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Paulo Pereira

Núcleo gerador 6: Urbanismo e Mobilidade Domínio de Referência: DR1 ­ Contexto Pessoal Tema: Construção e Arquitectura Data: 07 de Julho de 2009 Cursos: Sistemas Nome: Paulo Pereira

1. Leia o texto 1.

Beja: Nova urbanização que substituiu bairro de barracas recebeu hoje primeiros moradores 03-Out-2007 As primeiras famílias de uma nova urbanização em Beja, que substituiu um aglomerado de barracas, receberam hoje as chaves das casas, cuja venda tem sido afectada pela proximidade de um bairro problemático, admitiram hoje os promotores. A Colina do Carmo "nasceu" após a demolição do último aglomerado de barracas ilegais que existia na periferia de Beja, junto ao Bairro da Esperança, problemático em termos de pobreza e associado ao tráfico de droga. A nova urbanização foi construída no âmbito do processo de requalificação do bairro e ao abrigo de um contrato de desenvolvimento habitacional a custos controlados, entre a Câmara e uma sociedade de construções.

Texto 1 Com base na leitura do texto 1, faça uma reflexão sobre a problemática dos bairros sociais, fazendo uma referência à Constituição Portuguesa.

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Como todos sabemos, existia uma grande percentagem da população portuguesa sem habitação condigna. Principalmente nas grandes cidades, onde existia uma grande aglomeração de bairros de lata, em que as pessoas viviam em péssimas condições. A solução encontrada pelos governantes, para tentarem resolver esta situação, foi a construção massiva de bairros sociais. Penso que a principal razão inerente a esta escolha foi o custo reduzido, quando comparado com outras soluções . Os bairros sociais têm uma grande percentagem de pessoas com baixos rendimentos, baixa escolaridade e com uma grande precariedade laboral. Nos bairros sociais as pessoas foram de certa forma "despejadas", não tendo em consideração as diferentes raças. Como consequência existem muitos problemas em grande parte destes bairros, como por exemplo, roubos, violência racial, tráfico de drogas, etc. Sendo que, na minha opinião, alguns destes bairros estão eles próprios a transformar-se em bairros de lata, devido à elevada degradação que os mesmos estão sofrer. Segundo o artigo 65º da nossa constituição, todos temos direito a uma habitação condigna, e os bairros sociais foram a forma de os conseguir. O problema, é que a integração das pessoas foi negligenciada.

Como solução, devíamos ter optado por bairros mais pequenos em que a integração das diversas raças pode-se ser melhor acompanhada pelos responsáveis. Se num bairro existe uma comunidade problemática de uma determinada raça, não devíamos colocar no mesmo bairro, outra comunidade problemática (sobretudo se for de uma diferente raça). Grande parte de solução tem de passar por uma maior instrução das pessoas e da melhoria da sua condição laboral.

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STC ­ Sociedade, Tecnologia e Ciência 2. Observe a Figura 1.

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Figura 1 Casa tradicional alentejana. 2.1. Identifique diferentes espaços funcionais no alojamento representado.

Esta habitação dispõe de uma cozinha (área social) e quarto (área privada).

2.2. Descreva a sua habitação, identificando os espaços funcionais associados às zonas privadas e sociais. A minha habitação é um alojamento rural, constituído por: - Parte social ­ Cozinha, sala, casa de banho, cave, varanda, anexos. - Parte privada - Quartos

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3. Observe a Figura 2.

Figura 2 Planta de um apartamento.

3.1. Descreva as alterações que faria à planta da figura 2 se tivesse necessidade de acrescentar uma divisão (por exemplo um escritório ou um quarto suplementar) a esta habitação de modo a promover uma melhoria do bem-estar.

Penso que a melhor solução para acrescentar uma divisão seria a fechar a varanda, juntar a mesma à sala e depois dividir a sala em duas divisões.

3.2. Considere a planta arquitectónica da habitação onde reside e proponha alterações no sentido de melhorar o seu bem-estar individual.

Faria uma escadaria interna para ligar o primeiro andar à cave. Transformaria os quartos em suites, um ou dois quartos. Faria também um ou dois escritórios na cave, já que é um espaço amplo e desde que tivesse o acesso interior.

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4. Observe com atenção as figuras 3 e 4 que ilustram diferentes materiais utilizados nas construções modernas.

Figura 3 ­ Wallmate.

Figura 4 ­ Roofmate.

Para além da técnica demonstrada nas figuras, identifique outras técnicas, referindo os materiais, que são utilizadas nas construções modernas como meio de melhorar as condições da habitabilidade das habitações e reduções de custo.

O sistema Capotto também conhecido pela sigla ETICS (Sistema de Isolamento Exterior). O sistema ETICS apresenta vantagens no caso de edifícios com isolamento térmico insuficiente, infiltração ou aspecto degradado. De um modo geral, os sistemas de isolamento pelo exterior são constituídos por uma camada de isolamento térmico aplicada sobre o suporte e um paramento exterior para protecção, em particular, das solicitações climáticas e mecânicas. Vantagens do sistema ETICS: - Redução das pontes térmicas, o que se traduz por uma espessura de isolamento térmico mais reduzido para a obtenção de um mesmo coeficiente de transmissão térmica global da envolvente. - Diminuição do risco de condensação. - Aumento da inércia interior dos edifícios, dado que a maior parte da massa das paredes se encontra pelo interior do isolamento térmico. Este facto traduz-se na

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melhoria do conforto térmico de inverno, por aumento dos ganhos solares úteis, e também de verão, devido à capacidade de regulação da temperatura interior. - Economia da energia devido à redução das necessidades de aquecimento e de arrefecimento do ambiente interior. - Diminuição da espessura das paredes exteriores, aumentando a área habitável. - Redução do peso das paredes e das cargas permanentes sobre a estrutura. - Aumento da protecção conferida ao tosco das paredes face às solicitações dos agentes atmosféricos (choque térmico, radiação solar, etc.) - Diminuição do gradiente de temperatura a que se sujeitam as camadas interiores das paredes. - Possibilidade de mutação de aspecto das fachadas e colocação em obra sem perturbar os ocupantes dos edifícios o que torna esta técnica de isolamento particularmente adequada à reabilitação de fachadas degradadas. - Grande variedade de soluções de acabamento. - Poupança energética e conforto interior.

Aplicação ETICS 1. Montagem dos perfis de arranque e laterais 2. Preparação da cola 3. Aplicação da cola 4. Colocação do isolamento 5. Reforço dos pontos singulares 6. Aplicação da camada de base armada 7. Aplicação da camada de primário 8. Aplicação do revestimento final.

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5. Leia o texto 2.

A importância do isolamento térmico nas habitações O isolamento é imprescindível para se obter uma construção eficiente em termos energéticos. Não adianta aquecer uma casa quando temos perdas térmicas através das paredes não isoladas. O que se pretende é ter o ar no interior da habitação a uma temperatura agradável e assim o manter. Para isso o ar não pode "escapar-se", e é precisamente o material utilizado para o isolamento associado a um pára-vento que impede a saída do ar. Assim, deve evitar-se a entrada de correntes de ar quente ou frio, consoante a época do ano, associando um pára-vento ao isolamento térmico. Uma casa termicamente bem isolada não nos oferece apenas uma temperatura agradável no Inverno e no Verão. Com um ambiente temperado, consegue-se, para alem do conforto, evitar muitas doenças tão comuns no nosso país, como as pulmonares e o reumatismo. Texto 2

Elabore uma pequena reflexão na qual mostre de que forma a Ciência contribuiu para a área da construção, quer em termos de conforto humano, quer em termos de ganhos ambientais. (Nota - Pode abordar, por exemplo, o caso das tintas ecológicas.)

Com a evolução científica foi possível criar novos e melhores materiais de construção. Materiais que permitem uma redução da dependência energética, que não utilizam materiais perigosos, o que nos vai permitir obter uma melhor qualidade de vida. Por exemplo, as tintas ecológicas que conferem um elevado grau de respiração das paredes e têm elevada resistência à abrasão, chuvas acidas e nevoeiro salino. Estas tintas têm um uso limitado de substâncias perigosas e um baixo teor de solventes (com preferência pelos produtos com baixo nível de compostos orgânicos voláteis) tudo em nome da redução da poluição aquática, atmosférica e dos resíduos.

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STC ­ Sociedade, Tecnologia e Ciência 6. Leia o texto 3.

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Melhor Comportamento Sísmico

A estrutura em Aço Leve Galvanizado não é uma estrutura porticada rígida. Ao contrário da estrutura em betão armado, a estrutura em Aço Leve não é constituída por pórticos, todas as paredes são estruturais e as cargas são distribuídas. O facto da espessura do Aço ser relativamente fina permite que a estrutura trabalhe e absorva vibrações. Na estrutura convencional, as paredes e a estrutura estão quimicamente ligadas (cimento, água areia e tijolos) e por essa razão quando a estrutura sofre abalos (sismos e outros factores) fissura e pode ruir completamente. Na estrutura em Aço Leve as paredes são constituídas por perfis e placas interiores e exteriores que actuam de forma independente. Quando a mesma força (abalo ou sismo) é exercida a estrutura é flexível e começa por absorver as vibrações e vai torcendo e resistindo muito mais. Como é leve, o risco de queda completa da estrutura e os danos daí resultantes são menores do que com a estrutura convencional. Quando acontecem pequenos abalos as paredes da construção convencional fissuram quer no interior querem no exterior. Na estrutura de Aço, as placas interiores e exteriores funcionam de forma independente, nestes pequenos momentos existentes na estrutura no interior das placas, os perfis de Aço torcem ligeiramente e voltam ao seu estado normal devido à sua elasticidade. Texto 3 Tendo em conta a segurança sísmica, apresente as vantagens em recorrer ao Aço Leve Galvanizado em alternativa ao Betão Armado.

Origem e História Para definir os antecedentes históricos do Light Steel Framing temos de remontar aos Estados Unidos, no Século XIX. Naqueles anos, a população do país multiplicou-se por dez sendo necessário recorrer aos materiais disponíveis localmente e a métodos práticos e céleres que permitissem aumentar a produtividade na construção de novas habitações. A madeira passou a ser utilizada então como principal elemento estrutural dos edifícios habitacionais e assim permaneceu até hoje. Ao terminar a Segunda Guerra Mundial, o aço era um recurso abundante e as empresas metalúrgicas haviam obtido grande experiência na utilização do metal devido ao esforço da guerra. Primeiro usado nas divisórias dos grandes edifícios com estrutura em ferro, o aço leve moldado a frio passou a ser usado em divisórias de edifícios de habitação e acreditava-se que poderia substituir a inteira estrutura de madeira nas moradias. Um grande impulso foi dado nos anos 80 quando diversas florestas mais antigas foram vedadas à indústria madeireira. Isto levou ao declínio da qualidade da madeira empregue

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na construção e a grandes flutuações no preço desta matéria prima. Em 1991, a madeira usada na construção subiu 80% em quatro meses o que levou muitos construtores a passar a usar o aço imediatamente. Após este início explosivo mas pouco estruturado, criaram-se associações de técnicos e construtores e o LSF passou a ser encarado profissionalmente. Com o aumento da consciência do público em relação à fraca qualidade de execução de construções em alvenaria, é de esperar uma contínua procura de alternativas.

Vantagens

-Conforto

Desde os Invernos Escandinavos até aos abrasadores desertos da Arábia, espera-se que os edifícios mantenham os seus ocupantes confortavelmente protegidos dos elementos. Qualquer espécie de construção, desde fábricas a supermercados, vivendas a centros comerciais, deverão providenciar um ambiente interno apropriado para as actividades mantidas no seu interior, independentemente das condições exteriores. Portanto, diversos atributos são necessários para que uma casa ofereça aos seus habitantes o necessário conforto. As construções com estrutura em aço distinguem-se no isolamento térmico e acústico e na regulação da humidade no ambiente. -Segurança Estrutural

Este é provavelmente o aspecto em que o futuro utilizador mais rapidamente pensará ao analisar a possibilidade de construir um edifício com estrutura em aço. O fato de se usarem materiais leves, em contraste com o peso do concreto, poderá levar muitos a duvidar imediatamente da resistência deste tipo de construções. No entanto, essa ideia poderá ser enganadora, devido aos seguintes argumentos: A resistência da estrutura é assegurada pelo metal. Neste sentido uma casa no sistema Light Steel Framing não difere de qualquer outra casa de alvenaria. A resistência estrutural de qualquer casa vulgar é assegurada pelo uso de varas de ferro embutidas em pilares e lintéis de cimento. No entanto, no primeiro caso, são usados perfis e vigas de aço galvanizado em espaçamentos de 60 cm ou menos. Tomando por hipótese uma habitação de tamanho normal, tendo um piso térreo e um superior, totalizando 200 m2 por exemplo, Pág. 9

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são empregados cerca de 1.300 m de perfis verticais, 500 m de vigas de piso, 500 m de vigas de telhado e 800 m de canais além de centenas de outros elementos metálicos essenciais. Isto representa quase 10 toneladas de metal de alta resistência unido por milhares de parafusos estruturais. No entanto, neste exemplo, a casa seria muito mais leve do que uma vulgar visto não ser necessário todo o peso do cimento ou do tijolo. Ou seja, praticamente todo o peso de uma construção LSF é proveniente do seu esqueleto metálico estrutural. Pelo fato de não serem necessárias vigas ou colunas isoladas de apoio, todas as paredes exteriores podem ser consideradas como estrutura do edifício e por onde se reparte todo o peso das placas e andares. Assim, facilmente se compreende a extraordinária resistência sísmica destes edifícios. A inteira casa pode ser comparada a uma enorme caixa metálica reforçada por revestimento em OSB. Visto que não são empregues pontos de soldadura, não existem pontos frágeis de ruptura. A casa torna-se uma estrutura flexível, adaptando-se às mínimas variações do terreno, não abrindo fissuras nas paredes e sem apresentar o risco de queda de colunas ou de placas na eventualidade de um terramoto. Para isto também contribui o baixo peso da inteira edificação e a uniformidade na distribuição das cargas, atenuando os pontos de concentração de forças e de tensões. Naturalmente, nem todo o tipo de aço é adequado à estrutura de um edifício ou corresponde ao exigido na legislação aplicável às estruturas com perfis moldados a frio. -Isolamento Acústico

Na maior parte das edificações modernas não existe forma de isolar o som produzido em outras dependências da casa ou mesmo o ruído proveniente do exterior. Muitas vezes pensa-se que a única forma de evitar a propagação do ruído é aumentar a largura das paredes. No entanto, este problema poderia ser resolvido caso se utilizassem materiais que comprovadamente revelam ser maus condutores do som, ao contrário do que acontece com o tijolo e o cimento. As lãs minerais, utilizadas na cavidade interior das paredes, são eficazes não só pela sua estrutura como também pela sua densidade, sendo consideradas por testes laboratoriais como possuindo alto poder de isolamento acústico. No entanto, os restantes materiais também atuam como escudo dispersor dos ruídos. Nas paredes interiores, a utilização do gesso cartonado contribui para reduzir a Pág. 10

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transmissão do som. Nas exteriores, além do gesso numa das faces, há ainda que contar com o OSB e ainda o poliestireno expandido. Por estes motivos, uma casa com estrutura metálica tem uma sonoridade diferente de uma casa vulgar. O som produzido no interior de uma divisão é refletido pelas paredes e não absorvido por elas impedindo várias vezes mais a propagação do ruído do que uma parede de tijolo. Este efeito provoca um som diferente, dando a sensação de parede oca quando se bate nas paredes, visto que o som do impacto não é totalmente transferido para a outra face. Até aqui mencionamos o que acontece com a propagação dos chamados ruídos aéreos, ou seja, aqueles que são provocados pela conversação normal ou por aparelhos, tal como a TV. Mas o que dizer dos ruídos de impacto, tal como a queda ou o arrastar de objetos ou os simples passos de alguém num piso superior? Uma vez mais, as lãs minerais colocadas no espaço entre as vigas de piso, (com até 25 cm de largura), poderão minimizar bastante este efeito de transmissão sonora, vantagem que não é possível obter numa construção convencional. Ainda assim, sugerimos a colocação de placas de lã mineral de alta densidade, ou outros materiais adequados, directamente sob o OSB que reveste a estrutura e finalmente aplicar o pavimento final. Naturalmente, esta solução deveria ser aplicada seja qual for o tipo de estrutura escolhida para a execução da habitação. -Isolamento Térmico

Uma das mais apreciadas qualidades numa casa e talvez a menos conseguida, é o isolamento térmico. Os materiais deveriam conferir à habitação um completo escudo contra as variações de temperatura e de humidade sentidas no exterior. Nestes aspectos, recordemos que uma casa com estrutura em LSF é completamente isolada do exterior por placas de poliestireno expandido, OSB, vários centímetros de lã mineral e gesso cartonado. As características tanto do poliestireno como da lã mineral conferem ao edifício uma protecção térmica impossível de conseguir numa construção vulgar. Os vãos, tal como as janelas e portas exteriores, são providos de vidro duplo de forma a garantir um perfeito isolamento mesmo nestes pontos onde não podem ser empregues materiais isolantes. Com todos estes argumentos a seu favor, o interior de uma construção LSF é considerado um ambiente de clima controlado. Imagine o que isto significa em matéria de Pág. 11

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poupança de energia! Devido a isto, normalmente as habitações deste tipo são equipadas com ar condicionado ou sistemas de recuperação de calor de lareiras não havendo o receio de aumentar vertiginosamente a conta de electricidade apenas para fornecer à família o necessário conforto.

7. Leia o texto 4.

As grandes opções energéticas são fatalmente político-económicas, mas a contribuição de cada um de nós não pode ser desprezável. Ao nível da arquitectura, por exemplo, já se começou a intervir mas muita coisa ainda pode ser feita. Actualmente, verifica-se ainda um recurso sistemático à energia para criar condições de conforto dentro de edifícios que ignoram o ambiente natural e, como consequência, consome-se excessivamente matéria-prima e produz-se resíduos, desperdiçando água e electricidade. Os projectos devem ser conscientes da energia, uma vez que, à semelhança dos electrodomésticos que têm um rótulo que os classifica em função do seu consumo energético, os edifícios também devem ser eficientes e devemos pensar não só nos novos edifícios, mas também nos existentes. O tema Eficiência Energética em Edifícios é uma área de grande importância em todos os Países da União Europeia e também em Portugal, pelo potencial que a mesma representa, em termos de poupança energética sectorial e consequente impacto em termos de redução dos consumos energéticos e das respectivas emissões dos gases de efeito de estufa. Por este motivo, constitui um vector de extrema importância em termos das políticas energéticas de cada país. É importante relembrar que os edifícios representam em Portugal cerca de 30% do consumo de energia total e cerca de 60 % do consumo eléctrico. Texto 4

7.1. Refira a importância da certificação energética dos edifícios. A certificação energética permite nos edifícios novos, comprovar a correcta aplicação da regulamentação térmica e da qualidade do ar interior em vigor para o edifício e para os seus sistemas energéticos (isto para os edifícios novos), bem como obter informação sobre o desempenho energético em condições nominais de utilização. Os consumos energéticos nos edifícios, em condições nominais de utilização, são um factor de comparação credível aquando da compra ou aluguer de um imóvel. Permite aos Pág. 12

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potenciais compradores ou arrendadores aferir a qualidade do imóvel no que respeita ao desempenho energético e à qualidade do ar interior e, desta forma, perspectivar o maior ou menor nível de custos que terá com a aquisição combustíveis e electricidade para manter as condições de conforto interior e a melhor ou pior qualidade do ambiente interior dos espaços que irá utilizar (com potencial impacte na saúde e na produtividade). Nos edifícios existentes (e, em menor extensão, nos edifícios novos), o certificado energético proporciona ainda informação sobre as medidas de melhoria de desempenho energético e da qualidade do ar interior que o proprietário pode implementar (medidas não são de implementação obrigatória). Essa informação vem sintetizada na 2ª página do certificado, com uma lista das medidas sugeridas pelo perito qualificado que fez a avaliação do imóvel e onde este pode mesmo avançar com valores indicativos para a redução das despesas energéticas, para o custo estimado de investimento e para o período de retorno do investimento, de cada medida. Constitui-se assim um guia de referência de consulta rápida e simples, que pode ajudar o proprietário ou utilizador a orientar uma eventual acção neste âmbito. Para além deste quadro síntese, cada uma dessas medidas é detalhada pelo perito nas secções seguintes do certificado, nomeadamente naquelas em cujo contexto se enquadra (por exemplo, uma sugestão de alteração de envidraçado ou de colocação de sombreamento nas janelas, estará descrita em mais detalhe na secção "vãos envidraçados")

7.2. Identifique os aspectos que devem ser considerados na execução de um projecto de um edifico (ex. orientação solar, ...), para a obtenção do respectivo certificado que corresponda a um edifício com bom desempenho energético.

Os requisitos a verificar no âmbito dos novos regulamentos, diferem de acordo com a tipologia do edifício. No âmbito do RCCTE os requisitos de verificação regulamentar são aplicáveis a edifícios novos a quando da emissão das licenças para construção e utilização. Distinguem-se:

Requisitos energéticos, nomeadamente coeficientes de transmissão térmica máximos admissíveis em zona corrente e zona não corrente da envolvente opaca, factor solar máximo admissível dos vão envidraçados e valores limite para as necessidades nominais de energia útil (aquecimento, arrefecimento, águas quentes sanitárias) e de energia primária; Obrigatoriedade de recurso a colectores solares para produção de AQS; Valor mínimo admissível de 0,6 renovações por hora de ar novo.

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No âmbito do RSECE os requisitos de verificação regulamentar são aplicáveis, a edifícios novos e existentes a quando da emissão das licenças para construção e utilização e emissão de certificados após Auditoria Energética vertente Energia e QAI. Distinguem-se:

Requisitos energéticos, incluindo a limitação do consumo nominal específico de energia; Requisitos para concepção de novos sistemas de climatização; Requisitos para construção, ensaios e manutenção das instalações; Requisitos para a manutenção da Qualidade do Ar Interior; Requisitos do SCE, nomeadamente a afixação de cópia do certificado válido em local acessível e bem visível junto à entrada.

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