na igreja..."

Nos relatos acima apresentados pelo menos dois sentidos podem ser identificados na maneira de pessoas que moram nas ruas se relacionarem à imagem de Deus. Há uma experiência que é aprisionadora onde Deus aparece como um pai punitivo ou como aquele que pode determinar a mudança na vida e na condição social das pessoas. A outra imagem, o outro sentido, é de um Deus que dá força e sustentação para a realidade tão adversa. Esse sentido é experienciado como libertador e favorece ao crescimento e a libertação para outra realidade que pode ser construída.

Conclusão: Apesar de as transformações sociais e culturais advindas com a modernidade terem provocado cisões na religião e nas igrejas enquanto insituições, o que se pode afirmar é que no atual momento em que vivemos a religiosidade e a ligação do ser humano com Deus, com o transcendente, continua a ser uma forte influência na vida das pessoas. No caso do Brasil, onde desde as origens do país os elementos religiosos se fizeram presentes, há um favorecimento para que a religiosidade seja difundida e vivenciada como parte da subjetividade e da realidade das pessoas. Em um nível psicológico a religiosidade pode ser vivenciada de diferentes formas produzindo diferentes implicações. A população de rua se constitui como um fenômeno social que tem ganhado destaque no contexto atual. Pensando especificamente na população de rua, é possível afirmar a partir de uma prática, que a religiosidade se faz presente na história de vida de muitas dessas pessoas representando uma ligação com o seu passado, seu presente ou a projeção de seu futuro. A religiosidade e o sentido atribuído a Deus por pessoas em situação de rua podem agir de maneira libertadora favorecendo ao sujeito que saia de sua condição de exclusão social ou podem ser vivenciadas de maneira aprisionadora favorecendo ao conformismo e a desresponsabilização para com a própria vida.

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Aluizio Guimarães

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