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Ensino Fundamental

6o ao 9o ano

Ensino Fundamental 6o a 9o · 6 · Português · Produção de texto

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LÍNGUA PORTUGUESA

PRODUÇÃO DE TEXTO 1 Ação no texto narrativo UNIDADE 2 Organização do enredo

UNIDADE

na narrativa

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

Toda história tem narrador, narrativa e leitor (ou ouvinte). O ato de narrar envolve um ou mais personagens em determinado espaço e ao longo de certo período de tempo. Além disso, é preciso haver ação e enredo, elementos fundamentais da narrativa. Esses são os assuntos tratados nestas duas unidades. A foto que você vê é uma cena do filme Desventuras em série, em que três irmãos perdem seus pais num incêndio.

PARAMOUNT/EVERETT COLLECTION­KEYSTONE

caderno

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1

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UNIDADE

2 Organização do enredo na narrativa

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Coordenação editorial: Maria Beatriz de Campos Elias, Alexandre da Silva Sanchez Edição: José Paulo Brait, Geraldo Fantin Assistência editorial: Alex Godoy Mirkhan, Vivian Lobato Fonseca Ferreira Revisão técnica: Fernando Cohen Preparação de texto: Geraldo Fantin Coordenação de design e projetos visuais: Sandra Botelho de Carvalho Homma Projeto gráfico de capa e miolo: Signorini Produção Gráfica Foto de capa: Penas vermelhas e amarelas de arara. © Theo Allors-Zerfa / Corbis Latinstock Coordenação de produção gráfica: André Monteiro, Maria de Lourdes Rodrigues Edição de arte: Aderson Oliveira Assistência de produção: Benedito Reis Minotti, Fabio Ventura, Ricardo Yorio Editoração eletrônica: Sammartes Ilustrações: Rogério Borges Cartografia: Alessandro Passos da Costa, Anderson de Andrade Pimentel, Guilherme Arruda Coordenação de revisão: Estevam Vieira Lédo Júnior Revisão: Daniela Bessa Puccini Coordenação de pesquisa iconográfica: Ana Lucia Soares Pesquisa iconográfica: Maiti Salla e Priscila Garofalo As imagens identificadas com a sigla CID foram fornecidas pelo Centro de Informação e Documentação da Editora Moderna. Coordenação de tratamento de imagens: Américo Jesus Tratamento de imagens: Evaldo de Almeida, Fabio N. Precendo, Rubens M. Rodrigues. Saída de filmes: Helio P. de Souza Filho, Marcio Hideyuki Kamoto Coordenação de produção industrial: Wilson Aparecido Troque Impressão e acabamento:

Professoras especialistas Rosana Correa Pereira El-Kadri Graduada em Letras pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo -- PUC-SP. Especialista em tecnologias interativas aplicadas à educação pela Pontifícia Universidade Católica de São Paulo -- PUC-SP. Autora de material didático para cursos de EAD. Assessor educacional de língua portuguesa do ensino fundamental 2 de escolas públicas. Professora de língua portuguesa no ensino fundamental 2. Maria Salete Toledo Uzeda Moreira Graduada em Letras pela Universidade de São Paulo -- USP. Mestre em Letras pela Universidade de São Paulo -- USP. Assessora na área de Leitura e Escrita para professores da rede pública. Autora de material didático para cursos de EAD. Professora de Língua Portuguesa no ensino fundamental 2 da rede particular de ensino.

O que você

sabe

Leia esta imagem.

REPRODUÇÃO AUTORIZADA: CHICO LARANJEIRA

Reprodução proibida. Art. 184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Todos os direitos reservados GRUPO SANTILLANA Rua Padre Adelino, 758 - Belenzinho São Paulo - SP - Brasil - CEP 03303-904 Vendas e Atendimento: Tel. (0_ _11) 6090-1500 Fax (0_ _11) 6090-1501 www.moderna.com.br 2007 Impresso no Brasil

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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Figura 1 · Festa junina no Nordeste, de Francisco Carlos Laranjeira, 2005. Óleo sobre tela.

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Estudo das

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imagens

Responda individualmente às seguintes questões. c) O título da segunda pintura é São João. É possível determinar que cidade ou região do país ela retrata?

Não exatamente. Ela retrata uma festa de São João em qualquer cidade do interior do Brasil.

1 Observe a tela do pintor pernambucano Francisco Carlos Laranjeira e responda: quais elementos nos permitem afirmar que ela retrata uma festa junina?

A decoração típica com bandeirinhas, as roupas também típicas dos casais, a fogueira ao fundo, os fogos de artifício etc.

d) Apesar de ambientadas no mesmo período do dia, qual das duas pinturas parece mais clara? Na sua opinião, por que isso ocorre?

A primeira parece mais clara, talvez pela predominância de cores quentes: vermelho, laranja e amarelo.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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Professor: A intenção do exercício é preparar o caminho para mostrar que, assim como um mesmo tema pode ser pintado de várias maneiras, a organização dos fatos numa narrativa pode obedecer a seqüências diversas.

2 Observe o mesmo tema pintado por Di Cavalcanti em 1969 e responda às

seguintes questões.

DALILA LUCIANA

e) Que outras diferenças você percebe entre cada pintura?

Resposta pessoal.

Como você observou, cada artista tem sua maneira de ver um acontecimento. O uso das cores, o modo de reunir os elementos que compõem a cena, a expressão no rosto das pessoas, todas essas escolhas refletem o que o pintor quer transmitir. O mesmo acontece quando contamos ou escrevemos uma história. Dependendo do modo como organizamos os fatos, a narrativa ganha características e intenções diferentes.

3 Converse com um colega. Procurem lembrar-se de algum fato incomum

que tenha acontecido durante um recreio. a) Cada um de vocês vai contar, por escrito, o que aconteceu. b) Troquem de texto um com o outro. Há diferenças na forma como cada um organizou a seqüência da história? Quais são elas?

Figura 2 · São João, de Di Cavalcanti, 1969. Óleo sobre tela, 81 cm x 100 cm.

Professor: Oriente os alunos a perceberem as várias possibilidades de organização dos fatos em uma narrativa. Mostre como essa organização muda dependendo da intenção e do ponto de vista de quem a está narrando.

a) Quais os aspectos comuns às duas pinturas?

As duas cenas são retratadas à noite; os personagens usam roupas típicas; há balões no céu.

O que você poderá

aprender

Reúna-se com alguns colegas, conversem sobre os exercícios anteriores e respondam às seguintes questões no caderno.

b) Quais aspectos são diferentes?

Na primeira pintura há características típicas da festa no Nordeste: os personagens usam chapéu de couro e os instrumentos musicais são o triângulo, o zabumba e a sanfona; as pessoas dançam ao som da música. Na segunda, os personagens observam três pessoas num tablado, e ao fundo há um homem com um violão.

1 O que seria o enredo no texto narrativo? 2 Você saberia dizer o que é ordem linear? E ordem não-linear? 3 O que é conflito e clímax no texto narrativo? 4 Qual a importância do conflito no texto narrativo? 5 O que é um conto? 6 O que é uma lenda?

Professor: Estes exercícios visam a levantar os conhecimentos prévios dos alunos. Deixe que respondam às perguntas livremente.

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Leitura de texto

A crônica que você vai ler, de Fernando Sabino, foi retirada de uma coletânea do autor. Como você já viu na unidade 1, crônicas são textos curtos que tratam de fatos cotidianos, escritos em linguagem leve e descontraída.

Glossário Vigarice. Ato de trapaça; fraude. Lanço. Parte de uma escada entre dois patamares sucessivos; o mesmo que lance. Grotesco. Ridículo, extravagante. Encetar. Iniciar, começar.

14 -- Ah, isso é que não! -- fez o homem nu, sobressaltado. 15 E agora? Alguém lá embaixo abriria a porta do elevador e daria com

Glossário Em pêlo. Nu, pelado. Pesadelo de Kafka. Referência ao escritor checo Franz Kafka, que criou histórias fantásticas com toques de terror e situações incomuns. Muitas vezes, seus personagens se sentiam assustados e em agonia, como se vivessem um pesadelo. Regime do Terror. Referência ao período da Revolução Francesa compreendido entre 31 de maio de 1793 e 27 de julho de 1794, em que milhares de pessoas foram executadas na guilhotina por se oporem ao governo e às idéias de Maximilien de Robespierre. Estarrecida. Espantada, horrorizada, perplexa. Radiopatrulha. Veículo da polícia, equipado com rádio.

O homem nu

1 Ao acordar, disse para a mulher: 2 -- Escuta, minha filha: hoje é dia de pagar a prestação da televisão,

vem aí o sujeito com a conta, na certa. Mas acontece que ontem eu não trouxe dinheiro da cidade, estou a nenhum. 3 -- Explique isso ao homem -- ponderou a mulher. 4 -- Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar -- amanhã eu pago. 5 Pouco depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar um banho, mas a mulher já se trancara lá dentro. Enquanto esperava, resolveu fazer um café. Pôs a água a ferver e abriu a porta de serviço para apanhar o pão. Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro antes de arriscar-se a dar dois passos até o embrulhinho deixado pelo padeiro sobre o mármore do parapeito. Ainda era muito cedo, não poderia aparecer ninguém. Mal seus dedos, porém, tocavam o pão, a porta atrás de si fechou-se com estrondo, impulsionada pelo vento. 6 Aterrorizado, precipitou-se até a campainha e, depois de tocá-la, ficou à espera, olhando ansiosamente ao redor. Ouviu lá dentro o ruído da água do chuveiro interromper-se de súbito, mas ninguém veio abrir. Na certa a mulher pensava que já era o sujeito da televisão. Bateu com o nó dos dedos: 7 -- Maria! Abre aí, Maria. Sou eu -- chamou, em voz baixa. 8 Quanto mais batia, mais silêncio fazia lá dentro. 9 Enquanto isso, ouvia lá embaixo a porta do elevador fechar-se, viu o ponteiro subir lentamente os andares... Desta vez, era o homem da televisão! 10 Não era. Refugiado no lanço da escada entre os andares, esperou que o elevador passasse, e voltou para a porta de seu apartamento, sempre a segurar nas mãos nervosas o embrulho de pão: 11 -- Maria, por favor! Sou eu! 12 Desta vez não teve tempo de insistir: ouviu passos na escada, lentos, regulares, vindos lá de baixo... Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. Os passos na escada se aproximavam, e ele sem onde se esconder. Correu para o elevador, apertou o botão. Foi o tempo de abrir a porta e entrar, e a empregada passava, vagarosa, encetando a subida de mais um lanço de escada. Ele respirou aliviado, enxugando o suor da testa com o embrulho do pão. 13 Mas eis que a porta interna do elevador se fecha e ele começa a descer.

ele ali, em pêlo, podia mesmo ser algum vizinho conhecido... Percebeu, desorientado, que estava sendo levado cada vez para mais longe de seu apartamento, começava a viver um verdadeiro pesadelo de Kafka, instaurava-se naquele momento o mais autêntico e desvairado Regime do Terror! 16 -- Isso é que não -- repetiu, furioso. 17 Agarrou-se à porta do elevador e abriu-a com força entre os andares, obrigando-o a parar. Respirou fundo, fechando os olhos, para ter a momentânea ilusão de que sonhava. Depois experimentou apertar o botão do seu andar. Lá embaixo continuavam a chamar o elevador. Antes de mais nada: "Emergência: parar". Muito bem. E agora? Iria subir ou descer? Com cautela desligou a parada de emergência, largou a porta, enquanto insistia em fazer o elevador subir. O elevador subiu. 18 -- Maria! Abre esta porta! -- gritava, desta vez esmurrando a porta, já sem nenhuma cautela. Ouviu que outra porta se abria atrás de si. 19 Voltou-se, acuado, apoiando o traseiro no batente e tentando inutilmente cobrir-se com o embrulho de pão. Era a velha do apartamento vizinho: 20 -- Bom dia, minha senhora -- disse ele, confuso. -- Imagine que eu... 2 1 A velha, estarrecida, atirou os braços para cima, soltou um grito: 22 -- Valha-me Deus! O padeiro está nu! 23 E correu ao telefone para chamar a radiopatrulha: 24 -- Tem um homem pelado aqui na porta! 25 Outros vizinhos, ouvindo a gritaria, vieram ver o que se passava: 26 -- É um tarado! 27 -- Olha, que horror! 28 -- Não olha não! Já pra dentro, minha filha! 29 Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Poucos minutos depois, restabelecida a calma lá fora, bateram na porta. 30 -- Deve ser a polícia -- disse ele, ainda ofegante, indo abrir. 31 Não era: era o cobrador da televisão.

SABINO, Fernando. O homem nu. Rio de Janeiro: Ed. do Autor, 1960. p. 65.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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Estudo do texto

Compreensão do texto

1 Numere as ações, mostrando a seqüência dos acontecimentos.

6 A porta do apartamento se fecha, deixando o homem para fora. 5 O marido pega o embrulho do pão. 4 O marido põe a água para esquentar. 10 O marido entra no elevador e aperta o botão de emergência. 2 A mulher vai para o banho. 12 A mulher abre a porta. 1 O homem e a mulher decidem fingir que não estão em casa. 8 A mulher desliga o chuveiro. 9 O elevador começa a subir.

Análise da organização do enredo

1 O título da crônica é O homem nu. Que outro título você poderia atribuir ao

assunto do texto?

Resposta pessoal.

2 O texto foi escrito no início da década de 1960. Que fatos ou situações nos

permite concluir que a história não se passa nos dias de hoje?

Exemplos: o pão costumava ser entregue nas residências, e as prestações eram cobradas de porta em porta.

3 Por que o homem ficou nu?

Porque pretendia tomar banho.

3 O marido tira a roupa para tomar banho. 7 O marido toca a campainha do apartamento. 13 O cobrador da televisão bate à porta.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

4 Por que a mulher não abriu a porta do apartamento quando a campainha

tocou?

Porque ela e o marido haviam combinado de não abrir a porta para ninguém.

11 O marido grita e esmurra a porta, alertando os vizinhos.

2 Em vários momentos, o autor criou suspense no texto. Localize dois trechos

em que isso ocorre e cite os números dos parágrafos correspondentes.

Parágrafos 8, 9, 12, 15 e 17.

5 No quarto parágrafo do texto, o homem afirma:

-- Não gosto dessas coisas. Dá um ar de vigarice, gosto de cumprir rigorosamente as minhas obrigações. Escuta: quando ele vier a gente fica quieto aqui dentro, não faz barulho, para ele pensar que não tem ninguém. Deixa ele bater até cansar -- amanhã eu pago. A atitude dele está de acordo com sua afirmação? Por quê?

Não. O personagem diz não gostar de vigarice, mas age como se fosse um vigarista, fugindo do cobrador da televisão.

A forma como o autor de um texto organiza a seqüência de acontecimentos, de ações que constituem a narrativa chama-se enredo. Essas ações podem ser narradas em ordem linear, de acordo com a seqüência cronológica dos fatos, ou em ordem não-linear, caso os fatos sejam revelados ao leitor em outra seqüência. Observe estes exemplos: Pedro tomou banho e foi jantar. (ordem linear) Pedro já tinha tomado banho quando foi jantar. (ordem não-linear)

3 Identifique no texto um trecho com fatos contados em ordem não-linear.

Sugestão: "Pouco tempo depois, tendo despido o pijama, dirigiu-se ao banheiro para tomar banho, mas a mulher já se trancara lá dentro."

Professor: Para essa atividade, peça aos alunos que numerem os parágrafos do texto. Observe a eles que, em várias passagens, o autor criou um grande suspense que, posteriormente, não resultou em nada. Essa seqüência de sustos e alívios é uma estratégia de construção do enredo do texto, até os parágrafos 17 a 20, nos quais se dá o clímax da história

6 Por que a vizinha gritou que o padeiro estava nu?

Porque pensou que se tratava do padeiro, uma vez que o vizinho segurava o embrulho do pão.

4 O trecho abaixo foi escrito em ordem linear ou não-linear? Explique.

Muitos anos depois, diante do pelotão de fuzilamento, o Coronel Aureliano Buendía havia de recordar aquela tarde remota em que seu pai o levou para conhecer o gelo. Macondo era então uma aldeia de vinte casas de barro e taquara, construídas à margem de um rio de águas diáfanas que se precipitavam por um leito de pedras polidas, brancas e enormes como ovos pré-históricos.

GARCÍA MÁRQUEZ, Gabriel. Cem anos de solidão. Rio de Janeiro: Record, 1967. p. 7.

Professor: Explique aos alunos que "tendo despido o pijama" e "mas a mulher já se trancara lá dentro" indicam ações anteriores a "dirigiu-se ao banheiro para tomar banho".

7 No final da história, o homem teve de encarar o cobrador da televisão. Escreva uma possível desculpa que ele poderia dar para não pagar a prestação.

Resposta pessoal.

Em ordem não-linear, porque a primeira frase se refere a um fato que vai acontecer depois.

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5 Responda a estas perguntas sobre o texto O homem nu.

a) Qual era o desejo do homem nu ao se ver trancado fora de casa?

Entrar em casa e livrar-se da situação constrangedora em que estava.

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b) Tentativa de solução do conflito inicial

O homem combina com a mulher fingirem que não há ninguém em casa.

c) Conflito 2 b) O que o impedia de realizar esse desejo?

O fato de estar trancado por fora e ter combinado com a mulher que a porta não deveria ser aberta para ninguém. O homem fica preso, completamente nu, do lado de fora do apartamento.

d) Clímax

Os vizinhos são alertados pela confusão no corredor e vêem o homem nu esmurrando a porta de seu apartamento.

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

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A oposição entre o desejo e o que impede sua realização chama-se conflito. Pode ser um choque de interesses, de opiniões, de comportamento entre dois ou mais personagens, ou de um personagem com a natureza, ou até de um personagem consigo mesmo. É por meio do conflito que se estrutura o enredo de uma narrativa.

6 Assinale a alternativa que expressa o principal conflito do protagonista,

isto é, do personagem mais importante de O homem nu. O marido quer tomar banho, mas a mulher já se trancou no banheiro. O cobrador virá receber a prestação, mas o devedor está sem dinheiro.

X O homem nu está do lado de fora do apartamento e não consegue en-

e) Situação final

O homem abre a porta e se depara com o cobrador da televisão.

9 Leia esta sinopse (resumo) de um filme e responda às perguntas.

Apollo 13 (EUA, 1995). Direção: Ron Howard. Com: Tom Hanks, Bill Paxton, Kevin Bacon, Ed Harris, Gary Sinise, Kathleen Quinlan. Três astronautas estão a caminho da Lua, mas uma explosão em um dos compartimentos da nave impede o sucesso da missão. Vagando no espaço, agora a preocupação é conseguir voltar à Terra com vida. 120 min.

GUIA de vídeo e DVD 2001. São Paulo: Nova --Cultural, 2001. (Texto adaptado)

UNIVERSAL/EVERETT COLLECTION-KEYSTONE

trar em casa. O elevador começa a subir e o homem nu pensa que é o cobrador.

7 Qual é o momento de mais tensão, de mais nervosismo no texto?

O momento em que todos os vizinhos saem de suas casas e vêem o homem nu gritando e esmurrando a porta de seu apartamento.

Figura 3 · Cena do filme

a) Quais os três elementos principais do enredo do filme?

1. Três astronautas viajam em direção à Lua. 2. Explode um compartimento da nave.

Apollo 13, direção de Ron Howard, EUA, 1995.

O momento da narrativa em que a seqüência de acontecimentos atinge o mais alto grau de tensão chama-se clímax.

8 De acordo com o texto e com o esquema abaixo, escreva com suas palavras

os elementos do enredo de O homem nu. Observe o modelo com atenção.

TENTATIVA DE SOLUÇÃO DO CONFLITO INICIAL

3. Na tentativa de voltar à Terra, a nave vaga pelo espaço.

b) Qual desses elementos se configura como conflito? Por quê?

A explosão de um dos compartimentos da nave, porque impede a continuação da missão.

CONFLITO INICIAL CONFLITO 2 CLÍMAX SITUAÇÃO FINAL

c) Qual seria uma possível cena de clímax para a história? Use a sua imaginação e escreva.

Resposta pessoal. Sugestões: 1. O momento em que falta apenas um

Professor: As sugestões foram dadas com base na leitura do roteiro do filme, mas o que vale aqui é a imaginação do aluno.

a) Conflito inicial O homem não tem dinheiro para pagar a prestação da tevê e não quer atender o cobrador.

detalhe para os astronautas consertarem o defeito na nave. 2. O momento em que, depois de reparada a nave, eles tentam voltar, sem saber se ela vai suportar o impacto com a atmosfera terrestre.

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Atividades de linguagem

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1 Retire do texto O homem nu três palavras ou expressões que marcam o

tempo na narrativa.

Ao acordar; pouco tempo depois; enquanto esperava; enquanto isso.

Produção de texto l

Leia a seguir um conto tradicional do Japão, datado do século VIII, de autoria desconhecida. Como outros contos do estilo, ele apresenta uma história aparentemente inocente, mas com um ensinamento de vida.

Leitura de conto

2 Releia esta frase do texto e faça o que se pede.

Como estivesse completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro (...) a) Assinale a alternativa que explica o sentido do trecho sublinhado. Expressa uma conseqüência.

X Indica uma causa.

Espelho no cofre

De volta de uma longa peregrinação, um homem carregava sua compra mais preciosa adquirida na cidade grande: um espelho, objeto até então desconhecido para ele. Julgando reconhecer ali o rosto do pai, encantado, ele levou o espelho para sua casa. Guardou-o num cofre no primeiro andar, sem dizer nada a sua mulher. E assim, de vez em quando, quando se sentia triste e solitário, abria o cofre para ficar contemplando "o rosto do pai". Sua mulher observou que ele tinha um aspecto diferente, um ar engraçado, toda vez que o via descer do quarto de cima. Começou a espreitá-lo e descobriu que o marido abria o cofre e ficava longo tempo olhando para dentro dele. Depois que o marido saiu, um dia ela abriu o cofre, e nele, espantada, viu o rosto de uma mulher. Inflamada de ciúme, investiu contra o marido e deu-se então uma grave briga de família. O marido sustentava até o fim que era o seu pai quem estava escondido no cofre. Por sorte, passava pela casa deles uma monja. Querendo esclarecer de vez a discussão, ela pediu que lhe mostrassem o cofre. Depois de alguns minutos no primeiro andar, a monja comentou ainda lá de cima: -- Ora, vocês estão brigando em vão: no cofre não há homem nem mulher, mas tão-somente uma monja como eu!

ESPELHO no cofre. In: Os cem melhores contos de humor da literatura universal. Seleção e tradução de Flávio Moreira da Costa. Rio de Janeiro: Ediouro, 2001. p. 29-30.

Glossário

Peregrinação. Jornada a lugares santos ou de devoção. Contemplar. Observar com atenção, encantamento e admiração. Espreitar. Observar às escondidas; espiar, espionar, vigiar. Monja. Religiosa que vive em convento ou mosteiro.

Estabelece uma comparação. b) Reescreva essa mesma frase, substituindo a palavra como por outra palavra ou expressão de sentido equivalente. Faça as alterações necessárias.

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Uma vez que estava (ou porque estava, por estar, estando etc.) completamente nu, olhou com cautela para um lado e para outro (...)

3 Releia os trechos a seguir e faça o que se pede.

Maria, a esposa do infeliz, abriu finalmente a porta para ver o que era. Ele entrou como um foguete e vestiu-se precipitadamente, sem nem se lembrar do banho. Tomado de pânico, olhou ao redor, fazendo uma pirueta, e assim despido, embrulho na mão, parecia executar um ballet grotesco e mal ensaiado. a) Os dois trechos acima apresentam movimento. Que palavras ou expressões indicam isso?

"Entrou como um foguete; vestiu-se precipitadamente"; "olhou ao redor, fazendo uma pirueta".

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

b) Selecione do texto mais duas situações que apresentem movimento.

Resposta pessoal. O texto todo apresenta muitas situações de movimento: "precipitou-se até a campainha"; "desta vez esmurrando a porta"; "olhando ansiosamente ao redor" etc.

O texto O espelho no cofre é um conto. Nele, a ação pode situar-se em qualquer época, mesmo no futuro. No entanto, o espaço onde se passa a história costuma ser limitado. Pode existir mais de um cenário, mas a ação principal geralmente transcorre num lugar só.

Características do conto

No conto, é o conflito que organiza a ação. É em torno dele, geralmente estabelecido nos primeiros parágrafos, que a ação será desenvolvida e concluída.

1 Identifique no conto alguns elementos do enredo. Para cada um, escreva

uma frase com suas palavras. a) O conflito

4 Circule as palavras que não indicam os sentimentos do homem nu no

decorrer do texto.

aterrorizado calmo nervoso violento aliviado animado furioso conformado constrangido insultado

A mulher, desconfiada do marido, abre o cofre e vê sua própria imagem no espelho.

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b) O clímax

Ocorre uma grave briga em família.

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2 Escolha um dos personagens da foto e observe como ele está vestido.

a) Em que lugar ele está? b) Como ele teria ido parar nesse lugar? c) Para onde ele dirige o olhar? c) A situação final

A monja vê no espelho sua própria imagem e tenta tranqüilizar o casal.

d) De onde ele teria vindo? e) O que teria causado essa situação? f) O que o personagem está fazendo? Por que ele estaria fazendo isso? g) Por que ele carrega essa pasta? h) Que pensamentos e sentimentos o personagem teria pelas pessoas à sua volta e pela situação que está vivendo? i) O que teria acontecido depois da situação retratada na foto?

2 Onde está o humor do conto?

Espera-se que o aluno perceba que o humor está no fato de nenhum dos personagens conhecer um espelho.

Planejamento 3 Em que espaço a história acontece? Como você poderia caracterizá-lo?

Espera-se que o aluno responda que a história acontece numa casa de dois

Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998. Reprodução proibida. Art.184 do Código Penal e Lei 9.610 de 19 de fevereiro de 1998.

1 Defina o espaço e o tempo em que sua história vai acontecer. No presente,

no passado ou no futuro? No bairro, na cidade, no país em que você mora ou num outro planeta?

andares.

2 Sugerimos um esquema para ajudá-lo(a) a planejar seu texto, mas fique à

vontade para imaginar um outro, se preferir. O que vale é a criatividade.

CONFLITO INICIAL TENTATIVA DE SOLUÇÃO DO CONFLITO INICIAL SITUAÇÃO FINAL

Produção de conto

Professor: Explique aos alunos que antologia é uma coleção de textos em prosa ou em verso. Em geral, dela participam diversos autores.

Agora você vai escrever um conto tomando como base a foto em seguida. Seu texto fará parte de uma antologia a ser lida pelos colegas de classe e pelo professor.

CONFLITO 2

CLÍMAX

Apresentação 1 Avalie seu texto, observando os seguintes aspectos.

a) Sua história apresenta um conflito? Ele não precisa necessariamente ser solucionado de modo favorável ao protagonista. Se você quiser, pode dar ao conto um desfecho trágico. b) Sua história explora os sentimentos do personagem? c) Ela situa o tempo e o lugar onde tudo acontece? d) A pontuação, a ortografia e as regras básicas da gramática são respeitadas?

Aquecimento 1 Observe a foto e, com base nela, pense no conflito do conto que você vai

escrever.

JASPER WHITE/PHOTONICA-WIDE IMAGES

2 Passe seu texto a limpo e troque-o com o de um(a) colega da classe.

a) Ele(a) consegue entender o que você narrou em seu conto? b) Ele(a) acha sua história interessante? c) Juntos, corrijam o que acharem necessário.

3 Em grupo, reúnam os contos já passados a limpo e organizem a antologia. 4 Escolham ou sorteiem um(a) colega que será responsável pela capa da antologia. Para ilustrá-la, ele(a) poderá fazer um desenho, uma colagem etc.

5 Se possível, antes de juntar capa e textos, façam cópias para que cada

aluno tenha seu exemplar da antologia.

Figura 4.

36

6 Pronto! Agora é só apresentar seus trabalhos para a classe e para o professor.

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