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ESPECIAL

depois de listarmos os homens que inspiraram a geração mais transgressora do século 20, nada mais justo que abrir espaço para revelar as mulheres que, assim como eles, fizeram de 1968 um ano de rupturas, conquistas e revoluções

EDIÇÃO RICARDO MORENO

1968

mulheres de

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foto ellIott landY/CoRBIs

Era primavera de 1968 quando nos conhecemos, em um festival de rock nos Estados Unidos. Voltamos a nos encontrar em fevereiro de 1970, dessa vez no Rio de Janeiro. Eu cantava em um inferninho e a levei comigo. Janis foi barrada na porta. O Silva, dono do lugar, disse que aquela mulher suja, bêbada e descalça não entraria. Fiquei louco. "Essa é a Janis Joplin, bicho." Acabamos conseguindo. Ela pediu uma vodca. Trouxeram um copo. "Eu quero a garrafa", disse. A Janis era assim, afeita a exageros. Sempre. Tinha um sotaque caipira e uma beleza longe do convencional. Uma branquela com voz de negra poderosa. Elétrica, inconseqüente, maravilhosa. Ela viveu muito pouco, apenas 27 anos. Mas mudou para sempre a história do rock. Janis era tudo o que eu queria ser.

jANIS jOPLIN por Sergei

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por cynthia de Almeida "Finalmente bom gosto se tornou bom gosto", pontificou a editora da Vogue, Diana Vreeland, quando ela se tornou a primeira-dama (termo que, diga-se, Jackie odiava e dizia que lembrava uma "égua de corrida"). Ao assumir a Casa Branca, a primeira providência da Sra. Kennedy foi se livrar da mobília deplorável das famílias dos presidentes anteriores. Tratou de redecorá-la com senso estético e critério histórico e de registrar a residência presidencial como museu. Amava roupas francesas, mas acatou sem frescuras a recomendação do sogro, Joseph, de adotar em sua "moda de estado" o designer hollywoodiano Oleg Cassini. Jackie foi fiel a Cassini e Cassini foi fiel à inspiração francesa da alta-costura (o que ele negou até a morte, claro). Gostava de amarelos vibrantes e turquesa fortes em tailleurs e mantôs secos, mas odiava estampas e acessórios. Os

jAcquELINE kENNEDy

poucos que adotou tornaram-se clássicos: os óculos ovais gigantes, o lenço amarrado no queixo, o colar de pérolas de três voltas. Jacqueline Kennedy nunca mudou a cor e o corte de cabelos e elevou a dupla calça capri e sapatos rasos à categoria de símbolo de despojamento-chique. Fluente em quatro idiomas, expressou-se melhor em atitude que em declarações públicas. Casada com o milionário grego Aristóteles Onassis, virou Jackie O. e alvo de paparazzi que a flagraram nua em sua praia particular, na ilha de Skorpios, aos 46 anos. Foi a imagem mais elegante (se não a única) que a revista masculina Hustler publicou em toda a sua história.

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3 LEILA DINIZ

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fotos: 1- Bettmann/CoRBIs; 2 - aRquIvo edItoRa gloBo

por Marieta Severo Nos conhecemos em 1966. Ela tinha 20 anos, e eu, 19. Leila era especial até na hora de transgredir. Ela deu passos importantes para a conquista da liberdade feminina. Mas fez tudo de um jeito bem feminino, amoroso, delicado e cheio de sensibilidade. Suas atitudes não eram impostas, faziam parte de sua personalidade forte. Leila não levantava bandeiras, agia livremente, de acordo com suas vontades numa época tão conservadora. Sua maior qualidade era a generosidade. E se eu soubesse seu pior defeito, não contaria. Fico arrepiada ao lembrar de sua morte, aos 27 anos, em 1972, em um acidente aéreo. Era absurdo assimilar aquilo. Ela era a pessoa mais imortal que existia. Leila tinha mania de diários. E a pedido de sua filha, Janaína, tenho eles guardados. Mas nunca os li. Provavelmente, o que está escrito ali eu já saiba. E as coisas que ela me contou são nossas. Só nossas. Com a Leila aprendi até a falar alguns palavrões.

REgINA 4 ELIS

por Rita Lee Sempre que me pedem para falar de Elis me lembro dela como a única pessoa que apareceu na cadeia para me visitar. Eu estava com dois meses de gravidez e justamente naquele dia aconteceu um princípio de aborto. Quando ela soube, armou um barraco em frente ao presídio. Ameaçou chamar a imprensa se não mandassem um médico na cela. Incrível, em plena ditadura e Elis não tinha medo de se expor, e por uma pessoa que ela mal conhecia. Saí da cadeia devendo a alma para os advogados. Elis então me convidou para participar de um especial e me pagou um cachê. Passei a chamá-la de Maria Elis, e ela me chamava de Maria Rita. Ficamos grandes amigas, e toda aquela implicância com guitarras que ela demonstrava no tropicalismo foi por água abaixo. Saudade da Pimentinha.

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por Paulo Moreira Leite Entre a fumaça de gás lacrimogêneo e rebeliões que pretendiam chegar aos céus, Simone de Beauvoir foi a mente que arquitetou a emancipação feminina, a idéia que deu certo nos anos 60 ­ mesmo. A garotada que iria tentar mudar o mundo em 1968 ainda chorava nos berçários de Paris quando ela empregou apenas cinco palavras para explicar às moças o que era preciso fazer, antes, para mudar a si próprias: "A mulher não nasce. Torna-se". Filha de aristocratas, Simone nasceu numa sociedade patriarcal e saiu de casa para ganhar o próprio dinheiro como professora. Primeira-dama do existencialismo de Jean-Paul Sartre, ensinou que era obrigação manter o brilho próprio e jamais renunciou à busca da felicidade. Sem tirar o coque nem o tailleur, raramente sorria. Apaixonou-se várias vezes, de modo derramado e irredutível, para fúria de discípulas incapazes de entender toda a mensagem da mestra. Graças às fotos de um amante indiscreto, a posteridade registra a imagem de um corpo à altura de suas idéias.

SIMONE DE BEAuVOIR

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por Lilian Pacce A Twiggy foi nos anos 60 o que a Kate Moss foi na virada dos 90. Um superfenômeno. Ela ia contra qualquer padrão de beleza. E era, de fato, muito magrinha. Sem contar aqueles olhos de bambi, os cílios que realçavam qualquer foto... Seu nome de batismo é Lesley Hornby. O apelido Twiggy ela ganhou exatamente pela sua forma física. Twiggy, em inglês, significa graveto. Você pode ou não estar adequada ao padrão da época, mas para fazer sucesso precisa ter estilo. E estilo a Twiggy tinha de sobra.

Twiggy

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por kariny grativol Americana filha de alemães, em 1963 a jornalista Gloria Steinem escreveu a reportagem que mudaria sua vida. Com uma identidade falsa, candidatou-se ao posto de garçonete de um dos clubes de Hugh Hefner, o dono da Playboy. A reportagem rendeu processos, um filme e uma nova carreira: ela tornou-se uma das líderes do movimento feminista nos Estados Unidos. A favor do aborto e contra a pornografia, a jornalista se auto-intitula uma feminista radical. E mesmo hoje, aos 74 anos, Gloria ainda é incapaz de abandonar suas bandeiras.

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gloria Steinem

De seios pequenos e voz finíssima, quase infantil, ela foi responsável pelos sussurros e gemidos mais sensuais da música pop. Sua parceria com Serge Gainsbourg na canção "Je t'Aime, Moi Non Plus", em 1969, foi uma revolucionária participação em uma das músicas mais polêmicas, censuradas (inclusive no Brasil) e provocativas ­ até hoje. Eles foram casados durante 12 anos, entre 1968 e 1980. Atriz e musa, Birkin também mostrou ao mundo a primeira cena de nu frontal em um filme não-erótico no clássico Blow-Up, de Michelangelo Antonioni. Tinha apenas 20 anos. E ainda hoje, aos 62, emociona com sua delicada leveza gravando discos tão modernos e inspirados que soam como trabalhos de uma jovem cantora revelação.

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jane Birkin

por Edgard Scandurra

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por Denerval Ferraro jr. Hoje é difícil acreditar, mas Jane Fonda foi o típico exemplo da "modelo que virou atriz": no fim dos anos 50, antes de ingressar no cinema, Jane fotografava editoriais de moda para a Vogue. Como atriz, levou o Globo de Ouro em Pelos Bairros do Vício, de 1962, em que interpretava uma prostituta. Aliás, foi com o papel de uma meretriz que ganhou seu primeiro Oscar, nove anos depois, com Klute. Durante os anos 60 e 70, aliou o sucesso nas telas com um forte ativismo político. Ficou conhecida pelo apoio ao grupo Panteras Negras e pelo envolvimento nos movimentos feministas e de luta por direitos civis. Gerou polêmica ao visitar as tropas norte-vietnamitas para protestar contra a guerra. Na década de 80, virou campeã de vendas com seus vídeos de malhação. Chegou a anunciar sua aposentadoria nos anos 90, mas atualmente, com 70 anos, ainda roda alguns filmes, como a comédia Ela É Poderosa, em que interpreta a avó de Lindsay Lohan.

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fotos: 1- aRquIvo edItoRa gloBo; 2 - CameRa PRess

por Leo jaime Em 1968 eu tinha 8 anos e meus ídolos eram os Beatles, o Erasmo e os Mutantes. E na minha cabecinha eu achava que as músicas da Rita falavam diretamente para as crianças. Eu queria ser aquilo quando crescesse! Aos 18 tive meu primeiro parceiro musical: o Arnaldo Baptista, dos Mutantes. A essa altura, minha história começava a se confundir com a dos meus ídolos. Mas eu continuava com uma cautela enorme em conhecer a Rita. Achava que, se a conhecesse como colega de profissão, perderia um pedaço da minha infância. O fato é que quando eu já estava encaminhado musicalmente, conheci a Rita e continuei tendo-a como ídolo.

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por Sérgio Roveri Aos 25 anos, a carioca Marília Pêra já era em 1968 uma veterana com duas décadas de carreira quando aceitou substituir Marieta Severo no elenco de Roda Viva, o musical de Chico Buarque dirigido com extrema ousadia e polêmica por José Celso Martinez Corrêa. Entre as inúmeras provocações do espetáculo, duas causavam indisfarçável incômodo aos puristas: os atores devorando um fígado de boi e uma Virgem Maria de bobes nos cabelos. Em julho daquele ano, um grupo de 20 homens do temido Comando de Caça aos Comunistas, o CCC, armados de cassetetes e socos-ingleses, invadiu o teatro, destruiu cenário e figurinos e ainda espancou sem dó o elenco e quem mais estivesse por perto. Marília apanhou no camarim e foi obrigada a atravessar, nua, um corredor polonês. Uma camareira a salvou da pancadaria. No ano seguinte, a resposta da atriz viria em forma de trabalho: ela ganhou todos os prêmios possíveis do teatro paulista com a peça Fala Baixo Senão eu Grito.

Marília Pêra

por Elke Maravilha Ainda que eu tenha desfilado para a Zuzu, eu não era o manequim dela. Mas éramos amigas acima de tudo. Ela foi a primeira pessoa a realmente fazer moda brasileira, com tecidos e rendas nacionais, enquanto o resto imitava o que vinha da Europa. Mas a moda passa. E o verdadeiro legado dela foi ser "sujeito homem". E, como no filme de Sérgio Rezende, a vida de Zuzu era uma tragédia que pranteia e não um drama chorão. Zuzu Angel sempre estabelecia relações afetivas, com aquele jeito mineiro, ao mesmo tempo sutil e sofisticado. Quando o filho dela, Stuart, foi preso por ser ativista político, ela se transformou em uma mater dolorosa. Eu dizia a ela: "Zuzu, daqui a pouco você será morta também". Mas ela me dizia: "já me mataram quando levaram Stuart". E quando (ainda) me perguntam se ela era política, eu digo que não, pois o verdadeiro idealismo é aquele que vem do coração, não o que se transforma em bandeira de partido. E ela era de coração.

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Zuzu Angel

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por Ricardo Moreno O decotão revelando um glorioso colo não deixou nem Mick Jagger incólume. Em parceria com Keith Richards, o líder dos Rolling Stones, que estava interessado naquela sorridente lourinha de 18 anos, escreveu em 1964 uma música para ela cantar ("As Tears Go By"). A banda gravou sua própria versão no ano seguinte. Marianne retribuiu o favor: uma das faixas mais famosas dos Stones, "Sympathy for the Devil", de 1968, foi em parte inspirada no livro A Margarida e o Mestre, delirante romance satírico de Mikhail Bulgakov, um presente de Faithfull para Jagger. O romance dos dois foi o epítome do sexo, drogas e rock'n'roll da época. "Eu vivia drogada", disse em sua autobiografia. Na década de 70 ela mergulhou fundo na heroína, chegando a morar nas ruas de Londres. Sobreviveu. E hoje, aos 61, continua gravando inspirados álbuns.

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por Moacyr Scliar Embora tivesse pulso firme, Golda não era agressiva. Ao contrário, mostrava certa ternura e até tristeza por viver num período de grandes conflitos em Israel. Ela construiu uma carreira política brilhante, tornando-se primeira-ministra em 1969. Golda não se vangloriava da guerra, mas sabia que tinha de vencê-la. Mas o custo das vidas humanas perdidas de ambos os lados era motivo de dor para ela. Uma vez, a respeito da agressão dos países árabes a Israel, disse: "eu posso perdoar qualquer coisa, mas não posso perdoar que eles tenham nos obrigado a matar jovens árabes". Ela encarnava a típica mãe judia: uma mulher protetora, alimentadora e que zelava pelos filhos acima de tudo.

golda Meir

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por j. Pequeno A. Neto Ela fez sua primeira foto em 1968, aos 19 anos: o poeta beat Allen Ginsberg fumando maconha durante um protesto contra a Guerra do Vietnã. A mais conhecida é a em que aparece Lennon nu e em posição fetal abraçado à sua mulher, Yoko Ono. Saiu na revista Rolling Stone e foi eleita a melhor capa dos últimos 40 anos. Arrojada, rápida e com um raro faro jornalístico, Annie Leibovitz é uma artista preocupada com a estética fotográfica como arte. Sua capacidade de extrair momentos únicos e reveladores da alma de seus retratados tornaram-na uma das grandes da história da fotografia. Perfeccionistas, suas produções são caríssimas ­ ela chega a cobrar 100 mil dólares por um dia de trabalho.

Annie Leibovitz

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por Maria Rita Alonso Diana Vreeland, editora da Vogue nos anos 60, apelidou-a de o "terremoto jovem". Bob Dylan, dizem, compôs "Just Like a Woman", "Like a Rolling Stone" e "Leopard-Skin PillBox Hat" pensando nela. Mas foi Andy Warhol que elevou-a ao símbolo máximo do cool, do chique, do sexy e do inconseqüente. Era a modelo-fetiche do artista plástico americano. Filha de uma tradicional família de Boston, Edie era rica, linda, ambiciosa... e muito problemática. Seu envolvimento com drogas e tranqüilizantes vinha desde a adolescência. Morreu na manhã de 16 de novembro de 1971, aos 28 anos, por intoxicação de drogas e álcool. Em 2006, a atriz Sienna Miller interpretou-a no filme Uma Garota Irresistível.

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Edie Sedgwick

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fotos: aRquIvo edItoRa gloBo

por gloria kalil A moda se transformou nesse período, e Mary Quant foi um dos arautos. Ela introduziu o elemento da juventude, onde antes existiam apenas a criança e o adulto. A magreza da modelo Twiggy, que trabalhava com a estilista, foi introduzida como um padrão de beleza; magreza essa que é sempre associada a uma imagem infantil. Mary Quant criou o visual da identidade moderna, e a referência chegou intacta até hoje. Antigamente os filhos queriam crescer para se vestir como os pais, e hoje são os pais que querem se vestir como os filhos. A juventude é o objeto de desejo de todo o mundo, e a minissaia, criada por Quant, é o símbolo máximo dessa mudança.

MARy quANT

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por Rubens Ewald Filho Mãe do diabo, musa de Woody Allen, esposa criança de Frank Sinatra, Mulher Traída, Ativista Política. Estas são apenas algumas das muitas faces de Mia Farrow. Estreou no cinema em 1959, aos 14 anos, sob a direção do pai. Aos 19 já era estrela. Quando tinha 21 casou-se com Frank Sinatra (e como já estava com o cabelo curtinho para fazer O Bebê de Rosemary, em 1968, provocou o comentário da ex-mulher dele, Ava Gardner: sempre soube que ele ia acabar com um rapazinho!). Foi a capa da primeira edição da revista People, em 74. Tornou-se ativista política, trabalhou para a Unicef e conseguiu que Steven Spielberg largasse a organização da festa das Olimpíadas, por causa da situação do Tibete oprimido pelos chineses. Sem dúvida, uma mulher de seu tempo.

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por Marcus Preto A revolução de Nara foi feita às escondidas, sem que (quase) ninguém percebesse. Assim que botou o pé no reino da música brasileira, teve de inventar um jeito de encaixar ali sua voz pequena. Isso, vale lembrar, era proibido. Cantar exigia potência, extensão vocal, técnica apurada. Mas Nara era amiga de quase todo mundo, de modo que foram deixando a menina brincar de cantar. Quando viram que a coisa estava ficando séria, colaram nela o selo de "musa da bossa", uma forma velada de dizer que ela não era uma "cantora", mas um "conceito". Nara renegou o título em seu LP de estréia, em 1964, e gravou samba de morro. Decidiram que era então uma "cantora de protesto", mas ela também não deixou o rótulo pegar. Passeou pelo chorinho, pela Tropicália, por Roberto e Erasmo, por Chico Buarque, voltou ao samba e até ­ quem diria? ­ à bossa. Provou, então, que sua voz delicada podia cantar tudo o que bem entendesse.

NARA LEãO

Talvez fosse algo no jeito como ela se movia. Ou os enormes olhos azuis. Quem sabe a imperfeição do sorriso. Fato é que a modelo inglesa Pattie Boyd virou a cabeça de George Harrison e Eric Clapton, tornando-se assim a musa de dois dos maiores nomes do rock (e a inspiração para groupies de todo o mundo). Em 1968, aos 24 anos, ela era mulher de Harrison. Não fosse por Pattie, o ex-Beatle talvez nunca tivesse composto "Something" ("Something in the way she moves / Attracts me like no other lover"). Nem Clapton tivesse gravado "Layla" ou "Wonderful Tonight".

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Pattie Boyd por Mariana Weber

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