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DIFERENÇAS ELETROMIOGRÁFICAS NA REALIZAÇÃO DE ROSCA TRÍCEPS NO PULLEY ALTO UTILIZANDO DIFERENTES PEGADAS.

Fabiano Gonçalves1,2, Flávia Porto1, Jonas Gurgel 1,2, Iuri Schroeder1,2, Hellen Hertz1,2, Sérgio Gaspary1,2, Ismael Baldissera1, Alexandre Runge1,2, Thais Russomano1 e Luciano Castro2. Grupo de Pesquisa em Eletromiografia/ Núcleo de Pesquisa em Biomecânica Aeroespacial/ Laboratório de Microgravidade/ IPCT/ PUCRS; 2Laboratório de Pesquisa em Atividade Física/ FEFID/ PUCRS.

Abstract: The empirical knowledge tells difference in the activation of the brachial muscle triceps during the accomplishment of the triceps exercise carried through in pulley high, depending on the type of grip in the bar. The objective of this study was to analyze the Surface Electromyography collected of the portions lateral and long of triceps brachial, of the extensor carpi radialis and flexor carpi ulnaris muscles. The results had demonstrated not to have significant difference in the sEMG standards of the brachial muscle triceps. However, for other muscles, the values had shown statistically significant for some volunteers. Given the small amostral amount and to the found differences, one suggests more studies that approach this thematic one. Key-words: Electromyography Surface, Elbow flexion, Execution technique. Introdução Atualmente, observa-se, uma procura crescente por atividades físicas orientadas em academias, as quais indivíduos são motivados por razões de estética, saúde ou, apenas, como uma forma de convívio social. Novaes [1] afirma que muitas são as opções de quem busca a prática de uma atividade física regular, sendo que, hoje, uma das mais procuradas são aquelas encontradas nas academias de ginástica. Dentre as atividades físicas oferecidas em academias, tem-se que a musculação é uma das modalidades mais importantes do ponto de vista financeiro da academia, pois é a que atrai mais adeptos, independentemente da época do ano. Segundo Fleck [2], a musculação é uma das vertentes mais conhecidas do treinamento de força, tendo uma definição semelhante ao do treinamento de força. O treinamento de força ­ também, conhecido como treinamento com pesos ou treinamento com cargas - tornou-se uma das formas mais conhecidas de exercício, tanto para o condicionamento de atletas como para melhorar a forma física de indivíduos não-atletas. No ambiente de academias de musculação, percebese, em alguns estabelecimentos, a prática de prescrições de exercicios fundamentadas, principalmente, no conhecimento empírico. Acredita-se que o conhecimento biomecânico e, sobretudo, cinesiológico, podem ser fundamentais na escolha de determinados exercícios físicos calcados nos objetivos do aluno e do treinamento a qual este é submetido. Deste modo, ISBN # XICBB'2005 acredita-se que o exercício rosca tríceps realizado no aparelho pulley alto seja um dos exercícios dos quais se tem dúvida quanto ao padrão de ativação muscular no que se refere aos tipos de pegada ­ se pronada ou supinada. O objetivo deste estudo foi verificar se há diferença significativa nos padrões de ativação das porções do músculo tríceps braquial durante a realização do exercício rosca tríceps no pulley alto utilizando as técnicas de pegada pronada e supinada, através da eletromiografia de superfície. Materiais e Métodos A amostra foi composta por 4 homens saudáveis com idades entre 23 e 42 anos (Tabela 1), todos experientes na prática do exercício tríceps braquial no pulley alto há, pelo menos, 1 ano e com freqüência semanal de, no mínimo, 3 vezes por semana de prática de musculação. A seleção da amostra foi não-aleatória, tendo como critérios de exclusão o uso de drogas ilícitas, ser fumante e apresentar pressão arterial com valores elevados acima de 120x80, além de condições prévias ao teste de: ingestão de álcool nas últimas 48h, ingestão de cafeína nos últimos 30min, ingestão de fármacos diuréticos na última semana, ter praticado exercícios físicos nos últimos 30min e ter menos de 6h de sono na noite anterior. Tabela 1: Perfil da amostra.

Estatura 171,75 ± 5,07cm Massa Corporal 72,25 ±2,95kg Densidade Corporal 1,06 ±0,01g/ml Percentual de Gordura 17,08 ±5,55 Idade 31 ±10,8 anos

1

Após terem lido e assinado um termo de consentimento autorizando a utilização de seus dados na pesquisa, os voluntários responderam aos questionários PAR-Q e anamnese para parcial caracterização da amostra e aplicação dos critérios de exclusão. Posteriormente, os voluntários passaram por avaliação física, sendo coletadas medidas de estatura, massa corporal, tamanho de segmentos (antebraços) e percentual de gordura. A estatura foi mensurada com Page#

auxílio de estadiômetro. A massa corporal foi verificada por meio de balança mecânica devidamente calibrada (Filizola®). O tamanho de segmentos dos antebraços foi levantado a partir da distância marcada entre os acidentes ósseos cabeça do rádio e processo estilóide do rádio; posteriormente, com auxílio de um paquímetro (Carci®), foi medido o comprimento. Para estimativa do percentual de gordura, foi escolhido o modelo de dobras cutâneas (adipômetro Sanny®) de 7 dobras, proposto por Jackson e Pollock (1978) e a equação preditiva de Siri [10]. Finda tal etapa, a pele do voluntário foi preparada para colocação dos eletrodos de superfície (eletrodos simples, tipo Ag/AgCl, Marca Noraxon®). A preparação incluiu limpeza da pele com água e sabão, além de retirada de pêlos com auxílio de lâmina de barbear descartável e fricção da pele com algodão umedecido em álcool [4,5]. A configuração dos eletrodos admitida foi a bipolar com distância de 20mm entre os centros dos eletrodos. A técnica de colocação dos eletrodos adotada foi a do ponto médio do ventre muscular, na direção longitudinal das fibras [6]. O eletrodo de referência (terra) foi afixado sobre a pele na região da clavícula. Apenas o membro superior do lado direito foi instrumentado com eletrodos. Além de dados de EMGs, optou-se por controlar o movimento angular do cotovelo direito com o uso de eletrogoniômetro baseado em potenciômetro rotacional [7]. O local de realização do estudo foi a Academia de Ginástica estabelecida no Centro Esportivo da Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul. Previamente ao teste, os indivíduos foram treinados a manter um ritmo de execução, auxiliados por um metrônomo digital (Marca Seiko, modelo DM 11A, China). O ritmo de execução do exercício foi normalizado com base nas equações de velocidades linear e angular. Partindo do princípio que para que os indivíduos gerem o mesmo esforço as velocidades lineares médias de suas execuções devem ser iguais, a equação geral pôde ser deduzida:

t n ( exec /min) = rn (cm) × t p (exec/min) × 0,036630036 (cm )

-1

entre as séries foi de 3min, cronometrado pelo pesquisador. A carga adotada foi de acordo com a que os indivíduos estavam habituados a utilizar em suas sessões de treinamento. A aquisição dos dados de EMGs e eletrogoniometria foi possível com o uso de um eletromiógrafo (Noraxon, modelo Myosystem 1400A). O canal 1 adquiriu dados da porção lateral do tríceps braquial; o canal 2, da porção longa do tríceps braquial; o canal 3, do flexor ulnar do carpo; o canal 4, do extensor radial do carpo. A colocação dos eletrodos nestas mediações foi a sugerida por Cram, Kasman e Holtz [4]. O processamento dos dados foi realizado no software SAD2 (Sistema de Aquisição de Dados, desenvolvido pelo Laboratório de Medições Mecânicas da Universidade Federal do Rio Grande do Sul). A normalização do sinal de EMGs deu-se pelas médias dos valores de pico. Para filtragem do sinal, foi utilizado um filtro passa-banda, entre 10 e 400Hz. Os valores RMS foram calculados por janelamento do tipo Hamming, de 100 pontos, a 0,04. Para análise estatística dos dados, foi utilizado o software SPSS11.5 for Windows. Resultados Diferenças nominais nos valores de médias de EMGs foram encontradas. A fim de verificar se estas diferenças eram estatisticamente significativas, aplicouse o teste t de Student para amostras pareadas (p<0,05). Os resultados demonstraram diferença estatisticamente significativa para a musculatura extensora radial do carpo para 50% da amostra. Diferenças significativas, também, foram encontradas para 25% do n amostral, no que tange à musculatura flexora ulnar do carpo. Os gráficos de 1 a 4 ilustram os resultados obtidos no procedimento de EMGs na comparação intrasujeitos.

Triceps porção Lateral (pegada pronada X supinada)

12

Triceps Porção Lateral (Pronado) Sujeito 1

10

Triceps Porção Lateral (Supinado) Sujeito 1 Triceps Porção Lateral (Pronado) Sujeito 2 Triceps Porção Lateral (Supinado) Sujeito 2

6

8

Na qual, tn é o ritmo de execução de determinado indivíduo, rn corresponde ao tamanho do antebraço direito do voluntário, p significa o indivíduo adotado como padrão para o desenvolvimento da fórmula, e a constante 0,036630036-1 foi determinada a partir das variáveis deslocamento angular médio (em radianos) e comprimento do antebraço do indivíduo tido como padrão. O protocolo consistiu na execução de 4 séries de 8 repetições do exercício rosca tríceps executado no pulley alto (2 séries realizadas com a pegada pronada, 2 séries realizadas com a pegada supinada). O intervalo ISBN # XICBB'2005

Média RMS

Triceps Porção Lateral (Pronado) Sujeito 3 Triceps Porção Lateral (Supinado) Sujeito 3 Triceps Porção Lateral (Pronado) Sujeito 4

2

4

Triceps Porção Lateral (Supinado) Sujeito 4

0

Gráfico 1: Porção Lateral do Tríceps.

Page#

Triceps Porção Longa (pegada pronada X supinada)

10

9

Triceps Porção Longa (Pronado) Sujeito 1

8

Triceps Porção Longa (Supinado) Sujeito 1

7

Triceps Porção Longa (Pronado) Sujeito 2

Média RMS

6

Triceps Porção Longa (Supinado) Sujeito 2

5

4

Triceps Porção Longa (Pronado) Sujeito 3

3

Triceps Porção Longa (Supinado) Sujeito 3

2

Triceps Porção Longa (Pronado) Sujeito 4

1

Triceps Porção Longa (Supinado) Sujeito 4

0

Gráfico 2 : Porção longa do tríceps.

Flexor Ulnar (pegada pronada X supinada)

14

Flexor Ulnar (Pronada) Sujeito 1

12

Flexor Ulnar (Supinado) Sujeito 1 Flexor Ulnar (Pronado) Sujeito 2 Flexor Ulnar (Supinado) Sujeito 2

10

Média RMS

8

mais unidades motoras nesta função. Do mesmo modo, que, conforme hipotetizado pelos autores, não haveria de dar diferenças significativas na ativação das porções do músculo tríceps braquial em função dos seus locais de origem e inserção. Apesar da questão cinesiológica ser perfeitamente justificável para essas diferenças encontradas, optou-se por analisar os dados captados pelo eletrogoniômetro. Embora o ritmo de execução do movimento tenha sido monitorado pelo uso de metrônomo, os voluntários apresentaram diferenças nos valores. Com o intuito de verificar se as diferenças de EMGs encontradas eram provenientes de alterações na velocidade média (VM) angular do movimento, decidiu-se por normalizar os dados de média RMS pela VM angular do cotovelo. Um teste t para amostras pareadas foi aplicado nesses valores normalizados. Os resultados demonstraram que não houve diferença significativa. Sendo assim, a diferença na velocidade de execução não se traduz no fator responsável pela diferença no padrão eletromiográfico gerado por estes indivíduos. Conclusão O estudo revelou não haver diferença significativa na ativação das porções do músculo tríceps braquial na execução do exercício rosca tríceps no pulley alto realizado com pegadas do tipo pronada e supinada. Entretanto, parte da amostra apresentou diferenças nos padrões de EMGs coletada dos músculos flexores e extensores do punho. Dada a pequena quantidade amostral e às diferenças encontradas, sugere-se mais estudos que abordem essa temática. Agradecimentos: À Faculdade de Enfermagem, Nutrição e Fisioterapia da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul, sob o nome do coordenador do Laboratório de Eletrotermoterapia e Fototerapia, Ms. Fabrício Edler Macagnan, pela cessão de alguns equipamentos para o cumprimento deste estudo. Academia de Ginástica estabelecida no Centro Esportivo da Faculdade de Educação Física e Ciências do Desporto da Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul pela cessão de espaço físico para a realização deste estudo. Referências

* *

Flexor Ulnar (Pronada) sujeito 3 Flexor Ulnar (Supinada) sujeito 3 Flexor Ulnar (Pronada) sujeito 4 Flexor Ulnar (Supinada) sujeito 4

6

4

2

0

Gráfico 3: Flexor ulnar do carpo.

Extensor Radial (pegada pronada X supinada)

14

12

Extensor Radial (Pronado) Sujeito 1 Extensor Radial (Supinado) Sujeito 1 Extensor Radial (Pronado) Sujeito 2

10

* * *

Média RMS

8

Extensor Radial (Supinado) Sujeito 2 Extensor Radial (Pronado) Sujeito 3 Extensor Radial (Supinado) Sujeito 3

6

4

2

*

Extensor Radial (Pronado) Sujeito 4 Extensor Radial (Supinado) Sujeito 4

0

Gráfico 4: Extensor radial do carpo. O Sujeito 1 apresentou diferenças significativas na relação intra-sujeitos para a musculatura flexora ulnar do carpo ( t (1,12, 706 ) , p=0,011<0,05) e para extensora radial do carpo ( t (1,12, 706 ) , p=0,002<0,05). Neste mesmo grupo muscular, o Sujeito 4 apresentou diferenças estatisticamente significativas ( t (1,12, 706 ) , p=0,001<0,05). Discussão Os resultados encontrados foram esperados. Tendo em vista a função cinesiológica da musculatura extensora do punho, era coerente que a pegada do tipo supinada, para a realização deste exercício, fosse ativar ISBN # XICBB'2005

[1] NOVAES, JS e VIANNA, JM. Personal Training e Condicionamento Físico em Academia. Rio de Janeiro: SHAPE, 2003.

[2] FLECK, SJ. e KRAMER, WJ. Fundamentos do Treinamento de Força. Porto Alegre: Artmed, 1999. [3] POLLOCK, ML e WILMORE, JH. Exercícios na saúde e na doença: avaliação e prescrição para prevenção e reabilitação. Rio de Janeiro: Medsi, 1993. Page#

[4]

CRAM, JR, KASMAN, Introduction to surface Gaithersburg: Aspen, 1998.

GS, HOLTZ, J. electromyography.

[5] HERZOG, W, GUIMARÃES, ACS, ZHANG, YT. "EMG", in: NIGG, BM and HERZOG, W. (Ed). Biomechanics on the musculo-skeletal system. New York: Wiley, pp. 351-375, 1998. [6] ARAÚJO, RC. Utilização da eletromiografia na análise biomecânica do movimento humano. Escola de Educação Física e Esporte, USP: São Paulo, 1998. [7] GURGEL, J, PORTO, F, RUSSOMANO, T, CASTRO, L, BERTOGLIO, R, SCHROEDER, I. `Construção e calibração de eletrogoniômetro de baixo custo, baseado em potenciômetro, para análise biomecânica do movimento humano', Anais XXVII Simp Intern Ciênc Espor, São Paulo, 2004, pp.256, 2004. e-mail dos autores: [email protected] [email protected]

ISBN # XICBB'2005

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