Read Capa_Figaro text version

Temporada Lírica 2009-10

Le nozze di Figaro

Le nozze di Figaro

Wolfgang Amadeus Mozart

LE NOZZE DI FIGARO

Wolfgang Amadeus Mozart

2010

Teatro Nacional de São Carlos

Sábado, 24 Abril, 20:00h Segunda-feira, 26 Abril, 20:00h Quarta-feira, 28 Abril, 20:00h Sexta-feira, 30 Abril, 20:00h Domingo, 2 Maio, 16:00h Terça-feira, 4 Maio, 20:00h Quinta-feira, 6 Maio, 20:00h Sábado, 8 Maio, 16:00h [Tarde Família]

Haverá um intervalo com cerca de 30 minutos após o Acto II.

Índice

Ficha Artística Le nozze di Figaro in breve por João Pedro Cachopo Argumento Libreto Dramaturgo, poeta e compositor por David Cranmer Biografias Ficha Técnica

6

10

26

48

131

146

156

Página 1: Wolfgang Amadeus Mozart retratado por Christian Ludwig Vogel

Le nozze di Figaro

5

Le Nozze di Figaro

[As bodas de Figaro]

Wolfgang Amadeus Mozart

Opera buffa em quatro actos (KV 492) Libreto de Lorenzo Da Ponte segundo a peça La folle journée ou Le mariage de Figaro de Pierre-Augustin Caron Beaumarchais (1784, Paris)

Direcção musical

Personagens e intérpretes

Julia Jones Moritz Gnann [4. Maio]

Encenação

Conde Almaviva

Marco Vinco

Condessa Almaviva (Rosina)

Guy Montavon

Cenografia e figurinos

Jessica Muirhead

Susanna, sua aia e noiva de Figaro

Joana Seara

Figaro, criado do Conde

Hank Irwin Kittel

Alkor Edition Kassel GmbH Desenho de luz

Leandro Fischetti

Torsten Bante

Cherubino, pajem do Conde

Estreia absoluta Burgtheater de Viena, a 1 de Maio de 1786

Kristina Wahlin Luisa Francesconi [28. 30. Abril]

Marcellina, governanta de Dr. Bartolo

Maria Luísa de Freitas

Estreia em Portugal Teatro Nacional de São Carlos, a 21 de Maio de 1945

Dr. Bartolo, um médico de Sevilha

Donato Di Stefano

Don Basilio, mestre de música

Mário João Alves

Coro do Teatro Nacional de São Carlos Maestro Titular Kosta Popovic Orquestra Sinfónica Portuguesa Maestro Titular Julia Jones

Dom Curzio, magistrado

Marco Alves dos Santos

Barbarina, filha de Antonio

Ana Franco

Antonio, o jardineiro, tio de Susanna

João de Oliveira

Co-produção [Nova Produção] Theater Erfurt Teatro Nacional de São Carlos Duas Donzelas

Ana Cosme Natália de Carvalho Brito

6

Le nozze di Figaro

7

Assistente do Director Musical

Cenário, Adereços e Guarda-roupa

Moritz Gnann

Theater Erfurt

Assistente de encenação

Eva-Maria Abelein

Calçado e Cabeleiras

Teatro Nacional de São Carlos

Assistente do Figurinista

Rita Pereira

Caracterização

Fátima Sousa

Director Musical de Cena

João Paulo Santos

Maestros co-repetidores

Nuno Margarido Lopes Joana David

Leandro Fischetti (Figaro) (fotografia de ensaio)

8

João Pedro Cachopo Le nozze di Figaro in breve

O compositor Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) quase dispensa apresentações. Com Haydn e Beethoven, forma a tríade do chamado Classicismo Vienense, constituindo uma espécie de mediação entre os seus dois pólos. Um intervalo fértil, embora curto. Com efeito, durante os trinta e cinco anos que viveu, Mozart foi um compositor tão cosmopolita como prolífico, tendo desenvolvido a sua actividade em vários centros musicais da Europa, de Inglaterra à Itália, passando por França, pela Áustria e pela Alemanha, dando azo à sua criatividade em praticamente todos os géneros, destacando-se em todos eles pela excelência, mesmo quando o tempo de que dispunha era escasso. As óperas que compôs representam um ideal que muitos dos compositores que o precederam neste campo procuraram concretizar: a de uma síntese entre drama e música que não cede em complexidade, nem parece forçada. Óperas como Le nozze di Figaro, Don Giovanni ou Die Zauberflöte provam-no sem cessar. De um ponto de vista estético não estritamente musical, a sua obra conjuga espontaneidade, leveza, melancolia e ânimo... Não é fácil escrever sobre a obra de Mozart, tanto, pelo menos, quanto é irresistível ser-se tocado por ela.

Ao longo dos seus quatro actos, entre equívocos, disfarces e desencontros, o ambiente é pré-nupcial. Isto marca o tom, anima o ritmo, garante o espírito da ópera de Mozart. O Conde Almaviva, para quem Figaro e Susanna trabalham, porém, não considera o noivado entre ambos um obstáculo à sua intenção de seduzir Susanna. Pelo meio, esta e a Condessa concebem um plano para desmascarar o Conde: Susanna escreverá um bilhete ao Conde em que lhe propõe um encontro secreto entre ambos. A ideia é que nesse encontro compareça Cherubino (o pajem adolescente do Conde), disfarçado de mulher, e não Susanna. Já no Acto IV, no meio da confusão que se instala, Figaro equivoca-se e julga-se traído. Por fim, no entanto, tudo se clarifica e o Conde, no seio de uma comunidade, perante a qual é constrangido a manter as aparências, não tem outra alternativa senão a de saudar os noivos. O aspecto político da trama prende-se, amiúde, com a dissimulação a que recorrem Susanna e Figaro para resistir à acção arbitrária do Conde. No entanto, o que está em causa numa tal dissimulação ­ e isto transcende os constrangimentos meramente estilísticos do género buffo ­ não é a mesquinhez a que falta a coragem da franqueza, mas um desequilíbrio inicial de forças que torna a astúcia inevitável. A música, essa, é inteligente a cada instante: a mais anódina interjeição adquire na linguagem musical de Mozart uma eloquência expressiva que a transcende. Sem qualquer cedência a uma lógica representativa, cada nota composta significa e nenhuma está a mais. O quadro contrastante ­ que, de tão belo, chega a ser perturbador ­ com que se inicia a ópera, em que a música mais aérea, esvoaçante, acompanha as manobras terrenas de Figaro, tirando medidas ao quarto, é, desde o início, o signo de muitas promessas. Note-se esta: a de que a fronteira entre as tarefas da vida e o comprazimento na arte é móvel. A mais bela das óperas revolta-se contra o elitismo dos que vêem no universo da ópera o seu feudo. Nenhuma arte é de jure de apenas alguns. Nem a que historicamente serviu de facto tão poucos.

Le nozze di Figaro de relance

Abertura

Acto II

Cena 1

Acto I

Cenas 1-2

N.º 1 ­ Duettino (Figaro, Susanna) ­ Cinque... dieci... Recitativo (Susanna) ­ Cosa stai misurando... N.º 2 ­ Duettino (Susanna, Figaro) ­ Se a caso madama... Recitativo (Susanna, Figaro) ­ Or bene; ascolta e taci! N.º 3 ­ Cavatina (Figaro) ­ Se vuol ballare signor Contino

Cena 3

N.º 11 ­ Cavatina (Condessa) ­ Porgi amor qualche ristoro Recitativo (Condessa, Susanna, Figaro) ­ Vieni, cara Susanna

Cena 2

Recitativo (Bartolo, Marcellina) ­ Ed aspettaste il giorno fissato... N.º 4 ­ Ária (Bartolo) ­ La vendetta, oh, la vendetta!

Cena 4

Recitativo (Condessa, Susanna, Cherubino) ­ Quanto duolmi... N.º 12 ­ Arietta (Cherubino) ­ Voi che sapete... Recitativo (Condessa, Susanna, Cherubino) ­ Bravo! Che bella voce! N.º 13 ­ Ária (Susanna) ­ Venite, inginocchiatevi Recitativo (Condessa, Susanna, Cherubino, [Conde]) ­ Quante buffonerie!

Cena 3

Recitativo (Marcellina, Susanna) ­ Tutto ancor non ho perso N.º 5 ­ Duettino (Susanna, Marcellina) ­ Via resti servita, madama brilante

Cena 5

Recitativo (Conde, Condessa) ­ Che novità? N.º 14 ­ Terceto (Susanna, Condessa, Conde) ­ Susanna or via sortite Recitativo (Conde, Condessa) ­ Dunque voi non aprite?

Cena 4

Recitativo (Susanna, Cherubino) ­ Và la vecchia pedante N.º 6 ­ Ária (Cherubino) ­ Non so più, cosa son...

Cenas 6-7

N.º 15 ­ Duettino (Susanna, Cherubino) ­ Aprite presto, aprite Recitativo (Susanna) ­ Oh guarda il demonietto!

Cena 5

A obra Composta em cerca de seis semanas, Le nozze di Figaro estreou no Burgtheater de Viena a 1 de Maio de 1786. A ópera assinala o início de uma colaboração fecunda entre Mozart e Lorenzo Da Ponte ­ desta serão também frutos Don Giovanni e Così fan tutte. No que toca ao libreto das Bodas, dois méritos são atribuíveis a Da Ponte. Em primeiro lugar, o de ter atenuado o carácter politicamente explosivo do drama original de Beaumarchais, viabilizando assim a produção da ópera no teatro imperial. Em segundo lugar, o facto de ter redigido um libreto permeável à invenção de Mozart que pôde assim transgredir as fronteiras rígidas entre árias, números de conjunto e recitativos.

Recitativo (Cherubino, Susanna, Conde, Basilio) ­ Ah, son perduto! N.º 7 ­ Terceto (Susanna, Basilio, Conde) ­ Cosa sento!... Recitativo (Conde, Susanna, Cherubino, Figaro) ­ Basilio, in traccia tosto di Figaro volate

Cena 8

Recitativo (Conde, Condessa) ­ Tutto è come il lasciai

Cenas 6-11

N.º 16 ­ Finale (Susanna, Condessa, Marcellina, Basilio, Conde, Antonio, Bartolo, Figaro) ­ Esci omai, garzon malnato

N.º 8 ­ Coro ­ Giovani liete, fiori spargete Recitativo (Conde, Figaro, Susanna) ­ Cos'è questa commedia? N.º 9 ­ Coro ­ Giovani liete, fiori spargete Recitativo (Figaro, Susanna, Basilio, Cherubino, Conde) ­ Evviva! N.º 10 ­ Ária (Figaro) ­ Non più andrai...

Acto III

Cenas 1-3

Recitativo (Conde, Condessa, Susanna) ­ Che imbarazzo è mai questo! N.º 17 ­ Duettino (Susanna, Conde) ­ Crudel! Perchè finora Recitativo (Conde, Susanna, Figaro) ­ E perchè fosti meco stamattina...

10

Le nozze di Figaro

11

Cena 4

Acto IV

Cena 1

Le nozze di Figaro no São Carlos

Ao contrário de Don Giovanni, cuja primeira produção teve lugar em 1839, Le nozze di Figaro estreou no Teatro Nacional de São Carlos somente em meados do século XX, a 21 de Maio de 1945. Desde então, a presença do primeiro fruto da colaboração entre Mozart e Da Ponte foi relativamente regular no palco do TNSC, tendo o número de produções ultrapassado a dezena, ao longo da segunda metade do século XX.

N.º 18 ­ Recitativo e Ária (Conde) ­ Hai già vinta la causa! Ária ­ Vedrò, mentre io sospiro

Cena 5

N.º 24 ­ Cavatina (Barbarina) ­ L'ho perduta, me meschina!

Cenas 2-3

Recitativo (Dom Curzio, Marcellina, Figaro, Conde, Bartolo) ­ È decisa la lite N.º 19 ­ Sexteto (Susanna, Marcellina, Dom Curzio, Conde, Bartolo, Figaro) ­ Riconosci in questo amplesso

Cena 6

Recitativo (Figaro, Barbarina, Marcellina) ­ Barbarina, cos'hai?

Cena 4

Recitativo (Marcellina) ­ Presto avvertiam Susanna. [N.º 25 ­ Ária (Marcellina) ­ Il capro e la capretta] [Cena 5 Recitativo (Barbarina, Figaro, Basilio, Bartolo) ­ Nel padiglione a manca] [Cena 6 ­ È Barbarina!]

Cena 7

Recitativo (Marcellina, Bartolo, Susanna, Figaro) ­ Eccovi, o caro amico

Cena 7

Recitativo (Barbarina, Cherubino) ­ Andiam, andiam

Cena 8

N.º 20 ­ Recitativo e Ária (Condessa) ­ E Susanna non vien! Ária ­ Dove sono i bei momenti

Cena 9

N.º 26 ­ Ária (Basilio) ­ In quegl'anni, in cui val poco

Cena 8

Recitativo (Antonio, Conde) ­ Io vi dico, signor

Cena 10

N.º 27 ­ Recitativo e Ária (Figaro) ­ Tutto è disposto Ária ­ Aprite un po' quegl'occhi

Cenas 9-10

Recitativo (Condessa, Susanna) ­ Cosa mi narri? N.º 21 ­ Duettino (Susanna, Condessa) ­ Che soave zeffiretto Recitativo (Susanna, Condessa) ­ Piegato è il foglio

Cenas 11-14

Recitativo (Susanna, Marcellina, Condessa, Figaro) ­ Signora, ella mi disse. N.º 28 ­ Recitativo e Ária (Susanna) ­ Giunse alfin il momento Ária ­ Deh vieni, non tardar

Cenas 11-14 e Última Cena

N.º 22 ­ Coro ­ Ricevete, o padroncina Recitativo (Barbarina, Condessa, Susanna, Antonio, Conde, Cherubino, Figaro) ­ Queste sono, madama N.º 23 ­ Finale (Susanna, Condessa, Conde, Figaro, Coro, [duas donzelas]) ­ Ecco la marcia, andiamo!

Recitativo (Figaro, Cherubino, Condessa) ­ Perfida! E in quella forma... N.º 29 ­ Finale (Susanna, Condessa, Barbarina, Cherubino, Marcellina, Basilio, Conde, Antonio, Figaro) ­ Pian, pianin, le andrò più presso

O texto assinalado entre parêntesis rectos corresponde a cortes efectuados para esta produção

12

Le nozze di Figaro

13

Le nozze di Figaro in breve

El compositor Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) casi no necesita presentaciones. Con Haydn y Beethoven, forma la tríada del llamado Clasicismo Vienés, constituyendo una especie de mediación entre sus dos polos. Un intervalo fértil, aunque corto. De hecho, durante los treinta y cinco años que vivió, Mozart fue un compositor tan cosmopolita como prolífico, habiendo desarrollado su actividad en varios centros musicales de Europa, desde Inglaterra a Italia, pasando por Francia, por Austria y por Alemania, dando lugar a su creatividad en casi todos los géneros, destacándose en todos por la excelencia, incluso cuando el tiempo de que disponía era escaso. Las óperas que compuso representan un ideal que muchos de los compositores que le precedieron en este campo trataban de concretizar: la de una síntesis entre drama y música que no cede en complejidad, ni parece forzada. Esto es demostrado en todo momento por las óperas de Le nozze di Figaro [Las bodas de Fígaro], Don Giovanni o Die Zauberflöte [La Flauta Mágica]. Desde el punto de vista estético no estrictamente musical, su obra combina espontaneidad, ligereza, melancolía y ánimo... No es fácil escribir sobre la obra de Mozart, y mucho menos resistir a emocionarse con ella.

no considera que el compromiso entre ambos sea un obstáculo a su intención de seducir a Susanna. Por el medio, ésta y la condesa conciben un plan para desenmascarar al conde: Susanna escribirá una nota al conde en que le propone un encuentro secreto entre ambos. La idea es que en ese encuentro aparezca Cherubino (el paje adolescente del conde), disfrazado de mujer, y no Susanna. En el Acto IV, en medio de la confusión que se establece, Figaro se equivoca y se cree traicionado. Por último, sin embargo, todo se aclara y el conde, en el seno de una comunidad, ante la cual es obligado a mantener las apariencias, no tiene más remedio que dar la bienvenida a los novios. El aspecto político de la trama se manifiesta, a menudo, con la disimulación que utilizan Susanna y Figaro para resistir a la acción arbitraria del conde. Sin embargo, lo que está en causa en tal disimulación ­y esto transciende los límites meramente estilísticos del género buffo ­ no es la mezquindad que carece en el coraje de la franqueza, sino un desequilibrio inicial de fuerzas que hace que la astucia sea inevitable. La música, esa, es inteligente a cada instante: la más insignificante interjección adquiere en el lenguaje musical de Mozart una elocuencia expresiva que la transciende. Sin cualquier concesión a una lógica representativa, cada nota compuesta significa y ninguna está de más. El ambiente contrastante ­que, de tan bello, llega a ser perturbador­ con que se inicia la ópera, en que la música más aérea, aleteante, acompaña las maniobras terrenales de Figaro, tomando medidas a la habitación, es, desde el inicio, el signo de muchas promesas. Nótese ésta: la de que la frontera entre las tareas de la vida y la satisfacción en el arte es movible. La más bella de las óperas se revuelta contra el elitismo de los que ven en el universo de la ópera a su feudo. Ningún arte es de jure de sólo algunos. Ni la que históricamente sirvió de hecho a tan pocos.

Le nozze di Figaro de relance Apertura Acto I

Escena 1-2

Acto II

Escena 1

N.º 1 ­ Duettino (Figaro, Susanna) ­ Cinque... dieci... Recitativo (Susanna) ­ Cosa stai misurando... N.º 2 ­ Duettino (Susanna, Figaro) ­ Se a caso madama... Recitativo (Susanna, Figaro) ­ Or bene; ascolta e taci! N.º 3 ­ Cavatina (Figaro) ­ Se vuol ballare signor Contino

Escena 3

N.º 11 ­ Cavatina (Condessa) ­ Porgi amor qualche ristoro Recitativo (Condessa, Susanna, Figaro) ­ Vieni, cara Susanna

Escena 2

Recitativo (Bartolo, Marcellina) ­ Ed aspettaste il giorno fissato... N.º 4 ­ Aria (Bartolo) ­ La vendetta, oh, la vendetta!

Escena 4

Recitativo (Condessa, Susanna, Cherubino) ­ Quanto duolmi... N.º 12 ­ Arietta (Cherubino) ­ Voi che sapete... Recitativo (Condessa, Susanna, Cherubino) ­ Bravo! Che bella voce! N.º 13 ­ Aria (Susanna) ­ Venite, inginocchiatevi Recitativo (Condessa, Susanna, Cherubino, [Conde]) ­ Quante buffonerie!

Escena 3

Recitativo (Marcellina, Susanna) ­ Tutto ancor non ho perso N.º 5 ­ Duettino (Susanna, Marcellina) ­ Via resti servita, madama brilante

Escena 5

Recitativo (Conde, Condessa) ­ Che novità? N.º 14 ­ Terceto (Susanna, Condessa, Conde) ­ Susanna or via sortite Recitativo (Conde, Condessa) ­ Dunque voi non aprite?

Escena 4

La obra Compuesta en unas seis semanas, Le nozze di Figaro se estrenó en el Burgtheater de Viena el 1 de mayo de 1786. La ópera marca el inicio de una fructífera colaboración entre Mozart y Lorenzo Da Ponte ­de ésta serán también frutos Don Giovanni y Così fan tutte [Así hacen todas]. En cuanto al libreto de las Bodas, dos méritos se le atribuyen a Da Ponte. En primer lugar, lo de haber atenuado el carácter políticamente explosivo del drama original de Beaumarchais, permitiendo así la producción de la ópera en el Teatro Imperial. En segundo lugar, el hecho de haber escrito un libreto permeable a la invención de Mozart que puede así transgredir las fronteras rígidas entre Arias, números de conjunto y recitativos. A lo largo de sus cuatro actos, entre malentendidos, disfraces y desencuentros, el ambiente es prenupcial. Esto marca el tono, anima el ritmo, garantiza el espíritu de la ópera de Mozart. El Conde Almaviva, para quien trabajan Figaro y Susanna, sin embargo,

Recitativo (Susanna, Cherubino) ­ Và la vecchia pedante N.º 6 ­ Aria (Cherubino) ­ Non so più, cosa son...

Escenas 6-7

N.º 15 ­ Duettino (Susanna, Cherubino) ­ Aprite presto, aprite Recitativo (Susanna) ­ Oh guarda il demonietto!

Escena 5

Recitativo (Cherubino, Susanna, Conde, Basilio) ­ Ah, son perduto! N.º 7 ­ Terceto (Susanna, Basilio, Conde) ­ Cosa sento!... Recitativo (Conde, Susanna, Cherubino, Figaro) ­ Basilio, in traccia tosto di Figaro volate

Escena 8

Recitativo (Conde, Condessa) ­ Tutto è come il lasciai

Escenas 6-11

N.º 16 ­ Finale (Susanna, Condessa, Marcellina, Basilio, Conde, Antonio, Bartolo, Figaro) ­ Esci omai, garzon malnato

N.º 8 ­ Coro ­ Giovani liete, fiori spargete Recitativo (Conde, Figaro, Susanna) ­ Cos'è questa commedia? N.º 9 ­ Coro ­ Giovani liete, fiori spargete Recitativo (Figaro, Susanna, Basilio, Cherubino, Conde) ­ Evviva! N.º 10 ­ Aria (Figaro) ­ Non più andrai...

Acto III

Escenas 1-3

Recitativo (Conde, Condessa, Susanna) ­ Che imbarazzo è mai questo! N.º 17 ­ Duettino (Susanna, Conde) ­ Crudel! Perchè finora Recitativo (Conde, Susanna, Figaro) ­ E perchè fosti meco stamattina...

14

Le nozze di Figaro

15

Escena 4

Acto IV

Escena 1

Le nozze di Figaro en São Carlos

A diferencia de Don Giovanni, cuya primera producción tuvo lugar en 1839, Le nozze di Figaro se estrenó en el Teatro Nacional de São Carlos solamente a mediados del siglo XX, el 21 de mayo de 1945. Desde entonces, la presencia del primer fruto de la colaboración entre Mozart y Da Ponte fue relativamente habitual en el escenario del TNSC, habiendo sobrepasado el número de producciones la decena, a lo largo de la segunda mitad del siglo XX.

N.º 18 ­ Recitativo y Aria (Conde) ­ Hai già vinta la causa! Aria ­ Vedrò, mentre io sospiro

Escena 5

N.º 24 ­ Cavatina (Barbarina) ­ L'ho perduta, me meschina!

Escenas 2-3

Recitativo (Don Curzio, Marcellina, Figaro, Conde, Bartolo) ­ È decisa la lite N.º 19 ­ Sexteto (Susanna, Marcellina, Don Curzio, Conde, Bartolo, Figaro) ­ Riconosci in questo amplesso

Escena 6

Recitativo (Figaro, Barbarina, Marcellina) ­ Barbarina, cos'hai?

Escena 4

Recitativo (Marcellina) ­ Presto avvertiam Susanna. [N.º 25 ­ Aria (Marcellina) ­ Il capro e la capretta] [Escena 5 Recitativo (Barbarina, Figaro, Basilio, Bartolo) ­ Nel padiglione a manca] [Escena 6 ­ È Barbarina!]

Escena 7

Recitativo (Marcellina, Bartolo, Susanna, Figaro) ­ Eccovi, o caro amico

Escena 7

Recitativo (Barbarina, Cherubino) ­ Andiam, andiam

Escena 8

N.º 20 ­ Recitativo y Aria (Condessa) ­ E Susanna non vien! Aria ­ Dove sono i bei momenti

Escena 9

N.º 26 ­ Aria (Basilio) ­ In quegl'anni, in cui val poco

Escena 8

Recitativo (Antonio, Conde) ­ Io vi dico, signor

Escena 10

N.º 27 ­ Recitativo e Aria (Figaro) ­ Tutto è disposto Aria ­ Aprite un po' quegl'occhi

Escenas 9-10

Recitativo (Condessa, Susanna) ­ Cosa mi narri? N.º 21 ­ Duettino (Susanna, Condessa) ­ Che soave zeffiretto Recitativo (Susanna, Condessa) ­ Piegato è il foglio

Escenas 11-14

Recitativo (Susanna, Marcellina, Condessa, Figaro) ­ Signora, ella mi disse. N.º 28 ­ Recitativo e Aria (Susanna) ­ Giunse alfin il momento Aria ­ Deh vieni, non tardar

Escenas 11-14 y Última Cena

N.º 22 ­ Coro ­ Ricevete, o padroncina Recitativo (Barbarina, Condessa, Susanna, Antonio, Conde, Cherubino, Figaro) ­ Queste sono, madama N.º 23 ­ Finale (Susanna, Condessa, Conde, Figaro, Coro, [dos doncellas]) ­ Ecco la marcia, andiamo!

Recitativo (Figaro, Cherubino, Condessa) ­ Perfida! E in quella forma... N.º 29 ­ Finale (Susanna, Condessa, Barbarina, Cherubino, Marcellina, Basilio, Conde, Antonio, Figaro) ­ Pian, pianin, le andrò più presso

El texto entre corchetes corresponde a los cortes efectuados para esta producción

16

Le nozze di Figaro

17

Le nozze di Figaro in breve

The composer Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) almost does not need to be introduced. Along with Haydn and Beethoven, he forms the triad of the so-called Viennese Classicism, constituting some kind of mediation between its two poles. It was an abundant though short break. In fact, during the thirty five years of his life, Mozart was a cosmopolitan and prolific composer who developed his activity in different musical major cities in Europe, from England to Italy, and France, Austria and Germany, giving occasion for his creativity in almost all genres, standing out in all of them for his proficiency, even if he lacked the time for the purpose. The operas he composed represent an ideal that many composers, who came before him in this field, sought to embody: that of a synthesis between drama and music, which does not give in either in complexity or even seems to be forced. Operas like Le nozze di Figaro, Don Giovanni or Die Zauberflöte prove it incessantly. From an aesthetical point of view, which is not merely musical, his work brings together spontaneity, lightness, melancholy and spirit... It is a hard job to write about Mozart's work, at least, as much as it is irresistible to be touched by it.

engagement an obstacle to his intention of seducing Susanna. Meanwhile, the latter and the Countess plot a scheme to expose the Count: Susanna will write a note to the Count proposing that they both meet in secrecy. The purpose is to make Cherubino, the Count's adolescent page, appear during that meeting, disguised as a woman, instead of Susanna. Already in Act IV, amid the confusion, Figaro makes a mistake and believes he has been betrayed. Finally, the truth comes up though and the Count, in a community before which he is compelled to keep up appearances, has no choice but greet bride and groom. The political aspect of the story has often to do with the dissimulation that Susanna and Figaro make use of in order to resist the Count's arbitrary action. Nevertheless, what is at stake is that, in such a dissimulation ­ and this transcends the merely stylistic constraints of the buffo genre ­ is not the meanness towards which the courage of frankness is lacking, but an initial imbalance of forces that makes deceit inevitable. In turn, the music is intelligent at every instant: the most anodyne interjection acquires, in Mozart's musical language, an expressive eloquence that goes beyond it. Without giving in to a performing logic, every single composed note has a meaning and is indeed necessary. The contrasting framework ­ which, because of being so beautiful, is almost disturbing ­ with which the opera begins, where the music is more airy, flickering, goes along with the earthy manoeuvres of Figaro, taking the measurements of the room is, since the beginning, the sign of many promises. The following one is worthwhile looking at: the promise that the frontier between the tasks of life and the pleasure of art is mobile. The most beautiful of operas rebels itself against the elitism of those who consider opera their feud. No type of art belongs de facto to some: But the one that historically has benefited de facto so few does not belong to anyone either.

Le nozze di Figaro at a glance Overture Act I

Scenes 1-2

Act II

Scene 1

No. 1 ­ Duettino (Figaro, Susanna) ­ Cinque... dieci... Recitative (Susanna) ­ Cosa stai misurando... No. 2 ­ Duettino (Susanna, Figaro) ­ Se a caso madama... Recitative (Susanna, Figaro) ­ Or bene; ascolta e taci! No. 3 ­ Cavatina (Figaro) ­ Se vuol ballare signor Contino

Scene 3

No. 11 ­ Cavatina (Countess) ­ Porgi amor qualche ristoro Recitative (Countess, Susanna, Figaro) ­ Vieni, cara Susanna

Scene 2

Recitative (Bartolo, Marcellina) ­ Ed aspettaste il giorno fissato... No. 4 ­ Aria (Bartolo) ­ La vendetta, oh, la vendetta!

Scene 4

Recitative (Countess, Susanna, Cherubino) ­ Quanto duolmi... No. 12 ­ Arietta (Cherubino) ­ Voi che sapete... Recitative (Countess, Susanna, Cherubino) ­ Bravo! Che bella voce! No. 13 ­ Ária (Susanna) ­ Venite, inginocchiatevi Recitative (Countess, Susanna, Cherubino, [Count]) ­ Quante buffonerie!

Scene 3

Recitative (Marcellina, Susanna) ­ Tutto ancor non ho perso No. 5 ­ Duettino (Susanna, Marcellina) ­ Via resti servita, madama brilante

Scene 5

Recitative (Count, Countess) ­ Che novità? No. 14 ­ Terzetto (Susanna, Countess, Count) ­ Susanna or via sortite Recitative (Count, Countess) ­ Dunque voi non aprite?

Scene 4

The work Composed in roughly six weeks, Le nozze di Figaro (The Marriage of Figaro or the Day of Madness) premiered at the Burgtheater of Vienna on 1 May 1786. This opera marks the beginning of a fruitful cooperation between Mozart and Lorenzo Da Ponte ­ which will also give rise to Don Giovanni and Così fan tutte. As for the libretto of the former, two merits can be attributed to Da Ponte. Firstly, he mitigated the politically explosive character of the original drama by Beaumarchais, thus allowing the opera to be produced at the imperial theatre. Secondly, he wrote a libretto that was permeable to Mozart's invention, who could therefore break strict barriers between arias, ensemble scenes and recitatives. Throughout its four acts, among ambiguities, disguises and disagreements, we perceive a prenuptial atmosphere, which sets the tone, breathes light into the rhythm and guarantees the spirit of Mozart's opera. Nevertheless, the Count Almaviva for whom Figaro and Susanna work, does not consider their

Recitative (Susanna, Cherubino) ­ Và la vecchia pedante No. 6 ­ Aria (Cherubino) ­ Non so più, cosa son...

Scenes 6-7

No. 15 ­ Duettino (Susanna, Cherubino) ­ Aprite presto, aprite Recitative (Susanna) ­ Oh guarda il demonietto!

Scene 5

Recitative (Cherubino, Susanna, Count, Basilio) ­ Ah, son perduto! No. 7 ­ Terzetto (Susanna, Basilio, Count) ­ Cosa sento!... Recitative (Count, Susanna, Cherubino, Figaro) ­ Basilio, in traccia tosto di Figaro volate

Scene 8

Recitative (Count, Countess) ­ Tutto è come il lasciai

Scenes 6-11

No. 16 ­ Finale (Susanna, Countess, Marcellina, Basilio, Count, Antonio, Bartolo, Figaro) ­ Esci omai, garzon malnato

No. 8 ­ Choir ­ Giovani liete, fiori spargete Recitative (Count, Figaro, Susanna) ­ Cos'è questa commedia? No. 9 ­ Choir ­ Giovani liete, fiori spargete Recitative (Figaro, Susanna, Basilio, Cherubino, Count) ­ Evviva! No. 10 ­ Aria (Figaro) ­ Non più andrai...

Act III

Scenes 1-3

Recitative (Count, Countess, Susanna) ­ Che imbarazzo è mai questo! No. 17 ­ Duettino (Susanna, Count) ­ Crudel! Perchè finora Recitative (Count, Susanna, Figaro) ­ E perchè fosti meco stamattina...

18

Le nozze di Figaro

19

Scene 4

Act IV

Scene 1

Le nozze di Figaro in São Carlos

Unlike Don Giovanni, which was produced for the first time in 1839, Le nozze di Figaro premiered at the Teatro Nacional de São Carlos only in mid-20th Century, on 21 May 1945. Since then, the first production born from the cooperation between Mozart and Da Ponte has been relatively regular at the stage of the TNSC. In fact, over ten productions were carried out throughout the second half of the 20th Century.

No. 18 ­ Recitative and Aria (Count) ­ Hai già vinta la causa! Aria ­ Vedrò, mentre io sospiro

Scene 5

No. 24 ­ Cavatina (Barbarina) ­ L'ho perduta, me meschina!

Scenes 2-3

Recitative (Don Curzio, Marcellina, Figaro, Count, Bartolo) ­ È decisa la lite No. 19 ­ Sextet (Susanna, Marcellina, Don Curzio, Count, Bartolo, Figaro) ­ Riconosci in questo amplesso

Scene 6

Recitative (Figaro, Barbarina, Marcellina) ­ Barbarina, cos'hai?

Scene 4

Recitative (Marcellina) ­ Presto avvertiam Susanna. [No. 25 ­ Aria (Marcellina) ­ Il capro e la capretta] [Scene 5 Recitative (Barbarina, Figaro, Basilio, Bartolo) ­ Nel padiglione a manca] [Scene 6 ­ È Barbarina!]

Scene 7

Recitative (Marcellina, Bartolo, Susanna, Figaro) ­ Eccovi, o caro amico

Scene 7

Recitative (Barbarina, Cherubino) ­ Andiam, andiam

Scene 8

No. 20 ­ Recitative and Aria (Countess) ­ E Susanna non vien! Aria ­ Dove sono i bei momenti

Scene 9

No. 26 ­ Aria (Basilio) ­ In quegl'anni, in cui val poco

Scene 8

Recitative (Antonio, Count) ­ Io vi dico, signor

Scene 10

No. 27 ­ Recitative and Aria (Figaro) ­ Tutto è disposto Aria ­ Aprite un po' quegl'occhi

Scenes 9-10

Recitative (Countess, Susanna) ­ Cosa mi narri? No. 21 ­ Duettino (Susanna, Countess) ­ Che soave zeffiretto Recitative (Susanna, Countess) ­ Piegato è il foglio

Scenes 11-14

Recitative (Susanna, Marcellina, Countess, Figaro) ­ Signora, ella mi disse. No. 28 ­ Recitative and Aria (Susanna) ­ Giunse alfin il momento Aria ­ Deh vieni, non tardar

Scenes 11-14 and Last Scene

No. 22 ­ Choir ­ Ricevete, o padroncina Recitative (Barbarina, Countess, Susanna, Antonio, Count, Cherubino, Figaro) ­ Queste sono, madama No. 23 ­ Finale (Susanna, Countess, Count, Figaro, Choir, [two maids]) ­ Ecco la marcia, andiamo!

Recitative (Figaro, Cherubino, Countess) ­ Perfida! E in quella forma... No. 29 ­ Finale (Susanna, Countess, Barbarina, Cherubino, Marcellina, Basilio, Count, Antonio, Figaro) ­ Pian, pianin, le andrò più presso

The text in square brackets corresponds to passage cuts for this production.

20

Le nozze di Figaro

21

Le nozze di Figaro in breve

Le compositeur Est-il encore besoin de présenter Wolfgang Amadeus Mozart (1756-1791) ? Avec Haydn et Beethoven, il formait le sacro-saint trio du classicisme viennois, en étant une espèce de trait d'union entre les deux pôles. Un intervalle fertile, bien que court. En effet, durant les trente-cinq années de son existence, Mozart fut un compositeur aussi cosmopolite que prolifique. Il développa son activité dans les principaux centres musicaux d'Europe, de l'Angleterre à l'Italie, en passant par la France, l'Autriche et l'Allemagne, laissant libre cours à sa créativité dans pratiquement tous les genres. Il excellait dans tout ce qu'il entreprenait, même lorsque le temps dont il disposait était très limité. Les opéras qu'il compose représentent un idéal que de nombreux compositeurs l'ayant précédé dans ce domaine ont cherché à atteindre : celui d'une synthèse entre drame et musique qui ne cède en rien à la complexité et ne semble aucunement forcée. Les opéras comme Le nozze di Figaro, Don Giovanni ou Die Zauberflöte ne cessent de le prouver. D'un point de vue esthétique, non strictement musical, son oeuvre conjugue spontanéité, légèreté, mélancolie et esprit... Écrire sur l'oeuvre de Mozart est aussi difficile que de résister à son enchantement.

fiançailles de ces derniers comme un frein à sa volonté de séduire Susanna. Cette dernière et la comtesse élaborent un plan pour démasquer le comte : Susanna écrira un billet au comte dans lequel elle lui proposera de la rencontrer secrètement. L'idée est d'envoyer Cherubino (le page adolescent du comte) au rendezvous, déguisé en femme, et non pas Susanna. Dans l'acte IV, dans la confusion qui s'installe, Figaro se fait duper et pense avoir été trahi. À la fin, cependant, tout s'éclaire et le comte, contraint de garder les apparences devant la communauté, n'a pas d'autre choix que de présenter ses meilleurs voeux aux fiancés. L'aspect politique de la trame concerne surtout la dissimulation à laquelle ont recours Susanna et Figaro pour résister aux agissements arbitraires du comte. Toutefois, ce qui est en cause dans cette dissimulation ­ et cela transcende les contraintes purement stylistiques du genre bouffe ­ ce n'est pas la mesquinerie assortie d'une absence totale de franchise, mais un déséquilibre initial des forces en présence qui rend l'astuce inévitable. La musique, quant à elle, est intelligente à chaque instant : l'interjection la plus anodine acquiert, dans le langage musical de Mozart, une éloquence expressive qui la transcende. Sans céder le pas à une logique représentative, chaque note composée signifie, et aucune d'elles n'est en trop. Le tableau aux forts contrastes ­ si beau qu'il en est troublant ­ qui marque le début de l'opéra, où la musique, plus aérienne, toute en légèreté, accompagne les faits et gestes de Figaro, occupé à mesurer l'espace de la chambre, renferme, dès le départ, de nombreuses promesses. Dont celle-ci : la frontière entre les tâches de la vie quotidienne et la complaisance dans l'art est mouvante. Le plus beau des opéras s'insurge contre l'élitisme de ceux qui considèrent comme leur fief l'univers de l'opéra. L'art, quel qu'il soit, n'est pas de jure le privilège de quelques-uns. Ni celui qui, au cours de l'histoire, n'a servi, de facto, que certains.

Le nozze di Figaro d'un coup d'oeil Ouverture Acte I

Scènes 1-2

Acte II

Scène 1

Nº 1 ­ Duettino (Figaro, Susanna) ­ Cinque... dieci... Récitatif (Susanna) ­ Cosa stai misurando... Nº 2 ­ Duettino (Susanna, Figaro) ­ Se a caso madama Récitatif (Susanna, Figaro) ­ Or bene; ascolta e taci! Nº 3 ­ Cavatine (Figaro) ­ Se vuol ballare signor Contino

Scène 3

Nº 11 ­ Cavatine (la comtesse) ­ Porgi amor qualche ristoro Récitatif (la comtesse, Susanna, Figaro) ­ Vieni, cara Susanna

Scène 2

Récitatif (Bartolo, Marcellina) ­ Ed aspettaste il giorno fissato... Nº 4 ­ Aria (Bartolo) ­ La vendetta, oh, la vendetta!

Scène 4

Récitatif (la comtesse, Susanna, Cherubino) ­ Quanto duolmi... Nº 12 ­ Arietta (Cherubino) ­ Voi che sapete... Récitatif (la comtesse, Susanna, Cherubino) ­ Bravo! Che bella voce! Nº 13 ­ Aria (Susanna) ­ Venite, inginocchiatevi Récitatif (la comtesse, Susanna, Cherubino, [le comte]) ­ Quante buffonerie!

Scène 3

Récitatif (Marcellina, Susanna) ­ Tutto ancor non ho perso Nº 5 ­ Duettino (Susanna, Marcellina) ­ Via resti servita, madama brilante

Scène 5

Récitatif (le comte, la comtesse) ­ Che novità? Nº 14 ­ Terzetto (Susanna, la comtesse, le comte) ­ Susanna or via sortite Récitatif (le comte, la comtesse) ­ Dunque voi non aprite?

Scène 4

L'oeuvre Composé en l'espace de six semaines environ, Le nozze di Figaro (Les noces de Figaro) fut présenté pour la première fois au Burgtheater de Vienne le 1er mai 1786. L'opéra marque le début d'une collaboration féconde entre Mozart et Lorenzo Da Ponte ­ Don Giovanni et Così fan tutte en seront également le produit. Pour ce qui est du livret des Noces de Figaro, Da Ponte eut deux mérites : tout d'abord, celui d'avoir atténué le caractère politiquement explosif du drame original de Beaumarchais, en permettant ainsi la production de l'opéra au Théâtre impérial, puis celui d'avoir rédigé un livret perméable à l'inventivité de Mozart, qui peut ainsi transgresser les frontières rigides entre arias, numéros d'ensemble et récitatifs. Tout au long des quatre actes, entre quiproquos, déguisements et rendez-vous manqués, l'ambiance est celle d'un jour de noces. Cela donne le ton, imprime le rythme, annonce l'esprit de l'opéra de Mozart. Le comte Almaviva, pour qui Figaro et Susanna travaillent, ne considère cependant pas

Récitatif (Susanna, Cherubino) ­ Và la vecchia pedante Nº 6 ­ Aria (Cherubino) ­ Non so più, cosa son...

Scènes 6-7

Nº 15 ­ Duettino (Susanna, Cherubino) ­ Aprite presto, aprite Récitatif (Susanna) ­ Oh guarda il demonietto!

Scène 5

Récitatif (Cherubino, Susanna, le comte, Basilio) ­ Ah, son perduto! Nº 7 ­ Terzetto (Susanna, Basilio, le comte) ­ Cosa sento!... Récitatif (le comte, Susanna, Cherubino, Figaro) ­ Basilio, in traccia tosto di Figaro volate

Scène 8

Récitatif (le comte, la comtesse) ­ Tutto è come il lasciai

Scènes 6-11

Nº 16 ­ Finale (Susanna, la comtesse, Marcellina, Basilio, le comte, Antonio, Bartolo, Figaro) ­ Esci omai, garzon malnato

Nº 8 ­ Choeur ­ Giovani liete, fiori spargete Récitatif (le comte, Figaro, Susanna) ­ Cos'è questa commedia? Nº 9 ­ Choeur ­ Giovani liete, fiori spargete Récitatif (Figaro, Susanna, Basilio, Cherubino, le comte) ­ Evviva! Nº 10 ­ Aria (Figaro) ­ Non più andrai...

Acte III

Scènes 1-3

Récitatif (le comte, la comtesse, Susanna) ­ Che imbarazzo è mai questo! Nº 17 ­ Duettino (Susanna, le comte) ­ Crudel! Perchè finora Récitatif (le comte, Susanna, Figaro) ­ E perchè fosti meco stamattina...

22

Le nozze di Figaro

23

Scène 4

Acte IV

Scène 1

Le nozze di Figaro au São Carlos

Contrairement à Don Giovanni, dont la première production eut lieu en 1839, Le nozze di Figaro ne monte sur les planches du Théâtre nationale São Carlos [TNSC] qu'au milieu du XXe siècle, le 21 mai 1945. Depuis lors, la présence du premier produit né de la collaboration entre Mozart et Da Ponte fut assez régulière sur la scène du TNSC, le nombre de productions ayant dépassé la dizaine, tout au long de la deuxième moitié du XXe siècle.

Nº 18 ­ Récitatif et Aria (le comte) ­ Hai già vinta la causa! Aria ­ Vedrò, mentre io sospiro

Scène 5

Nº 24 ­ Cavatine (Barbarina) ­ L'ho perduta, me meschina!

Scènes 2-3

Récitatif (Don Curzio, Marcellina, Figaro, le comte, Bartolo) ­ È decisa la lite Nº 19 ­ Sextuor (Susanna, Marcellina, Don Curzio, le comte, Bartolo, Figaro) ­ Riconosci in questo amplesso

Scène 6

Récitatif (Figaro, Barbarina, Marcellina) ­ Barbarina, cos'hai?

Scène 4

Récitatif (Marcellina) ­ Presto avvertiam Susanna. [Nº 25 ­ Aria (Marcellina) ­ Il capro e la capretta] [Scène 5 Récitatif (Barbarina, Figaro, Basilio, Bartolo) ­ Nel padiglione a manca] [Scène 6 ­ È Barbarina!]

Scène 7

Récitatif (Marcellina, Bartolo, Susanna, Figaro) ­ Eccovi, o caro amico

Scène 7

Récitatif (Barbarina, Cherubino) ­ Andiam, andiam

Scène 8

Nº 20 ­ Récitatif et Aria (la comtesse) ­ E Susanna non vien! Aria ­ Dove sono i bei momenti

Scène 9

Nº 26 ­ Aria (Basilio) ­ In quegl'anni, in cui val poco

Scène 8

Récitatif (Antonio, le comte) ­ Io vi dico, signor

Scène 10

Nº 27 ­ Récitatif et Aria (Figaro) ­ Tutto è disposto Aria ­ Aprite un po' quegl'occhi

Scènes 9-10

Récitatif (la comtesse, Susanna) ­ Cosa mi narri? Nº 21 ­ Duettino (Susanna, la comtesse) ­ Che soave zeffiretto Récitatif (Susanna, la comtesse) ­ Piegato è il foglio

Scènes 11-14

Récitatif (Susanna, Marcellina, la comtesse, Figaro) ­ Signora, ella mi disse. Nº 28 ­ Récitatif et Aria (Susanna) ­ Giunse alfin il momento Aria ­ Deh vieni, non tardar

Scènes 11 -14 et Dernière scène

Nº 22 ­ Choeur ­ Ricevete, o padroncina Récitatif (Barbarina, la comtesse, Susanna, Antonio, le comte, Cherubino, Figaro) ­ Queste sono, madama Nº 23 ­ Finale (Susanna, la comtesse, le comte, Figaro, Choeur, [deux jeunes filles]) ­ Ecco la marcia, andiamo!

Récitatif (Figaro, Cherubino, la comtesse) ­ Perfida! E in quella forma... Nº 29 ­ Finale (Susanna, la comtesse, Barbarina, Cherubino, Marcellina, Basilio, le comte, Antonio, Figaro) ­ Pian, pianin, le andrò più presso

Le texte entre crochets correspond à des coupures effectuées dans cette production

24

Le nozze di Figaro

25

Argumento

Século XVIII. A acção tem lugar nos jardins e aposentos do castelo do Conde de Almaviva. A Rosina de Il barbiere di Siviglia é agora a Condessa de Almaviva e vive com o marido no castelo Aguas-Fortes, perto de Sevilha. Figaro é o criado pessoal de Almaviva. Este, entre outras donzelas, corteja Susanna, noiva de Figaro, e tudo faz para atrasar o casamento dos dois.

Argumento

Siglo XVIII. La acción tiene lugar en los jardines y aposentos del castillo del Conde de Almaviva. Rosina de Il barbiere di Siviglia es ahora la Condesa de Almaviva y vive con el marido en el castillo Aguas-Fortes, en las cercanías de Sevilla. Figaro es el ayudante personal de Almaviva. El Conde, entre otras doncellas, corteja a Susanna, la novia de Figaro, y hace de todo para retrasar su matrimonio.

Synopsis

Eighteenth Century. The story is set in the gardens and boudoirs of Count Almaviva's castle. We now find the Rosina of Il barbiere di Siviglia as Countess Almaviva living with her husband at the Aguas-Fortes castle, near Seville. Figaro is Almaviva's personal servant. Among other young ladies, the Count courts Susanna, Figaro's bride-to-be, and makes every effort to delay their marriage.

Argument

XVIIIe siècle. L'action se déroule dans les jardins et les appartements du château du comte d'Almaviva. Rosina de Il barbiere di Siviglia, devenue la comtesse d'Almaviva, vit avec son mari au château Aguas-Fortes, près de Séville. Almaviva a pris Figaro à son service comme valet, mais il poursuit entre autres de ses assiduités Susanna, la fiancée de Figaro, et fait tout pour retarder leur mariage.

Acto I

Quarto entre os aposentos do Conde e os da Condessa no castelo. De manhã cedo, o criado do Conde de Almaviva, Figaro, que nesse dia irá casar com Susanna, criada da Condessa, mede o chão do quarto para saber onde irá colocar o leito nupcial. Susanna dá os últimos toques a um toucado que ela própria executara para usar na boda. Quando se apercebe que aquele é o quarto que lhes foi destinado pelo Conde recusa-se a aceitar. Figaro não entende a sua atitude, pois o quarto é muito cómodo e permitelhes com muita facilidade atender às chamadas dos respectivos senhores. Susanna revela ao noivo que o Conde lhe faz a corte e que o dote só lhe será dado se ela conceder a Almaviva os seus «favores». Desiludido e irado por ter pensado que o dote seria a justa recompensa pelos seus bons serviços, Figaro apercebe-se que a proximidade do quarto com o do patrão tem como único propósito favorecer as suas investidas amorosas. Ao toque da campainha da Condessa, Susanna sai apressadamente. Sozinho, Figaro planeia vingança. O quarto é invadido por Marcellina e Bartolo. Este detém um contrato estipulando que Figaro, caso não reembolse o dinheiro que lhe fora emprestado em tempos, terá de casar com a antiga criada de Bartolo, Marcellina, hoje governanta do castelo. Bartolo vê assim chegar o dia da vingança já que Figaro tinha impedido o seu casamento com Rosina, então sua pupila e hoje Condessa de Almaviva. Entra Susanna que é recebida por uma quezilenta Marcellina. Descompõem-se curialmente, mas Susanna leva a melhor. Furibunda, Marcellina sai batendo com as portas. A chegada de Cherubino interrompe Susanna que ainda invectiva Marcellina, mas é interrompida por Cherubino, pajem do Conde, que confessa o seu fascínio por todas as mulheres em geral e pelo amor em particular. Na véspera, o Conde, que rondava a casa da jovem Barbarina, deparara ali com o pajem escondido e, para o punir, expulsara-o dos seus domínios.

Acto I

Habitación entre los aposentos del Conde y los de la Condesa en el castillo. Temprano en la mañana, el ayudante del Conde de Almaviva, Figaro, que en ese día se casará con Susanna, criada de la Condesa, mide el suelo de la habitación para saber dónde va a colocar la cama matrimonial. Susanna da los últimos retoques a un sombrero que ella misma ha hecho para usar en la ceremonia. Cuando se da cuenta que aquella es la habitación que les fue destinada por el Conde se niega a aceptarla. Figaro no comprende su actitud, ya que la habitación es muy cómoda y les permite con más facilidad responder a las llamadas de los respectivos señores. Susanna le revela al novio que el Conde le hace la corte y que la dote sólo le será dada si ella concede a Almaviva sus «favores». Desilusionado y enojado por haber pensado que la dote sería la justa recompensa por su buen servicio, Figaro se da cuenta que la proximidad de la habitación con la del Conde tiene como único propósito favorecer los ataques amorosos de éste. Al sonar la campanilla de la Condesa, Susanna sale apresuradamente. Solo, Figaro planea la venganza. La habitación es invadida por Marcellina y Bartolo. Éste tiene un contrato estipulando que Figaro, en el caso que no reembolse el dinero que le prestó en tiempos atrás, tendá que casarse con la antigua criada de Bartolo, Marcellina, en la actualidad ama de llaves del castillo. Bartolo ve así la llegada del día de su venganza ya que Figaro había impedido su matrimonio con Rosina, en aquel entonces su pupila y hoy Condesa de Almaviva. Entra Susanna que es recibida por una quisquillosa Marcellina. Ambas discuten con una fingida cortesía, pero Susanna gana la discusión. Furiosa, Marcellina sale dando un portazo. La llegada de Cherubino interrumpe a Susanna que aún censura a Marcellina, pero es interrumpida por Cherubino, paje del Conde, que confiesa su fascinación por todas las mujeres en general y por el amor en particular. El día anterior, el Conde, que rondaba la casa de la joven Barbarina, sorprendió allí al paje escondido y, para castigarlo, lo expulsa de sus dominios.

Act I

The antechamber between the chambers of the Count and the Countess in the castle. Early in the morning, Count Almaviva's servant, Figaro, who will marry that day the Countess' maid, Susanna, is measuring a space where the bridal bed will fit. Susanna is putting the final touches at her bridal hat, which she had made herself to wear on the occasion. When she becomes aware of the room that the Count provided them with she refuses to accept it. Figaro does not understand her attitude because, in his opinion, the room is very comfortable and allows them to meet, very easily, the requests of both the Count and Countess. Susanna tells her bridegroom that the Count is making advances toward her and that the dowry will only be given if she gives in Almaviva's «favours». Disappointed and furious at the thought that the dowry would be a fair reward for his good services, Figaro realizes that the proximity of his room with his master's room has nothing but a single purpose: to favour the Count's advances toward Susanna. When the Countess rings for Susanna, she goes off in a rush. Alone, Figaro vows to outwit the Count. Marcellina and Bartolo break into the room. Bartolo brings a contract providing that, should Figaro default on a loan made to him some time ago, he would have to marry Marcellina, Bartolo's old maid, who is now the castle's housekeeper. Bartolo realizes that the day of revenge is near as Figaro had prevented him from marrying Rosina, who was his pupil and now became the Countess Almaviva. Susanna appears and is received by quarrelsome Marcellina. They deliver each other very sarcastic insults, but Susanna triumphs in the exchange. In a fury, Marcellina leaves the room and slams the door. Cherubino then enters and interrupts Susanna, who is still inveighing Marcellina, but she is interrupted by Cherubino, the Count's page, who confesses his fascination for all women in general, and for love in particular. On the eve, the Count, who prowled about young Barbarina's house, had discovered that the page was hidden there and, to punish him, had forced him out of his dominions.

Acte I

Chambre entre les appartements du comte et ceux de la comtesse au château. Le matin de bonne heure, le valet du comte d'Almaviva, Figaro, qui se marie ce jour-là avec Susanna, la camériste de la comtesse, mesure le sol de la chambre pour placer le futur lit nuptial. Susanna apporte les dernières touches à une coiffe qu'elle a faite elle-même pour ses noces. Lorsqu'elle se rend compte que c'est là la chambre que le comte leur a destinée, elle se refuse à accepter. Figaro ne comprend pas son attitude, car la chambre est pratique, elle leur permet de répondre facilement aux demandes de leur maîtres. Susanna révèle alors à son fiancé que le comte lui a fait des avances et que la dot ne lui sera donnée que si elle accorde à Almaviva ses « faveurs ». Déçu et s'en voulant d'avoir pensé que la dot était une juste récompense pour ses bons et loyaux services, Figaro s'aperçoit maintenant que la proximité de la chambre avec celle de son maître a pour seul but de favoriser les assauts amoureux du comte. La comtesse sonne et Susanne se dépêche d'aller à sa rencontre. Une fois seul, Figaro réfléchit à sa vengeance. La chambre est envahie par Marcellina et Bartolo. Ce dernier tient entre ses mains un contrat stipulant que Figaro doit rembourser l'argent qui lui a été prêté autrefois sous peine de devoir épouser l'ancienne femme de chambre de Bartolo, Marcellina, aujourd'hui devenue la gouvernante du château. Bartolo voit ainsi arriver le jour de sa vengeance, car Figaro avait empêché son mariage avec Rosina, alors sa pupille et aujourd'hui comtesse d'Almaviva. Entre Susanna qui est reçue par une Marcellina d'humeur querelleuse. Elles se disputent tout en gardant les convenances, mais c'est Susanna qui l'emporte. Furieuse, Marcellina sort en claquant la porte. Lorsqu'arrive Cherubino, le page du comte, Susanna fulmine encore contre Marcellina, mais elle est interrompue par ce dernier qui lui avoue sa fascination pour toutes les femmes en général et pour l'amour en particulier. La veille, le comte, qui rôdait autour de la demeure de la jeune Barbarina, avait surpris le page qui se cachait et pour le punir l'a expulsé de son domaine.

26

Le nozze di Figaro

27

Cherubino pede agora a Susanna que interceda por ele junto de sua madrinha, a Condessa, por quem também está apaixonado, a fim de que esta, por sua vez, obtenha do Conde o perdão. Neste preciso momento, entra Almaviva. O pajem esconde-se por detrás de uma poltrona. Julgando-se só, Almaviva galanteia Susanna. A entrada do Mestre de Música, Basilio, obriga o Conde a esconder-se também por detrás da poltrona. Entretanto, já o pajem tinha conseguido esconder-se no grande cadeirão de braços e Susanna tapara-o com um dos vestidos da Condessa. O desrespeito com que Basilio se refere ao Conde e as pérfidas alusões aos amores de Cherubino por todas as mulheres do castelo ­ incluindo Susanna e a própria Condessa ­ provocam a ira do Conde que acaba por sair do seu esconderijo. Mimando como descobrira Cherubino, em casa de Barbarina debaixo de uma mesa, ao erguer o pano que a cobria, levanta de um gesto o vestido da Condessa e surpresa: eis que, de novo, o pajem lhe aparece! Susanna e Cherubino tentam explicar a situação. Porém, o que pajem ouvira coloca o Conde numa posição igualmente delicada. As explicações são interrompidas por camponeses que, conduzidos por Figaro, agradecem ao Conde a abolição do direito da primeira noite, um direito ancestral de desflorar as vassalas antes do casamento. Malicioso, Figaro pede a Almaviva que coroe Susanna com uma grinalda de flores brancas para selar a renúncia ao odioso direito. Contrariado, mas obedecendo a uma diplomacia necessária, o Conde consente. Contudo, pretextando que a cerimónia se faça com maior pompa, adia-a na esperança de uma reviravolta. Resolve afastar Cherubino do castelo concedendo-lhe a patente de oficial. Os noivos pedem-lhe que adie por um dia a partida do pajem, mas o Conde recusa. Mordaz, Figaro pinta a Cherubino a vida que o espera longe das beldades do castelo e para sempre rodeado por rudes militares em busca de feitos gloriosos.

Cherubino le pide ahora a Susanna para que interceda por él ante su madrina, la Condesa, por quien también está enamorado, a fin de que ésta, a su vez, obtenga el perdón del Conde. En ese preciso momento, entra Almaviva. El paje se esconde por detrás de un sillón. Creyendo que estaba solo, Almaviva galantea a Susanna. La entrada del Maestro de Música, Basilio, obliga al Conde a que se esconda también por detrás del sillón. Mientras, ya el paje había logrado esconderse detrás del gran sillón de brazos y Susanna taparlo con uno de los vestidos de la Condesa. La falta de respeto con que Basilio se refiere al Conde y las pérfidas alusiones a los amores de Cherubino por todas las mujeres del castillo ­incluyendo a Susanna y a la propia Condesa­ provocan la ira del Conde que termina por salir de su escondite. Gesticulando para demostrar cómo había descubierto a Cherubino debajo de una mesa en casa de Barbarina al levantar el paño que la cubría, levanta de un gesto el vestido de la Condesa y sorpresa: ¡es ahí que, de nuevo, el paje aparece! Susanna y Cherubino tratan de explicar la situación. Sin embargo, lo que el paje había escuchado coloca al Conde en una posición igualmente delicada. Las explicaciones se interrumpen por la aparición de un grupo de campesinos que, conducidos por Figaro, agradecen al Conde la abolición del derecho de pernada, la ancestral tradición de desflorar a las vasallas antes del matrimonio. Malicioso, Figaro le pide a Almaviva que corone a Susanna con una guirnalda de flores blancas para sellar la renuncia al odioso derecho. Contrariado, pero obedeciendo a una diplomacia necesaria, el Conde consiente. Sin embargo, argumentando que la ceremonia se debía realizar con la mayor pompa, la retrasa con la esperanza de que algo suceda. Resuelve alejar a Cherubino del castillo concediéndole el rango de oficial. Los novios le piden que prorrogue por un día la partida del paje, pero el Conde se niega. Mordaz, Figaro le advierte a Cherubino de la vida que le espera lejos de las bellezas del castillo, para siempre rodeado por rudos militares en busca de proezas gloriosas.

Cherubino now asks Susanna to intercede on his behalf before his godmother, the Countess, whom he is in love with, so that she, in turn, obtains the Count's forgiveness. On this precise moment, the Count enters onstage. The page hides behind a chair. Believing he was alone, Almaviva courts Susanna. When Basilio, the Music Master enters, the Count is also forced to hide himself behind the chair. Meanwhile, the page had already managed to hide behind the large armchair and Susanna covered him with one of the Countess' dresses. Due to the disrespect of Basilio for the Count and the perfidious references to Cherubino's attraction to all women in the castle ­ including Susanna and the Countess herself ­ the Count storms off, leaping from his hiding place. To illustrate how he had discovered Cherubino under a table at Barbarina's, he lifts the cloth that covered him, which turned out to be the Countess' dress and, surprisingly, he finds Cherubino once again! Susanna and Cherubino try to explain the situation. Nevertheless, the Count is himself in a delicate position because of what the page had also heard. These explanations are interrupted by peasants who, driven by Figaro, thank the Count for having abolished the lord's right, a feudal tradition allowing the lord of the manor to take the virginity of the estate's maids before marriage. Figaro asks maliciously Almaviva to crown Susanna with a wreath of white flowers to seal this outrageous right. In anger, but abiding by a necessary diplomacy, the Count gives in. Nevertheless, under the pretext that the ceremony should be carried out with great pomp, he postpones it, hoping for a turnaround. He decides to get Cherubino out of the castle by drafting him into military service. Bride and groom ask him to postpone the page's departure for one day but the Count refuses this proposal. Sarcastic, Figaro elucidates Cherubino of what the rest of his life will be like, as he will be far from the beauties that live in the castle. Instead, he will be surrounded by rude soldiers in search of heroic exploits.

Cherubino demande maintenant à Susanna d'intercéder en sa faveur auprès de sa marraine, la comtesse, de qui il est également amoureux, afin que cette dernière obtienne le pardon du comte. À cet instant précis apparaît le comte. Le page se cache derrière un fauteuil. Pensant être seul, Almaviva fait des avances à Susanna. L'entrée du maître de musique, Basilio, oblige le comte à se cacher aussi derrière le fauteuil. Sur ses entrefaites, le page est parvenu à se cacher derrière une grande bergère sur laquelle Susanna a déposé l'une des robes de la comtesse pour mieux le dissimuler. Le mépris avec lequel Basilio parle du comte et les perfides allusions aux sentiments de Cherubino pour toutes les femmes du château ­ y compris Susanna et la comtesse en personne ­ provoquent la colère du comte qui finit par sortir de sa cachette. En mimant la façon dont il avait découvert Cherubino sous une table, chez Barbarina, après avoir relevé la nappe qui la couvrait, il soulève d'un geste la robe de la comtesse et surprise : le revoilà nez à nez avec le page ! Susanna et Cherubino essaient de s'expliquer. Mais ce que le page a entendu met également le comte dans une situation délicate. Les explications sont interrompues par des paysans qui, conduits par Figaro, sont venus remercier le comte pour l'abolition de l'ancestral droit de cuissage du seigneur. Malin, Figaro demande à Almaviva de poser sur Susanna une guirlande de fleurs blanches afin de sceller l'abandon de cette coutume odieuse. Contrarié, mais se pliant aux convenances, le comte finit par accéder à la demande. Cependant, sous prétexte qu'une telle cérémonie se doit d'être célébrée en grande pompe, il la repousse dans l'espoir d'un retournement de la situation. Il décide d'éloigner Cherubino du château en lui octroyant le grade d'officier. Les fiancés lui demandent de remettre au lendemain le départ du page, mais le comte refuse. Mordant à l'excès, Figaro dépeint à Cherubino la vie qui l'attend loin des beautés du château, parmi des militaires endurcis toujours en quête de gloires.

28

Le nozze di Figaro

29

Nesta página: Joana Seara (Susanna); a mesma e Leandro Fischetti (Figaro); Maria Luísa de Freitas (Marcellina), Donato Di Stefano (Bartolo) e Joana Seara; a mesma e Kristina Wahlin (Cherubino). Página ao lado: Mário João Alves (Basilio), Joana Seara e Marco Vinco (Conde); os mesmos e Kristina Wahlin; os mesmos e o Coro do Teatro Nacional de São Carlos [TNSC]; Kristina Wahlin e Leandro Fischetti. (fotografias de ensaio)

Acto II

O quarto da Condessa Susanna revela à Condessa o comportamento infiel do Conde e enquanto vai ao seu quarto deixa uma infeliz Rosina que lamenta a sua vida e pede ao Amor que lhe restitua o marido ou a abandone à morte. Susanna regressa e, de seguida, eis Figaro que surge com o estratagema que urdiu para dar uma lição ao Conde. Para espicaçar o ciúme do Conde enviou-lhe uma carta anónima na qual denuncia um encontro romântico da Condessa. Susanna, por seu turno, aceitará um encontro com o Conde nessa mesma noite no jardim, mas será Cherubino que irá em seu lugar vestido de donzela. A Condessa surpreendê-los-á e isto confundirá o Conde. Rosina mostra alguma relutância em participar na tramóia, mas acaba por aceitar. Cherubino entra para que o vistam. O pajem canta às damas presentes dos seus afectos tão sofridos e pergunta-lhes se Amor lhes parece. Receando que alguém entre, aferrolham a porta aparatosa. Ambas se divertem enquanto vestem Cherubino embora a beleza do rapaz lhes desperte algum ciúme. Assim que Susanna se dirige ao seu quarto, o Conde bate à porta, pois tendo recebido a carta de Figaro vem espiar a sua mulher. Esta consegue esconder o pajem no quarto e fechá-lo à chave. A porta fechada à chave e a demora em abrir deixam o Conde desconfiado. Como se não bastasse, na escuridão do quarto o pajem derruba uma cadeira. Muito expedita, Rosina diz ao marido que deverá ter sido Susanna que ali se encontra para provar o vestido de casamento e por isso não pode abrir. Incrédulo, o Conde exige que Susanna lhe responda, o que a Condessa não consente. A camareira, que entretanto regressa do seu quarto, consegue esconder-se no da Condessa sem ser vista pelo Conde. Este acaba por ir buscar ferramentas e, para que não restem dúvidas, convida a Condessa a acompanhá-lo e, ao sair, fecha à chave a porta aparatosa. No quarto, Susanna apressa Cherubino, que acaba por saltar pela janela. Regressam o Conde e a Condessa. Rosina, por fim, confessa ao marido que é Cherubino que ali se encontra escondido. Enquanto este ameaça matar o pajem e invectiva a mulher, Susanna surge impávida. Tanto o Conde como a Condessa ficam estupefactos. Enquanto Almaviva verifica se mais alguém se encontra por ali, Susanna conta à Condessa a fuga de Cherubino. Almaviva implora o perdão de Rosina e esta concede-lho. Figaro entra e anuncia que já tem tudo preparado para a boda.

Acto II

La habitación de la Condesa Susanna le revela a la Condesa el comportamiento infiel del Conde y mientras va a su habitación deja infeliz a Rosina que lamenta su vida y pide al Amor que le restituya al marido o que la abandone a la muerte. Susanna regresa y, a continuación, es ahí que Figaro aparece e expone la estratagema que ha urdido para dar una lección al Conde. Para provocar los celos del Conde le ha enviado una carta anónima en la cual denuncia un encuentro romántico de la Condesa. Susanna, a su vez, aceptará un encuentro con el Conde esa misma noche en el jardín, pero será Cherubino que irá en su lugar vestido de doncella. La Condesa los sorprenderá y esto confundirá al Conde. Rosina tiene una cierta renuencia en participar en el engaño, pero acaba por aceptar. Cherubino entra para que lo vistan. El paje les canta a las damas presentes sus afectos tan sufridos y les pregunta si les parece Amor. Temiendo que alguien entre, cierran prudentemente la gran puerta. Ambas se divierten mientras visten a Cherubino aunque la belleza del chico les despierte un poco de celos. Así que Susanna se dirige a su habitación, el Conde llama a la puerta, pues habiendo recibido la carta de Figaro viene a espiar a su mujer. Ésta logra esconder al paje en la habitación y lo cierra con llave. La puerta cerrada con llave y la demora en abrir dejan al Conde desconfiado. Como si no bastara, en la oscuridad de la habitación el paje derrumba una silla. Rápidamente, Rosina le dice al marido que deberá haber sido Susanna que está allí para probarse el vestido de novia y por eso no puede abrir. Incrédulo, el Conde exige que Susanna le responda, lo que la Condesa no consiente. La criada, que mientras tanto regresa de su habitación, consigue esconderse en la de la Condesa sin ser vista por el Conde. Éste acaba por ir a buscar herramientas y, para que no haya dudas, invita a la Condesa a que lo acompañe y, al salir, cierra con llave la gran puerta. En la habitación, Susanna apresura a Cherubino, que acaba por saltar por la ventana. Regresan el Conde y la Condesa. Rosina, finalmente, le confiesa al marido que es Cherubino quien está allí escondido. Mientras éste amenaza con matar al paje e reprende a la mujer, Susanna aparece impávida. Tanto el Conde como la Condesa se asombran. Mientras Almaviva comprueba si alguien está por allí, Susanna le cuenta a la Condesa de la fuga de Cherubino. Almaviva le pide perdón a Rosina y ésta se lo concede. Figaro entra y anuncia que tiene todo listo para la boda.

Act II

The Countess' chamber Susanna tells the Countess that the Count has been unfaithful. While she goes to her room, she leaves Rosina alone, who bemoans her life and asks Love to bring back her husband or abandon her to die. Susanna returns and then Figaro appears and reveals his scheme in order to give the Count a lesson. To prick the Count's jealousy he sent him an anonymous letter in which he denounces a tryst with the Countess. In turn, Susanna will accept to meet the Count that evening in the garden, but Cherubino will go instead of her, wearing him as a lady. The Countess will surprise them and this will put the Count out. Rosina is somewhat reluctant to participate in the scheme but ends up accepting it. Cherubino comes in to be dressed up. The page sings the ladies songs about their much suffered affections and asks them if, in their opinion, that is Love. Fearing that anyone comes in, they shut up the pompous door. They both amuse themselves while they dress Cherubino, although his beauty arouses in them some jealousy. Soon after Susanna enters her room, the Count knocks on the door. In fact, as he received the letter from Figaro, he has come to spy his wife. She manages to hide the page in the room and locks him there. The door locked and the delay are good reasons to make the Count suspect of something. What is more, in the darkness of the room, the page throws down a chair. Very swift, Rosina tells her husband that it might have been Susanna who is trying the wedding dress and, because of that, she cannot open the door. Incredulous, the Count asks Susanna to answer, but the Countess refuses. The maid, who in the meantime returns from her room, manages to hide in the Countess' room without being seen by the Count. The latter ends up deciding to go find some tools and, so that there can be no doubt, he invites the Countess to accompany him and locks the pompous door. In her room, Susanna hastens Cherubino, who ends jumping out the window. The Count and the Countess return. Finally, Rosina reveals to her husband that Cherubino is the man hidden there. Whereas the latter threatens to kill the page and inveighs his wife, Susanna emerges, in a courageous manner. Both the Count and the Countess are astonished. Whereas Almaviva makes sure that no one else is there, Susanna tells the Countess that Cherubino went away. Almaviva begs Rosina's forgiveness and she grants it. Figaro comes in and announces that the wedding is about to begin.

Acte II

Dans la chambre de la comtesse Susanna révèle à la comtesse les infidélités du comte et lorsqu'elle part dans sa chambre, elle quitte une Rosine malheureuse qui se lamente et implore à l'Amour de lui rendre son mari ou de l'abandonner à la Mort. Susanna revient suivie de Figaro qui explique son stratagème pour donner une leçon au comte. Afin d'enflammer la jalousie du comte, il lui a envoyé une lettre anonyme dans laquelle il dénonce un rendez-vous romantique de la comtesse. Susanna, à son tour, acceptera de rencontrer le comte dans le jardin, le soir venu, mais c'est Cherubino qui s'y rendra à sa place, déguisé en femme. La comtesse les surprendra et le comte sera confondu. Rosina hésite à prendre part au complot, mais finit par accepter. Cherubino entre afin qu'on l'habille. Le page chante aux dames présentes ses douloureux émois et leur demande si c'est cela l'Amour. Craignant que quelqu'un n'arrive, ils verrouillent la grande porte. Toutes deux s'amusent d'habiller Cherubino, bien que la beauté du jeune homme éveille en elles une pointe de jalousie. Alors que Susanna se dirige vers sa chambre, le comte frappe à la porte. Il a reçu la lettre de Figaro et vient épier sa femme. Celle-ci parvient à cacher le page dans la chambre et à fermer la porte à clé. La porte verrouillée et le fait qu'on tarde à lui ouvrir éveille les soupçons du comte. Pour comble, le page, plongé dans l'obscurité, renverse une chaise. Rosina s'empresse d'expliquer à son mari que c'est sans doute Susanna qui est en train d'essayer sa robe de mariage et que, pour cette raison, elle ne peut ouvrir. Incrédule, le comte exige que Susanna lui réponde, mais la comtesse ne le permet pas. La camériste, qui sur ces entrefaites revient de sa chambre, parvient à se cacher dans la chambre de la comtesse sans être vue du comte. Celui-ci finit par aller chercher des outils et, pour dissiper les doutes, invite la comtesse à l'accompagner. En sortant, il ferme à clé la grande porte. Une fois dans la chambre, Susanna presse Cherubino de partir et celui-ci saute par la fenêtre. Le comte et la comtesse reviennent. Rosina finit par avouer à son mari que c'est Cherubino qui se cache derrière la porte. Alors que le comte menace de tuer le page et peste contre sa femme, Susanna surgit l'air impavide. Le comte et la comtesse sont stupéfaits. Pendant qu'Almaviva vérifie si quelqu'un d'autre est caché, Susanna raconte à la comtesse la fuite de Cherubino. Almaviva implore le pardon de Rosina qui le lui accorde. Figaro entre et annonce que tout est prêt pour les noces.

32

Le nozze di Figaro

33

O Conde exige explicações quanto à carta mas Figaro nega tudo. Ambas confessam que foi uma invenção deste para reacender o interesse do Conde por Rosina. Quando tudo parecia resolvido, entra Antonio, o jardineiro e pai de Barbarina, queixando-se que um homem tinha estragado os cravos ao saltar de uma das janelas do castelo. Renascem as suspeitas do Conde. Figaro, Susanna e Rosina acusam o jardineiro de ter bebido mas este, certo de que fora o pajem, insiste. Figaro, para salvar a situação, diz que fora ele a saltar do quarto, onde estava com a noiva, e que até torcera um pé ao cair. Antonio mostra-lhe então o papel que encontrou no chão e pergunta a Figaro o que nele consta. Ajudado pela noiva e pela Condessa, Figaro diz tratar-se da carta da patente de Cherubino, pois o Conde esquecera-se de a selar. Frustrado, o Conde nada consegue provar. A ordem parecia restabelecida não fora a chegada de Marcellina, acompanhada por Bartolo e Basilio, exigindo que Figaro case com ela uma vez que a dívida permanecia por liquidar. O Conde, que estava ao corrente do contrato e confiava que a situação estourasse, notifica as duas partes a comparecerem no tribunal. As bodas de Figaro com Susanna estão comprometidas para grande júbilo de todos exceptuando os noivos e a Condessa.

El Conde exige explicaciones en cuanto a la carta pero Figaro niega todo. Ambas confiesan que se trataba de una invención de éste para reavivar el interés del Conde por Rosina. Cuando todo parecía que se había resuelto, entra Antonio, el jardinero y padre de Barbarina, quejándose que un hombre había estropeado los claveles al saltar de una de las ventanas del castillo. Renacen las sospechas del Conde. Figaro, Susanna y Rosina acusan al jardinero de haber bebido pero éste, sabiendo bien de que había sido el paje, insiste. Figaro, para salvar la situación, dice que había sido él quien había saltado de la habitación, donde estaba con la novia, y que hasta se había torcido un pie al caer. Antonio le muestra entonces el papel que encontró en el suelo y le pregunta a Figaro qué es lo que consta en él. Ayudado por la novia y por la Condesa, Figaro dice tratarse de la carta de la patente de Cherubino, pues el Conde se había olvidado de sellarla. Frustrado, el Conde no consigue probar nada. El orden parecía estar restablecido no fuera la llegada de Marcellina, acompañada por Bartolo y Basilio, exigiendo que Figaro se casera con ella una vez que la deuda permanecía por liquidar. El Conde, que estaba al corriente del contrato y confiaba que la situación estallara, notifica a las dos partes a que comparezcan en el tribunal. Las bodas de Figaro con Susanna están comprometidas para gran júbilo de todos exceptuando a los novios y a la Condesa.

The Count asks for an explanation regarding the letter but Figaro denies everything. They both confess he has made it up to arouse the Count's interest in Rosina. When everything seemed to be settled, Antonio, the gardener and Barbarina's father enters onstage, complaining that a man had damaged some carnations by jumping out one of the windows of the castle. The Count's worries grow again. Figaro, Susanna and Rosina accuse the gardener for having drunk but the latter, feeling certain that it had been the page, insists on that. In order to save the situation, Figaro claims it was he himself who jumped out the window, where he was with his bride, and even faked a foot-injury. Then, Antonio brings forward the paper that was dropped by the escaping man and asks Figaro what was written in it. Helped by the bride and the Countess, Figaro says that it is the letter of Cherubino's appointment to the army, that the Count had forgotten to seal. Frustrated, the Count cannot prove anything. Peace is however short-lived because of Marcellina's arrival, accompanied by Bartolo and Basilio, demanding Figaro to marry her since the debt was still outstanding. The Count, who was well informed of the contract and expected that the situation broke out, notifies both parties to appear in court. The marriage of Figaro with Susanna is jeopardized for the joy of all short of the groom and bride and the Countess.

Le comte exige des explications au sujet de la lettre, mais Figaro nie tout. Les deux femmes avouent que ce fut un stratagème de ce dernier pour raviver l'intérêt du comte pour Rosina. Alors que tout semblait résolu, arrive Antonio, le jardinier du château et père de Barbarina, qui se plaint qu'un homme a abimé des oeillets en sautant de l'une des fenêtres du château. Le comte a, de nouveau, des soupçons. Figaro, Susanna et Rosina reprochent au jardinier d'avoir bu, mais ce dernier, convaincu qu'il s'agissait du page, insiste. Figaro, pour sauver la situation, affirme que c'est lui qui était avec sa fiancée et qu'il s'est même foulé un pied en tombant. Antonio lui montre alors le papier qu'il a trouvé au sol et demande à Figaro ce qu'il y lit. Avec le concours de sa fiancée et de la comtesse, Figaro dit qu'il s'agit de la lettre concernant la promotion de Cherubino, que le comte avait oublié de cacheter avec son sceau. Frustré, le comte ne peut rien prouver. L'ordre semblait rétabli, mais voilà qu'arrive Marcellina, accompagnée de Bartolo et de Basilio, exigeant que Figaro l'épouse, puisque ce dernier n'a pas encore remboursé sa dette. Le comte, qui était au courant du contrat et souhaitait voir les choses tourner au vinaigre, cite les deux parties à comparaître devant le tribunal. Les noces de Figaro et de Susanna semblent compromises pour la plus grande joie de tous, excepté pour les fiancés et la comtesse.

Acto III

Grande salão no castelo. À tarde. A Condessa, para recuperar o amor do marido, pede a Susanna que execute o plano arquitectado por Figaro. Desta vez, não será Cherubino que aparecerá em vez de Susanna, mas a própria Rosina disfarçada de criada. Ambas decidem que Figaro não seja inteirado do novo plano. Sozinho, o Conde medita nos acontecimentos da manhã. Aparece Susanna que, fingindo-se ternurenta, marca um encontro nocturno com Almaviva, o que o deixa felicíssimo e Susanna também embora por outras razões (se ela se prestar à nova intriga, a Condessa dar-lhe-á com que pagar as dívidas de Figaro e este não será obrigado a casar com Marcellina). Logo após ter seduzido Almaviva, Susanna cruza-se com Figaro e diz-lhe que a situação está controlada sem ter reparado que o Conde ouvira o seu comentário. Este percebe que, mais uma vez, é um joguete nas mãos de Susanna e jura vingar-se.

Acto III

Salón en el castillo. Por la tarde. La Condesa, para recuperar el amor de su marido, le pide a Susanna que lleve a cabo el plan elaborado por Figaro. De esta vez, no será Cherubino quien aparecerá en vez de Susanna, sino la propia Rosina disfrazada de criada. Ambas deciden que Figaro no se entere del nuevo plan. Solo, el Conde reflexiona sobre los acontecimientos de la mañana. Aparece Susanna que, fingiéndose cariñosa, marca un encuentro nocturno con Almaviva, cosa que lo pone muy feliz y a Susanna también aunque por otras razones (si ella se prestara a la nueva intriga, la Condesa le dará el dinero para pagar las deudas de Figaro y éste no será obligado a casarse con Marcellina). Poco después de haber seducido a Almaviva, Susanna se cruza con Figaro y le dice que la situación está bajo control sin haberse dado cuenta que el Conde había oído su comentario. Éste se da cuenta que, una vez más, ha sido un juguete en las manos de Susanna y jura vengarse.

Act III

Large hall in the castle. In the afternoon. In order to win her husband's love back, the Countess asks Susanna to carry out the scheme plotted by Figaro. This time, it will not be Cherubino to appear instead of Susanna, but Rosina herself, disguised of maid. They both decide to conceal the new plan from Figaro. Alone, the Count mulls over the morning events. Susanna enters and, pretending to be tender, arranges a rendezvous with him in the evening, which makes him very happy and also Susanna, although for different reasons (if she agrees with the new plot, the Countess will help Figaro pay his debts and he will not be forced to marry Marcellina). Soon after having seduced Almaviva, Susanna meets Figaro and tells him that the situation is controlled without having noticed that the Count had overheard her comment. The Count realizes that, once again, he is a play thing in Susanna's hands and swears revenge.

Acte III

Dans le grand salon du château. Au cours de l'après-midi. La comtesse, souhaitant retrouver l'amour de son mari, demande à Susanna de mettre à exécution le plan élaboré par Figaro. Cette fois, ce n'est pas Cherubino qui apparaîtra à la place de Susanna, mais Rosina en personne, se faisant passer pour la femme de chambre. Toutes deux décident de ne pas mettre Figaro au courant de ce nouveau plan. Seul, le comte médite sur les évènements de la matinée. Susanna apparaît. Elle affiche un air tendre et fixe un rendez-vous nocturne à Almaviva, ce qui le remplit de joie, de même que Susanna, bien que pour d'autres raisons (si elle consent à participer à cette nouvelle trame, la comtesse lui donnera de quoi payer les dettes de Figaro qui ne sera plus obligé d'épouser Marcellina). Aussitôt après avoir séduit Almaviva, Susanna croise Figaro et lui dit que la situation est maîtrisée, sans s'apercevoir que le comte a entendu son commentaire. Celui-ci comprend qu'il est, une fois de plus, un jouet dans les mains de Susanna et jure se venger.

34

Le nozze di Figaro

35

Nesta página: Kristina Wahlin e Joana Seara; Marco Vinco e Jessica Muirhead (Condessa). Página ao lado: Marco Vinco, Joana Seara, Leandro Fischetti, Jessica Muirhead e João de Oliveira (Antonio); os mesmos e Mário João Alves, Maria Luísa de Freitas e Donato Di Stefano. (fotografias de ensaio)

Entretanto, no tribunal, Dom Curzio anuncia a sentença: Figaro deverá reembolsar Marcellina ou casar com ela. O regozijo do Conde só é interrompido por Figaro que recusa casar e revela a sua condição de fidalgo, pois fora abandonado em criança trajando ricas roupas e jóias. Da narrativa se conclui que é fruto dos antigos amores de Marcellina e Bartolo. Susanna, sem nada saber, entra com o dinheiro para pagar a dívida de Figaro mas vendo-o abraçado a Marcellina e julgando-se traída, esbofeteia-o várias vezes. Tudo se esclarece. Figaro liberta-se da dívida, recebe o dote de Susanna e ainda algum dinheiro do pai. Furiosos, saem o Conde e Dom Curzio. Bartolo, enternecido por encontrar o filho, decide casar com Marcellina. Entra a Condessa que lamenta ter de recorrer à camareira para reconquistar o amor do marido e evoca os belos momentos passados com Almaviva. Susanna chega com boas novas. Rosina põe então em marcha o novo plano: dita um bilhete, que Susanna escreve com certa dificuldade, no qual marca um encontro no bosque do castelo, nessa mesma noite. Fecha o bilhete com um alfinete, que o Conde deverá devolver como sinal de confirmação do encontro. Jovens camponesas, conduzidas por Barbarina, vêm oferecer flores à Condessa. Entre elas vem, disfarçado de rapariga, Cherubino que se tinha refugiado no quarto de Barbarina, esquivando-se assim à ida para Sevilha. Antonio chega com o Conde e desmascara o infeliz pajem. Almaviva enfurece-se e, uma vez mais, quer punir o desobediente e metediço pajem, mas Barbarina põe o Conde na ordem e diante de todos exige que Cherubino lhe seja dado em casamento, pois quando a acariciava o Conde prometera que lhe daria tudo quanto ela quisesse. Almaviva começa a pensar, e com alguma razão, que tudo lhe é adverso. Entra Figaro que, de novo, pressiona o Conde a apadrinhar o casamento, acompanhado de músicos e convidados. Perante a nova situação e com Cherubino ainda no castelo, Figaro, com a sua «verve» habitual, declara que se ele saltara da janela, também outra pessoa poderia ter feito o mesmo. Forma-se o cortejo nupcial e o Conde e a Condessa presidem à cerimónia. Susanna ajoelha-se e recebe a grinalda nupcial, e todos louvam o Conde por ter abolido um tão perverso direito. Enquanto se dança um fandango, Susanna entrega o bilhete ao Conde. Este pica-se no alfinete, o que muito diverte Figaro, que não está ao corrente das inovações dadas ao estratagema por ele elaborado de manhã. O Conde convida toda a assistência a participar no banquete.

Mientras, en el tribunal, Don Curzio anuncia la sentencia: Figaro deberá pagarle a Marcellina o casarse con ella. La alegría del Conde sólo es interrumpida por Figaro que niega casarse y revela su condición de noble, pues había sido abandonado cuando niño vistiendo ricas ropas y joyas. Del relato se concluye que es fruto de los antiguos amores de Marcellina y Bartolo. Susanna, sin saber nada, entra con el dinero para pagar la deuda de Figaro pero viéndolo abrazado a Marcellina y creyéndose traicionada, lo abofetea varias veces. Todo se aclara. Figaro se libera de la deuda, recibe la dote de Susanna e incluso algún dinero de su padre. Furiosos, salen el Conde y Don Curzio. Bartolo, enternecido por encontrar a su hijo, decide casarse con Marcellina. Entra la Condesa que lamenta tener que recurrir a la criada para reconquistar el amor de su marido y evoca los hermosos momentos pasados con Almaviva. Susanna llega con buenas noticias. Rosina pone entonces en marcha el nuevo plan: dicta una nota que Susanna escribe con cierta dificultad, en la cual marca un encuentro en el bosque del castillo, en esa misma noche. Cierra la nota con un alfiler, que el Conde deberá devolver como señal de confirmación del encuentro. Un grupo de jóvenes campesinas, conducidas por Barbarina, vienen a ofrecer flores a la Condesa. Entre ellas viene, disfrazado de chica, Cherubino que se había refugiado en la habitación de Barbarina esquivándose así a la ida para Sevilla. Antonio llega con el Conde y desenmascara al infeliz paje. Almaviva se enfurece y, más una vez, quiere castigar al desobediente y entrometido paje, pero Barbarina pone al Conde en su lugar y ante todos exige que Cherubino le sea dado en matrimonio, porque cuando la acariciaba el Conde prometía que le daría todo lo que ella quisiera. Almaviva empieza a pensar, y con alguna razón, que todo le es desfavorable. Entra Figaro que, de nuevo, presiona al Conde para que apadrine el matrimonio, acompañado por músicos e invitados. Dada la nueva situación y con Cherubino aún en el castillo, Figaro, con su «elocuencia» habitual, declara que si él había saltado por la ventana, también otra persona podría haber hecho lo mismo. Se forma el cortejo nupcial y el Conde y la Condesa presiden a la ceremonia. Susanna se arrodilla y recibe la corona de novia, y todos elogian al Conde por haber abolido tan perverso derecho. Mientras se baila el fandango, Susanna le entrega la nota al Conde. Éste se pincha con el alfiler, lo que mucho divierte a Figaro, que no está al corriente de las innovaciones dadas a la estratagema por él elaborado en la mañana. El Conde invita a todos los presentes para participar en el banquete.

Meanwhile, in court, Don Curzio delivers the judgment: Figaro must reimburse Marcellina or marry her. The Count's joy is only interrupted by Figaro, who refuses to marry and claims to be a noble man, as he had been abandoned when he was a child wearing rich clothes and jewels. The ensuing discussion reveals that Figaro is the long-lost illegitimate son of Bartolo and Marcellina. Without knowing anything, Susanna comes in with the money to release Figaro from his debt but, when she sees him hugging Marcellina, she mistakenly believes to have been betrayed and she slaps his face several times. Everything is made clear. Figaro releases himself from the debt, receives the dowry from Susanna and even some money from his father. The Count and Don Curzio go offstage in a fury. Touched by fact of finding his son, Bartolo decides to marry Marcellina. The Countess enters, regretting to resort to the maid to have back her husband's love and ponders the loss of her happiness with Almaviva. Susanna arrives with good news. Then, Rosina puts the new scheme into effect: she dictates a love letter, which Susanna writes with a certain difficulty, suggesting that he meet her in the woods of the castle that same night. She seals the letter with a pin, which the Count should return as a sign of confirmation. Driven by Barbarina, young peasants offer flowers to the Countess. Among them comes Cherubino in women's clothes, who had taken refuge in Barbarina's room, thus escaping to go to Seville. Antonio arrives with the Count and discovers the unhappy page. Almaviva gets angry and, once again, wants to punish the disobedient and meddlesome page, but Barbarina gives the Count a lesson and, before everyone, she asks Cherubino's hand in marriage, because when he caressed her, the Count promised that he would give her everything. Almaviva starts thinking, and with some reason, that everything is against him. Figaro enters. Again, he forces the Count to support the marriage, in which musicians and invited people participate. Before this new situation and with Cherubino still in the castle, Figaro, with his common `verve', declares that if he had jumped out the window, someone else might have done the same. The wedding cortège is formed and the Count and the Countess preside over the ceremony. Susanna kneels down and receives the wedding wreath. Everyone praises the Count for having abolished such a distorted right. While dancing a fandango, Susanna delivers the letter to the Count. The Count pricks his finger on the pin, rejoicing Figaro very much, not knowing anything about the innovations of the scheme he had plotted on the morning. The Count invites everyone to participate in the banquet.

Pendant ce temps-là, au tribunal, Don Curzio annonce la sentence: Figaro devra rembourser Marcellina ou l'épouser. Le sentiment de satisfaction du comte est gâché par Figaro qui refuse de se marier et révèle qu'il appartient certainement à la noblesse, car lorsqu'il a été abandonné enfant, il était richement vêtu et portait des bijoux. On conclut d'après son récit qu'il est le fruit de l'ancien amour de Marcellina et Bartolo. Susanna, ignorant tout, arrive avec l'argent pour payer la dette de Figaro, mais en le voyant dans les bras de Marcellina et pensant être trahie, elle lui donne une paire de gifles. Tout s'éclaire enfin. Figaro se libère de sa dette, reçoit la dote de Susanna, ainsi qu'un peu d'argent de la part de son père. Furieux, le comte et Don Curzio s'en vont. Bartolo, heureux d'avoir trouvé son fils, décide d'épouser Marcellina. Arrive la comtesse qui déplore le fait de devoir recourir à sa camériste pour reconquérir l'amour de son mari et évoque les beaux moments passés avec Almaviva. Susanna arrive avec de bonnes nouvelles. Rosina met alors en marche le nouveau plan : elle dicte à Susanna, qui peine à écrire, un billet à l'intention du comte, dans lequel elle lui fixe un rendez-vous dans le bosquet du château, le soir venu. Elle cachète le billet avec une épingle que le comte devra rendre en signe d'acceptation. De jeunes paysannes, menées par Barbarina, viennent offrir des fleurs à la comtesse. Parmi elles se trouve, Cherubino déguisé en femme. Il s'était réfugié dans la chambre de Barbarina afin de ne pas aller à Séville. Antonio arrive avec le comte et démasque le malheureux page. Almaviva, en colère, veut une fois de plus punir ce page désobéissant qui se mêle de ce qui ne le regarde pas, mais Barbarina remet le comte à sa place et, devant tous, exige que Cherubino lui soit donné en mariage, car le comte lui avait promis d'accéder à toutes ses demandes chaque fois qu'elle se laissait caresser. Almaviva commence à se rendre compte, non sans raison, que tout est contre lui. Figaro surgit accompagné de musiciens et d'invités et insiste à nouveau auprès du comte pour qu'il parraine le mariage. Devant la nouvelle situation et vu que Cherubino se trouve toujours au château, Figaro, avec sa « verve » habituelle, déclare que s'il a sauté par la fenêtre, quelqu'un d'autre aurait pu faire la même chose. Le cortège nuptial se forme et le comte et la comtesse président à la cérémonie. Susanna s'agenouille et reçoit la guirlande nuptiale. Puis tous louent le comte pour avoir aboli un droit aussi pervers. Tandis que tout le monde danse un fandango, Susanna remet le billet au comte. Celui-ci se pique avec l'épingle, ce qui amuse beaucoup Figaro, qui n'est pas au courant des changements apportés à son stratagème imaginé dans la matinée. Le comte invite toute l'assistance à participer au banquet.

38

Le nozze di Figaro

39

Nesta página: Marco Alves dos Santos (Dom Curzio); Donato Di Stefano e Maria Luísa de Freitas; os mesmos e Leandro Fischetti e Joana Seara; Ana Franco (Barbarina), Marco Vinco, Jessica Muirhead e Coro do TNSC. Página ao lado: Joana Seara, Marco Vinco, Ana Franco, Maria Luísa de Freitas, Jessica Muirhead, Ana Cosme e Natália de Carvalho Brito (Duas donzelas) e Coro TNSC; Leandro Fischetti e Joana Seara. (fotografias de ensaio)

Acto IV

Jardim. Noite alta. Barbarina aparece de lanterna na mão. Surgem depois Figaro com Marcellina a quem ela diz procurar o alfinete que o Conde lhe incumbira de dar a Susanna. Figaro percebe que se trata de uma manigância entre Almaviva e Susanna, mas não se dá por achado e tira do vestido de sua mãe um outro alfinete que estende a Barbarina. O recém-casado está furioso e quer esclarecer o assunto, mas Marcellina incita-o à calma tomando a defesa das mulheres, eternos alvos de crítica, que os homens responsabilizam por todos os males. Sai de seguida para avisar Susanna das suspeitas de Figaro. Figaro chega com Bartolo, Basilio e alguns camponeses que se escondem atrás das árvores. Toda a situação é pretexto para Basilio meditar sobre a inconstância do mundo da qual só com a idade se toma consciência e considera ridículo tanta confusão por tão pouco. Profundamente chocado pelo procedimento da mulher no próprio dia das núpcias, Figaro exprime o seu azedume sobre a infidelidade das mulheres. Chegam a Condessa e Susanna, que trocaram vestidos, e Marcellina. Susanna, que ouvira as últimas palavras das imprecações de Figaro, resolve castigá-lo. Marcellina vai esconder-se no pavilhão onde, entretanto, já está Barbarina que aguarda a chegada de Cherubino. A verdadeira Susanna fica escondida atrás das árvores, e só a falsa Susanna está bem visível no jardim aberto. Figaro ouve a voz de Susanna escondida e apercebe-a, junto aos canteiros. Susanna, para irritar Figaro, finge esperar o Conde com grande impaciência. Chega Cherubino que se dirige ao pavilhão onde o espera Barbarina, mas vendo «Susanna» tenta abraçá-la, forçando a Condessa a defender-se o melhor que pode das suas investidas. O Conde, acabado de chegar, recebe o beijo que Cherubino destinava a «Susanna». O jovem, apercebendo-se da situação, foge para o pavilhão onde já estão Barbarina e Marcellina. Figaro, que tinha saído do seu esconderijo, recebe a bofetada destinada ao pajem. A verdadeira Susanna, sempre semi-escondida, diverte-se com toda a confusão. O Conde acaricia a mão de «Susanna» dando-lhe um anel. Figaro passa, fazendo muito barulho, para desunir o par. A Condessa refugia-se num pavilhão (onde não estava ninguém) e onde o Conde irá ter, uma vez o caminho livre.

Acto IV

En el jardín. Altas horas de la noche. Barbarina aparece con una linterna en la mano. Surgen después Figaro con Marcellina a quien ella le dice que busca el alfiler que el Conde le tenía que dar a Susanna. Figaro se da cuenta que se trata de una artimaña entre Almaviva y Susanna, pero no lo demuestra y coge del vestido de su madre otro alfiler que le da Barbarina. El recién casado está furioso y quiere aclarar el asunto, pero Marcellina lo incita a que se tranquilice defendiendo a las mujeres, eternamente criticadas, y que los hombres responsabilizan por todos los males. Sale a continuación para avisar a Susanna de las sospechas de Figaro. Figaro llega con Bartolo, Basilio y un grupo de campesinos que se esconden detrás de los árboles. Toda la situación es pretexto para que Basilio reflexione sobre la inconstancia del mundo de la cual sólo con la edad se toma consciencia y considera ridículo tanto alboroto por tan poco. Profundamente consternado por el proceder de la mujer en el mismo día de la boda, Figaro expresa su amargura sobre la infidelidad de las mujeres. Llegan la Condesa y Susanna, que han intercambiado los vestidos, y Marcellina. Susanna, que había escuchado las últimas palabras de las maldiciones de Figaro, resuelve castigarlo. Marcellina se va a esconder en el pabellón donde, sin embargo, ya está Barbarina que espera por la llegada de Cherubino. La verdadera Susanna está escondida detrás de los árboles, y sólo la falsa Susanna está bien visible en el jardín abierto. Figaro escucha la voz de Susanna escondida y se da cuenta, que está al lado de los canteros. Susanna, para irritar a Figaro, finge que está esperando al Conde con gran impaciencia. Llega Cherubino que se dirige al pabellón donde lo espera Barbarina, pero viendo a «Susanna» trata de abrazarla, forzando a la Condesa a defenderse lo mejor que puede de sus ataques. El Conde, acabado de llegar, recibe el beso que Cherubino destinaba a «Susanna». El joven, dándose cuenta de la situación, huye para el pabellón donde ya están Barbarina y Marcellina. Figaro, que había salido de su escondite, recibe la bofetada destinada al paje. La verdadera Susanna, siempre semiescondida, se divierte con todo el enredo. El Conde acaricia la mano de «Susanna» dándole un anillo. Figaro pasa, haciendo mucho ruido, para desunir a la pareja. La Condesa se refugia en un pabellón (donde no había nadie) y adonde el Conde irá, una vez que el camino estuviera libre.

Act IV

The garden. At Night. Barbarina is holding a lantern. Then, Figaro and Marcellina come in. She tels him that she is looking for the pin that was supposed to be delivered to Susanna on request of the Count. Figaro realizes that this was a plot between Almaviva and Susanna, but pretends not to see and takes another pin from his mother's dress, handing it over Barbarina. The newly-married man is furious and wants to clear everything out, but Marcellina tells him to stay calm, taking sides with the women, who are everlasting targets of criticism and whom men hold liable for all evils. Then she leaves and goes to warn Susanna of Figaro's suspicion. Figaro arrives with Bartolo, Basilio and some peasants who hide themselves behind the trees. The situation is a pretext for Basilio to mull over the inconstancy of the world, of which only with age do we become aware. In addition, it turns out to be ridiculous so much confusion for so little. Deeply shocked by his wife's behaviour on their own wedding day, Figaro expresses his anger on women unfaithfulness. The Countess and Susanna appear sharing dresses. Marcellina comes in as well. Susanna, who had heard the last words of Figaro's imprecations, decides to punish him. Marcellina hides herself in the pavilion, where Barbarina is already waiting for Cherubino to arrive. The real Susanna remains hidden behind the trees, and only the fake Susanna can really be seen in the open garden. Figaro hears the hidden voice of Susanna and recognizes her near the flower beds. In order to tease Figaro, Susanna pretends to wait for the Count with great impatience. Cherubino arrives, who heads for the pavilion where Barbarina is expecting him. But, when he sees "Susanna" he tries to hug her, forcing the Countess to defend herself against his advances the best she can. The Count, who had just arrived, receives the kiss that Cherubino wanted to give "Susanna". Becoming aware of the situation, the young man rushes to the pavilion where Barbarina and Marcellina are already. Figaro, who had left his hiding-place, received the slap that was supposed to hit the page. The real Susanna, always semi-hidden, amuses herself with the confusion. The Count caresses "Susanna's" hand giving her a ring. Figaro walks in, making a loud noise to make the couple break up. The Countess takes refuge in an empty pavilion and where the Count will go, since the way is clear.

Acte IV

Dans le jardin. Tard dans la nuit. Barbarina fait son apparition, lanterne en main. Surgissent ensuite Figaro et Marcellina à qui Barbarina explique qu'elle est à la recherche de l'épingle que le comte lui a chargé de remettre à Susanna. Figaro comprend qu'il s'agit d'une manigance d'Almaviva et de Susanna, mais il ne se démonte pas et enlève de la robe de sa mère une autre épingle qu'il tend à Barbarina. Le nouveau marié est furieux et veut éclaircir l'affaire, mais Marcellina l'incite au calme en prenant la défense des femmes qui sont la cible éternelle des critiques et que les hommes accusent de tous les maux. Elle part ensuite avertir Susanna des soupçons de Figaro. Figaro arrive avec Bartolo, Basilio et quelques paysans qui se cachent derrière les arbres. La situation pousse Basilio à méditer sur l'inconstance du monde que seul l'âge permet d'appréhender. Il trouve ridicule qu'il y ait tant de confusion pour si peu. Profondément choqué par le comportement de sa femme le jour de leur propre mariage, Figaro exprime toute son amertume sur l'infidélité des femmes. La comtesse et Susanna, qui ont échangé leur robe, arrivent accompagnées de Marcellina. Susanna, qui a entendu les dernières paroles des imprécations de Figaro, décide de le punir. Marcellina part se cacher dans le pavillon où se trouve déjà Barbarina, qui attend l'arrivée de Cherubino. La véritable Susanna reste cachée derrière les arbres et la fausse Susanna reste bien visible dans l'espace ouvert du jardin. Figaro entend la voix de Susanna cachée et l'aperçoit, auprès des plates-bandes. Susanna, pour énerver Figaro, fait semblant d'attendre avec beaucoup d'impatience le comte. Cherubino arrive et se dirige vers le pavillon où l'attend Barbarina, mais en voyant « Susanna » il tente de la prendre dans ses bras, ce qui oblige la comtesse à se défendre par tous les moyens contre ses assauts. Le comte, venant d'arriver, reçoit le baiser que Cherubino destinait à « Susanna ». Le jeune homme, s'apercevant de la situation, s'enfuit vers le pavillon où se trouvent Barbarina et Marcellina. Figaro, sorti de sa cachette, reçoit la gifle destinée au page. La véritable Susanna, toujours à demi-cachée, s'amuse de toute cette confusion. Le comte caresse la main de « Susanna » en lui donnant une bague. Figaro passe, en faisant beaucoup de bruit pour gêner le couple. La comtesse se refugie dans un pavillon (où il n'y a personne) que le comte gagnera une fois le chemin libre.

42

Le nozze di Figaro

43

Figaro fica sozinho. Vendo a «Condessa», pensa vingar-se das afrontas do Conde conquistando-lhe a mulher. Porém, reconhece a voz da sua própria mulher e, para a irritar, corteja exageradamente a «Condessa». Susanna não se contém e bate-lhe furiosamente. Figaro explica-lhe que lhe reconhecera a voz e o casal reconcilia-se. Entretanto, o Conde saíra de trás dos canteiros e Figaro e a «Condessa» fingem uma fogosa cena de amor. Almaviva, furioso, chama pelos criados. Susanna esconde-se no pavilhão onde já estavam Marcellina, Barbarina e Cherubino. Propositadamente, Figaro deixa-se apanhar pelos homens do Conde. Este dirige-se ao pavilhão a fim de comprometer a Condessa, mas para grande espanto de toda a assistência, de lá saem sucessivamente Cherubino, Barbarina, Marcellina e a «Condessa». Esta e Figaro imploram perdão ao Conde mas este recusa altivamente. É então que a verdadeira Condessa sai do outro pavilhão. Estupefacto, o Conde compreende a trama de que fora vítima e pede, por sua vez, o perdão de Rosina. Esta, felicíssima, concede-lho. Todos rejubilam e assim termina, finalmente, a folle giornata das bodas de Figaro.

Figaro se queda solo. Al ver a la «Condesa», piensa vengarse de los ultrajes del Conde conquistándole a su mujer. Sin embargo, reconoce la voz de su propia mujer y, para irritarla, corteja exageradamente a la «Condesa». Susanna no se controla y lo golpea con furia. Figaro le explica que le había reconocido la voz y la pareja se reconcilia. Mientras, el Conde salía de detrás de los canteros y Figaro y la «Condesa» fingen una ardiente escena de amor. Almaviva, furioso, llama a los criados. Susanna se esconde en el pabellón donde ya estaban Marcellina, Barbarina y Cherubino. Propositadamente, Figaro se deja atrapar por los hombres del Conde. Éste se dirige al pabellón a fin de comprometer a la Condesa, pero para gran asombro de todos los presentes, de allá salen sucesivamente Cherubino, Barbarina, Marcellina y la «Condesa». Ésta y Figaro le piden perdón al Conde pero éste se niega con altivez. Fue entonces que la verdadera Condesa sale del otro pabellón. Estupefacto, el Conde comprende la trama de que había sido víctima y pide, a su vez, perdón a Rosina. Ésta, felicísima, se lo concede. Todos se divierten y así termina, finalmente, la folle giornata de las bodas de Figaro.

Figaro stays alone. When he sees the "Countess", he seeks revenge against the Count's insults by trying to take his wife from him. Nevertheless, he recognises his own wife's voice and, to tease her, he excessively courts the "Countess". Susanna cannot help it and slaps him several times in a fury. Figaro explains he had recognized her voice and the couple buries the hatchet. Meanwhile, the Count had emerged from behind the flower beds and Figaro and the "Countess" pretend to play a deep love scene. In a fury, Almaviva calls his servants. Susanna hides herself in the pavilion, in which Marcellina, Barbarina and Cherubino were already. Intentionally, Figaro allows himself to be caught by the Count's men. The Count heads for the pavilion in order to compromise the Countess. It is then that Cherubino, Barbarina, Marcellina and the "Countess" leave it to the great amazement of all people present. The latter and Figaro plea for the Count's forgiveness but he refuses to grant it. Then, the real Countess leaves the other pavilion. Amazed, the Count realizes that they had played a prank on him and, in turn, pleas for Rosina's forgiveness. Very happy, they reconcile. They all celebrate as the folle giornata of Figaro's marriage ends.

Figaro reste seul. En voyant la « comtesse », il pense à se venger des affronts du comte en gagnant les faveurs de sa femme. Il reconnaît, toutefois, la voix de sa propre moitié, et pour l'énerver, il courtise avec exagération la « comtesse ». Susanna n'en pouvant plus, lui donne un soufflet. Figaro lui explique qu'il avait reconnu sa voix et le couple se réconcilie. Sur ces entrefaites, le comte surgit de derrière les platebandes et Figaro et la « comtesse » feignent une fougueuse scène d'amour. Almaviva, furieux, appelle ses domestiques. Susanna se cache dans le pavillon où se trouvent déjà Marcellina, Barbarina et Cherubino. Figaro se laisse délibérément attraper par les hommes du comte. Ce dernier se dirige vers le pavillon afin de confondre la comtesse, mais à la grande surprise de toute l'assistance, Cherubino, Barbarina, Marcellina et la « comtesse » sortent successivement. Celle-ci et Figaro implorent le pardon du comte mais celui-ci, hautain, refuse. C'est alors que la véritable comtesse sort de l'autre pavillon. Stupéfait, le comte comprend la trame dont il a été victime et demande, à son tour, le pardon de Rosina. Celle-ci, comblée de bonheur, le lui accorde généreusement. Tous jubilent et ainsi se termine enfin la folle giornata des noces de Figaro.

44

Le nozze di Figaro

45

Nesta página: Marco Vinco, Jessica Muirhead e Kristina Wahlin; Marco Vinco e Jessica Muirhead; Leandro Fischetti e Joana Seara; os mesmos. Página ao lado: Jessica Muirhead e Joana Seara. (fotografias de ensaio)

Le nozze di Figaro

Libretto Abertura Atto I

Camera non affatto ammobiliata, una sedia d'appoggio in mezzo. Scena 1 Susanna e Figaro Figaro con una misura in mano e Susanna allo specchio che si sta mettendo un capellino ornato di fiori.

As bodas de Figaro

Libreto Abertura Acto I

Quarto parcialmente mobilado com uma cadeira de apoio no centro. Cena 1 Susanna e Figaro Figaro com uma fita de medir na mão e Susanna frente ao espelho enquanto experimenta um toucado ornamentado com flores. N.º 1 ­ Duettino

Figaro (tirando medidas)

Figaro

Figaro

Certo, a noi la cede generoso il padrone.

Susanna

Sim, o generoso patrão cedeu-no-lo.

Susanna

Io per me te la dono.

Figaro

Por mim, podes ficar com ele.

Figaro

E la ragione?

Susanna (toccandosi la fronte) La ragione l'ho qui. Figaro (facendo lo stesso) Perchè non puoi far che passi un pò qui? Susanna

Pode saber-se a razão?

Susanna (tocando a própria fronte) A razão está aqui. Figaro (imitando-a)

E porque não a deixas passar um pouco também para aqui?

Susanna

Nº 1 ­ Duettino

Figaro (misurando) Cinque... dieci... venti... trenta... trentasei... quarantatre... Susanna (specchiandosi) Ora sì ch'io son contenta; sembra fatto in ver per me. Guarda un pò, mio caro Figaro, guarda adesso il mio capello. (seguitando a guardarsi) Figaro

Perchè non voglio; sei tu mio servo, o no?

Figaro

Porque não quero; és ou não o meu servo?

Figaro

Cinco... dez... vinte... trinta... trinta e seis... quarenta e três...

Susanna (arranjando-se ao espelho)

Agora, sim, estou contente; parece ter sido feito para mim. Meu querido Figaro, repara agora um pouco no meu chapéu. (continuando a olhar-se ao espelho)

Figaro

Ma non capisco perchè tanto ti spiace la più comoda stanza del palazzo?

Susanna

Mas não consigo compreender porque tanto te desagrada o mais cómodo quarto do palácio.

Susanna

Perch'io son la Susanna, e tu sei pazzo.

Figaro

Porque eu sou Susanna, e tu és tolo.

Figaro

Sì mio core, or è più bello, sembra fatto inver per te.

Susanna e Figaro

Sim, coração, fica-te muito bem: parece, de facto, ter sido feito para ti.

Susanna e Figaro

Grazie; non tanti elogi! Guarda un poco se potriasi star meglio in altro loco. Nº 2 ­ Duettino

Figaro

Obrigado pelo elogio! Diz-me, porém, se poderíamos estar melhor noutro local. N.º 2 ­ Duettino

Figaro

Ah, il mattino alle nozze vicino quanto è dolce al mio/tuo tenero sposo questo bel capellino vezzoso che Susanna ella stessa si fè. Recitativo

Susanna

Ah! A manhã da véspera do casamento! Como é agradável para o meu/teu querido esposo este belo e elegante chapéu que Susanna fez com as suas mãos. Recitativo

Susanna

Cosa stai misurando, caro il mio Figaretto?

Figaro

O que estás a medir, meu querido Figarozinho?

Figaro

Se a caso madama la notte ti chiama, dindin; in due passi da quella puoi gir. Vien poi l'occasione che vuolmi il padrone, dondon; in tre salti lo vado a servir.

Susanna

Se por acaso a senhora te chamar de noite: dim dim ­ em dois passos estarás perto dela. Há-de surgir a ocasião em que o patrão precise de mim: dom dom ­ em três saltos poderei servi-lo.

Susanna

Io guardo se quel letto che ci destina il conte farà buona figura in questo loco.

Susanna

Estou a ver se a cama que o Conde nos ofereceu fica bem neste local.

Susanna

E in questa stanza?...

Neste quarto?...

Così se il mattino il caro contino, dindin; e ti manda tre miglia lontan, dondon; a mia porta il diavol lo porta, ed ecco in tre salti...

Pois é! E se uma manhã o caro condezinho, dim dim; e te enviar para três milhas daqui, dom dom ­ até à minha porta o diabo transporta-o, e eis que em três saltos...

48

Le nozze di Figaro

49

Figaro

Figaro

Figaro

Figaro

Susanna, pian pian... Recitativo

Susanna

Susanna, cuidado, cuidado... Recitativo

Susanna

Bravo! Tiriamo avanti.

Susanna

Muito bem! Continua!

Susanna

Ascolta.

Figaro

Ouve!

Figaro

Don Basilio, mio maestro di canto, e suo mezzano, nel darmi la lezione mi ripete ogni dì questa canzone.

Figaro

Dom Basilio, o meu professor de canto e intermediário do Conde, quando me dá lições repete sempre a toada do seu amo.

Figaro

Fa presto...

Susanna

Diz depressa...

Susanna

Chi? Basilio? Oh birbante! Se udir brami il resto, discaccia i sospetti che torto mi fan.

Figaro

O quê? Basilio? O malandro!

Susanna

Se queres ouvir o resto, afasta essas suspeitas que me ofendem.

Figaro

Susanna

E tu credevi che fosse la mia dote merto del tuo bel muso?

Figaro

E tu acreditavas que o meu dote te fosse dado pelos teus lindos olhos?

Figaro

Udir bramo il resto, i dubbi, i sospetti gelare mi fan. Recitativo

Susanna

Quero ouvir o resto, mas gelam-me as dúvidas e as suspeitas. Recitativo

Susanna

Me n'era lusingato!

Susanna

Até me sentia lisonjeado.

Susanna

Ei la destina per ottener da me certe mezz'ore che il diritto feudale...

Figaro

Ele quer dar-nos esta prenda para obter de mim uma certa meia-hora que o antigo direito feudal...

Figaro

Or bene, ascolta e taci!

Figaro (inquieto)

Pois bem, ouve e cala-te!

Figaro (inquieto)

Parla, che c'è di nuovo?

Susanna

Fala. Que há de novo?

Susanna

Come? Ne' feudi suoi non l'ha il conte abolito?

Susanna

O quê? O Conde não aboliu já esse direito nas suas terras?

Susanna

Il signor Conte, stanco d'andar cacciando le straniere bellezze forestiere, vuole ancor nel castello ritentar la sua sorte; nè già di sua consorte, bada bene appetito gli viene.

Figaro

O senhor Conde, cansado de caçar desconhecidas beldades dos arredores, quer agora no seu palácio voltar a tentar a sorte. Mas, repara bem, não é pela esposa que ele se interessa.

Figaro

Ebben, ora è pentito, e par che tenti riscattarlo da me.

Figaro

Pois bem, deve estar arrependido e parece que tenta restabelecê-lo comigo.

Figaro

Bravo! Mi piace! Che caro signor Conte! Ci vogliam divertir: trovato avete... (si sente suonare un campanello) Chi suona? La Contessa.

Susanna

Muito bem! Esta agrada-me! O caro senhor Conde! Queremos divertir-nos? Pois bem... (ouve-se uma campainha) Quem chama? A Condessa.

Susanna

E di chi dunque?

Susanna

E por quem é então?

Susanna

Addio, addio, Figaro bello.

Figaro

Adeus, adeus... Meu belo Figaro.

Figaro

Della tua Susannetta.

Figaro (con sorpresa)

Pela tua Susaninha.

Figaro (com surpresa)

Coraggio, mio tesoro.

Susanna

Coragem, meu tesouro!

Susanna

Di te?

Susanna

Por ti?

Susanna

Di me medesma ed ha speranza che al nobil suo progetto utilissima sia tal vicinanza!

Por mim! E tem esperança de que este quarto tão próximo seja utilíssimo ao seu nobre projecto!

E tu, cervello. (parte)

E tu, usa a cabeça! (parte)

50

Le nozze di Figaro

51

Scena 2 Figaro solo

Figaro (passeggiando con foco per la camera e

Cena 2 Figaro a sós

Figaro (passeando energicamente no quarto e esfregando as mãos) Bravo, senhor meu amo! Começo agora a compreender o mistério e a ver claro todo o vosso projecto: Londres, não é verdade? Vós ministro, eu correio, e Susanna... embaixatriz secreta... Isso não acontecerá, não! É Figaro quem o afirma!

fregandosi le mani) Bravo, signor padrone! Ora incomincio a capir il mistero, e a veder schietto tutto il vostro progetto: a Londra è vero? Voi ministro, io corriero, e la Susanna secreta ambasciatrice non sarà, non sarà! Figaro il dice. Nº 3 ­ Cavatina

Figaro

più avanzati di questo bastò spesso un pretesto; ed egli ha meco, oltre questo contratto, certi impegni... so io... basta... conviene la Susanna atterrir. Convien con arte impuntigliarla a rifiutare il conte; egli per vendicarsi prenderà il mio partito, e Figaro così fia mio marito.

Bartolo (prende il contratto) Bene, io tutto farò; senza riserve tutto a me palesate: (avrei pur gusto di dar in moglie la mia serva antica a chi mi fece un dì rapir l'amica.)

até mais adiantados que este foi suficiente um pretexto, e esse tenho-o eu, para além deste contrato, e de certas obrigações... Eu é que sei... mas basta: é preciso meter medo a Susanna; convém habilmente persuadi-la a recusar os avanços do Conde. Ele, para vingar-se, tomará o meu partido, e assim Figaro será meu marido.

Bartolo (pega o contrato)

N.º 3 ­ Cavatina

Figaro

Se vuol ballare signor contino, il chitarrino le suonerò. Se vuol venire nella mia scola la capriola le insegnerò. Saprò... ma piano, meglio ogni arcano dissimulando scoprir potrò! L'arte schermendo, l'arte adoprando, di quà pungendo, di là scherzando, tutte le machine rovescierò. Se vuol ballare signor contino, il chitarrino le suonerò. (parte)

Se quereis bailar, senhor Condezito, serei eu a tocar guitarra. Se quereis ter aulas comigo, ensinar-vos-ei a cabriola. Saberei... mas cuidado... dissimulando, melhor descobrirei todos os segredos! Aguçando o engenho, operando com inteligência, uma no cravo, outra na ferradura, todas as tramóias conseguirei desfazer. Se quereis bailar, senhor Condezito, serei eu a tocar guitarra. (parte)

Bem, tudo farei. Sem reservas contai-me tudo: (terei imenso gosto em dar a minha velha serva como esposa àquele que há anos raptou a minha noiva.) N.º 4 ­ Ária

Bartolo

Nº 4 ­ Aria

Bartolo

Scena 3 Bartolo e Marcellina con un contratto in mano Recitativo

Bartolo

Cena 3 Bartolo e Marcellina com um contrato na mão Recitativo

Bartolo

La vendetta, oh, la vendetta! È un piacer serbato ai saggi. L'obbliar l'onte, gli oltraggi è bassezza, è ognor viltà. Coll'astuzia... coll'arguzia, col giudizio, col criterio... si potrebbe... il fatto è serio; ma credete si farà. Se tutto il codice dovessi volgere, se tutto l'indice dovessi leggere, con un equivoco, con un sinonimo qualche garbuglio si troverà. Tutta Siviglia conosce Bartolo, il birbo Figaro vostro sarà. (parte)

A vingança, sim, a vingança! É um prazer destinado aos sábios. Esquecer as vergonhas e os ultrajes sofridos é baixeza, é aviltante. Com astúcia, com argúcia, com juízo, com critério poder-se-ia... O assunto é sério; mas, acreditai em mim, vai levar-se até ao fim. Nem que tenha de revolver todos os códigos de leis, nem que tenha de ler todos os índices: com um equívoco, com um sinónimo, qualquer falha se encontrará. Toda a Sevilha conhece Bartolo: esse patife do Figaro a vós será entregue! (parte)

Scena 4 Marcellina, poi Susanna con cuffia da donna, un nastro e un abito da donna. Recitativo

Marcellina

Cena 4 Marcellina e depois Susanna com um toucado, uma fita e um vestido. Recitativo

Marcellina

Ed aspettaste il giorno fissato per le nozze a parlarmi di questo?

Marcellina

E esperastes o dia fixado para o casamento para me falar deste assunto?

Marcellina

Io non mi perdo, dottor mio, di coraggio... per romper de' sponsali

Não me falta a coragem, doutor... Para destruir casamentos

Tutto ancor non ho perso: mi resta la speranza. Ma Susanna si avanza. Io vò provarmi...

Não perdi ainda tudo: resta-me a esperança. Mas Susanna aproxima-se: vou ensaiar...

52

Le nozze di Figaro

53

Fingiam di non vederla. E quella buona perla la vorrebbe sposar!

Susanna

Vou fingir que não a vejo. E quer ele casar com aquela pérola de virtudes.

Susanna

Susanna (riverenza)

Susanna (fazendo uma vénia)

La dama d'onore!

Marcellina

A dama de honor.

Marcellina

Del conte la bella!

Susanna

A beldade do Conde.

Susanna

(Di me favella.)

Marcellina

(Está a falar de mim!)

Marcellina

Di Spagna l'amore!

Marcellina

A amante de Espanha.

Marcellina

Ma da Figaro alfine non può meglio sperarsi: l'argent fait tout.

Susanna

Mas, no fundo, de Figaro não pode esperar-se melhor: l'argent fait tout.

Susanna

I meriti... (Che lingua! Manco male ch'ognun sa quanto vale.)

Marcellina

Os méritos...

Susanna

(Que língua! O que vale é que todos a conhecem.)

Marcellina

Susanna

L'abito...

Marcellina

O vestido...

Marcellina

Brava! Questo è giudizio! Con quegli occhi modesti, con quell'aria pietosa, e poi...

Susanna

Muito bem! Isso é que é ter juízo! Com esses olhos modestos, com esses ares de piedade, e depois...

Susanna

... il posto!

Susanna

... A posição!

Susanna

... l'età!

Marcellina (infuriata)

... A idade!

Marcellina (enfurecida)

(Meglio è partir!)

Marcellina

(O melhor é ir-me embora!)

Marcellina

Per Bacco precipito, se ancor resto quà.

Susanna (minchionandola)

Por Baco, farei um disparate se aqui continuar!

Susanna (escarnecendo)

Che cara sposa! (vanno tutte due per partire e s'incontrano alla porta) Nº 5 ­ Duettino

Marcellina (facendo una riverenza)

Que querida esposa! (dirigem-se ambas para a porta onde chegam ao mesmo tempo) N.º 5 ­ Duettino

Marcellina (fazendo uma vénia)

Sibilla decrepita da rider mi fà. (Marcellina parte infuriata)

Sibila decrépita, fazes-me rir. (Marcellina parte furiosa)

Via resti servita, madama brillante.

Susanna (facendo una riverenza)

Depois de si, brilhante senhora.

Susanna (fazendo uma vénia)

Scena 5 Susanna e poi Cherubino Recitativo

Cena 5 Susanna e depois Cherubino Recitativo

Susanna

Non sono sì ardita, madama piccante.

Marcellina (riverenza)

Não é esse o meu papel, madame afiada.

Marcellina (fazendo uma vénia) Mas não, depois de si. Susanna (fazendo uma vénia) Não, não, a senhora primeiro. Susanna e Marcellina (fazendo vénias)

Susanna

No, prima a lei tocca.

Susanna (riverenza) No, no, tocca a lei. Susanna e Marcellina (riverenze)

Va là, vecchia pedante, dottoressa arrogante, perchè hai letti due libri e seccata madama in gioventù...

Cherubino (esce in fretta)

Fora, velha pedante, julgas-te uma doutora arrogante só por teres lido dois livros. Secaram-te na juventude...

Cherubino (entra de rompante)

Susannetta, sei tu?

Susanna

Susaninha, és tu?

Susanna

Io so i dover miei, non fo inciviltà.

Marcellina (riverenza)

Eu conheço os meus deveres, sou civilizada.

Marcellina (fazendo uma vénia)

Son io, cosa volete?

Cherubino

Sou eu, que queres?

Cherubino

Ah, cor mio, che accidente!

Susanna

Ah, meu coração, que desgraça!

Susanna

La sposa novella!

A nova esposa! Cor vostro? Cosa avvenne? Vosso coração? Que aconteceu?

54

Le nozze di Figaro

55

Cherubino

Cherubino

Cherubino

Cherubino

Il Conte ieri perchè trovommi sol con Barbarina, il congedo mi diede; e se la contessina, la mia bella comare, grazia non m'intercede, io vado via, io non ti vedo più, Susanna mia!

Susanna

Ontem o Conde expulsou-me do palácio porque me encontrou a sós com Barbarina; se a Condessa, a minha bela madrinha, não interceder por mim, tenho de partir. E não te torno a ver, minha Susanna!

Susanna

Leggila alla padrona, leggila tu medesma; leggila a Barbarina, a Marcellina... (con trasporti di gioia) leggila ad ogni donna del palazzo!

Susanna

Lê-a à tua ama, lê-a a ti própria, lê-a a Barbarina, a Marcellina... (arrebatado pela alegria) Lê-a a todas as mulheres do palácio!

Susanna

Povero Cherubin, siete voi pazzo! Non vedete più me! Bravo! Ma dunque non più per la contessa secretamente il vostro cor sospira?

Cherubino

Pobre Cherubino, estais louco? N.º 6 ­ Ária

Cherubino

Não me tornareis a ver! Essa é boa! Mas então já não é pela Condessa que o vosso coração suspira?

Cherubino

Nº 6 ­ Aria

Cherubino

Ah, che troppo rispetto ella m'inspira! Felice te, che puoi vederla quando vuoi, che la vesti il mattino, che la sera la spogli, che le metti gli spilloni, i merletti... (con un sospiro) Ah, se in tuo loco... Cos'hai lì? Dimmi un poco...

Susanna (imitandolo)

Ah! Ela inspira-me demasiado respeito! Feliz és tu, pois podes vê-la quando queres, e a vestes todas as manhãs, e a despes todas as noites, e lhe colocas os alfinetes e as rendas... (com um suspiro) Ah, se eu estivesse no teu lugar... Mas, que tens tu aí? Diz-me...

Susanna (imitando-o)

Ah, il vago nastro della notturna cuffia di comare sì bella.

Cherubino (toglie il nastro di mano a Susanna) Deh, dammelo sorella, dammelo per pietà! Susanna (vuole riprenderglielo)

A vaporosa fita da touca de noite da tal madrinha tão bela.

Cherubino (tira a fita da mão de Susanna) Dá-me isso, irmã, dá-me isso por piedade! Susanna (quer recuperá-la)

Non so più cosa son, cosa faccio; or di foco, ora sono di ghiaccio, ogni donna cangiar di colore, ogni donna mi fa palpitar. Solo ai nomi d'amor, di diletto, mi si turba, mi s'altera il petto e a parlare mi sforza d'amore un desio ch'io non posso spiegar. Parlo d'amor vegliando, parlo d'amor sognando, all'acqua, all'ombra, ai monti, ai fiori, all'erbe, ai fonti, all'eco, all'aria, ai venti, che il suon de vani accenti portano via con se. E se non ho chi m'oda, parlo d'amor con me.

Já não sei o que sou, nem o que faço; ora me devoram chamas, ora me sinto gelado, qualquer mulher me faz corar, qualquer mulher me faz palpitar. Ouvindo palavras de amor, de alegria, o meu peito altera-se e perturba-se, e um desejo que não sei explicar força-me a falar de amor! Falo de amor em vigília, falo de amor nos sonhos, à água, às sombras, aos montes, às flores, às ervas, às fontes, ao eco, ao ar, aos ventos, que levam para longe o eco das minhas palavras vãs. E se não tenho quem me ouça, falo de amor comigo.

Scena 6 Cherubino, Susanna e poi il Conte. Recitativo

Cena 6 Cherubino, Susanna e depois o Conde. Recitativo (Cherubino prepara-se para sair mas vendo o Conde chegar, volta para trás apavorado e esconde-se por detrás de uma cadeira.)

Cherubino

Presto quel nastro.

Cherubino (si mette a girare intorno la sedia)

Devolve-me depressa essa fita.

Cherubino (andando à volta da cadeira)

Oh caro, o bello, o fortunato nastro! Io non te'l renderò che colla vita! (bacia e rebacia il nastro)

Susanna (seguita a corrergli dietro, ma poi si arresta

Ó querida, ó bela, ó afortunada fita! Só ta tornarei a dar com a vida. (beija repetidamente a fita)

Susanna (apressa-se a correr atrás dele, mas detém-se

(Cherubino va per partire e vedendo il Conte da lontano, torna indietro impaurito e si nasconde dietro la sedia.)

Cherubino

come fosse stanca.) Cos'è quest'insolenza?

Cherubino

como se cansada.) Mas que insolência é esta?

Cherubino

Ah son perduto!

Susanna

Ah estou perdido!

Susanna

Che timor!

Il Conte

Que medo!

Conde

Eh via, sta cheta! In ricompensa poi questa mia canzonetta io ti vò dare. (cava di tasca una canzone)

Susanna

Vá lá, está quieta! Como recompensa quero oferecer-te esta minha pequena canção. (tira do bolso uma canção)

Susanna

Susanna, tu mi sembri agitata e confusa.

Susanna, pareces-me agitada e confundida.

E che ne debbo fare?

E que devo fazer dela?

56

Le nozze di Figaro

57

Susanna

Susanna

Susanna (inquietissima)

Signor... io chiedo scusa... ma, se mai... qui sorpresa... per carità! Partite.

Il Conte (si mette a sedere sulla sedia e prende

Senhor... peço desculpa... mas... quando... aqui surpreendida... por piedade! Retirai-vos.

Conde (senta-se na cadeira e pega na mão

Ch'io vi lascio qui solo?

Basilio (di fuori) Da madama sarà, vado a cercarlo. Il Conte (addita la sedia)

Susanna (perturbada) Deixar-vos aqui sozinho? Basilio (de fora)

Estará com a senhora, vou procurá-lo.

Conde (aponta para a cadeira) Esconder-me-ei aqui. Susanna

Susanna per la mano) Un momento, e ti lascio, odi!

Susanna (si distacca con forza)

de Susanna) É só um momento e depois deixo-te. Ouve.

Susanna (liberta-se energicamente)

Qui dietro mi porrò...

Susanna

Non vi celate!

Il Conte

Não vos escondais!

Conde

Non odo nulla.

Il Conte

Não ouço nada.

Conde

Taci e cerca ch'ei parta. (Il Conte vuol nascondersi dietro il sedile: Susanna si frappone tra il Paggio e lui: il Conte la spinge dolcemente. Ella rincula, intanto il Paggio passa al davanti del sedile, si mette dentro in piedi, Susanna il ricopre colla vestaglia.)

Susanna

Cala-te, e tenta afastá-lo. (O Conde pretende esconder-se atrás da cadeira. Susanna coloca-se entre ele e o Pajem. O Conde vira-a delicadamente. Ela recua enquanto o Pajem passa para a frente, esgueira-se entre os pés da cadeira e Susanna tapa-o com o vestido.)

Susanna

Due parole: tu sai che ambasciatore a Londra il rè mi dichiarò; di condur meco Figaro destinai.

Susanna (timida)

Duas palavras. Tu sabes que seu embaixador em Londres o rei me nomeou; decidi que Figaro me acompanharia.

Susanna (tímida)

Signor, se osassi...

Il Conte (sorge)

Meu senhor, se eu tivesse a ousadia...

Conde (ergue-se)

Oimè! Che fate?

Ai de mim! Que fazeis?

Parla, parla, mia cara! E con quell dritto ch'oggi prendi su me finchè tu vivi (con tenerezza, e tentando di riprenderle la mano.) chiedi, imponi, prescrivi.

Susanna

Fala, fala, minha querida. Com o direito que hoje ganhas sobre mim, (com ternura e tentando retomar-lhe a mão) pede, impõe, prescreve.

Susanna

Scena 7 Detti e Basilio

Basilio

Cena 7 Os anteriores e Basilio

Basilio

Lasciatemi signor; dritti non prendo, non ne vò, non ne intendo... Oh me infelice!

Il Conte

Deixai-me, senhor; eu não exijo direitos, nem os quero, pois não os entendo... Oh! Infeliz de mim!

Conde

Susanna, il ciel vi salvi; avreste a caso veduto il Conte?

Susanna

Susanna, que o céu te abençoe. Por acaso viste o Conde?

Susanna

E cosa deve far meco il conte? Animo, uscite.

Basilio

E o que estaria a fazer comigo o Conde? Vá, saí.

Basilio

Ah no, Susanna, io ti vò far felice! Tu ben sai quanto io t'amo; a te Basilio tutto già disse. Or senti, se per pochi momenti meco in giardin sull'imbrunir del giorno... ah, per questo favore io pagherei...

Basilio (di fuori)

Ah não, Susanna, eu quero fazer-te feliz! Sabes bem o quanto te amo: Basilio já te disse tudo, mas agora ouve. Se tu, ao crepúsculo, no jardim, por poucos instantes... Oh, por este favor eu pagaria...

Basilio (de fora)

Aspettate, sentite, Figaro di lui cerca.

Susanna

Esperai, ouvi, é Figaro quem o procura.

Susanna

(Oh cieli!) Ei cerca chi dopo voi più l'odia.

Il Conte

(Oh céus!) Está à procura de quem o odeia ainda mais do que tu.

Conde

È uscito poco fa.

Il Conte (s'alza)

Saiu há pouco.

Conde (levantando-se)

(Veggiam come mi serve.)

Basilio

(Vejamos como ele me serve.)

Basilio

Chi parla?

Susanna

Quem fala?

Susanna

Oh Dei!

Il Conte

Meu Deus!

Conde

Io non ho mai nella moral sentito ch'uno ch'ami la moglie odi il marito, per dir che il conte v'ama...

Nunca na moral aprendi que aquele que ama a mulher odeia o marido. Isto para dizer que o Conde vos ama...

Esci e alcun non entri.

Sai! E que ninguém entre aqui!

58

Le nozze di Figaro

59

Susanna

Susanna

Sortite, vil ministro dell'altrui sfrenatezza: io non ho d'uopo della vostra morale, del conte, del suo amor...

Basilio

Fora, vil ministro da luxúria alheia: eu não preciso da vossa moral, nem do Conde, nem do seu amor...

Basilio

Il Conte (sortendo) Come! Che dicon tutti? Basilio

Conde (mostrando-se)

Como! Que todos dizem?!

Basilio

Oh bella!

Susanna

Arranjei-a bonita!

Susanna

Non c'è alcun male. Ha ciascun i suoi gusti: io mi crede a che preferir dovreste per amante, come fan tutte quante, un signor liberal, prudente e saggio, a un giovinastro, a un paggio...

Susanna (con ansietà)

Não existe mal algum, cada um prova do que gosta; e eu acreditava que preferiríeis ter como amante, como fazem todas, um senhor liberal prudente e sábio a um rapazote, a um pajem...

Susanna (com ansiedade)

Oh cielo! Nº 7 ­ Terzetto

Il Conte (a Basilio) Cosa sento! Tosto andate, e scacciate il seduttor. Basilio

Céus! N.º 7 ­ Terceto

Conde (a Basilio)

Que ouço? Ide depressa e expulsai o sedutor.

Basilio

A Cherubino!

Basilio

A Cherubino?

Basilio

In mal punto son qui giunto, perdonate, o mio signor.

Susanna

Cheguei em má hora! Perdoai-me, senhor!

Susanna

A Cherubino! A Cherubin d'amore ch'oggi sul far del giorno passeggiava qui intorno per entrar.

Susanna

Sim, a Cherubino! Cherubino de amor que hoje ao nascer do dia rondava por aqui para entrar...

Susanna

Che ruina, me meschina, son oppressa dal dolor. (quasi svenuta)

Basilio ed il Conte (sostenendola) Ah già svien la poverina! Come, oh Dio, le batte il cor! Basilio (approssimandosi al sedile) Pian pian in su questo seggio... Susanna

Que infelicidade, estou desgraçada! Estou oprimida pela dor. (quase desmaiada)

Basilio e o Conde (amparando-a)

Uom maligno, un impostura è questa.

Basilio

Homem maldoso! Isso é uma impostura!

Basilio

Ah, a pobrezinha está a desmaiar! Meu Deus, como bate o seu coração!

Basilio (aproximando-se do sofá) Devagarinho, neste sofá... Susanna

È un maligno con voi chi ha gli occhi in testa? E quella canzonetta, ditemi in confidenza, io sono amico ed altrui nulla dico; è per voi, per madama?

Susanna

Consigo é maldoso quem vê claro. E aquela canção? Dizei-me em confidência, eu sou amigo e não digo nada aos outros: a canção é para vós ou para a Condessa?

Susanna

(Chi diavol gliel'ha detto?)

Basilio

(Quem lhe teria dito?)

Basilio

Dove sono? (rinviene) Cosa veggio! (staccandosi da tutti due) Che insolenza, andate fuor!

Basilio

Onde estou? (vindo a si) Que vejo! (olhando esbugalhada para os dois) Que insolência! Saí os dois.

Basilio

A proposito, figlia, instruitelo meglio; egli la guarda a tavola sì spesso, e con tale immodestia, che se il conte s'accorge... e su tal punto, sapete egli è una bestia.

Susanna

A propósito, minha filha, aconselhai-o melhor; ele olha-a com tal frequência à mesa e com tal imodéstia, que se o Conde se apercebe... e quanto a isto, ficai a saber, o Conde é uma besta.

Susanna

Siamo qui per aiutarvi, è sicuro il vostro onor.

Il Conte

Estamos aqui para a ajudar, a sua honra está salvaguardada.

Conde

Siamo qui per aiutarti, non turbarti, o mio tesor.

Basilio (al Conte con malignità) Ah, del paggio quel ch'ho detto era solo un mio sospetto. Susanna

Estamos aqui para te ajudar, não te perturbes, meu tesouro.

Basilio (ao Conde, com malícia.)

Scellerato! E perchè andate voi tai menzogne spargendo?

Basilio

Desgraçado! Porque é que andas a espalhar tais mentiras?

Basilio

Aquilo que eu disse acerca do pajem era apenas uma minha suspeita!

Susanna

Io! Che ingiustizia! Quel che compro io vendo, a quel che tutti dicono io non aggiungo un pelo.

Eu! Que injustiça! Só vendo aquilo que compro. Não acrescento nada àquilo que todos dizem.

È un'insidia, una perfidia, non credete all'impostor.

Uma afirmação insidiosa, uma perfídia; não acrediteis no impostor.

60

Le nozze di Figaro

61

Il Conte

Conde

Susanna

Susanna

Parta, parta il damerino!

Susanna e Basilio

Que esse mulherengo parta!

Susanna e Basilio

Ed io che senta: andate!

Il Conte

E eu quero que ele ouça. Ide.

Conde

Poverino!

Il Conte (ironicamente)

Pobrezinho!

Conde (ironicamente)

Restate, che baldanza! E quale scusa se la colpa è evidente?

Susanna

Esperai! Mas que audácia! Que desculpa tendes, se a culpa é tão evidente?

Susanna

Poverino! Ma da me sorpreso ancor. Recitativo

Susanna e Basilio

Pobrezinho! Mas eu apanhei-o de novo. Recitativo

Susanna e Basilio

Non ha d'uopo di scusa un'innocente.

Il Conte

Um inocente não precisa de desculpas.

Conde

Ma costui quando venne? Come? Che?

Il Conte

Mas quando é que ele chegou?

Susanna

Como! O quê?

Conde

Susanna

Da tua cugina l'uscio ier trovai rinchiuso; picchio, m'apre Barbarina paurosa fuor dell'uso. Io, dal muso insospettito, guardo, cerco in ogni sito, ed alzando pian pianino, il tappetto al tavolino (imita il gesto colla vestaglia e scopre il Paggio) vedo il paggio... (con sorpresa) Ah! Cosa veggio!

Susanna (con timore)

Ontem, encontrei fechada a porta da tua prima; bati, e apareceu Barbarina estranhamente perturbada. Eu, desconfiado, procurei, olhei em toda a parte, e quando levantei devagarinho a toalha da mesa, (imita o gesto com o vestido e dá de caras com o Pajem) encontrei escondido o pajem! (surpreendido) Ah, mas que vejo?

Susanna (com medo)

Egli era meco quando voi qui giungeste, e mi chiede a d'impegnar la padrona a intercedergli grazia: il vostro arrivo in scompiglio lo pose, ed allor in quel loco si nascose.

Il Conte (a Susanna)

Ele já estava comigo quando vós aqui chegastes, e pedia-me que eu convencesse a Condessa a interceder por ele. A vossa chegada assustou-o, e então ele escondeu-se ali.

Conde (a Susanna) Oh céus, então ele ouviu tudo o que eu te disse? Cherubino

Oh cielo dunque ha sentito tutto quello ch'io ti dicea!

Cherubino

Feci per non sentir quanto potea.

Il Conte

Fiz por não ouvir o mais possível.

Conde

Oh perfidia!

Basilio

Oh perfídia!

Basilio

Ah! Crude stelle!

Basilio (con riso)

Destino cruel!

Basilio (rindo)

Frenatevi, vien gente.

Il Conte (a Cherubino che fa uscir del segglione)

Acalmai-vos: vem aí alguém.

Conde (para Cherubino, fazendo-o sair do sofá.) Tu ficas aqui, pequena serpente!

Ah! Meglio ancora!

Il Conte

Isto está a ficar cada vez melhor!

Conde

E voi restate qui, picciol serpente.

Onestissima signora, or capisco come va!

Susanna

Minha honestíssima senhora, percebo-vos muito bem agora.

Susanna

Accader non può di peggio; giusti Dei, che mai sarà!

Basilio

Não podia acontecer nada de pior. Meu Deus, que virá a seguir?

Basilio

Scena 8 Figaro, contadine e contadini, i suddetti. Figaro con bianca veste in mano. Coro di contadine e di contadini vestiti di bianco che spargono fiori, raccolti in piccioli panieri, davanti al Conte.

Cena 8 Figaro, camponeses e camponesas, e os anteriores. Figaro traz na mão um vestido branco. Coro de camponesas e camponeses vestidos de branco que, à frente do Conde, espalham flores que vão retirando de pequenos cestos. N.º 8 ­ Coro

Coro

Così fan tutte le belle; non c'è alcuna novità! Recitativo

Il Conte

Assim fazem todas as beldades. Não sei onde está a novidade. Recitativo

Conde

Nº 8 ­ Coro

Coro

Basilio, in traccia tosto di Figaro volate: io vo' ch'ei veda...

Basilio, voai atrás de Figaro, eu quero que ele veja...

Giovani lieti, fiori spargete davanti il nobile nostro signor.

Alegres jovens, espalhai flores aos pés do nosso nobre senhor.

62

Le nozze di Figaro

63

Il suo gran core vi serba intatto d'un più bel fiore l'almo candor. Recitativo

Il Conte (a Figaro con sorpresa)

O seu grande coração deixa-vos intacta a casta pureza da mais bela flor. Recitativo

Conde (a Figaro, surpreendido.) Mas que comédia vem a ser esta? Figaro (em voz baixa para Susanna)

nostro signor. Il suo gran core vi serba intatto d'un più bel fiore l'almo candor. (partono) Recitativo

Figaro, Susanna e Basilio

nobre senhor. O seu bom coração deixa-vos intacta a casta pureza da mais bela flor. (partem) Recitativo

Figaro, Susanna e Basilio

Cos'è questa commedia?

Figaro (piano a Susanna)

Evviva! Evviva! Evviva!

Figaro (a Cherubino)

Viva! Viva! Viva!

Figaro (para Cherubino) E vós não aplaudis? Susanna

(Eccoci in danza: secondami cor mio.)

Susanna

(Eis-nos na dança, secunda-me, meu coração.)

Susanna

E voi non applaudite? (Non ci ho speranza.)

Figaro

(Já não tenho esperança alguma!)

Figaro

Susanna

È afflitto poveretto! Perchè il padron lo scaccia dal castello!

Figaro

Ele está aflito, coitado! Porque o Conde o vai expulsar do palácio!

Figaro

Signor, non isdegnate questo del nostro affetto meritato tributo: or che aboliste un diritto sì ingrato a chi ben ama...

Il Conte

Senhor, não desdenheis esta merecida homenagem do nosso afecto. Agora que abolistes um direito amaldiçoado pelos amantes...

Conde

Ah! In un giorno si bello!

Susanna

Ah! Num dia tão bonito!

Susanna

In un giorno di nozze!

Figaro

Num dia de casamento!

Figaro

Quel dritto or non v'è più, cosa si brama?

Figaro

Esse direito já não existe. Que significa, pois, isto?

Figaro

Quando ognun v'ammira!

Cherubino (inginocchiandosi)

E quando todos vos admiram!

Cherubino (ajoelhando-se) Perdão, senhor... Conde

Della vostra saggezza il primo frutto oggi noi coglierem: le nostre nozze si son già stabilite, or a voi tocca costei che un vostro dono illibata serbò, coprir di questo simbolo d'onestà, candida vesta.

Il Conte

É que hoje poderemos colher o primeiro fruto da vossa sabedoria. O nosso casamento foi já fixado, compete agora a vós cobrir com este véu branco, símbolo de honestidade, a rapariga que deixastes pura com a abolição daquele direito.

Conde

Perdono, mio signor...

Il Conte

Nol meritate.

Susanna

Não o mereceis!

Susanna

(Diabolica astuzia! Ma fingere convien.) Son grato, amici, ad un senso sì onesto! (a Figaro e Susanna) A voi prometto compier la ceremonia. Chiedo sol breve indugio; io voglio in faccia de' miei più fidi, e con più ricca pompa rendervi appien felici: (Marcellina si trovi.) Andate, amici. Nº 9 ­ Coro Spargono il resto dei fiore

Coro

(Que astúcia diabólica! Convém fingir.) Fico agradecido, amigos, por tanto reconhecimento. (para Figaro e Susanna) Prometo-vos presidir à cerimónia. Peço-vos apenas uns instantes. Desejo, na presença dos meus mais fiéis servidores, e com mais pompa, tornar-vos felizes. (Que se encontre depressa Marcellina.) Ide, amigos! N.º 9 ­ Coro Espalham o resto das flores

Coro

Egli è ancora fanciullo.

Il Conte

Ele é ainda uma criança!

Conde

Men di quel che tu credi.

Cherubino

Menos do que aquilo que julgas.

Cherubino

È ver, mancai; ma dal mio labbro alfine...

Il Conte

Errei, é verdade, mas da minha boca não saiu...

Conde

Ben, ben, io vi perdono; anzi farò di più; vacante è un posto d'uffizial nel reggimento mio, io scelgo voi, partite tosto, addio. (Vuol partire, Susanna e Figaro l'arrestano.)

Susanna e Figaro

Está bem! Está bem! Estás perdoado! Até farei mais: vagou um posto de oficial no meu regimento. Escolho-vos; parti depressa, adeus. (Quer partir, Susanna e Figaro detêm-no.)

Susanna e Figaro

Giovani liete, fiori spargete davanti il nobile

Alegres jovens, espalhai flores aos pés do nosso

Ah, fin domani sol...

Deixai-o ficar até amanhã...

64

Le nozze di Figaro

65

Il Conte

Conde

Atto II

Camera ricca con alcova e tre porte Scena 1 La Contessa sola; pois Susanna e poi Figaro. Nº 11 ­ Cavatina

La Contessa

Acto II

Quarto ricamente mobilado com antecâmara e três portas Cena 1 A Condessa a sós; depois Susanna e depois Figaro. N.º 11 ­ Cavatina

Condessa

No, parta tosto.

Cherubino (sospirando)

Não. Que parta imediatamente!

Cherubino (suspirando)

A ubbidirvi, signor, son già disposto.

Il Conte

Senhor, estou pronto a obedecer-vos.

Conde

Via, per l'ultima volta la Susanna abbracciate.

Figaro

Vá, abraçai Susanna pela última vez.

Figaro

Ehi, capitano, a me pure la mano. (piano a Cherubino) (Io vuò parlarti pria che tu parta.) (con finta gioia) Addio, picciolo Cherubino! Come cangia in un punto il tuo destino! Nº 10 ­ Aria

Figaro (a Cherubino)

Ei, capitão, dai-me também um aperto de mão. (em voz baixa para Cherubino) (Quero falar-te antes de partires.) (com fingida alegria) Adeus, pequeno Cherubino, como bruscamente mudou o teu destino! N.º 10 ­ Ária

Figaro (para Cherubino)

Porgi, amor, qualche ristoro al mio duolo, a' miei sospir. O mi rendi il mio tesoro, o mi lascia almen morir. Recitativo

La Contessa

Concede, Amor, algum consolo ao meu sofrimento e aos meus suspiros: restitui-me o meu amado ou deixa-me morrer. Recitativo

Condessa

Vieni, cara Susanna, finiscimi l'istoria!

Susanna (entra) È già finita. La Contessa

Vem, cara Susanna, acabemos a história.

Susanna (entra)

Já terminou!

Condessa

Non più andrai, farfallone amoroso, notte e giorno d'intorno girando; delle belle turbando il riposo, Narcisetto, Adoncino d'amor. Non più avrai questi bei pennacchini, quel capello leggero e galante, quella chioma, quell'aria brillante, quel vermiglio donnesco color. Tra guerrieri, poffar Bacco! Gran mustacchi, stretto sacco, schioppo in spalla, sciabla al fianco, collo dritto, muso franco, o un gran casco, un gran turbante, molto onor, poco contante, ed invece del fandango una marcia per il fango. Per montagne, per valloni, con le nevi e i sollioni, al concerto di tromboni, di bombarde, di cannoni, che le palle in tutti i tuoni all'orecchio fan fischiar. Cherubino alla vittoria, alla gloria militar. (partono tutti alla militare)

Não mais andarás, qual borboleta apaixonada, voando aqui e ali, de dia e de noite, perturbando o repouso das beldades, pequeno Narciso, pequeno Adónis de amor. Perderás estas penas, este chapéu leve e galante, essa tez, esse ar brilhante, essa cor rosada tão feminina. Por Baco! Agora vais para o meio de soldados: grandes bigodes, vestimentas sóbrias, espingarda ao ombro, espada ao lado, sempre direito, boca aberta; um grande capacete, ou um grande turbante, muita honra, pouco dinheiro; e em vez do fandango uma marcha através dos pântanos. Tudo isto, por montes, por vales, à neve ou ao Sol ardente! Num concerto de tambores, de canhões e de bombardas, com as balas assobiando aos ouvidos em todas as toadas. Cherubino parte para a vitória e para a glória militar. (partem todos marchando)

Dunque volle sedurti?

Susanna

Então ele quis seduzir-te?

Susanna

Oh, il signor conte non fa tai complimenti colle donne mie pari; egli venne a contratto di danari.

La Contessa

Oh, o senhor Conde não procede assim com mulheres da minha classe: o que ele queria era um contrato a dinheiro.

Condessa

Ah, il crudel più non m'ama!

Susanna

Ah, o cruel já não me ama.

Susanna

E come poi è geloso di voi?

La Contessa

Mas então porque tem ciúmes de si?

Condessa

Come lo sono i moderni mariti! Per sistema infedeli, per genio capricciosi, e per orgoglio poi tutti gelosi. Ma se Figaro t'ama ei sol potria...

Figaro (cantando entro la scena) La la la la la... Susanna

Como acontece com todos os maridos modernos: por doutrina são infiéis, por génio caprichosos, e por orgulho ciumentos. Mas, se Figaro te ama, só ele poderia...

Figaro (cantando fora de cena)

La la la la la la...

Susanna

Eccolo, vieni, amico, madama impaziente ...

Ei-lo! Vem, meu querido: a senhora está a ficar impaciente...

66

Le nozze di Figaro

67

Figaro (con ilare disinvoltura) A voi non tocca stare in pena per questo. Alfin di che si tratta? Al signor Conte piace la sposa mia, indi segretamente ricuperar vorria il diritto feudale. Possibile è la cosa e naturale. La Contessa

Figaro (com alegre desenvoltura) Mas não vos convém sofrer por causa deste assunto. Afinal, de que se trata? Ao senhor Conde a minha esposa agrada. E, assim, secretamente, ele queria recuperar o direito feudal. A coisa é possível e natural. Condessa

Susanna

Susanna

Non c'è mal.

La Contessa

Não está mal.

Condessa

Nel nostro caso...

Susanna

Na nossa situação...

Susanna

Quand'egli è persuaso. E dove è il tempo?

Figaro

Quando ele empreende... mas ainda temos tempo?

Figaro

Possibil?

Susanna

Possível?

Susanna

Ito è il Conte alla caccia; e per qualch'ora non sarà di ritorno. Io vado e tosto Cherubino vi mando; lascio a voi la cura di vestirlo.

La Contessa

O Conde partiu para a caça e não regressará antes de algumas horas. Eu parto, e vou rapidamente enviar-vos Cherubino: deixo-vos a tarefa de o vestir.

Condessa

Natural?

Figaro

Natural?

Figaro

E poi?

Figaro

E depois?

Figaro

Naturalissima. E se Susanna vuol...

Susanna

Naturalíssima! E se a Susanna quisesse...

Susanna

Ed hai coraggio di trattar scherzando un negozio si serio?

Figaro

E tu tens coragem de tratar a rir um assunto tão sério?

Figaro

E poi? Se vuol ballare signor contino, il chitarrino le suonerò. (parte)

E depois... Se queres dançar, meu caro Condezito, serei eu a tocar guitarra. (parte)

Non vi basta che scherzando io ci pensi? Ecco il progetto: per Basilio un biglietto io gli fi capitar, che l'avvertisca di certo appuntamento, che per l'ora del ballo a un amante voi deste...

La Contessa

E não vos é suficiente que eu trate disto a rir? Eis o plano: através de Basilio um bilhete lhe farei chegar, que o avisa de um certo encontro, que à hora do baile, vós marcastes com um amante.

Condessa

Scena 2 La Contessa, Susanna, poi Cherubino. Recitativo

La Contessa

Cena 2 A Condessa, Susanna e depois Cherubino. Recitativo

Condessa

O ciel! Che sento! Ad un uom si geloso...

Figaro

Céus! Que ouço! Com um homem tão ciumento...

Figaro

Ancora meglio. Aspetta! Al Conte farai subito dir, che verso sera attendati in giardino. Il picciol Cherubino per mio consiglio non ancora partito, da femmina vestito faremo che in sua vece ivi sen vada; questa è l'unica strada onde Monsù sorpresa da Madama sia costretto a far poi quel che si brama.

La Contessa (a Susanna)

Ainda melhor. Espera. Ao Conde tu farás dizer imediatamente que ao cair da noite te espere no jardim. O pequeno Cherubino, que ainda não partiu a conselho meu, vestido de mulher, faremos com que ali apareça em vez de ti. Eis o único meio para que o senhor apanhado pela senhora seja obrigado a fazer aquilo que desejamos.

Condessa (para Susana) Que te parece?

Quanto duolmi, Susanna, che questo giovinotto abbia del Conte le stravaganze udito! Ah! Tu non sai... Ma per qual causa mai da me stessa ei non venne? Dov'è la canzonetta?

Susanna

Susanna, como me custa que este jovem tenha sabido das extravagâncias do Conde. Ah, tu não sabes... Mas porque é que ele não veio logo ter comigo? Onde está a canção?

Susanna

Eccola: appunto facciam che ce la canti. Zitto, vien gente... è desso: avanti, avanti, signor uffiziale.

Cherubino

Aqui. A propósito, vamos pedir-lhe para que no-la cante. Silêncio, vem aí alguém. É ele. Entre, entre, senhor oficial.

Cherubino

Ah, non chiamarmi con nome sì fatale! Ei mi rammenta che abbandonar degg'io comare tanto buona...

Ah, não me nomeies com esse título fatal! Ele recorda-me que devo abandonar uma madrinha tão bondosa...

Che ti par?

68

Le nozze di Figaro

69

Susanna

Susanna

E tanto bella!

Cherubino (sospirando)

E tão bela!

Cherubino (suspirando) Ah... sim... certamente... Susanna (imitando-o)

Ah... sì... certo...

Susanna (imitandolo)

Ah... sì... certo... Ipocritone! Via presto la canzone che stamane a me deste a madama cantate.

La Contessa (aprendola)

«Ah... sim... certamente...» Grande hipócrita! Depressa, onde está a canção que me deste esta manhã? Canta-a à senhora.

Condessa (abrindo-a)

Non trovo pace notte nè di, ma pur mi piace languir così. Voi, che sapete che cosa è amor, donne vedete s'io l'ho nel cor. Recitativo

La Contessa

Não encontro paz, nem de noite nem de dia. Mas, no fundo, agrada-me elanguescer assim. Vós que sabeis o que é o amor, Vede, senhoras, se o tenho no meu coração. Recitativo

Condessa

Chi n'è l'autor?

Susanna (alla Contessa) Guardate, egli ha due brace di rossor sulla faccia. Cherubino

Quem é o autor?

Susanna (para a Condessa) Reparai como ele corou em ambas as faces. Cherubino

Bravo! Che bella voce! Io non sapea che cantaste si bene.

Susanna

Bravo! Que bela voz! Eu não sabia que cantavas tão bem.

Susanna

Oh, in verità egli fa tutto ben quello ch'ei fa. Presto a noi, bel soldato. Figaro v'informò...

Cherubino

Oh, na verdade, tudo o que ele faz, faz bem. Depressa, socorre-nos, belo soldado: Figaro já te terá dito...

Cherubino

Io sono si tremante... ma se madama vuole...

Susanna

Estou tão nervoso... Mas se a senhora o deseja...

Susanna

Tutto mi disse. Lo vuole, si, lo vuol, manco parole. Nº 12 ­ Arietta La Susanna fa il ritornello sul chitarrino

Cherubino

Já me informou de tudo.

Susanna (compara as suas medidas com as de Cherubino) Deixa-me ver: vai ficar-te muito bem. Temos as mesmas medidas... Condessa (para Susanna)

Deseja, sim! Deseja! Vá lá! N.º 12 ­ Arietta Susanna toca o ritornello na guitarra

Cherubino

Susanna (si misura con Cherubino)

Lasciatemi veder: andrà benissimo! Siam d'uguale statura...

La Contessa (a Susanna)

Che fai?

Susanna

Que fazes?

Susanna

Voi, che sapete che cosa è amor, donne vedete s'io l'ho nel cor. Quello ch'io provo vi ridirò, è per me nuovo, capir nol so. Sento un affetto pien di desir, ch'ora è diletto, ch'ora è martir. Gelo, e poi sento l'alma avvampar e in un momento torno a gelar. Ricerco un bene fuori di me, non so chi'l tiene, non so cos'è. Sospiro e gemo senza voler, palpito e tremo senza saper.

Vós que sabeis o que é o amor, vede, senhoras, se o tenho no meu coração. Vou tornar a dizer-vos aquilo que sinto. Para mim é novidade, não o sei compreender. Sinto uma afeição cheia de desejo, que ora me deleita, ora me martiriza. Gelo, para depois sentir a alma em chamas, e logo em seguida torno a ficar gelado. Procuro um bem que está fora de mim. Não sei quem o possui, nem sequer sei o que é. Gemo e suspiro sem o desejar, palpito e tremo sem o saber.

Niente paura.

La Contessa

Nada receeis.

Condessa

E se qualcuno entrasse?

Susanna

Mas se entrasse alguém?

Susanna

Entri; che mal facciamo? La porta chiuderò. (chiude la porta) Ma come poi acconciargli i capelli?

La Contessa

Que entre! Que mal estamos a fazer? Vou fechar a porta. (fecha a porta) Mas como iremos arranjar-lhe o cabelo?

Condessa

Una mia cuffia prendi nel gabinetto. Presto! (Susanna va nel gabinetto a pigliar una cuffia: Cherubino si accosta alla Contessa, e gli lascia veder la patente che terrà in petto: la Contessa la prende, l'apre: e vede che manca il sigillo.)

Vai buscar ao meu quarto um dos meus toucados. Depressa! (Susanna entra no quarto para ir buscar um toucado. Cherubino encosta-se à Condessa deixando-a ver a patente que trazia no bolso sobre o peito. A Condessa retira-lha, abre-a e vê que lhe falta o selo.)

70

Le nozze di Figaro

71

La Contessa

Condessa

Che carta è quella?

Cherubino

Que papel é esse?

Cherubino

La patente.

La Contessa

A patente.

Condessa

Mirate il bricconcello, mirate quanto è bello! Che furba guardatura, che vezzo, che figura! Se l'amano le femine han certo il lor perchè? Recitativo

La Contessa

Olhai para o malandrinho, olhai como é belo! Que olhar corajoso, que beleza, que figura! Se as mulheres o amam, elas lá sabem porquê! Recitativo

Condessa

Che sollecita gente!

Cherubino

Que gente tão apressada!

Cherubino

L'ebbi or da Basilio.

La Contessa (gli la rende)

Foi-me agora entregue por Basilio.

Condessa (devolvendo-lhe a patente)

Quante buffonerie!

Susanna

Quantas tolices!

Susanna

Dalla fretta obliato hanno il sigillo.

Susanna (ritorna con una cuffia) Il sigillo di che? La Contessa

Com a pressa, esqueceram-se do selo.

Susanna (regressando com um toucado) O selo de quê? Condessa

Ma se ne sono io medesma gelosa; eh! Serpentello, (prende pel mento Cherubino) volete tralasciar d'esser sì bello?

La Contessa

Estava quase a ficar ciumenta; ei, pequena serpente, (segurando-lhe o queixo com as mãos) quereis deixar de ser tão belo?

Condessa

Della patente.

Susanna

Da patente.

Susanna

Finiam le ragazzate. (scoprendo un nastro, onde ha fasciato il braccio.) Che nastro è quello?

Susanna

Acabemos com as brincadeiras. (descobrindo uma fita à volta do braço do Pagem) Que fita é esta?

Susanna

Cospetto! Che premura! Ecco la cuffia.

La Contessa (a Susanna)

O quê? Já a tem? Mas que pressa! Eis o toucado.

Condessa (para Susanna)

È quel ch'esso involommi. Spicciati: va bene! Miserabili noi, se il conte viene. Nº 13 ­ Aria

Susanna

É a que ele me roubou.

Condessa

Despacha-te: assim está bem. Ai de nós, se o Conde chega. N.º 13 ­ Ária

Susanna

La Contessa

E questo sangue?

Cherubino (turbato) Quel sangue... io non so come poco pria sdrucciolando... in un sasso... la pelle io mi sgraffiai... e la piaga col nastro io mi fasciai. Susanna

E este sangue?

Cherubino (perturbado) O sangue... não sei como... há pouco escorreguei numa pedra... e arranhei a pele... a fita serviu-me para tapar a ferida. Susanna

Venite, inginocchiatevi; (Prende Cherubino e se lo fa inginocchiare davanti poco discosto dalla Contessa che siede. Lo pettina da un lato, poi lo prende pel mento e lo volge a suo piacere.) restate fermo lì. Pian, piano or via giratevi: bravo, và ben così. (Cherubino mentre Susanna lo sta acconciando guarda la Contessa teneramente.) La faccia ora volgetemi: Olà! Quegli occhi a me, olà! (seguita ad acconciarlo ed a porgli la cuffia) Drittissimo: guardatemi, madama qui non è. Restate fermo... or via giratevi... bravo! Più alto quel colletto, quel ciglio un po' più basso, le mani sotto il petto, vedremo poscia il passo quando sarete in piè. (piano alla Contessa)

Vinde, ajoelhai-vos; (Agarra Cherubino e fá-lo ajoelhar à sua frente, afastado do sítio onde a Condessa se sentou. Penteia-o, e depois segura-lhe o queixo e rodopia-o a seu bel prazer.) ficai aí quieto. Agora voltai-vos devagar: muito bem, assim mesmo. (Cherubino, enquanto Susanna o arranja, olha ternamente para a Condessa.) Virai agora a cara para mim: atenção, esses olhos em mim, então! (continua a arranjá-lo e põe-lhe um toucado) Direito: olhai para mim, a senhora não está aqui. Estai quieto agora... voltai-vos... muito bem! Mais alto o pescocinho, os olhos mais para baixo, as mãos por baixo do peito; os passos já vamos ver quando vos puserdes de pé. (em voz baixa para a Condessa)

Mostrate: non è mal. Cospetto! Ha il braccio più candido del mio! Qualche ragazza...

La Contessa

Deixai ver: já está bom! Por amor de Deus, tem o braço mais branco do que o meu! Algumas raparigas...

Condessa

E segui a far la pazza? Va nel mio gabinettto, e prendi un poco d'inglese taffetà: ch'è sullo scrigno. (Susanna parte in fretta)

La Contessa (guarda un poco il suo nastro; Cherubino

Continuas nos disparates? Vai ao meu quarto e traz um pouco de tafetá inglês, que está na escrivaninha. (Susanna sai apressada)

Condessa (olha um pouco para a fita; Cherubino, ajoelhado, observa-a atentamente.) Quanto à fita... na verdade... pela sua cor custa-me ficar sem ela. Susanna (entra e dá-lhe o tafetá e a tesoura) Tomai, é para lhe ligar o braço?

inginocchiato la osserva attentamente.) In quanto al nastro... in ver... per il colore mi spiace a di privarmene.

Susanna (entra e le da il taffetà e le forbici)

Tenete, e da legargli il braccio?

72

Le nozze di Figaro

73

La Contessa

Condessa

La Contessa

Condessa

Un altro nastro prendi insieme col mio vestito. (Susanna parte per la porta ch'è in fondo e porta seco il mantello del Paggio)

Cherubino

Traz outra fita quando trouxeres o vestido. (Susanna sai pela porta do fundo levando consigo as vestes do Pajem)

Cherubino

Il mio sposo! Oh Dei! Son morta. Voi qui senza mantello! In questo stato... un ricevuto foglio... la sua gran gelosia...

Il Conte

O meu marido! Oh Deus! Morro! Vós aqui sem camisa! Nesse estado... o bilhete que ele recebeu... ... o seu desmesurado ciúme...

Conde

Cosa indugiate?

La Contessa (confusa) Son sola... anzi son sola... Il Conte

Por que esperais?

Condessa (confusa) Estou sozinha... sim, sozinha. Conde

Ah, più presto m'avria quello guarito!

La Contessa

Ah, aquela ter-me-ia curado mais rapidamente.

Condessa

Perchè? Questo è migliore!

Cherubino

Porquê? Esta é melhor!

Cherubino

E a chi parlate?

La Contessa

E a quem falais?

Condessa

Allor che un nastro... legò la chioma... ovver toccò la pelle... d'oggetto...

La Contessa

Diz-se que quando uma fita atou os cabelos... ou tocou a pele... de uma certa pessoa...

Condessa

A voi... certo... a voi stesso.

Cherubino

A vós... obviamente... a vós mesmo.

Cherubino

Forestiero, è buon per le ferite, non è vero? Guardate qualità ch'io non sapea!

Cherubino

... que nos é estranha, tal fita é boa para as feridas, não é verdade? Eu desconhecia que tínheis tantas qualidades!

Cherubino

Dopo quelch'è successo... il suo furore... non trovo altro consiglio! (entra nel gabinetto e chiude)

La Contessa (prende la chiave)

Depois daquilo que aconteceu... a sua fúria... Não encontro outra solução! (entra no quarto e fecha a porta)

Condessa (pega na chave)

Madama scherza; ed io frattanto parto.

La Contessa

A senhora brinca comigo, e eu estou quase a partir.

Condessa

Ah! Mi difenda il cielo in tal periglio!

Ah, defendam-me os céus neste perigo!

Poverin! Che sventura!

Cherubino

Coitadinho! Que desgraça!

Cherubino

Scena 3 La Contessa ed il Conte da cacciatore Recitativo

Il Conte

Cena 3 A Condessa e o Conde, este fazendo de caçador. Recitativo

Conde

Oh me infelice!

La Contessa

Infeliz de mim!

Condessa

Or piange...

Cherubino

Agora chora...

Cherubino

Che novità! Non fu mai vostra usanza di rinchiudervi in stanza!

La Contessa

Que novidade! Nunca foi vosso hábito fechar-vos no quarto!

Condessa

Oh ciel! Perchè morir non lice! Forse vicino all'ultimo momento... questa bocca oseria...

La Contessa (gli asciuga gli occhi col fazzoletto) Siate saggio; cos'è questa follia?...

Oh céus! Por que me não dais a morte! Talvez no último momento... esta boca ousasse...

Condessa (enchuga-lhe os olhos com um lenço) Comportai-vos: que loucura é esta?

È ver; ma io... io stava qui mettendo...

Il Conte

É verdade; mas eu... ... estava aqui a arranjar...

Conde

Via, mettendo...

La Contessa

Sim, a arranjar...

Condessa

(si sente picchiare alla porta)

La Contessa

(ouve-se bater à porta)

Condessa

... certe robe... era meco la Susanna, che in sua camera è andata.

Il Conte

... certas coisas... Susanna estava comigo, e foi ao quarto dela.

Conde

Chi picchia alla mia porta?

Il Conte (fuori della porta)

Quem está a tocar à minha porta?

Conde (de fora da porta)

Perchè chiusa?

Porque estais fechada?

Ad ogni modo voi non siete tranquilla. Guardate questo foglio.

De qualquer maneira, não estais tranquila. Lede este bilhete.

74

Le nozze di Figaro

75

La Contessa

Condessa

Il Conte

Conde

Numi! È il foglio che Figaro gli scrisse. (Cherubino fa cadere un tavolino ed una sedia in gabinetto con molto strepito)

Il Conte

Deuses! É o bilhete que Figaro lhe escreveu. (Cherubino faz cair uma mesa e uma cadeira no quarto com grande barulheira)

Conde

È vero, è vero! E lo vedrete adesso. (La Susanna entra per la porta ond'è uscita, e si ferma vedendo il Conte, che dalla porta del gabinetto sta favellando.) Nº 14 ­ Terzetto

Il Conte

Isso é bem verdade! E ides constatá-lo vós mesma. (Susanna entra pela porta por onde saíra e detém-se ao ver o Conde, que continua a falar desde a porta do quarto.) N.º 14 ­ Terceto

Conde

Cos'è codesto strepito? In gabinetto qualche cosa è caduta!

La Contessa

Que barulho é este? Algo caiu no quarto.

Condessa

Susanna, or via, sortite, sortite, io così vo'.

La Contessa (Al Conte, affanata.) Fermatevi... Sentite... Sortire ella non può. Susanna (in disparte)

Susanna, sai daí, eu assim o desejo.

Condessa (Ao Conde, perturbada.) Esperai... Ouvi... Ela não pode sair. Susanna (aparte) Que discussão é esta? Onde se terá metido o pajem? Conde

Io non intesi niente.

Il Conte

Eu não ouvi nada.

Conde

Convien che abbiate i gran pensieri in mente.

La Contessa

Deveis estar embrenhada em profundos pensamentos.

Condessa

Di che?

Il Conte

Quais?

Conde

Cos'è codesta litè! Il paggio dove andò!

Il Conte

Là v'è qualcuno.

La Contessa

Está ali alguém.

Condessa

E chi vietarlo or osa? Chi?

La Contessa

E quem o poderia impedir? Quem?

Condessa

Chi volete che sia?

Il Conte

E quem quereis que esteja?

Conde

Io chiedo a voi; io vengo in questo punto.

La Contessa

Isso pergunto-vos eu; eu acabo de chegar.

Condessa

Lo vieta, l'onestà. Un abito da sposa provando ella si stà.

Il Conte

Impede-o a honestidade. Ela está a provar um vestido de noiva.

Conde

Ah sì, Susanna... appunto...

Il Conte

Ah sim, Susanna... de facto...

Conde

Chiarissima è la cosa: l'amante qui sarà.

La Contessa

A coisa está claríssima: o amante deve estar ali.

Condessa

Che passò mi diceste alla sua stanza?

La Contessa

Que foi ao seu quarto, segundo dissestes.

Condessa

Bruttissima è la cosa, chi sà cosa sarà.

Susanna

A coisa está muito feia; quem sabe o que acontecerá?

Susanna

Alla sua stanza, o qui ­ non vidi bene...

Il Conte

Ao seu quarto, ou para ali ­ não reparei bem...

Conde

Capisco qualche cosa, veggiamo come va.

Il Conte

Estou a perceber qualquer coisa; vejamos como isto vai acabar.

Conde

Susanna, e donde viene che siete sì turbata?

La Contessa (con un risolino sforzato)

Susanna... e porque estais tão perturbada?

Condessa (com um risinho forçado)

Dunque parlate almeno, Susanna, se qui siete... (Susanna si nasconde entro l'alcova)

Susanna, se estais aí, ao menos falai... (Susanna esconde-se na antecâmara)

Condessa

Per la mia cameriera?

Il Conte

Pela minha camareira?

Conde

Io non so nulla; ma turbata senz'altro.

La Contessa

Ainda não sei porquê, mas estais estranha...

Condessa

La Contessa

Nemmen, nemmen, nemmeno, io v'ordino: tacete! Recitativo

Não, não e não! Ordeno que vos caleis! Recitativo

Ah, quella serva più che non turba me turba voi stesso.

A minha camareira não me perturba a mim, mas sim a vós.

76

Le nozze di Figaro

77

Il Conte

Conde

Il Conte (accenna il gabinetto)

Consorte mia, giudizio! Un scandalo, un disordine, schiviam per carità!

Susanna

Esposa minha, tende juízo! Evitemos, por caridade, um escândalo e a desordem!

Susanna

Susanna starà qui finchè torniamo. (partono)

Conde (aponta para o quarto) Susanna permanecerá aqui até que regressemos.

(partem)

Oh cielo, un precipizio, un scandalo, un disordine, qui certo nascerà.

La Contessa

Oh céus! Por certo vai nascer daqui uma desgraça, um tumulto, um escândalo.

Condessa

Scena 4 Susanna uscendo dall'alcova in fretta Nº 15 ­ Duettino

Cena 4 Susanna saindo a correr da antecâmara N.º 15 ­ Duettino

Susanna (à porta do quarto) Abri, depressa, abri; abri, é a Susanna. Tendes de sair depressa, tendes de partir. Cherubino (confuso e sem fato)

Consorte mio, giudizio, un scandalo, un disordine, schiviam per carità! Recitativo

Il Conte

Esposo meu, tende juízo! Evitemos, por caridade, um escândalo, um tumulto! Recitativo

Conde

Susanna (alla porta del gabinetto) Aprite, presto, aprite; aprite, è la Susanna. Sortite, via sortite, andate via di quà. Cherubino (confuso e senza fiato) Oimè! Che scena orribile! Che gran fatalità! Susanna

Dunque voi non aprite?

La Contessa

Então não quereis abrir?

Condessa

Ai de mim! Que cena horrível! Que grande fatalidade!

Susanna

E perchè degg'io le mie camere aprir?

Il Conte

E porque razão devo abrir os meus aposentos?

Conde

Di quà, di là! (Accostandosi or ad una, or ad un' altra porta.)

Susanna e Cherubino

Por aqui, por ali! (Chegando-se a uma e outra porta à vez.)

Susanna e Cherubino

Ebben lasciate, l'aprirem senza chiavi: ehi gente!

La Contessa

Pois bem, deixai estar, vamos abri-los sem chave: hei, criados!

Condessa

Le porte son serrate, che mai, che mai sarà?

Cherubino

As portas estão trancadas. O que mais irá acontecer? Que mais?

Cherubino

Come? Porreste a repentaglio d'una dama l'onore?

Il Conte

Como? Quereis pôr na boca do mundo a honra de uma dama?

Conde

Qui perdersi non giova.

Susanna

Não podemos desistir!

Susanna

È vero, io sbaglio... posso senza rumore, senza scandalo alcun di nostra gente andar io stesso a prender l'occorrente. Attendete pur qui... ma perchè in tutto sia il mio dubbio distrutto ancor le porte io prima chiuderò. (chiude a chiave la porta che conduce alle stanze delle cameriere)

La Contessa

É verdade, estava errado... Posso eu mesmo, sem barulho e sem escândalo para as nossas gentes, certificar-me de tudo. Esperai aqui... mas para que todas as minhas dúvidas sejam desfeitas, eu mesmo fecharei à chave estas portas. (fecha à chave a porta que conduz aos quartos das camareiras)

Condessa

V'uccide, se vi trova.

Cherubino (affacciandosi alla finestra)

Ele mata-vos se vos descobre.

Cherubino (aproximando-se da janela) Vejamos um pouco lá fora. Dá para o jardim. (fazendo tenção de saltar) Susanna (agarrando-o) Parai, Cherubino! Parai, por piedade! Cherubino

Veggiamo un po' qui fuori. Dà proprio nel giardino. (facendo moto di saltar giù)

Susanna (trattenendolo)

Fermate, Cherubino! Fermate per pietà!

Cherubino

(Che imprudenza!)

Il Conte

(Que imprudência!)

Conde

M'uccide se mi trova! Voi la condiscendenza di venir meco avrete. Madama, eccovi il braccio, andiamo!

La Contessa

Ele, se me encontrar, mata-me!

Susanna

Vós, acompanhai-me, por condescendência. Minha senhora, eis o meu braço, vamos!

Condessa

Susanna

Tropp'alto per un salto, fermate per pietà!

É alto demais para saltar, parai por piedade!

Andiamo!

Vamos!

78

Le nozze di Figaro

79

Cherubino (si scioglie)

Cherubino (soltando-se)

La Contessa

Condessa

Lasciami! Pria di nuocerle nel fuoco volerei. Abbraccio te per lei, addio, così si fà! (salta fuori)

Susanna

Deixa-me, prefiro atirar-me ao fogo do que prejudicá-la. Abraço-te por ela. Adeus, é assim que se faz. (salta pela janela)

Susanna

No, ma invece è un oggetto che ragion di sospetto non vi deve lasciar. Per questa sera... una burla innocente... di far si disponeva ed io vi giuro che l'onor... l'onestà...

Il Conte

Não, mas em vez dela um objecto que não vos deve causar qualquer suspeita. Estávamos a preparar... uma brincadeira inocente... para esta noite, e juro-vos que a honra... a honestidade...

Conde

Ei va a perire, oh Dei! Fermate per pietà! Fermate! Recitativo

Susanna

Ele vai morrer, meu Deus! Parai, por piedade! Recitativo

Susanna

Chi è dunque? Dite... (più alterato) l'ucciderò!

La Contessa

Quem é então? Dizei... (mais alterado) Vou matá-lo!

Condessa

Oh, guarda il demonietto come fugge! È già un miglio lontano. Ma non perdiamoci invano: entriam nel gabinetto, venga poi lo smargiasso, io qui l'aspetto. (entra nel gabinetto e si chiude la porta) Scena 5 La Contessa, il Conte con martello e tenaglia in mano; al suo arrivo esamina tutte le porte. Recitativo

Il Conte

Oh, reparai como foge o pequeno demónio! Já deixou uma milha para trás. Mas não percamos a cabeça: entremos no quarto, venha depois o antipático, eu estarei à sua espera. (entra no quarto e fecha-se à chave) Cena 5 A Condessa, o Conde com martelo e alicate na mão; ao chegar examina todas as portas. Recitativo

Sentite... Ah, non ho cor!

Il Conte

Escutai... Ah, não tenho coragem.

Conde

Parlate.

La Contessa

Falai.

Condessa

È un fanciullo...

Il Conte

É um rapazinho...

Conde

Un fanciul?

La Contessa Conde

Um rapaz?

Condessa

Sì... Cherubino...

Il Conte

Sim... Cherubino...

Conde

Tutto è come il lasciai: volete dunque aprir voi stessa, o deggio?

La Contessa

Está tudo como eu deixei: quereis abrir, ou preferis que eu mesmo...?

Condessa

Ahimé! Fermate, e ascoltatemi un poco. Mi credete capace di mancar al dover? (Il Conte getta il martello e la tenaglia sopra una sedia)

Il Conte

Ai de mim! Parai e ouvi-me um pouco! Achais-me capaz de faltar ao meu dever? (O Conde atira martelo e alicate para cima de uma cadeira)

Conde

E mi farà il destino ritrovar questo paggio in ogni loco! Come? Non è partito? Scellerati! Ecco i dubbi spiegati, ecco l'imbroglio, ecco il raggiro, onde m'avverte il foglio.

Mas o destino far-me-á encontrar este pajem por toda a parte! Como? Mas ele não partiu? Desgraçados! Eis explicadas as dúvidas, eis destrinçado o mistério, eis a intriga de que me avisava o bilhete.

Scena 6 La Contessa, il Conte. Nº 16 ­ Finale

Il Conte (alla porta del gabinetto con impeto) Esci omai, garzon malnato, sciagurato, non tardar. La Contessa (ritirandolo a forza dal gabinetto) Ah! Signore, quel furore per lui fammi il cor tremar. Il Conte

Cena 6 A Condessa, o Conde. N.º 16 ­ Final

Conde (À porta do quarto, impetuoso.)

Come vi piace. Entro quel gabinetto chi v'è chiuso vedrò.

La Contessa (timida e tremante)

Assim o quisestes. Verei quem está fechado naquele quarto.

Condessa (tímida e trémula)

Sai daí, rapaz malvado, desgraçado, sem demoras.

Condessa (obrigando-o a sair do quarto) Ah, senhor, que fúria. Fazeis-me ter medo por ele. Conde

Sì, lo vedrete... Ma uditemi tranquillo.

Il Conte (alterato)

Sim, vê-lo-eis... Mas ouvi-me tranquilamente.

Conde (alterado) Então não é Susanna?

Non è dunque Susanna?

E d'opporvi ancor osate?

Ainda ousais opor-vos?

80

Le nozze di Figaro

81

La Contessa

Condessa

Il Conte

Conde

No, sentite...

Il Conte

Não. Ouvi...

Conde

Vel leggo in volto! Mora, mora, e più non sia, ria cagion del mio penar.

La Contessa

Leio-o na vossa face! Que ele morra, e deixe de ser a causa dos meus tormentos.

Condessa

Via parlate.

La Contessa (tremendo e sbigottita)

Depressa, falai.

Condessa (tremendo e em soluços)

Giuro al ciel ch'ogni sospetto... e lo stato in che il trovate... sciolto il collo... nudo il petto...

Il Conte

Juro pelos céus que todas as suspeitas... e o estado em que o ides encontrar... com o pescoço à mostra... o peito descoberto...

Conde

Ah, la cieca gelosia qualche eccesso gli fa far. (il Conte apre il gabinetto e Susanna esce sulla porta tutta grave ed evi si ferma)

Ah, o ciúme cego a que excessos o leva! (o Conde abre a porta do quarto e Susanna aparece com um ar sério)

Sciolto il collo! Nudo il petto! Seguitate!

La Contessa

Pescoço à mostra! Peito descoberto! Prossegui!

Condessa

Scena 7 I suddetti e la Susanna ch'esce dal gabinetto

Il Conte (con maraviglia) Susanna! La Contessa (con maraviglia)

Cena 7 Os anteriores e Susanna que sai do quarto

Conde (espantado)

Per vestir femminee spoglie...

Il Conte

Era para vestir roupas de mulher...

Conde

Susanna!

Condessa (espantada)

Ah! Comprendo, indegna moglie, mi vo' tosto vendicar.

La Contessa

Ah! Compreendo, mulher indigna, vou desta feita vingar-me!

Condessa

Susanna!

Susanna

Susanna!

Susanna

Mi fa torto quel trasporto, m'oltraggiate a dubitar.

Il Conte (tornandosi in dietro)

Essa fúria ofende-me, essas dúvidas ultrajam-me!

Conde (voltando atrás)

Qua la chiave!

La Contessa (dandogli la chiave) Egli è innocente. Voi sapete... Il Conte

Dai-me a chave!

Condessa (dando-lhe a chave) Ele está inocente. Sabeis... Conde

Signore! Cos'è quel stupore? (con ironia) Il brando prendete, il paggio uccidete! Quel paggio malnato, vedetelo quà.

Il Conte

Senhor! Mas que espanto é esse? (com ironia) Pegai na espada, matai o pajem. Esse pajem maldito está perante vós.

Conde

Che scola! La testa girando mi va.

La Contessa

Será possível?! Tenho a cabeça a andar à roda.

Condessa

Non so niente! Va lontan dagl'occhi miei! Un'infida, un'empia sei e mi cerchi d'infamar.

La Contessa

Não sei nada! Vai para longe da minha vista! És uma infiel, uma desonesta, e tentas desgraçar-me.

Condessa

(Che storia è mai questa, Susanna v'è là!)

Susanna

(Que história será esta? Susanna está ali!)

Susanna

Vado... sì... ma...

Il Conte

Vou... sim... mas...

Conde

(Confusa han la testa, non san come va.)

Il Conte (a Susanna) Sei sola? Susanna

(Estão confusos, e nada compreendem.)

Conde (para Susanna)

Non ascolto!

La Contessa

Não ouço nada!

Condessa

Estás sozinha?

Susanna

Non son rea! Recitativo

Não sou culpada! Recitativo

Guardate, qui ascoso sarà.

Ide ver, ele deve estar ali escondido.

82

Le nozze di Figaro

83

Il Conte

Conde

Guardiamo! Qui ascoso sarà. (entra nel gabinetto)

Vejamos! Ele deve estar escondido. (entra no quarto)

La Contessa (con risentimento) Adunque la fede d'un'anima amante sì fiera mercede doveva sperar? Susanna (in atto di preghiera) Signora! Il Conte (in atto di preghiera)

Condessa (com rancor)

É esta então a recompensa que eu devo esperar por vos ser fiel?

Susanna (implorando) Senhora! Conde (implorando) Rosina... Condessa

Scena 8 Susanna, la Contessa e poi il Conte.

La Contessa

Cena 8 Susanna, a Condessa e depois o Conde.

Condessa

Susanna, son morta, il fiato mi manca.

Susanna (allegrissima addita alla Contessa la finestra onde è saltato Cherubino) Più lieta, più franca, in salvo è di già. Il Conte (esce confuso dal gabinetto) Che sbaglio mai presi! Appena lo credo; se a torto v'offesi perdono vi chiedo; ma far burla simile è poi crudeltà.

Susanna, estou para morrer, até me falta o ar!

Susanna (Felicíssima, para a Condessa, aponta a janela

Rosina...

La Contessa

por onde saltou Cherubino.) Contentai-vos, estais em segurança, e ele já está a salvo.

Conde (saindo confuso do quarto)

Como me enganei! Ainda nem acredito; se vos ofendi injustamente, peço-vos perdão; mas enganar-me dessa maneira é uma crueldade. (de lenço na boca para esconder o seu estado de confusão)

Susanna e Condessa

Crudele! Più quella non sono; ma il misero oggetto del vostro abbandono che avete diletto di far disperar.

Il Conte

Cruel! Já não sou essa Rosina, mas sim a miserável vítima do vosso abandono. Sou aquela a quem vos agrada fazer desesperar.

Conde

Confuso, pentito, son troppo punito, abbiate pietà.

Susanna

Confundido e arrependido, já estou suficientemente castigado. Tende piedade.

Susanna

(col fazzoletto alla bocca per celar il disordine di spirito)

La Contessa e Susanna

Confuso, pentito, è troppo punito, abbiate pietà.

La Contessa

Confundido e arrependido, já está suficientemente castigado. Tende piedade.

Condessa

Le vostre follie non mertan pietà.

Il Conte

As vossas loucuras não merecem piedade.

Conde

Soffrir sì gran torto quest'alma non sà.

Il Conte

A minha alma não merecia uma tal injustiça.

Conde

Io v'amo!

La Contessa

Eu amo-vos!

Condessa

Ma il paggio rinchiuso...

La Contessa

Mas o pajem ali fechado?...

Condessa

Nol dite!

Il Conte

Não mo digais!

Conde

Fu sol per provarvi.

Il Conte

Era para vos pôr à prova.

Conde

Ve'l giuro.

La Contessa (rinvenendo dalla confusione a poco a poco)

Juro-vos!

Condessa (recompondo-se da confusão a pouco e pouco)

Ma i tremiti, i palpiti...

La Contessa

E os tremores, as palpitações?...

Condessa

Mentite! Son l'empia, l'infida che ognora v'inganna.

Il Conte

Mentis! Eu sou a ímpia e a infiel que vos engana a toda a hora.

Conde

Fu sol per burlarvi.

Il Conte

Foram para vos enganar.

Conde

Quell'ira, Susanna, m'aita a calmar.

Susanna

Susanna, ajuda-me a acalmar esta fúria.

Susanna

Ma un foglio sì barbaro?

La Contessa e Susanna

E um bilhete tão cruel?

A Condessa e Susanna

Così si condanna chi può sospettar.

Assim se castiga quem suspeita como vós.

Di Figaro è il foglio, e a voi per Basilio...

O bilhete é de Figaro, que o deu a Basilio, que vo-lo entregou...

84

Le nozze di Figaro

85

Il Conte

Conde

Ah! Perfidi! Io voglio...

La Contessa e Susanna

Ah! Malvados! Eu vou...

A Condessa e Susanna

Il Conte (trattenendolo) Pian, piano, men fretta... Figaro

Conde (segurando-o)

Devagar, menos pressa.

Figaro

Perdono non merta chi agli altri nol da.

Il Conte (con tenerezza)

Não merece perdão aquele que não perdoa os outros.

Conde (com ternura)

La turba m'aspetta.

Il Conte

A multidão espera-me.

Conde

Ebben se vi piace comune è la pace; Rosina inflessibile con me non sarà.

La Contessa

Então, se achais bem, a paz será comum; Rosina deixará de estar zangada comigo.

Condessa

Un dubbio toglietemi in pria di partir.

La Contessa, Susanna e Figaro

Desfazei-me uma dúvida antes de partirdes.

A Condessa, Susanna e Figaro

(La cosa è scabrosa; com'ha da finir?)

Il Conte

(A coisa está feia; como irá acabar?)

Conde

Ah quanto, Susanna, son dolce di core! Di donne al furore chi più crederà?

Susanna

Susanna, como tenho um coração mole! Quem mais acreditará na ira da mulher?

Susanna

Cogl'uomin', signora, girate, volgete, vedrete che ognora si cade poi là.

Il Conte (con tenerezza)

Senhora, com os homens podemos dar e baralhar, mas vereis que se acaba sempre assim.

Conde (com ternura)

(Con arte le carte convien qui scoprir.) (a Figaro) Conoscete, signor Figaro, (mostrandogli il foglio) questo foglio chi vergò?

Figaro (fingendo esaminarlo) Nol conosco... Susanna, la Contessa ed il Conte

(Convém jogar as cartas com arte!) (para Figaro) Conheceis, senhor Figaro, (mostrando-lhe o bilhete) quem escreveu este bilhete?

Figaro (fingindo examiná-lo) Não conheço... Susanna, a Condessa e o Conde

Guardatemi!

La Contessa

Olhai para mim!

Condessa

Nol conosci?

Figaro

Não conheces?

Figaro

Ingrato!

Il Conte (bacia e ribacia la mano della Contessa) Ho torto, e mi pento. La Contessa, Susanna ed il Conte

Ingrato!

Conde (beijando-lhe as mãos repetidamente)

No, no, no!

Susanna

Não, não, e não.

Susanna

Errei e estou arrependido.

A Condessa, Susanna e o Conde

E nol desti a Don Basilio...

La Contessa

E não o deste a Dom Basilio...

Condessa

Da questo momento quest'alma a conoscermi/conoscerla/conoscervi apprender potrà.

A partir deste momento ele/eu aprenderá/aprenderei a conhecer esta alma.

Per recarlo...

Il Conte

... para que ele o entregasse...

Conde

Tu c'intendi... Scena 9 I suddetti e Figaro

Figaro

Estás a compreender-nos...

Figaro

Cena 9 Os anteriores e Figaro

Figaro

Figaro

Oibò, oibò!

Susanna

Ai de mim! Ai de mim!

Susanna

Signore, di fuori son già i suonatori. Le trombe sentite, i pifferi udite, tra canti, tra balli de' vostri vassalli corriamo, voliamo le nozze a compir. (prendendo Susanna sotto il braccio)

Senhores, os músicos já estão à porta. Ouvi as trompetes, escutai os pífaros. Com cantos e com danças dos vossos vassalos corramos e voemos a festejar o casamento. (trazendo Susanna pelo braço)

E non sai del damerino...

La Contessa

E não sabes do pajem...

Condessa

... che stasera nel giardino...

Il Conte

... que esta noite no jardim...

Conde

Già capisci...

Figaro

Já estás a compreender...

Figaro

Io non lo so.

Eu de nada sei!

86

Le nozze di Figaro

87

Il Conte

Conde

Antonio

Antonio

Cerchi invan difesa e scusa il tuo ceffo già t'accusa, vedo ben che vuoi mentir.

Figaro (al Conte)

Em vão procuras defesas e desculpas; a tua cara chega para te acusar; vejo muito bem que estás a tentar mentir.

Figaro (para o Conde)

Che insolenza! Chi'l fece? Chi fu?

La Contessa, Susanna, il Conte e Figaro

Que insolência! Quem o teria feito? Quem seria?

A Condessa, Susanna, o Conde e Figaro

Cosa dici, cos'hai, cosa è nato? Mente il ceffo, io già non mento.

La Contessa e Susanna (a Figaro)

Que dizes? Que tens? Que aconteceu?

Antonio

Mente a cara, mas eu não minto.

A Condessa e Susanna (para Figaro)

Antonio

Ascoltate... Il talento aguzzi invano, palesato abbiam l'arcano, non v'è nulla da ridir.

Il Conte

Ouvi...

A Condessa, Susanna, o Conde e Figaro

Aguças em vão o talento, nós já revelámos o segredo; nada mais há a esconder.

Conde

La Contessa, Susanna, il Conte e Figaro

Via, parla, di, su.

Antonio

Fala, diz depressa.

Antonio

Che rispondi?

Figaro

Que respondes?

Figaro

Dal balcone che guarda in giardino mille cose ogni dì gittar veggio, e poc'anzi, può darsi di peggio, vidi un uom, signor mio, gittar giù.

Il Conte (con vivacità) Dal balcone? Antonio (mostrandogli il vaso) Vedete i garofani! Il Conte

Da janela que dá para o jardim, todos os dias vejo deitarem coisas sem fim; mas, senhor, que poderá haver de pior, há pouco vi deitar de lá um homem.

Conde (vivamente)

Niente, niente.

Il Conte

Nada! Nada!

Conde

Da janela?

Antonio (mostrando-lhe o vaso) Vede como ficaram os cravos! Conde

Dunque accordi?

Figaro

Então concordas?

Figaro

Non accordo.

Susanna e la Contessa

Não concordo!

Susanna e a Condessa

In giardino?

Antonio

Para o jardim?

Antonio

Eh via, chetati, balordo, la burletta ha da finir.

Figaro (prendendo Susanna sotto il braccio)

Deixa-te lá disso, palerma, a brincadeira tem de terminar.

Figaro (tomando Susanna pelo braço)

Si! Per finirla lietamente e all'usanza teatrale un'azion matrimoniale le faremo ora seguir.

La Contessa, Susanna e Figaro (al Conte)

Sim!

Susanna e a Condessa (em voz baixa, para Figaro.)

Então para a terminar alegremente, e à maneira teatral, com um matrimónio faremos prosseguir a acção.

A Condessa, Susanna e Figaro (ao Conde)

Susanna e la Contessa (piano a Figaro)

Figaro, all'erta!

Il Conte

Alerta, Figaro!

Conde

Cosa sento? Deh signor, nol contrastate, consolate i lor/miei desir.

Il Conte

Que ouço?

Susanna, a Condessa e Figaro

Meu senhor, não vos oponhais! Secundai o nosso/seu desejo.

Conde

Susanna, la Contessa e Figaro

Costui ci sconcerta, quel briaco che viene far qui?

Il Conte (ad Antonio con fuoco) Dunque un uom... ma dov'è, dov'è gito? Antonio

Isto atrapalha-nos. Que vem fazer aqui este bêbedo?

Conde (Para Antonio, fogosamente.)

(Marcellina, Marcellina! Quanto tardi a comparir!)

(Marcellina! Marcellina! Quanto tardas a aparecer!)

Então um homem... E onde está? Onde pousou?

Antonio

Scena 10 I suddetti, Antonio giardiniere infuriato con un vaso di garofani schiacciato.

Antonio (infuriato)

Cena 10 Os anteriores e, furioso, aparece Antonio, o jardineiro, com um vaso de cravos todo partido.

Antonio (furioso)

Ratto, ratto, il birbone è fuggito e ad un tratto di vista m'uscì.

Susanna (piano a Figaro) Sai che il paggio... Figaro (piano a Susanna) Sò tutto, lo vidi. (ride forte) Ah! Ah! Ah!

O malandro escapou velozmente e num instante desapareceu-me da vista.

Susanna (em voz baixa para Figaro) Sabes que o pajem... Figaro (em voz baixa para Susanna) Sei tudo, eu vi-o. (ri alto) Ah! Ah! Ah!

Ah! Signor... signor...

Il Conte (con ansietà)

Ah! Senhor... senhor...

Conde (com ansiedade)

Cosa è stato?...

Que sucedeu?

88

Le nozze di Figaro

89

Il Conte

Conde

Antonio (a Figaro)

Antonio (para Figaro)

Taci là!

Antonio (a Figaro)

Cala-te!

Antonio (para Figaro)

Come mai diventaste sì grosso? Dopo il salto non fosti così.

Figaro

Como é que engordaste tanto? Quando saltaste parecias mais pequeno.

Figaro

Cosa ridi?

Figaro (ad Antonio)

De que te ris?

Figaro (para Antonio)

A chi salta succede così. Tu sei cotto dal sorger del dì?

Il Conte (ad Antonio)

Isso acontece a quem salta.

Antonio

Tu estás bêbedo desde que nasce o dia?

Conde (para Antonio)

Antonio

Chi'l direbbe? Or ripetimi: un uom dal balcone?

Antonio

Quem o diria?

Susanna e a Condessa (para Figaro)

Repete lá: um homem pela janela?

Antonio

Susanna e la Contessa (a Figaro) Ed insiste quel pazzo? Il Conte (ad Antonio) Tu che dici? Antonio

E o louco insiste!

Conde (para Antonio)

Dal balcone...

Il Conte

Pela janela...

Conde

Tu que dizes?

Antonio

In giardino...

Antonio

Para o jardim...

Antonio

A me parve il ragazzo? In giardino...

Susanna, la Contessa e Figaro

A mim parecia-me o rapaz.

Conde

Para o jardim...

Susanna, a Condessa e Figaro

Il Conte

Cherubin? Ma, signore, se in lui parla il vino!

Il Conte (ad Antonio)

Cherubino?

Susanna e a Condessa

Senhor, nele fala o vinho!

Conde (para Antonio)

Susanna e la Contessa

Maledetto! Segui pure, nè in volto il vedesti?

Antonio

Maldito!

Figaro

Continua: reconheceste-o?

Antonio

Figaro

No, nol vidi.

Susanna e la Contessa (piano a Figaro)

Não, não o vi.

Susanna e a Condessa (em voz baixa para Figaro) Atenção, Figaro. Ouve. Figaro (para Antonio) Acalma-te, choramingão, vê se te calas! (mexendo nos cravos com desprezo) Tanto barulho por nada! Já que se descobriu o segredo, fui eu mesmo que saltei da janela. Conde

Esso appunto, da Siviglia a cavallo qui giunto, da Siviglia ov'ei forse sarà.

Antonio (con rozza simplicità)

Ele mesmo! E voou a cavalo de Sevilha até aqui; de Sevilha, onde deve estar a esta hora.

Antonio (com ingénua simplicidade)

Olà, Figaro, ascolta!

Figaro (ad Antonio) Via, piangione, sta zitto una volta! (toccando con disprezzo i garofani) Per tre soldi far tanto tumulto! Giacche il fatto non può stare occulto, sono io stesso saltato di lì. Il Conte

Questo no, questo no, che il cavallo io non vidi saltare di là.

Il Conte

Isso não, pois eu não vi saltar o cavalo.

Conde

Che pazienza! Finiam questo ballo!

Susanna e la Contessa

Que paciência! Acabemos com este disparate.

Susanna e a Condessa

(Come mai, giusto ciel, finirà?)

Il Conte (a Figaro)

(Como irá isto acabar?)

Conde (para Figaro)

Chi? Voi stesso?

Susanna e la Contessa

O quê? Tu?

Susanna e a Condessa

Dunque tu...?

Figaro

Então, tu...

Figaro

(Che testa! Che ingegno!)

Figaro (al Conte)

(Que cabeça! Que inteligência!)

Figaro (para o Conde) Mas que admiração! Antonio (a Figaro)

Saltai giù...

Il Conte

Saltei dali...

Conde

Che stupor!

Antonio (a Figaro)

Ma perchè?

Figaro

Mas porquê?

Figaro

Chi? Voi stesso?

Il Conte

Quem? Tu próprio?

Conde

Il timor...

Il Conte

O medo...

Conde

Già creder nol posso.

Não posso acreditar!

Che timor?

Que medo?

90

Le nozze di Figaro

91

Figaro

Figaro

Susanna (piano a Figaro)

Là rinchiuso aspettando quel caro visetto... Tippe, tappe, un sussurro fuor d'uso... voi gridaste... lo scritto biglietto... saltai giù dal terrore confuso, (fingendo d'aversi stroppiato il piede) e stravolto m'ho un nervo del piè!

Antonio (porgendo a Figaro alcune carte chiuse) Vostre dunque saran queste carte che perdeste... Il Conte (togliendogliele)

Ali fechado, eu esperava a minha querida... ouvi um barulho inusitado... vós gritáveis... o bilhete que eu tinha escrito... saltei lá para baixo confundido pelo terror, (fingindo ter ferido o pé) e até rasguei um nervo do pé!

Antonio (mostrando a Figaro a patente do Pajem) Então estes papéis que se perderam serão vossos... Conde (agarrando os papéis) Dá-mos cá! Figaro (em voz baixa para a Condessa e Susanna) Estou caçado! Susanna e a Condessa (em voz baixa para Figaro)

Giusti Dei! La patente!

Il Conte (a Figaro)

Susanna (em voz baixa para Figaro) Meu Deus! A patente! Conde (para Figaro)

Coraggio!

Figaro (fingendo di risovvenirsi)

Coragem!

Figaro (fingindo recordar-se)

O che testa! Questa è la patente che poc'anzi il fanciullo mi diè.

Il Conte

Ah, que cabeça! É a patente que o rapaz me deu há pouco.

Conde

Perchè fare?

Figaro (imbrogliato)

Para fazer o quê?

Figaro (atrapalhado)

Olà, porgile a me!

Figaro (piano alla Contessa e Susanna)

Vi manca...

Il Conte

Falta-lhe...

Conde

Sono in trappola.

Susanna e la Contessa (piano a Figaro)

Vi manca?

La Contessa (piano a Susanna)

Falta-lhe?

Condessa (em voz baixa para Susanna)

Figaro, all'erta.

Il Conte (apre il foglio e lo chiude tosto)

Figaro, fica alerta!

Conde (abre a patente e fecha-a imediatamente)

Il suggello.

Susanna (piano a Figaro)

O selo!

Susanna (em voz baixa para Figaro)

Dite un po', questo foglio cos'è?

Figaro (cavando di tasca alcune carte per guardare) Tosto, tosto... n'ho tanti, aspettate. Antonio

Diz-me lá, que documento é este?

Figaro (tirando do bolso alguns papéis, que examina.)

Il suggello.

Il Conte

O selo!

Conde

Um momento... um momento... tenho tantos, esperai.

Antonio

Rispondi.

Figaro (finge di pensare)

Responde!

Figaro (finge pensar) É costume... Conde

Sarà forse il sommario dei debiti?

Figaro

Será talvez a lista das dívidas.

Figaro

È l'usanza...

Il Conte

No, la lista degl'osti.

Il Conte (a Figaro)

Não, é a lista das tabernas.

Conde (para Figaro) Falai. (para Antonio) E tu, deixa-o em paz. Susanna, a Condessa e Figaro (para Antonio)

Su via, ti confondi?

Figaro

Vá, responde! Estás atrapalhado?

Figaro

Parlate! (ad Antonio) E tu lascialo; e parti.

Susanna, la Contessa e Figaro (ad Antonio)

È l'usanza di porvi il suggello.

Il Conte

É costume... colocarem-lhe um selo!

Conde

(Questo birbo mi toglie il cervello, tutto, tutto è un mistero per me.) (Il Conte guarda e vede che manca il sigillo; guasta il foglio e con somma collera lo getta.)

Susanna e la Contessa

(Este malandro faz-me perder a cabeça; tudo isto é muito misterioso para mim.) (O Conde olha e vê que falta o selo; rasga a folha e deita-a fora num gesto de fúria.)

Susanna e a Condessa

Lascialo/Lasciami, e parti.

Antonio

Deixa-o/-me, e vai-te embora!

Antonio

Parto, sì, ma se torno a trovarti...

Figaro

Vou, mas se te volto a encontrar...

Figaro

Vanne, vanne, non temo di te.

Il Conte (a Figaro)

Vai-te embora. Não tenho medo de ti!

Conde (para Figaro) Então? Condessa (em voz baixa para Susanna)

(Se mi salvo da questa tempesta, più non avvi naufragio per me.)

Figaro

(Se me salvo desta tempestade, nunca mais temerei o naufrágio.)

Figaro

Dunque?

La Contessa (piano a Susanna) O ciel! La patente del paggio!

(Sbuffa invano e la terra calpesta; poverino ne sa men di me.)

(Irrita-se e bate com a cabeça em vão. O pobrezinho ainda sabe menos do que eu.)

Céus! A patente do pajem!

92

Le nozze di Figaro

93

Scena 11 ed ultima I suddetti, Marcellina, Bartolo e Basilio.

Marcellina, Basilio e Bartolo (al Conte)

Cena 11 e última Os anteriores, Marcellina, Bartolo e Basilio.

Marcellina, Basilio e Bartolo (para o Conde) Vós senhor, que sois justo, deveis ouvir-nos agora. Conde

Susanna, la Contessa e Figaro

Susanna, a Condessa e Figaro

Son tre matti!

Il Conte

São três loucos!

Conde

Voi signor, che giusto siete, ci dovete ascoltar.

Il Conte

Olà! Silenzio! Lo vedremo, il contratto leggeremo, tutto in ordin deve andar.

Susanna, la Contessa e Figaro

Silêncio! Vamos ver! Leremos o contrato, pois tudo deve seguir a ordem.

Susanna, a Condessa e Figaro

(Son venuti a vendicarmi, io mi sento a consolar.)

Susanna, la Contessa e Figaro

(Chegaram para me vingar. Sinto agora algum consolo.)

Susanna, a Condessa e Figaro

(Son venuti a sconcertarmi qual rimedio ritrovar?)

Figaro (al Conte)

(Chegaram para nos prejudicar. Que fazer para remediar a situação?)

Figaro (para o Conde)

Son confusa/o, son stordita/o, disperata/o, sbalordita/o. Certo un diavol dell'inferno qui li ha fatti capitar.

Marcellina, Basilio, Bartolo ed il Conte

Estou confusa(o) e estou perturbada(o), desesperada(o) e estupidificada(o)! Foi com certeza um demónio do inferno que os fez aparecer aqui.

Marcellina, Basilio, Bartolo e o Conde

Son tre stolidi, tre pazzi, cosa mai vengono a far?

Il Conte

São três imbecis, três loucos, que virão aqui fazer?

Conde

Che bel colpo! Che bel caso! È cresciuto a tutti il naso, qualche nume a noi propizio qui ci/li ha fatti capitar.

Que belo golpe! Que belo caso! Ficaram todos com uma penca enorme; algum deus a nós propício fez-nos/fê-los aqui aparecer.

Pian, pianin, senza schiamazzi, dica ognun quel che gli par.

Marcellina

Calma, calminha, sem gritarias, cada um diga o que lhe aprouver.

Atto III

Marcellina

Acto III

Sala ricamente mobilada com dois cadeirões, preparada para a festa nupcial. Cena 1 O Conde sozinho, passeando. Recitativo

Conde

Sala ricca con due troni e preparata a festa nuziale

Un impegno nuziale ha costui con me contratto. E pretendo che il contratto deva meco effettuar.

Susanna, la Contessa e Figaro

Este homem celebrou comigo um contrato nupcial; e eu pretendo que ele cumpra o acordado.

Susanna, a Condessa e Figaro

Scena 1 Il Conte solo che passeggia. Recitativo

Il Conte

Come? Come?

Il Conte

Como? Como?

Conde

Olà! Silenzio! Io son qui per giudicar.

Bartolo

Calma! Silêncio! Eu estou aqui para julgar.

Bartolo

Io da lei scelto avvocato vengo a far le sue difese, le legittime pretese, io qui vengo a palesar.

Susanna, la Contessa e Figaro

Eu advogado por ela escolhido, estou aqui para defendê-la. E venho aqui tentar legitimar os seus interesses.

Susanna, a Condessa e Figaro

È un birbante!

Il Conte

É um aldrabão!

Conde

Che imbarazzo è mai questo! Un foglio anonimo... La cameriera in gabinetto chiusa... La padrona confusa... un uom che salta dal balcone in giardino, un altro appresso, che dice esser quel desso... non so cosa pensar. Ma la Contessa? Ah, che un dubbio l'offende! Ella rispetta troppo se stessa: e l'onor mio... l'onore... dove diamin l'ha posto umano errore!

Que situação embaraçosa! Um bilhete anónimo... a camareira fechada no quarto... a Condessa perturbada... um homem que salta da janela para o jardim, um outro ao seu lado que pretende ser o tal... Não sei que pensar. Mas, a Condessa? Ah, qualquer dúvida a ofende! Ela respeita-se demais a si própria: e a minha honra... a honra... em que situação a colocou o erro humano!

Olà! Silenzio! Io son qui per giudicar.

Basilio

Calma! Silêncio! Eu estou aqui para julgar.

Basilio

Scena 2 Il suddetto, la Contessa e Susanna; s'arrestano in fondo alla scena, non vedute dal Conte.

La Contessa (a Susanna)

Cena 2 O anterior, a Condessa e Susanna. Detêm-se ao fundo sem serem vistas pelo Conde.

Condessa (para Susanna)

Io, com'uom al mondo cognito, vengo qui per testimonio del promesso matrimonio con prestanza di danar.

Eu, homem conhecido por todo o mundo, venho aqui como testemunha do matrimónio prometido a troca de um empréstimo.

Via, fatti core: digli che ti attenda in giardino.

Coragem, Susanna; diz-lhe que te espere no jardim.

94

Le nozze di Figaro

95

Il Conte

Conde

Susanna

Susanna

Saprò se Cherubino era giunto a Siviglia. A tale oggetto ho mandato Basilio.

Susanna

Vou saber se Cherubino tinha chegado a Sevilha. Para tal, enviei Basilio investigar.

Susanna

Per me? Questi non son mali da donne triviali.

Il Conte

Para mim? Estas indisposições não afectam as mulheres banais.

Conde

Oh cielo! E Figaro?

La Contessa

Oh céus! E Figaro?

Condessa

Un'amante, che perde il caro sposo sul punto d'ottenerlo...

Susanna

Uma amante que perde o marido no próprio dia do casamento...

Susanna

A lui non dei dir nulla: in vece tua voglio andarci io medesma.

Il Conte

Nada lhe deves dizer, em vez de ti quero eu mesma ir.

Conde

Pagando Marcellina colla dote che voi mi prometteste.

Il Conte

Mas se eu pagar a Marcellina com o dote que vós me prometestes.

Conde

Avanti sera dovrebbe ritornar.

Susanna

Ele deve regressar antes do anoitecer.

Susanna

Ch'io vi promisi! Quando?

Susanna

Que eu vos prometi! Quando?

Susanna

Oh Dio! Non oso!

La Contessa

Meu Deus! Não tenho coragem!

Condessa

Credea d'averlo inteso...

Il Conte

Pareceu-me tê-lo ouvido...

Conde

Pensa, ch'è in tua mano il mio riposo. (si nasconde)

Il Conte

Pensa que a minha felicidade está nas tuas mãos. (esconde-se)

Conde

Sì, se voluto aveste intendermi voi stessa!

Susanna

Sim, mas apenas se tivesses querido escutar-me!

Susanna

E Susanna? Chi sa ch'ella tradito abbia il segreto mio. Oh, se ha parlato, gli fo sposar la vecchia.

Susanna (s'avanza)

E Susanna? Será que ela traiu o meu segredo? Se o fez, farei com que Figaro case com a velha.

Susanna (mostra-se)

È mio dovere, e quel di sua Eccellenza il mio volere. Nº 17 ­ Duettino

É esse o meu dever. E a vontade de sua senhoria é a minha! N.º 17 ­ Duettino

Conde

(Marcellina!) Signor...

Il Conte (serio)

(Marcellina!) Senhor...

Conde (sério)

Il Conte

Crudel! Perchè finora farmi languir così?

Susanna

Cruel! Porque me fizeste sofrer tanto tempo?

Susanna

Cosa bramate?

Susanna

Que quereis?

Susanna

Mi par che siete in collera!

Il Conte

Pareceis-me encolerizado!

Conde

Signor, la donna ognora tempo ha dir di così.

Il Conte

Senhor, uma mulher nunca gosta de responder logo que sim.

Conde

Volete qualche cosa?

Susanna

Quereis alguma coisa?

Susanna

Dunque, in giardin verrai?

Susanna

Então virás ter comigo ao jardim?

Susanna

Signor... la vostra sposa ha i soliti vapori, e vi chiede il fiaschetto degli odori.

Il Conte

Senhor... a vossa esposa está com os habituais afrontamentos, e pede-vos o frasco dos sais.

Conde

Se piace a voi, verrò.

Il Conte

Irei, se tal vos agradar.

Conde

E non mi mancherai? Prendete.

Susanna

E não faltarás?

Susanna

Tomai.

Susanna

Susanna

No, non vi manchero. Or vel riporto.

Il Conte

Não, não faltarei.

Conde

Já vo-lo trago de novo.

Conde

Il Conte

Mi sento dal contento pieno di gioia il cor.

Sinto a felicidade inundar-me o coração.

Ah no, potete ritenerlo per voi.

Ah não, podeis ficar com ele.

96

Le nozze di Figaro

97

Susanna

Susanna

Scusatemi se mento, voi che intendete amor. Recitativo

Il Conte

Perdoai-me se minto, vós que sabeis o que é o amor! Recitativo

Scena 4 Il Conte solo Nº 18 ­ Recitativo ed Aria

Il Conte

Cena 4 O Conde sozinho N.º 18 ­ Recitativo e Ária

Conde

Conde

E perchè fosti meco stamattina si austera?

Susanna

E porque foste tão dura comigo esta manhã?

Susanna

Col paggio ch'ivi c'era.

Il Conte

Com o pajem ali escondido...

Conde

Ed a Basilio, che per me ti parlò?

Susanna

E com Basilio, que te falava da minha parte?

Susanna

Hai già vinta la causa! Cosa sento! In qual laccio io cadea? Perfidi! Io voglio... Di tal modo punirvi... A piacer mio la sentenza sarà... Ma s'ei pagasse la vecchia pretendente? Pagarla! In qual maniera! E poi v'è Antonio, che a un incognito Figaro ricusa di dare una nipote in matrimonio. Coltivando l'orgoglio di questo mentecatto... Tutto giova a un raggiro... il colpo è fatto. Vedrò mentre io sospiro, felice un servo mio! E un ben ch'invan desio, ei posseder dovrà? Vedrò per man d'amore unita a un vile oggetto chi in me destò un affetto che per me poi non ha? Ah no! Lasciarti in pace, non vo' questo contento, tu non nascesti, audace, per dare a me tormento, e forse ancor per ridere di mia infelicità. Già la speranza sola delle vendette mie quest'anima consola, e giubilar mi fa.

«Já venceste a causa!» Que ouço! Em que armadilha caía eu? Mentirosos! Eu quero... castigar-vos de tal maneira... a meu gosto será proferida a sentença... Mas, e se conseguisse pagar à velha pretendente? Pagar-lhe! Mas como? E depois há o Antonio, que recusa dar uma sua sobrinha em casamento a um ilegítimo Figaro. Vou cultivar o orgulho deste mentecapto... Tudo se presta a uma reviravolta... o golpe está planeado. Aguentarei eu, enquanto suspiro, assistir à felicidade de um meu servo? E poderá este possuir um bem que eu desejo em vão? Poderei eu ver pelos laços do amor unida a um objecto vil, aquela que me despertou tanto afecto que depois não me retribui? Ah, não, não vos darei facilmente tal satisfação! Tu não nasceste, audacioso, para me atormentares, e se calhar para ainda rires da minha infelicidade. Apenas a esperança da minha vingança consolará o meu coração e me dará satisfação.

Ma qual bisogno abbiam noi, che un Basilio...

Il Conte

Mas que necessidade temos nós que um Basilio...

Conde

È vero, è vero, e mi prometti poi... se tu manchi, oh cor mio...

Susanna

É verdade! É verdade! E agora prometes... Mas se não apareceres, meu coração...

Susanna

Vien gente.

Il Conte

Está a chegar alguém!

Conde

È mia senz'altro.

Susanna (si ritira)

Esta já está no papo!

Susanna (retirando-se) Deixa de sorrir assim, meu amo atrevido!

Forbitevi la bocca, oh signor scaltro.

Scena 3 Figaro, Susanna e subito il Conte.

Figaro

Cena 3 Figaro, Susanna e logo a seguir o Conde.

Figaro

Ehi, Susanna, ove vai?

Susanna

Susanna, onde vais?

Susanna

Scena 5 Il Conte, Marcellina, Don Curzio, Figaro e Bartolo; poi Susanna. Recitativo

Don Curzio (tartagliando)

Cena 5 O Conde, Marcellina, Dom Curzio, Figaro e Bartolo; depois Susanna. Recitativo

Dom Curzio (resmungando)

Taci, senza avvocato hai già vinta la causa. (parte)

Figaro

Cala-te, já venceste a causa sem necessitares de advogado. (parte)

Figaro

È decisa la lite. O pagarla, o sposarla, ora ammutite.

Marcellina

O caso está decidido. Ou lhe paga, ou casa com ela. E sem recurso!

Marcellina

Cos'è nato? (la segue)

Que aconteceu? (segue-a)

Io respiro.

Respiro!

98

Le nozze di Figaro

99

Figaro

Figaro

Marcellina

Marcellina

Ed io moro.

Marcellina

E eu morro.

Marcellina

Cosa?

Bartolo

O quê?

Bartolo

(Alfin sposa io sarò d'un uom ch'adoro.)

Figaro

(Serei, por fim, esposa de um homem que adoro.)

Figaro

La prova?

Don Curzio

A prova?

Dom Curzio

Eccellenza m'appello...

Il Conte

Excelência, faço um apelo...

Conde

Il testimonio?

Figaro

As testemunhas?

Figaro

È giusta la sentenza. O pagar, o sposar, bravo, Don Curzio.

Don Curzio

A sentença é justa. É pagar ou casar. Muito bem, Dom Curzio.

Dom Curzio

Bontà di sua Eccellenza.

Bartolo

Bondade de sua Excelência.

Bartolo

L'oro, le gemme, e i ricamati panni, che ne' più teneri anni mi ritrovaro addosso i masnadieri, sono gl'indizi veri di mia nascita illustre, e sopra tutto questo al mio braccio impresso geroglifico.

Marcellina

O ouro, as jóias e os tecidos bordados que os bandidos encontraram comigo quando era criança, são as verdadeiras provas das minhas origens ilustres, e sobretudo este sinal impresso no meu braço.

Marcellina

Che superba sentenza!

Figaro

Que fantástica sentença!

Figaro

Una spatola impressa al braccio destro? In che superba?

Bartolo

Uma espátula no braço direito?

Figaro

Fantástica em quê?

Bartolo

Figaro

E a voi chi'l disse? Siam tutti vendicati...

Figaro

E quem vos disse isso?

Marcellina

Fomos todos vingados!

Figaro

Marcellina

Oh Dio! È desso! Io non la sposerò.

Bartolo

Meu Deus! É ele!

Figaro

Eu não casarei com ela.

Bartolo

Figaro

È ver, son io. La sposerai.

Don Curzio

É verdade, sou eu!

Dom Curzio, o Conde e Bartolo

Casarás!

Dom Curzio

Don Curzio, il Conte e Bartolo

Chi? Chi? O pagarla, o sposarla. Lei t'ha prestati due mille pezzi duri.

Figaro

Quem? Quem?

Marcellina

Ou lhe pagas, ou casas com ela. Ela emprestou-te dois mil pesos.

Figaro

Marcellina

Raffaello.

Bartolo

Raffaello!

Bartolo

Son gentiluomo e senza l'assenso de' miei nobili parenti...

Il Conte

Eu sou um nobre, e sem o consentimento dos meus nobres parentes...

Conde

Ei ladri ti rapir...

Figaro

E os ladrões raptaram-te...

Figaro

Presso un castello.

Bartolo

Perto de um palácio.

Bartolo

Dove sono? Chi sono?

Figaro

E onde estão eles? Quem são eles?

Figaro

Ecco tua madre.

Figaro

Eis a tua mãe.

Figaro

Lasciate ancor cercarli! Dopo dieci anni io spero di trovarli.

Bartolo

Deixai-me continuar a procurá-los! Há já mais de dez anos que tento encontrá-los.

Bartolo

Balia... Qualche bambin trovato?

Figaro

A minha ama de leite?

Bartolo

Sois uma criança encontrada?

Figaro

Bartolo

No, tua madre. No, perduto, dottor, anzi rubato.

Il Conte

Não, a tua mãe.

O Conde e Dom Curzio

Não! Perdida! Ou melhor, roubada.

Conde

Il Conte e Don Curzio

Sua madre? Come? Como?

A mãe?

100

Le nozze di Figaro

101

Figaro

Figaro

Figaro (trattenendo Susanna)

Figaro (detendo Susanna)

Cosa sento!

Marcellina

Que ouço?

Marcellina

No, t'arresta! Senti, o cara!

Susanna (da uno schiaffo a Figaro)

Não, detém-te! Ouve-me, minha querida!

Susanna (esbofeteia Figaro)

Ecco tuo padre.

Eis o teu pai!

Senti questa! Nº 19 ­ Sestetto

Marcellina (abbracciando Figaro)

E tu ouve esta!

Marcellina, Bartolo e Figaro

N.º 19 ­ Sexteto

Marcellina (abraçando Figaro)

Marcellina, Bartolo e Figaro

È un effetto di buon core, tutto amore è quel che fa.

Il Conte

Isto é um efeito dos seus bons sentimentos; só prova que existe amor.

Conde

Riconosci in questo amplesso una madre, amato figlio!

Figaro (a Bartolo)

Reconhece uma mãe neste abraço, querido filho!

Figaro (para Bartolo)

Fremo, smanio dal furore, il destino a me la fa.

Don Curzio

Estremeço de fúria, o destino pregou-me uma partida.

Dom Curzio

Padre mio, fate lo stesso, non mi fate più arrossir.

Bartolo (abbracciando Figaro)

Meu pai, fazei o mesmo. Não me façais corar mais.

Bartolo (abraçando Figaro)

Freme e smania dal furore, il destino gliela fa.

Susanna

Estremece de fúria, o destino pregou-lhe uma partida.

Susanna

Resistenza la coscienza far non lascia al tuo desir.

Don Curzio

A minha consciência não pode resistir a este teu desejo.

Dom Curzio

Fremo, smanio dal furore, una vecchia a me la fa.

Marcellina (a Susanna)

Estremeço de fúria, sou trocada por uma velha.

Marcellina (para Susanna)

Ei suo padre, ella sua madre! L'imeneo non può seguir.

Il Conte (vuol partir)

Se ele é o pai e ela é a mãe, o casamento não pode realizar-se.

Conde (querendo partir)

Son smarrito, son stordito, meglio è assai di quà partir.

Marcellina e Bartolo

Estou atónito, estou confundido, o melhor é ir-me embora.

Marcellina e Bartolo

Lo sdegno calmate, mia cara figliuola, sua madre abbracciate che or vostra sarà.

Susanna (a Bartolo)

Acalma a tua fúria minha querida filha; abraça a mãe dele, que agora é também tua.

Susanna (para Bartolo)

Figlio amato!

Figaro

Filho adorado!

Figaro

Sua madre?

Bartolo, il Conte, Don Curzio e Marcellina

Mãe dele?

Bartolo, o Conde, Dom Curzio, Marcellina

Parenti amati! (Susanna entra con una borsa in mano)

Susanna (arrestando il Conte)

Pais adorados! (Susanna entra com uma bolsa na mão)

Susanna (detendo o Conde)

Sua madre?

Susanna (a Figaro) Tua madre? Figaro (a Susanna)

Sim, mãe dele!

Susanna (para Figaro)

Tua mãe?

Figaro (para Susanna)

Alto, alto! Signor Conte, mille doppie son qui pronte, a pagar vengo per Figaro, ed a porlo in libertà.

Il Conte e Don Curzio

Alto, senhor Conde, eis aqui duas mil moedas. Venho pagar por Figaro e torná-lo livre.

O Conde e Dom Curzio

E quello è mio padre che a te lo dirà.

Susanna

E este é o meu pai, que te vai explicar tudo.

Susanna

Suo padre?

Bartolo, il Conte, Don Curzio e Marcellina

Pai dele?

Bartolo, o Conde, Dom Curzio e Marcellina

Non sappiam com'è la cosa, osservate un poco là!

Susanna (vedendo Figaro che abbraccia Marcellina)

Não sabemos como está o assunto. Repara o que para ali vai!

Susanna (vendo Figaro abraçado a Marcellina)

Suo padre? Già d'accordo colla sposa, giusti Dei, che infedeltà! (vuol partire) Lascia iniquo! O quê? Ele já está reconciliado com a esposa? Meu Deus, que infidelidade! (querendo partir) Deixa-me, desavergonhado!

Susanna (a Figaro) Tuo padre? Figaro (a Susanna)

Sim, pai dele!

Susanna (para Figaro)

Teu pai?

Figaro (para Susanna)

E quella è mia madre che a te lo dirà.

E aquela é a minha mãe, que te vai tudo explicar.

102

Le nozze di Figaro

103

(corrono tutti quattro ad abbracciarsi)

Susanna, Marcellina, Bartolo e Figaro

(os quatro correm a abraçar-se)

Susanna, Marcellina, Bartolo e Figaro

Susanna, Marcellina, Bartolo e Figaro

Susanna, Marcellina, Bartolo e Figaro

E schiatti il signor conte al gusto mio. (partendo abbracciati)

E que o senhor Conde se regozije também! (partem abraçados)

Al dolce contento di questo momento, quest'anima appena resister or sà.

Don Curzio ed il Conte

A minha alma resiste a custo à doce felicidade que sinto neste momento.

O Conde e Dom Curzio

Scena 7 Barbarina, Cherubino. Recitativo

Barbarina

Cena 7 Barbarina, Cherubino. Recitativo

Barbarina

Al fiero tormento di questo momento, quell'/quest'anima appena resister or sà. (partono)

A minha alma resiste a custo à enorme angústia que sinto neste momento. (partem)

Andiam, andiam, bel paggio, in casa mia tutte ritroverai le più belle ragazze del castello, di tutte sarai tu certo il più bello.

Cherubino

Vamos, belo pajem, em minha casa encontrarás as mais belas raparigas do palácio, e tu serás o mais belo de todas elas.

Cherubino

Scena 6 Susanna, Marcellina, Figaro e Bartolo. Recitativo

Marcellina

Cena 6 Susanna, Marcellina, Figaro e Bartolo. Recitativo

Marcellina

Ah! Se il Conte mi trova! Misero me! Tu sai che partito ei mi crede per Siviglia.

Barbarina

Ah! Se o Conde me descobre! Pobre de mim! Sabes que ele julga que eu já parti para Sevilha.

Barbarina

Eccovi, o caro amico, il dolce frutto dell'antico amor nostro.

Bartolo

Eis, querido companheiro, o doce fruto dos nossos antigos amores.

Bartolo

Or non parliamo di fatti si rimoti, egli è mio figlio, mia consorte voi siete; e le nozze farem quando volete.

Marcellina

Não falemos agora de acontecimentos tão remotos: ele é o meu filho, e tu a minha esposa; celebraremos a boda quando quiseres.

Marcellina

Oh ve' che maraviglia, e se ti trova non sarà cosa nuova. Odi! Vogliamo vestirti come noi: tutte insiem andrem poi a presentar de' fiori a Madamina; fidati, oh Cherubin, di Barbarina. (partono)

Não será a primeira vez! Se ele te encontrar não será novidade. Ouve. Vamos vestir-te como nós e depois vamos todos juntos oferecer flores à Condessa. Cherubino, confia em Barbarina! (partem)

Oggi le doppie saranno. Prendi, questo è il biglietto del danar che a me devi, ed è tua dote.

Susanna (getta per terra una borsa di danari)

Hoje! E será uma dupla boda. Toma, este é o recibo do dinheiro que me deves. Será o teu dote!

Susanna (deita ao chão uma bolsa com dinheiro)

Scena 8 La Contessa sola Nº 20 ­ Recitativo ed Aria

Cena 8 A Condessa sozinha N.º 20 ­ Recitativo e Ária

Condessa

Prendi ancor questa borsa.

Bartolo (fa lo stesso)

Fica também com esta bolsa!

Bartolo (faz o mesmo)

La Contessa

E questa ancora.

Figaro

E com esta também.

Figaro

Bravi, gittate pur ch'io piglio ognora.

Susanna

Muito bem: deitai mais, que eu mais apanharei!

Susanna

Voliamo ad informar d'ogni avventura madama e nostro zio. Chi è al par di me contenta!

Figaro, Bartolo e Marcellina

Informemos a senhora de toda esta aventura, bem como o nosso tio. Quem poderá estar mais feliz do que eu?

Figaro, Bartolo e Marcellina

Io!

Eu!

E Susanna non vien! Sono ansiosa di saper come il Conte accolse la proposta. Alquanto ardito il progetto mi par, e ad uno sposo sì vivace e geloso! Ma che mal c'è? Cangiando i miei vestiti con quelli di Susanna, e i suoi co' miei... al favor della notte... oh cielo! A quale umil stato fatale io son ridotta da un consorte crudel, che dopo avermi con un misto inaudito d'infedeltà, di gelosia, di sdegni, prima amata, indi offesa, e alfin tradita, fammi or cercar da una mia serva aita!

E Susanna, que não chega! Estou ansiosa por saber como acolheu o Conde a proposta. Parece-me um pouco audacioso o projecto, mais a mais com um marido tão ferozmente ciumento! Mas, qual é o problema? Trocar os meus vestidos pelos de Susanna, e os seus com os meus... ao cair da noite... Oh, Céus! A que acções baixas e fatais estou reduzida, obrigada por um marido cruel que, numa mistura inaudita de infidelidade, ciúme e desprezo, depois de me ter primeiro amado, depois ofendido e por fim traído, me obriga agora a procurar o auxílio da minha serva!

104

Le nozze di Figaro

105

Dove sono i bei momenti di dolcezza e di piacer, dove andaro i giuramenti di quel labbro menzogner? Perchè mai se in pianti e in pene per me tutto si cangiò, la memoria di quel bene dal mio sen non trapassò? Ah! Se almen la mia costanza nel languire amando ognor, mi portasse una speranza di cangiar l'ingrato cor! (parte)

Onde estão os belos momentos de doçura e de prazer; para onde foram os juramentos daqueles lábios mentirosos? Mas se tudo em soluços e sofrimento para mim se transformou, porque é que a memória dessa felicidade o meu peito não olvidou? Ah, se ao menos o amor constante que eu lhe continuo a dedicar pudesse trazer-me a esperança de aquele coração ingrato conseguir mudar! (parte)

La Contessa

Condessa

Piano, che meglio or lo porremo in gabbia! Dov'è l'appuntamento che tu gli proponesti?

Susanna

A partir de agora, cuidado: vai ser fácil apanhá-lo. Onde é que combinaste o encontro com ele?

Susanna

In giardino.

La Contessa

No jardim.

Condessa

Fissiam gli un loco. Scrivi.

Susanna

Vamos indicar-lhe um local preciso. Escreve.

Susanna

Ch'io scriva... ma, signora... (Susanna siede e scrive)

Eu?... mas... senhora... (Susanna senta-se e escreve)

Condessa

Scena 9 Il Conte ed Antonio con cappello in mano Recitativo

Antonio

Cena 9 O Conde e Antonio com um chapéu na mão Recitativo

Antonio

La Contessa

Eh, scrivi dico; e tutto io prendo su me stessa. (dettando) «Canzonetta sull'aria...» Nº 21 ­ Duettino

Susanna (scrivendo) «Sull'aria...» La Contessa (dettando)

Escreve, digo-te eu, assumirei toda a responsabilidade. (ditando) «Uma canção ao vento...» N.º 21 ­ Duettino

Susanna (escrevendo) «Ao vento...» Condessa (ditando)

Io vi dico, signor, che Cherubino è ancora nel castello, e vedete per prova il suo cappello.

Il Conte

Digo-vos, senhor, que Cherubino continua no palácio. E eis o seu chapéu como prova.

Conde

Ma come, se a quest'ora esser giunto a Siviglia egli dovria.

Antonio

Mas como, se ele a esta hora deveria já estar em Sevilha!

Antonio

«Che soave zeffiretto...» Scusate, oggi Siviglia è a casa mia, là vestissi da donna, e là lasciati ha gl'altri abiti suoi.

Il Conte

«Que suave brisa...»

Susanna

Desculpai, mas hoje Sevilha é em minha casa. Ele vestiu-se lá de mulher e por lá deixou as suas roupas.

Conde

Susanna

«... zeffiretto...»

La Contessa

«... brisa...»

Condessa

«... questa sera spirerà...»

Susanna

«... soprará esta noite!...»

Susanna

Perfidi!

Antonio

Pérfidos!

Antonio

«... questa sera spirerà...»

La Contessa

«... soprará esta noite!...»

Condessa

Andiam, e li vedrete voi. (partono)

Vamos, podereis vê-los com vossos próprios olhos! (partem) «... sotto i pini del boschetto.»

Susanna (domandando)

«... sob os pinheiros do pequeno bosque.»

Susanna (perguntando)

Scena 10 La Contessa e Susanna Recitativo

La Contessa

Cena 10 A Condessa e Susanna Recitativo

Condessa

«... sotto i pini?...»

La Contessa

«... sob os pinheiros?...»

Condessa

«... sotto i pini del boschetto.»

Susanna

«... sob os pinheiros do pequeno bosque.»

Susanna

Cosa mi narri? E che ne disse il conte?

Susanna

Que me dizes? E que respondeu o Conde?

Susanna

«... sotto i pini... del boschetto.»

La Contessa

«... sob os pinheiros... do pequeno bosque.»

Condessa

Gli si leggeva in fronte il dispetto e la rabbia.

Lia-se-lhe na cara a raiva e o despeito.

Ei già il resto capirà.

O resto ele perceberá.

106

Le nozze di Figaro

107

Susanna

Susanna

La Contessa

Condessa

Certo, certo il capirà. Recitativo

Susanna

Claro, ele vai perceber o resto. Recitativo

Susanna

E chi è, narratemi, quell'amabil fanciulla ch'ha l'aria si modesta?

Barbarina

E quem é, dizei-me, aquela amável rapariga com um ar tão tímido?

Barbarina

Piegato è il foglio... or come si sigilla?

La Contessa (si cava una spilla e gliela dà) Ecco... prendi una spilla: servirà di sigillo. Attendi... scrivi sul riverso del foglio: «Rimandate il sigillo». Susanna

O bilhete está dobrado... como fechá-lo?

Condessa (tira um alfinete e entrega-lho)

Ell'è una mia cugina, e per le nozze è venuta stasera.

La Contessa

É uma prima minha que chegou hoje para o casamento.

Condessa

Aqui... toma este alfinete. Servirá de selo. Espera... escreve no reverso do bilhete: «É favor devolver o selo!»

Susanna

Onoriamo la bella forestiera, venite qui... datemi i vostri fiori. (prende i fiori di Cherubino e lo baccia in fronte) Come arrossì! Susanna, e non ti pare che somigli ad alcuno?

Susanna

Honremos a bela forasteira. Vinde aqui... dai-me as vossas flores. (aceita as flores de Cherubino e beija-o na fronte) Como ela cora! Susanna, não a achas parecida com alguém?

Susanna

È più bizzarro di quel della patente.

La Contessa

Este ainda é mais complicado do que o selo da patente.

Condessa

Al naturale. Presto nascondi, io sento venir gente. (Susanna si mette il biglietto nel seno) Depressa, esconde isso... vem aí alguém. (Susanna esconde o bilhete no decote) Scena 12 I detti, il Conte ed Antonio. Antonio ha il cappello di Cherubino: entra in scena pian piano, gli cava la cuffia di donna e gli mette in testa il cappello stesso.

Antonio

É o mínimo que se pode dizer...

Cena 12 Os anteriores, o Conde e Antonio. Antonio tem na mão o chapéu de Cherubino, entra em cena, retira-lhe o toucado e assenta-lhe o chapéu na cabeça.

Antonio

Scena 11 Cherubino vestito da contadinella, Barbarina e alcune altre contadinelle vestite nel medesimo modo con mazzetti di fiori e detti. Nº 22 ­ Coro

Contadinelle

Cena 11 Cherubino vestido de camponesa; Barbarina e outras camponesas vestidas da mesma maneira com flores; e os anteriores. N.º 22 ­ Coro

Jovens Camponesas

Eh cospettate! È questi l'uffiziale.

La Contessa

Ah, estais aqui! É este o senhor oficial!

Condessa

Oh stelle!

Susanna

Meu Deus!

Susanna

Ricevete, o padroncina, queste rose e questi fior, che abbiam colti stamattina per mostrarvi il nostro amor. Siamo tante contadine, e siam tutte poverine, ma quel poco che rechiamo ve lo diamo di buon cor. Recitativo

Barbarina

Recebei, senhora, estas rosas e estas flores que colhemos hoje de manhã como prova do nosso amor. Somos todas camponesas e somos todas pobres, mas o pouco que vos podemos dar, oferecemo-lo de bom coração. Recitativo

Barbarina

Malandrino!

Il Conte

Malandro!

Conde

Ebben, Madama!

La Contessa

Pois bem, senhora!

Condessa

Io sono, o signor mio, irritata e sorpresa al par di voi.

Il Conte

Eu estou, meu senhor, irritada e surpreendida como vós.

Conde

Ma stamane? Queste sono, madama, le ragazze del loco che il poco ch'han vi vengono ad offrire, e vi chiedon perdon del loro ardire.

La Contessa

Mas esta manhã?

Condessa

Estas são, senhora, as raparigas da terra. Trazem-vos o pouco que possuem e pedem-vos perdão pela audácia.

Condessa

La Contessa

Stamane... Per l'odierna festa volevam travestirlo al modo stesso, che l'han vestito adesso.

Il Conte

Esta manhã... queríamos vesti-lo da mesma maneira para a festa desta noite.

Conde

O brave! Vi ringrazio.

Susanna

Que maravilha! Agradeço-vos.

Susanna

E perchè non partiste? Come sono vezzose. Como elas são bonitas!

E porque não partiste?

108

Le nozze di Figaro

109

Cherubino (cavandosi il cappello bruscamente)

Cherubino (tirando bruscamente o chapéu)

Figaro

Figaro

Signor!

Il Conte

Senhor!

Conde

Senza fallo. Andiamo dunque, andiamo.

Antonio

Sem dúvida. Vamos então, vamos.

Antonio

Saprò punire la tua disubbidienza.

Barbarina

Saberei punir a tua desobediência.

Barbarina

E intanto a cavallo di galoppo a Siviglia andava il paggio.

Figaro

E durante todo este tempo, o pajem cavalgava a galope para Sevilha.

Figaro

Eccellenza! Eccellenza! Voi mi dite sì spesso qual volta m'abbracciate, e mi baciate: Barbarina, se m'ami, ti darò quel che brami.

Il Conte

Excelência! Dizeis-me com frequência, quando me abraçais e me beijais: Barbarina, se me amas, dar-te-ei o que desejares.

Conde

Di galoppo, o di passo, buon viaggio! Venite, o belle giovani.

Antonio (prende per mano Cherubino e lo

A galope ou a trote, que faça boa viagem! Vinde, belas jovens.

Antonio (toma Cherubino pela mão e coloca-o perante Figaro) Ei-lo agora que pretende que o meu futuro sobrinho seja um mentiroso. Figaro

Io dissi questo?

Barbarina

Eu disse isso?

Barbarina

presenta a Figaro) Ed ecco chi pretende che sia un bugiardo il mio signor nipote.

Figaro

Voi! Or datemi , padrone, in sposo Cherubino, e v'amerò, com'amo il mio gattino.

La Contessa (al Conte) Ebbene: or tocca a voi. Antonio

Vós! Dai-me senhor, Cherubino por esposo, e eu amar-vos-ei como ao meu gatinho.

Condessa (para o Conde) Então agora que respondeis? Antonio

Cherubino!

Antonio

Cherubino!

Antonio

Or ci sei.

Figaro (al Conte)

Ei-lo aqui!

Figaro (para o Conde)

Che diamin canta?

Il Conte

Que diabo canta ele?

Conde

Brava figliuola! Hai buon maestro, che ti fa scuola.

Il Conte

Muito bem, rapariga. Vê-se que tens bons mestres.

Conde

Non canta, no, ma dice ch'egli saltò stamane sui garofani.

Figaro

Ele não canta, mas diz que saltou esta manhã sobre os cravos.

Figaro

(Non so qual uom, qual demone, qual dio rivolga tutto quanto a torto mio.)

(Não sei que homem, que demónio, ou que deus desfaz todos os meus planos.)

Ei lo dice! Sarà... se ho saltato io, si può dare ch'anch'esso abbia fatto lo stesso.

Il Conte

Ele afirma-o!... Será... se eu saltei, pode dar-se o caso de ele ter saltado também.

Conde

Scena 13 I detti, Figaro.

Figaro

Cena 13 Os anteriores, Figaro.

Figaro

Anch'esso?

Figaro

Ele também?

Figaro

Signor! Se trattenete tutte queste ragazze, addio feste, addio danza.

Il Conte

Senhor, se empatais aqui todas estas belas raparigas, adeus festa... adeus danças...

Conde

Perchè no? Io non impugno mai quel che non so. (S'ode la marcia da lontano e seguita il recitativo nella marcia) Nº 23 ­ Finale

Figaro

E porque não? Eu não falo daquilo que desconheço. (Ao longe, ouve-se a marcha e o recitativo continua durante a mesma.) N.º 23 ­ Finale

Figaro

E che? Vorresti ballar col piè stravolto?

Figaro (finge di drizzarsi la gamba e poi si prova a ballare)

O quê? Queres dançar com o pé magoado?

Figaro (finge esticar a perna e depois ensaia uma dança) Já não me dói muito. Vamos, belas raparigas. Conde

Eh, non mi duol più molto. Andiam, belle fanciulle.

Il Conte

Ecco la marcia, andiamo! Ai vostri posti, o belle, ai vostri posti. Susanna, dammi il braccio!

Susanna

Eis a marcha, vamos! Aos vossos lugares, beldades. Susanna, dá-me o braço.

Susanna

Per buona sorte i vasi eran di creta.

Ainda bem que os vasos eram de barro.

Eccolo!

Aqui está.

110

Le nozze di Figaro

111

(partono tutti eccettuati il Conte e la Contessa)

Il Conte

(partem todos à excepção do Conde e da Condessa)

Conde

Temerari!

La Contessa

Insolentes!

Condessa

Io son di ghiaccio!

Il Conte

Estou petrificada!

Conde

Contessa!

La Contessa

Condessa!

Condessa

(I figuranti ballano. Susanna essendo in ginocchio durante il duo, tira il Conte per l'abito, gli mostra il bigliettino, dopo passa la mano dal lato degli spettatori alla testa, dove pare che il Conte le aggiusti il cappello, e gli dà il biglietto. Il Conte se lo mette furtivamente in seno, Susanna s'alza, e gli fa una riverenza. Figaro viene a riceverla, e si balla il fandango. Marcellina s'alza un po' più tardi. Bartolo viene a riceverla dalle mani della Contessa.)

Il Conte (cava il biglietto e nel aprirlo si punge il dito)

(Os figurantes dançam. Susanna, permanecendo ajoelhada durante o dueto, puxa pelo casaco do Conde, mostra-lhe o bilhete e logo de seguida passa a mão, do lado visível para o público, até à cabeça, fazendo parecer que o Conde lhe ajusta o chapéu, e assim passa-lhe o bilhete. O Conde esconde-o junto ao peito, Susanna levanta-se e faz-lhe uma vénia. Figaro vem recebê-la, e dança-se o fandango. Marcellina levanta-se um pouco mais tarde e é entregue a Bartolo pelas mãos da Condessa.)

Conde (tira o bilhete e espeta o dedo no alfinete)

Or non parliamo. Ecco qui le due nozze, riceverle dobbiam, alfin si tratta d'una vostra protetta. Seggiamo!

Il Conte

Não falemos agora. Eis que chegam os dois casais: devemos recebê-los; uma das noivas é vossa protegida! Sentemo-nos.

Conde

È già si sà, la solita usanza, le donne ficcan gli aghi in ogni loco. Ah! Ah! Capisco il gioco.

Figaro (vede tutto e dice a Susanna) Un biglietto amoroso che gli diè nel passar qualche galante, ed era sigillato d'una spilla, ond'ei si punse il dito, (Il Conte legge, bacia il biglietto, cerca la spilla, la trova e se la mette alla manica del saio.) il Narciso or la cerca, oh, che stordito!

É, já se sabe, um costume feminino espetar alfinetes em todo o lado. Ah! Ah! Compreendo a tramóia.

Figaro (vê tudo e diz a Susanna)

Seggiamo! (E meditiam vendetta.) (Siedono. La marcia s'avvicina.)

Sentemo-nos. (E meditemos na vingança.) (Sentam-se. Aproxima-se a marcha.)

Alguma beldade ao passar entregou-lhe um bilhete amoroso, e estava fechado com um alfinete que lhe picou o dedo. (O Conde lê, beija o bilhete, procura o alfinete, encontra-o e coloca-o na manga do seu casaco.) O Narciso está à procura dela, oh, que louco! Recitativo

Conde

Scena 14 I sudetti, Figaro, Susanna, Marcellina, Bartolo, Antonio, Barbarina, Cacciatori con fucile in spalla gente del foro. Contadini e Contadine. Due giovinette che portano il cappello verginale con piume bianche, due altre un bianco velo, due altre i guanti e il mazzetto di fiori. Figaro con Marcellina. Due altre giovinette che portano un simile cappello per Susanna ecc. Bartolo con Susanna. Due giovinette incominciano il coro che termina in ripieno; Bartolo conduce la Susanna al Conte e s'inginocchia per ricever da lui il cappello ecc. Figaro conduce Marcellina alla Contessa e fa la stessa funzione.

Due Donne

Cena 14 Os anteriores, Figaro, Susanna, Marcellina, Bartolo, Antonio, Barbarina, caçadores de espingarda ao ombro e aldeãos. Camponeses e camponesas. Duas donzelas trazem o toucado virginal com plumas brancas, duas outras um véu branco e duas outras trazem flores. Figaro com Marcellina. Duas outras donzelas trazem um toucado semelhante ao de Susanna, etc. Bartolo com Susanna. Duas donzelas começam a cantar em coro terminando com Bartolo que conduz Susanna ao Conde e se ajoelha perante ele para receber o chapéu, etc... Figaro conduz Marcellina até à Condessa e faz a mesma coisa.

Duas Donzelas

Recitativo

Il Conte

Andate, amici! E sia per questa sera disposto l'apparato nuziale colla più ricca pompa; io vo' che sia magnifica la feste, e canti e fuochi, e gran cena, e gran ballo: e ognuno impari com'io tratto color, che a me son cari.

Coro

Ide, amigos! E que seja esta noite a festa nupcial armada com a mais rica pompa. Eu quero que tudo seja magnífico: cantos; fogos de artifício; grande ceia; grande baile! Quero que todos saibam como trato bem aqueles que me são queridos.

Coro

Amanti costanti, seguaci d'onor, cantate, lodate sì saggio signor. A un dritto cedendo, che oltraggia, che offende, ei caste vi rende ai vostri amator.

Tutti

Amantes fiéis, que escutais a voz da honra, cantai e louvai um senhor tão sábio. Renunciando a um direito que ofende e ultraja, ele entrega-vos castas aos vossos amantes.

Todos

Amanti costanti, seguaci d'onor, cantate, lodate sì saggio signor. A un dritto cedendo, che oltraggia, che offende, ei caste vi rende ai vostri amator. Cantiamo, lodiamo sì saggio signor! (tutti partono)

Amantes fiéis, que escutais a voz da honra, cantai e louvai um senhor tão sábio. Renunciando a um direito que ofende e ultraja, ele entrega-vos castas aos vossos amantes. Cantemos e louvemos um senhor tão sábio! (todos partem)

Cantiamo, lodiamo sì saggio signor!

Cantemos e louvemos um senhor tão sábio.

112

Le nozze di Figaro

113

Atto IV

Scena 1 Barbarina sola Nº 24 ­ Cavatina

Barbarina (cercando qualche cosa per terra)

Acto IV

Cena 1 Barbarina sozinha N.º 24 ­ Cavatina

Questa è la spilla che il Conte da recare ti diede alla Susanna, e servia di sigillo a un bigliettino; vedi s'io sono istrutto.

Barbarina

Este é o alfinete que o Conde te deu para entregares a Susanna, e ele estava a prender um bilhetinho; vês como sei de tudo?

Barbarina

Barbarina (procurando algo no chão)

A te già niente preme.

Figaro

Nada disto te diz respeito.

Figaro

L'ho perduta, me meschina! Ah, chi sà dove sarà? Non la trovo, e mia cugina? E il padron, cosa dirà?

Perdi-o, infeliz de mim! Quem sabe onde estará? Não o encontro, e a minha prima? E que dirá o patrão?

Oh niente, niente.

Barbarina

Nada, nada.

Barbarina

Scena 2 Barbarina, Figaro e Marcellina. Recitativo

Figaro

Cena 2 Barbarina, Figaro e Marcellina. Recitativo

Figaro

Addio, mio bel cugino; vò da Susanna, e poi da Cherubino. (parte saltando)

Adeus, meu belo primo; vou ter com Susanna, e depois com Cherubino. (parte aos pulos)

Scena 3 Marcellina e Figaro

Figaro (quasi stupido)

Cena 3 Marcellina e Figaro

Figaro (frisando a patetice)

Barbarina, cos'hai?

Barbarina

Que tens tu, Barbarina?

Barbarina

Madre!

Marcellina

Mãe!

Marcellina

L'ho perduta, cugino.

Figaro

Perdi-o, meu primo.

Figaro

Figlio!

Figaro

Filho!

Figaro

Cosa?

Marcellina

O quê?

Marcellina

Son morto.

Marcellina

Estou para morrer.

Marcellina

Cosa?

Barbarina

O quê?

Barbarina

Calmati, figlio mio!

Figaro

Acalma-te, meu filho.

Figaro

La spilla, che a me diede il padrone per recar a Susanna.

Figaro

O alfinete, que o nosso amo me deu para entregar a Susanna.

Figaro

Son morto, dico.

Marcellina

Estou para morrer, repito.

Marcellina

A Susanna, la spilla? (con ira) E così, tenerella, il mestiero già sai... (si calma) di far tutto sì ben quel che tu fai?

Barbarina

A Susanna? O alfinete? (com ira) Tão novinha, e já sabes tanto... (acalma-se) Fazes assim tão bem tudo o que fazes?

Barbarina

Flemma, flemma e poi flemma! Il fatto è serio; e pensarci convien. Ma guarda un poco, che ancor non sai di chi prenda gioco.

Figaro

Paciência, paciência e mais paciência. O assunto é grave e convém pensar bem nele. Mas ainda nem sequer sabes quem é que aqui está a ser gozado.

Figaro

Ah, quella spilla, o madre, è quella stessa che poc'anzi ei raccolse.

Marcellina

Ah, mãe, aquele alfinete é o mesmo que ele recebeu há pouco.

Marcellina

Cos'è, vai meco in collera?

Figaro

Porque estás zangado comigo?

Figaro

E non vedi ch'io scherzo? Osserva. (Cerca un momento per terra, dopo aver destramente cavata una spilla dall'abito o dalla cuffia di Marcellina e la dà a Barbarina.)

Não vês que estou a brincar? Repara. (Ajuda-a a procurar durante um momento depois de ter, habilidosamente, retirado um alfinete do toucado de Marcellina e estende-o a Barbarina.)

È ver, ma questo al più ti porge un dritto di stare in guardia e vivere in sospetto. Ma non sai, se in effetto...

Figaro

É verdade... e isto dá-te o direito de estar prevenido, e o de alimentar suspeitas. Mas, não sabes se, com efeito...

Figaro

All'erta dunque! Il loco del congresso so dov'è stabilito...

Estejamos então alerta. Eu conheço o local do encontro.

114

Le nozze di Figaro

115

Marcellina

Marcellina

Nº 26 ­ Aria

Basilio

N.º 26 ­ Ária

Basilio

Dove vai figlio mio?

Figaro

Onde vais, meu filho?

Figaro

A vendicar tutti i mariti. Addio. (parte infuriato)

Vou vingar todos os maridos. Adeus. (parte furioso)

Scena 4 Marcellina sola Recitativo

Marcellina

Cena 4 Marcellina sozinha Recitativo

Marcellina

Presto avvertiam Susanna. Io la credo innocente. Quella faccia, quell'aria di modestia è caso ancora ch'ella non fosse... ah, quando il cor non ciurma personale interesse, ogni donna è portata alla difesa del suo povero sesso, da questi uomini ingrati a torto oppresso.

Depressa, é preciso avisar Susanna. Eu acho que ela está inocente. Aquela face, aqueles ares modestos, e admitamos que não era ela... Ah, quando não se trata do próprio coração, todas as mulheres são levadas a defender o sexo fraco, contra estes homens ingratos que lhes fazem frente.

Scena 7 Basilio e Bartolo

Basilio

Cena 7 Basilio e Bartolo

Basilio

Hai diavoli nel corpo.

Bartolo

Ele tem o diabo no corpo!

Bartolo

Ma che guadagni?

Basilio

Mas com que interesse?

Basilio

Nulla. Susanna piace al conte. Ella d'accordo gli diè un appuntamento ch'a Figaro non piace.

Bartolo

Nenhum. O Conde gosta de Susanna. Ela correspondeu-lhe, e marcou-lhe um encontro, o que não agrada a Figaro.

Bartolo

E che? Dunque dovria soffrirlo in pace?

Basilio

E então? Ele deveria aceitar isso pacificamente?

Basilio

Quel che soffrono tanti ei soffrir non potrebbe? E poi sentite, che guadagno può far? Nel mondo, amico, l'accozzarla co' grandi fu pericolo ognora, dan novanta per cento e han vinto ancora.

Porque é que ele não haveria de sofrer aquilo que todos sofrem? E depois, dizei-me, que ganha ele com isso? No mundo, meu amigo, sempre foi um perigo medirmos forças com os grandes: dão noventa por cento, e ganham mesmo assim.

In quegl'anni, in cui val poco la mal pratica ragion, ebbi anch'io lo stesso foco, fui quel pazzo, ch'or non son. Ma col tempo e coi perigli donna Flemma capitò; e i capricci ed i puntigli della testa mi cavò. Presso un piccolo abituro, seco lei mi trasse un giorno, e togliendo giù dal muro del pacifico soggiorno una pelle di somaro. Prendi, disse, o figlio caro! Poi disparve, e mi lasciò. Mentre ancor tacito guardo quel dono, il ciel s'annuvola rimbomba il tuono, mista alla grandine scroscia la piova, ecco le membra coprir mi giova col manto d'asino che mi donò. Finisce il turbine, io fo due passi che fiera orribile dianzi a me fassi; già, già mi tocca l'ingorda bocca, già di difendermi speme non ho. Ma il finto ignobile del mio vestito tolse alla belva sì l'appetito, che disprezzandomi si rinselvò. Così conoscere mi fè la sorte, ch'onte, pericoli, vergogna e morte col cuojo d'asino fuggir si può. (Basilio e Bartolo partono)

Naqueles anos em que pouco uso fazemos da razão, também eu ardi fogosamente e fui o louco que agora não sou. Com o tempo e com os perigos, Dona Prudência chegou; E tirou-me da cabeça os caprichos e os escrúpulos. Ela levou-me uma vez a uma pequena cabana e, tirando da parede da pacífica morada uma pele de burro, disse: «Toma, querido filho!», e depois desapareceu, deixando-me. Enquanto eu olhava silencioso para aquele presente, o céu cobriu-se de nuvens, ribombaram os trovões, desabaram do alto chuva e granizo. Para me proteger, cobri-me com a pele de burro que ela me oferecera. Acabou a tempestade, dou dois passos, e surge-me pela frente uma horrenda fera; Esta prepara-se já para me atacar, e eu sem esperanças de defesa alguma. Mas ao avistar a minha horrível vestimenta, faltou o apetite à besta que, desprezando-me, se embrenhou na selva. Assim, o destino me fez saber que sob uma pele de burro podemos fugir às vergonhas, aos perigos, ao ultraje e à morte. (Basilio e Bartolo partem)

116

Le nozze di Figaro

117

Scena 8 Figaro solo Nº 27 ­ Recitativo ed Aria

Figaro

Cena 8 Figaro sozinho N.º 27 ­ Recitativo e Ária

Figaro

Scena 9 Susanna, la Contessa travestite; Marcellina. Recitativo

Susanna

Cena 9 Susanna, a Condessa disfarçada; Marcellina. Recitativo

Susanna

Tutto è disposto: l'ora dovrebbe esser vicina; io sento gente... È dessa... Non è alcun... buia è la notte... ed io comincio omai, a fare il scimunito mestiero di marito... Ingrata! Nel momento della mia cerimonia ei godeva leggendo: e nel vederlo io rideva di me senza saperlo. Oh Susanna! Susanna! Quanta pena mi costi! Con quell'ingenua faccia, con quegli occhi innocenti, chi creduto l'avria? Ah! Che il fidarsi a donna è ognor follia. Aprite un po' quegl'occhi, uomini incauti e sciocchi, guardate queste femmine, guardate cosa son! Queste chiamate dee dagli ingannati sensi a cui tributa incensi la debole ragion. Son streghe che incantano per farci penar, sirene che cantano per farci affogar, civette che allettano per trarci le piume, comete che brillano per toglierci il lume; son rose spinose, son volpi vezzose, son orse benigne, colombe maligne, maestre d'inganni, amiche d'affanni, che fingono, mentono, amore non senton, non senton pietà, no, no, no, no! Il resto nol dico, già ognun lo sa! (si ritira)

Está tudo preparado: as horas devem estar a soar; ouço gente... É ela... Não é ninguém... a noite está escura... e eu já comecei a representar o desgraçado papel de marido... Ingrata! No momento da cerimónia ele gozava ao ler e, ao vê-lo, eu ria-me de mim próprio, sem o saber. Oh Susanna! Susanna! Que sofrimento me causas! Com essa face ingénua, com esses olhos inocentes, quem haveria de acreditar? Ah! É sempre uma loucura fiarmo-nos nas mulheres! Abri um pouco os olhos, homens incautos e imprudentes, reparai nas mulheres, vede como elas são. Estas chamadas deusas pelos maridos enganados a quem a débil razão tributa incensos. São bruxas que encantam para nos fazer sofrer, sereias que cantam para nos fazer afogar. Marotas que nos deliciam para nos depenar. Cometas que brilham para nos roubar a luz. São rosas espinhosas, são raposas airosas, são ursas bondosas, são pombas malignas. Mestras de enganos, amigas de complicações, que fingem e mentem, e que não sentem amor nem sentem piedade, não, não não não! E mais não digo. O resto já o sabeis. (retira-se)

Signora... ella mi disse che Figaro verravi.

Marcellina

Senhora... ela disse-me que Figaro viria aqui.

Marcellina

Anzi è venuto. Abbassa un può la voce.

Susanna

Ele já ali está. Baixa a voz!

Susanna

Dunque, un ci ascolta, e l'altro dee venir a cercarmi. Incominciam.

Marcellina (entra dove entrò Barbarina)

Então, um está a espiar-nos, e o outro está a chegar para me encontrar. Comecemos.

Marcellina (entra por onde entrou Barbarina) Eu escondo-me aqui.

Io voglio qui celarmi.

Scena 10 I suddetti, Figaro in disparte.

Susanna

Cena 10 Os anteriores, Figaro à parte.

Susanna

Madama, voi tremate; avreste freddo?

La Contessa

Senhora, estais a tremer. Tendes frio?

Condessa

Parmi umida la notte; io mi ritiro.

Figaro

A noite está húmida; vou retirar-me.

Figaro

(Eccoci della crisi il grande istante.)

Susanna

(Eis o grande momento da crise.)

Susanna

Io sotto questi pini, se madama il permette, resto prendere il fresco una mezz'ora.

Figaro

Eu, sob estes pinheiros, se a senhora o permitir, ficarei a apanhar fresco durante meia hora.

Figaro

(Il fresco, il fresco!)

La Contessa (si nasconde)

(Chama-lhe fresco!)

Condessa (escondendo-se)

Restaci in buon'ora.

Susanna (sotto voce)

Fica, e aproveita o teu tempo.

Susanna (em voz baixa) O palerma está de sentinela. Agora vou eu divertir-me. Vai ter a paga dos seus ciúmes.

Il birbo è in sentinella. Divertiamci anche noi, diamogli la mercé de' dubbi suoi. Nº 27 ­ Recitativo ed Aria

N.º 27 ­ Recitativo e Ária

118

Le nozze di Figaro

119

Susanna

Susanna

Cherubino

Cherubino

Giunse alfin il momento, che godrò senz'affanno in braccio all'idol mio. Timide cure! Uscite dal mio petto, a turbar non venite il mio diletto! Oh come par che all'amoroso foco l'amenità del loco, la terra e il ciel risponda, come la notte i furti miei seconda! Deh, vieni, non tardar, o gioia bella, vieni ove amore per goder t'appella, finchè non splende in ciel notturna face, finchè l'aria è ancor bruna e il mondo tace. Qui mormora il ruscel, qui scherza l'aura, che col dolce sussurro il cor ristaura, qui ridono i fioretti e l'erba è fresca, ai piaceri d'amor qui tutto adesca. Vieni, ben mio, tra queste piante ascose, ti vo' la fronte incoronar di rose.

Chegou por fim o momento em que gozarei sem entraves nos braços do meu ídolo. Escrúpulos tímidos! Saí de dentro do meu peito, não perturbeis a minha felicidade! Oh, como parece que à minha ardente paixão a amenidade do local, a terra e o céu respondam, como a noite desfaz os meus tormentos. Vem, sem tardar, bela felicidade. Vem até onde o amor te chama para o prazer, e permanece até que nenhuma estrela reste no céu, até à alvorada, quando o mundo emudece. Aqui murmura o regato, aqui a brisa brinca, consolando o coração com um doce sussurro. Aqui as flores riem, a erva é fresca, aqui tudo se dá aos prazeres do amor. Vem, meu amor, escondidos nestas plantas, quero coroar-te a fronte com rosas.

Pian, pianin le andrò più presso, tempo perso non sarà.

La Contessa

Devagarinho, vou aproximar-me. Não se pode perder tempo.

Condessa

(Ah! Se il conte arriva adesso, qualche imbroglio accaderà!)

Cherubino (alla Contessa) Susannetta! Non risponde? Colla mano il volto asconde, or la burlo, in verità. (le prende la mano e l'accarezza) La Contessa (cerca liberarsi alterando la voce a tempo) Arditello! Sfacciatello! Ite presto via di quà! Cherubino

(Ah, se o Conde chegar agora, vai haver uma grande confusão!)

Cherubino (para a Condessa)

Susaninha! Não responde? Esconde a cara com as mãos, agora vou atrapalhá-la. (pega-lhe nas mãos e acaricia-as)

Condessa (tenta libertar-se, alterando a voz de vez em quando) Atrevidote! Impertinente! Vai-te depressa daqui! Cherubino

Smorfiosa, maliziosa, io già sò perchè sei qua!

Sonsa! Maliciosa! Sei bem porque estás aqui!

Scena 11 I suddetti e poi Cherubino Recitativo

Figaro

Cena 11 Os anteriores e Cherubino Recitativo

Figaro

Scena 12 I suddetti, il Conte.

Il Conte (da lontano)

Cena 12 Os anteriores, o Conde.

Conde (ao longe)

Ecco qui la mia Susanna! Perfida! E in quella forma meco mentia? Non so s'io veglio, o dormo.

Cherubino (cantando)

Eis a minha Susanna.

Susanna e Figaro

Pérfida, e mentia-me daquela maneira? Não sei se durmo, se estou acordado.

Cherubino (cantando)

Susanna e Figaro

Ecco qui l'uccellatore!

Cherubino

Eis o passarinheiro!

Cherubino

La la la...

La Contessa

La la la...

Condessa

Non far meco la tiranna!

Susanna, il Conte e Figaro

Não te faças difícil comigo!

Susanna, o Conde e Figaro

Il picciol paggio.

Cherubino

O pequeno pajem!

Cherubino

Ah, nel sen mi batte il core! Un altr'uom con lei sta; alla voce è quegli il paggio.

La Contessa

Como me bate o coração no peito! Ela está com outro homem; e pela voz parece-me o pajem.

Condessa

Oh vedo qui una donna.

La Contessa

Oh, vejo uma mulher!

Condessa

Via partite, o chiamo gente!

Cherubino (sempre tenendola per la mano)

Ide embora, ou chamo por socorro.

Cherubino (continuando a agarrar-lhe as mãos)

Ahi me meschina!

Cherubino

Ah, desgraçada de mim!

Cherubino

Dammi un bacio, o non fai niente.

La Contessa

Dá-me um beijo, ou nada faças.

Condessa

M'inganno! A quel cappello che nell'ombra vegg'io parmi Susanna.

La Contessa

Enganei-me! Pelo chapéu que vejo na sombra, parece-me Susanna.

Condessa

Anche un bacio! Che coraggio! E se il conte ora vien, sorte tiranna! Nº 29 ­ Finale E se o Conde chega agora? Que cruel destino! N.º 29 ­ Finale

Cherubino

Agora quer um beijo! É preciso ter coragem!

Cherubino

E perchè far io non posso, quel che il conte ognor farà?

E porque não poderei eu fazer aquilo que o Conde fará de seguida?

120

Le nozze di Figaro

121

Susanna, la Contessa, il Conte e Figaro

Susanna, a Condessa, o Conde e Figaro

Il Conte

Conde

Temerario!

Cherubino

Temerário!

Cherubino

Carina!

Figaro

Querida!

Figaro

Oh v'è, che smorfie! Sai ch'io fui dietro il sofà.

Susanna, la Contessa, il Conte e Figaro

Mas que dificuldades! Sabes bem que eu estava atrás do sofá!

Susanna, a Condessa, o Conde e Figaro

Carina?

Il Conte

Querida?

Conde

Se il ribaldo ancor sta saldo, la faccenda guasterà.

Cherubino (volendo dar un bacio alla Contessa)

Se o malandro não se for embora, todo o nosso plano vai por água abaixo.

Cherubino (tentando beijar a Condessa) Toma lá este!

Che dita tenerelle! Che delicata pelle! Mi pizzica, mi stuzzica, m'empie d'un nuovo ardor!

Susanna, la Contessa e Figaro

Que dedos graciosos! Que pele delicada! Estou cheio de arrepios, encho-me de paixão.

Susanna, a Condessa e Figaro

Prendi intanto... (Il Conte, mettendosi tra la Contessa ed il Paggio, riceve il bacio.)

La Contessa e Cherubino

(O Conde coloca-se entre a Condessa e o Pajem, e recebe o beijo.)

A Condessa e Cherubino

La cieca prevenzione delude la ragione, inganna i sensi ognor.

Il Conte

Os preconceitos estúpidos cegam a razão e enganam os sentidos.

Conde

Oh cielo! Il Conte! (Cherubino entra da Barbarina)

Figaro (appressandosi al Conte) Vo' veder cosa fan là. Il Conte (crede di dar uno schiaffo al Paggio

Oh céus! O Conde! (Cherubino esconde-se onde está Barbarina)

Figaro (aproximando-se do Conde)

Oltre la dote, o cara! Ricevi anco un brillante che a te porge un amante in pegno del suo amor. (le dà un anello)

La Contessa

Para além do dote, minha querida, recebe também um diamante, que te oferece um amante como prova do seu amor. (dá-lhe um anel)

Condessa

Vou ver o que se passa ali.

Conde (Crê dar um estalo ao Pajem,

e lo dà a Figaro) Perchè voi non ripetete, ricevete questo quà!

Figaro, Susanna e la Contessa

mas esbofeteia Figaro.) Para que não o repitas, recebe agora tu este!

Figaro, Susanna e a Condessa

Tutto Susanna piglia dal suo benefattor.

Susanna, il Conte e Figaro

Susanna tudo aceita do seu benfeitor.

Susanna, o Conde e Figaro

Va tutto a maraviglia, ma il meglio manca ancor.

La Contessa (al Conte) Signor, d'accese fiaccole io veggio il balenar. Il Conte

Tudo vai às mil maravilhas, mas ainda falta o melhor.

Condessa (para o Conde)

Ah! Ci ho/ha fatto un bel guadagno colla mia/sua curiosità!

Il Conte

Ah! Tenho/tem uma bela recompensa pela minha/sua curiosidade.

Conde

Senhor, vejo aproximarem-se clarões de tochas.

Conde

Ah! Ci ha fatto un bel guadagno colla sua temerità! (Figaro si ritira; alla Contessa.) Partito è alfin l'audace, accostati ben mio!

La Contessa

Ah! Teve uma boa recompensa pela sua temeridade! (Figaro retira-se; para a Condessa.) O audacioso foi-se, por fim, embora. Vem cá, meu tesouro!

Condessa

Entriam, mia bella Venere, andiamoci a celar!

Susanna e Figaro

Entremos, minha bela Vénus, vamos esconder-nos!

Susanna e Figaro

Giacchè così vi piace, eccomi qui signor!

Figaro

Já que isso vos agrada, eis-me aqui senhor!

Figaro

Mariti scimuniti, venite ad imparar!

La Contessa

Maridos imbecis, vinde aprender!

Condessa

Al bujo, signor mio?

Il Conte

Às escuras, meu senhor?

Conde

Che compiacente femmina! Che sposa di buon cor!

Il Conte

Que complacente rapariga! Que esposa com tão bom coração!

Conde

Porgimi la manina!

La Contessa

Dá-me a tua pequena mão.

Condessa

È quello che vogl'io. Tu sai che là per leggere io non desio d'entrar.

Assim o desejo. Tu sabes bem que não quero entrar ali para ler.

Io ve la do.

Tomai-a.

122

Le nozze di Figaro

123

Susanna e la Contessa

Susanna e a Condessa

Susanna

Susanna

I furbi sono in trappola, comincia ben l'affar.

Figaro

Os espertalhões caíram na armadilha. A coisa começa bem.

Figaro

Si!

Figaro

Sim.

Figaro

Come potria farsi?

Susanna

Como poderia isso ser?

Susanna

La perfida lo seguita, è vano il dubitar. (passa)

Il Conte (con voce alterata)

A pérfida segue-o, são inúteis as dúvidas. (passa)

Conde (com voz alterada)

(L'iniquo io vo' sorprendere, poi sò quel che farò.)

Figaro

(Quero surpreender o iníquo, e depois sei bem o que fazer.)

Figaro

Chi passa?

Figaro (con rabbia)

Quem está aí?

Figaro (com raiva)

Passa gente!

La Contessa

Está aqui gente!

Condessa

(La volpe vuol sorprendermi, e secondarla vò.) (con comica affettazione) Ah se Madama il vuole!

Susanna

(A raposa quer surpreender-me, vou dar-lhe corda, por um pouco.) (com afectação cómica) Ah, se a senhora assim o desejar!

Susanna

È Figaro; men vò! (entra a man destra)

Il Conte

É Figaro. Vou-me embora. (entra à direita)

Conde

(Sù via, manco parole.)

Figaro

(Fico sem palavras.)

Figaro

Andate! Io poi verrò. (si disperde pel bosco)

Ide. Já vos sigo. (embrenha-se no bosque)

Eccomi a' vostri piedi, ho pieno il cor di foco, esaminate il loco, pensate al traditor!

Susanna

Eis-me a vossos pés, tenho o coração ardente, examinai o local, pensai no traidor.

Susanna

Scena 13 Figaro e Susanna

Figaro

Cena 13 Figaro e Susanna

Figaro

(Come la man mi pizzica! Che smania, che furor!)

Figaro

(Como me apetece usar a mão! Que impaciência! Que raiva!)

Figaro

Tutto è tranquillo e placido, entrò la bella Venere; col vago Marte a prendere nuovo Vulcan del secolo in rete li potrò!

Susanna (cangiando la voce)

Tudo está tranquilo e sereno, a bela Vénus entrou com o amante Marte. Eu, tal novo Vulcano do século, deitar-lhes-ei a rede!

Susanna (alterando a voz)

(Come il polmon mi s'altera, che smania, che calor!)

Susanna (alterando un poco la voce)

(Como se me altera a respiração! Que desejos! Que calores!)

Susanna (alterando um pouco a voz) E sem nenhum amor?... Figaro

E senz'alcun affetto?

Figaro

Ehi Figaro! Tacete!

Figaro

Figaro, silêncio!

Figaro

Oh, questa è la Contessa! A tempo qui giungete, vedrete là voi stessa... il Conte, e la mia sposa, di propria man la cosa toccar io vi farò.

Susanna (si dimentica d'alterar la voce)

Oh, esta é a Condessa! Chegais em bom momento, sereis vós mesma testemunha... o Conde com a minha esposa, vou fazer-vos ver a coisa com os vossos próprios olhos.

Susanna (esquecendo-se de alterar a voz) Falai um pouco mais baixo, eu daqui não me movo, mas quero vingar-me. Figaro

Suppliscavi il rispetto! Non perdiam tempo invano: datemi un po' la mano... (si frega le mani)

Susanna (In voce naturale, gli dà uno schiaffo.)

Que baste o meu respeito! Não percamos tempo em vão, dai-me a vossa mão... (esfrega as mãos)

Susanna (Com a sua voz, esbofeteando-o.)

Servitevi, signor!

Figaro

Servi-vos, senhor!

Figaro

Parlate un po' più basso, di quà non muovo il passo, ma vendicar mi vò.

Figaro

Che schiaffo!

Susanna (ancor uno)

Que bofetada!

Susanna (dando-lhe outro estalo)

(Susanna!) Vendicarsi?

(Susanna!) Vingar-se?

Che schiaffo, (lo schiaffeggia a tempo) e questo, e questo, e ancora questo, e questo e poi quest'altro.

Que bofetada, (dando-lhe estalos a ritmo) E esta, e esta, e ainda esta, e esta, e mais esta.

124

Le nozze di Figaro

125

Figaro

Figaro

Figaro

Figaro

Non batter così presto!

Susanna

Não batas tão depressa!

Susanna

Madama?

Susanna

A senhora?

Susanna

E questo, signor scaltro, e questo e poi quest'altro ancor.

Figaro

E esta, senhor espertalhão, e esta, e ainda mais esta.

Figaro

Madama!

Susanna e Figaro

A senhora!

Susanna e Figaro

O schiaffi graziosissimi, o mio felice amor.

Susanna

Ó pancadas deliciosas! Oh meu amor feliz!

Susanna

La commedia, idol mio, terminiamo, consoliamo il bizzarro amator!

Figaro (si mette ai piedi di Susanna) Sì, madama, voi siete il ben mio! Il Conte

Terminemos a comédia, meu tesouro, consolemos o estranho amante.

Figaro (ajoelhando-se perante Susanna)

Sim, Madama, sois tudo para mim.

Conde

Impara, impara, o perfido, a fare il seduttor.

Aprende, aprende, pérfido, a fazer de sedutor.

La mia sposa! Ah! Senz'arme son io! Scena 14 I suddetti poi il Conte

Figaro (si mette in ginocchio) Pace, pace, mio dolce tesoro! Io conobbi la voce che adoro e che impressa ognor serbo nel cor. Susanna (ridendo e sorpresa)

A minha esposa. E estou sem armas!

Figaro

Cena 14 Os anteriores e depois o Conde

Figaro (ajoelha-se)

Figaro

Un ristoro al mio cor concedete?

Susanna

Dareis alívio ao meu coração?

Susanna

Paz, paz, meu doce tesouro! Eu reconheci a voz que adoro e que tenho sempre presente no meu coração.

Susanna (rindo surpreendida)

Io son qui, faccio quel che volete.

Il Conte

Aqui estou. Faz de mim o que quiseres.

Conde

Ah, ribaldi! La mia voce?

Figaro

Miseráveis!

Susanna e Figaro

A minha voz?

Figaro

Susanna e Figaro

La voce che adoro.

Susanna e Figaro

A voz que adoro.

Susanna e Figaro

Ah, corriamo, mio bene, e le pene compensi il piacer. (entrano nela nicchia)

Não tardemos, meu bem, que o prazer afaste as nossas tristezas. (entram num pequeno pavilhão)

Pace, pace, mio dolce tesoro, pace, pace, mio tenero amor.

Il Conte

Paz, paz, meu doce tesouro, paz, paz, meu querido amor.

Conde

Scena ultima I suddetti, Antonio, Basilio, servitori con fiaccole accese; poi Susanna, Marcellina, Cherubino, Barbarina; indi la Contessa.

Il Conte (arresta Figaro) Gente, gente, all'armi! All'armi! Figaro (finge eccessiva paura)

Última Cena Os anteriores, Antonio, Basilio, criados com lampiões acesos; depois Susanna, Marcellina, Cherubino, Barbarina; e a Condessa.

Conde (segurando Figaro) Gente! Gente! Às armas! Às armas! Figaro (fingindo excessivo medo)

Non la trovo e girai tutto il bosco.

Susanna e Figaro

Não a encontro, e procurei em todo o bosque.

Figaro e Susanna

Questi è il Conte, alla voce il conosco.

Il Conte (parlando verso la nicchia, dove entrò madama,

É o Conde, reconheço-lhe a voz.

Conde (falando para o pavilhão onde se escondeu a

Il padrone! Gente!

Il Conte

O Conde! Gentes!

Conde

cui apre egli stesso.) Ehi, Susanna! Sei sorda? Sei muta?

Susanna

Condessa, que ele abre.) Eh, Susanna! Estás surda? Estás muda?

Susanna

Gente! Gente! Aiuto! Aiuto! Bella, bella! Non l'ha conosciuta.

Figaro

Gente! Gente! Socorro! Socorro!

Figaro

Perfeito! Que maravilha! Ele não a reconheceu!

Figaro

Figaro

Son perduto! Chi?

Susanna

Estou perdido!

Basilio e Antonio

A quem?

Susanna

Basilio ed Antonio

Cos'avvenne? Madama! À senhora!

Que aconteceu?

126

Le nozze di Figaro

127

Il Conte

Conde

Il Conte

Conde

Il scellerato m'ha tradito, m'ha infamato e con chi state a veder!

Basilio, Don Curzio

O desgraçado! Traiu-me, infamou-me, e vede com quem!

Basilio e Dom Curzio

No, no, no!

La Contessa (esce dall'altra nicchia e vuole

Não! Não! Não! Não!

Condessa (Sai do outro pavilhão e faz menção de ajoelhar-se, mas o Conde não consente.) Então terei eu de obter o perdão para eles. Basilio, o Conde e Antonio

Son stordito, sbalormato, e con chi state a veder!

Antonio, Bartolo

Estou interdito e estupefacto: nem acredito no que estou a ver!

Antonio e Bartolo

inginocchiarsi, il Conte nol permette.) Almeno io per loro perdono otterrò!

Basilio, il Conte e Antonio

Son stordito, sbalordito, non mi par che ciò sia ver!

Figaro

Estou interdito e estupefacto: não me parece que isto seja verdade!

Figaro

(Oh cielo! Che veggio! Deliro! Vaneggio! Che creder non sò?)

Il Conte

(Oh céus! Que vejo! Deliro! Sonho! Não acredito nos meus olhos.)

Conde

Son storditi, son sbalorditi, o che scena, che piacer!

Il Conte

Estão interditos e estupefactos: oh, que cena! Que prazer!

Conde

Contessa, perdono!

La Contessa

Condessa, perdão!

Condessa

Invan resistete, uscite, madama! Il premio or avrete di vostra onestà! Il paggio!

Antonio

Resistis em vão! Saí, Madama! Tereis agora o prémio da vossa honestidade. O pajem!

Antonio

Più docile io sono, e dico di sì.

Tutti

Eu sou mais dócil, e digo que sim!

Todos

Mia figlia!

Figaro

Minha filha!

Figaro

Mia madre!

Basilio, Antonio e Figaro

Minha mãe!

Basilio, Antonio e Figaro

Ah tutti contenti saremo così. Questo giorno di tormenti, di capricci, e di follia, in contenti e in allegria solo amor può terminar. Sposi! Amici! Al ballo! Al gioco! Alle mine date foco! Ed al suon di lieta marcia corriam tutti a festeggiar!

Ah! Assim ficaremos todos felizes! Somente o amor poderia terminar em felicidade e alegria este dia de tormentos, caprichos e loucuras! Esposos! Amigos! Ao baile! Ao jogo! Esqueçamos as disputas! E ao som de uma marcha alegre vamos todos festejar.

Madama!

Il Conte

Madama!

Conde

Fine

Fim

Scoperta è la trama, la perfida è quà.

Susanna (s'inginocchia ai piedi del Conte) Perdono! Perdono! Il Conte

Descobriu-se o mistério, eis a pérfida!

Susanna (ajoelha-se aos pés do Conde) Perdão! Perdão! Conde

Tradução para legendagem e publicação no programa de sala

No, no, non sperarlo.

Figaro (s'inginocchia) Perdono! Perdono! Il Conte

Não espereis por isso!

Figaro (ajoelha-se)

Jorge Rodrigues

Perdão! Perdão! Legendagem

Conde

Cultoc

No, no, non vo' darlo!

Bartolo, Cherubino, Marcellina, Basilio, Antonio, Susanna e Figaro (s'inginocchiano)

Não! Não vou dá-lo!

Bartolo, Cherubino, Marcellina, Basilio, Antonio, Susanna e Figaro (ajoelham-se)

Perdono! Perdono!

Perdão! Perdão!

128

Le nozze di Figaro

129

David Cranmer

Dramaturgo, poeta e compositor

Estava previsto desde muito cedo que Le barbier de Séville, uma comédie mêlée d'ariettes estreada em Paris a 23 de Fevereiro de 1775, iria ter uma sequela, pois o seu autor, Pierre Augustin Caron de Beaumarchais (1732-99), já faz referência, no prefácio da primeira edição impressa, a alguns dos eventos posteriores aos da sua peça. De facto, o sucesso fenomenal de Le Barbier justificava amplamente uma segunda comédia com base nas mesmas personagens. Ignora-se exactamente quando Beaumarchais começou a trabalhar na continuação, La folle journée ou Le mariage de Figaro, mas parece provável que já o tivesse terminado em 1778. Foi aceite para encenação pela Comédie Française, em 1781, mas devido ao seu «conteúdo político» foi proibida pelo Rei Louis XVI que, segundo consta, jurou que nunca iria ser posta em cena. Nos anos que se seguiram, houve várias leituras em casas particulares e uma dramatização semi-particular na corte francesa em Setembro de 1783. Uma sexta solicitação aos censores para encenação pública foi aprovada, na sequência da qual o Rei acabou por dar a sua autorização. A estreia pública realizou-se a 27 de Abril de 1784, pela Comédie Française. As sucessivas proibições, já em si, garantiam um succès de scandale, mas o êxito foi tal que, nas semanas que se seguiram, teve 68 representações sem interrupção. A peça chegou rapidamente a ser impressa em edições pirata. Como refere a primeira edição oficial, «Por um abuso passivo de pena, enviou-se para Amesterdão um pretendido manuscrito desta peça, escrito de memória e desfigurada, cheio de lacunas, contra-senso e parvoíces. Foi impressa e vendida, metendo o nome de M. de Beaumarchais». Sabe-se hoje em dia, no entanto, que as edições pirata não eram assim tão defeituosas, mas apresentam versões anteriores à definitiva publicada por Beaumarchais, mesmo que com algumas ligeiras corrupções textuais.

A fama de La folle journée chegou rapidamente ao estrangeiro. Foi representada em Londres, no Theatre Royal, Covent Garden, a 21 de Fevereiro de 1785, com o título The follies of a day, or the Marriage of Figaro. A tradução inglesa usada, de Thomas Holcroft, foi publicada em Londres, no mesmo ano. Em Viena, foi traduzida por Johann Rautenstrauch como Der närrische Tag, para uma produção prevista no Kärntnerthortheater em Fevereiro de 1785. Contudo, o Imperador Joseph II recusou autorizá-la, devido ao seu conteúdo controverso, a não ser com cortes substanciais, com o resultado de que a encenação foi abortada. Curiosamente, o Imperador autorizou a sua edição impressa sem alterações e saiu no mesmo ano. Quais, então, eram os conteúdos perigosos que tanto preocupavam os monarcas francês e austríaco? De facto, não é difícil perceber. Mesmo lendo esta peça numa democracia do século XXI, impressiona-nos a sua ousadia em relação a injustiças e imoralidades de várias ordens. A sua sátira virulenta no que diz respeito ao funcionamento dos tribunais, por exemplo, que ocupa grande parte do Acto III, lembra-nos da corrupção e capricho endémicos no sistema judiciário daquele tempo. No entanto, o que deve ter assustado mais são alguns dos discursos do próprio Figaro (o porta-voz do autor). A sua descrição do que consiste a «política» ainda faz rir, hoje em dia, porque ainda encontra eco: [...] fingir que se ignora o que se sabe, que se sabe tudo o que se ignora; que se ouve o que não se percebe e que não se ouve o que se percebe perfeitamente; e sobretudo prometer para além do que se pode cumprir; fazer grande segredo do que não existe, retirar-se para a privacidade para afiar o lápis, parecer profundo quando se é oco e vazio, desempenhar um papel bem ou mal, encorajar espiões e premiar traidores, mexer em selos, interceptar cartas, e procurar compensar pela pobreza dos meios a importância dos objectivos: eis toda a política, se não estou enganado!1

Página de rosto da edição pirata de La folle journée ou Le Mariage de Figaro. Gravura de Pierre-Augustin Caron Beaumarchais publicada na mesma edição.

Retrato inacabado de Mozart (1782) por Joseph Lange Lorenzo da Ponte (1749-1838)

1

Tradução do presente autor, como todas as restantes citações.

Le nozze di Figaro

131

Talvez o que mais nos impressione, na actualidade, sabendo que Beaumarchais escrevia na véspera da Revolução Francesa, é o longo discurso de Figaro no Acto V, onde entre muitos outros assuntos polémicos se debruça sobre a nobreza. Falando do Conde e a sua pretensão de seduzir Susanne, diz: [...] não, senhor Conde, não a terá... não a terá. Visto que é um grande senhor, acha-se um grande génio!... nobreza, fortuna, lugar, posição; tudo isso o torna soberbo. O que fez o senhor para arranjar tantos bens? Dar-se à inconveniência de nascer, e nada mais! De resto, um homem como qualquer outro. Não é que Beaumarchais quisesse mudar a ordem do mundo ­ se pudermos aceitar o que nos relata no extenso prefácio à primeira edição oficial. Como nos diz o autor: «Nesta peça [...] não há ataque contra as classes, mas apenas contra os abusos de cada classe». «Ninguém deseja enganar o Conde, mas apenas impedi-lo de enganar todos os outros.» Por uma questão de necessidade, o Conde é humilhado no fim do drama, mas não é desprezado.

corte de Dresden, trabalhando com o seu amigo, o poeta e libretista, Catarino Mazzolà, viajou, em finais de 1781, para Viena, munido de uma carta de recomendação de Mazzolà dirigida a Antonio Salieri (1750-1825), director de música da corte imperial austríaca. Em 1783, o Imperador Joseph II abandonou a companhia de teatro alemão que tinha criado no Burgtheater em 1776, substituindo-a por uma nova companhia italiana. Da Ponte foi nomeado poeta de teatro. Salieri, na qualidade de director musical da corte, dirigia igualmente as produções de ópera italiana, e foi com este que Da Ponte inicialmente colaborou. O seu primeiro libreto vienense não foi original, mas uma revisão de La scuola degli gelosi, que Mazzolà tinha escrito para Salieri em 1778, e que precisava de uma actualização, tomando em conta o elenco e as condições de produção do Burgtheater. Foi estreada a 23 de Abril de 1783. O primeiro libreto novo foi Il ricco d'un giorno, musicado por Salieri, que se estreou a 6 de Dezembro de 1784. Não foi um sucesso. Poeta e compositor culparam-se um ao outro pelo fracasso, deixando de trabalhar em conjunto durante cerca de três anos. Assim, abriram-se novas oportunidades para colaborar com outros compositores, entre os quais, segundo o próprio, nas suas Memorie, destacaram-se dois: Wolfgang Amadeus Mozart (1756-91) e Vicente Martín y Soler (1754-1806, melhor conhecido pela tradução italiana do seu apelido, Martini). As Memorie de Da Ponte, escritas muitos anos depois dos eventos que relatam, e de fiabilidade variável, informam-nos, entre muitos outros assuntos, de como o poeta chegou a conhecer Mozart, em casa do Barão Wetzlar, um amigo mútuo. Reclama orgulhosamente para si a maneira como o compositor chegou a ser reconhecido como o génio que era: Apesar de dotado de talentos superiores, talvez maiores do que qualquer outro compositor no mundo, do passado, do presente ou do futuro, Mozart, graças às intrigas dos seus rivais, nunca tinha conseguido exercer o seu génio divino em Viena, e lá vivia desconhecido e escondido, como uma jóia sem preço enterrada nas entranhas da terra, tapando a excelência refulgente dos seus esplendores. Não posso deixar de recordar sem exultação e complacência que, em grande parte, à minha perseverança e firmeza a Europa e todo o mundo devem as belas composições vocais daquele génio maravilhoso.

É-nos igualmente dada a conhecer, à maneira cativante de um talentoso contador de histórias, a génese de Le nozze di Figaro, em que, naturalmente, o poeta desempenha um papel crucial: Quanto a [Mozart], percebi logo que a vastidão do seu génio exigia um tema de grande abrangência, multiforme, sublime. Em conversação comigo um dia a este respeito, perguntou-me se eu podia com facilidade fazer uma ópera de uma comédia de Beaumarchais ­ Le Mariage de Figaro. Gostei bastante da sugestão e prometi-lhe que a iria escrever. Porém, existia uma dificuldade a ultrapassar. Poucos dias antes, o Imperador havia proibido à companhia do teatro alemão que representasse aquela comédia, que era licenciosa demais, na opinião dele, para um público digno. O Barão Wetzlar, com toda a generosidade, comprometeu-se a pagar-me bastante bem pelo texto, e depois, se não conseguíssemos uma produção em Viena, poderíamos apresentar a ópera em Londres ou em França. Mas recusei a oferta e resolvi escrever o texto e a música em segredo, esperando uma oportunidade favorável para mostrá-los aos Directores, ou ao próprio Imperador [...] Comecei conforme, e à medida que escrevi o texto, Mozart musicou-o. Em seis semanas estava tudo pronto. Milagrosamente, aconteceu que na mesma altura a Ópera sofria de falta de partituras. Aproveitando a oportunidade, fui, sem falar com ninguém, para oferecer Figaro ao Imperador. «O quê?» disse ele. «Não sabe que Mozart, embora uma maravilha no que diz respeito à música instrumental, compôs apenas uma ópera e essa nada é de especial.» «Sim, Majestade,» respondi suavemente, «mas sem a clemência de Vossa Majestade, eu só teria escrito um drama em Viena!» «Talvez seja verdade,» respondeu, «mas este Mariage de Figaro, acabei de proibir a companhia alemã de o usar.» «Sei, Majestade,» retorqui, «mas escrevi uma ópera e não uma comédia. Tive de omitir várias cenas e cortar outras substancialmente. Omiti ou cortei tudo o que pudesse ofender o bom gosto ou a decência pública numa representação na qual a Majestade Soberana presidisse. A música, devo dizer, tanto quanto a posso avaliar, parece-me maravilhosamente bela.» «Muito bem! Neste caso, confio no seu bom gosto quanto à música e na sua sabedoria quanto à moralidade. Mande a partitura aos copistas.

Corri directamente para falar com Mozart, mas ainda não tinha acabado de lhe contar a boa notícia quando chegou um criado do Imperador para lhe entregar uma mensagem, a mandar que se apresentasse imediatamente no Palácio, levando consigo a partitura. Obedeceu à ordem real, tocou vários trechos ao Imperador, que lhe agradaram imensamente, ou, para dizer a verdade sem exagero, o espantaram. Joseph possuía um gosto muito apurado pela música, como por todas as artes. O grande êxito que esta ópera recebeu por todo o mundo civilizado iria mostrar dentro em breve que não se enganara na sua avaliação. Na verdade, Da Ponte, na sua adaptação da comédia de Beaumarchais, omitiu quase por inteiro o Acto III (o do processo em tribunal) e cortou, por completo ou em grande parte, os discursos polémicos de Figaro. De resto, seguiu de perto o seu original, aproveitando ao máximo o texto brilhante que tinha à sua frente.

Se há algum factor que distingue Lorenzo da Ponte (1749-1838) da generalidade dos libretistas seus contemporâneos é o seu dom poético. Nascido na pequena cidade de Ceneda, no Veneto, numa família judia de recursos muito reduzidos, apesar de ter aprendido a ler e escrever enquanto ainda novo e apesar da sua inteligência natural, só chegou a ter instrução formal bastante tarde. No entanto, foi durante a sua juventude, quando as circunstâncias familiares melhoraram, que leu avidamente os clássicos romanos e gregos, e depois italianos, decorando obras inteiras (de Vergílio, Dante, Petrarca, Tasso, etc.). Ao mesmo tempo passou muitas horas a aprender escrever textos poéticos dos mais variados géneros, exigindo de si próprio um estilo cada vez mais conciso e requintado. Quando o seu pai casou em segundas núpcias, este e os restantes membros da família converteram-se ao Cristianismo. Menos por convicção e mais por necessidade económica, Lorenzo estudou para padre, chegando a ser ordenado em 1773. Foi professor de literatura em várias cidades do Veneto entre 1770 e 1779, ano em que foi exilado, devido às suas ideias políticas e os inimigos poderosos que, de várias maneiras, ganhara. Tendo passado vários meses na

«Ontem, dia 16, cheguei aqui [...]» ­ assim escreveu Wolfgang, de Viena, ao seu pai, a 17 de Março de 1781. Obedecendo à ordem do Arcebispo Colloredo de Salzburgo, o compositor tinha viajado de Munique para a capital austríaca, para fazer música consoante os caprichos do seu patrão. A fricção entre empregador e empregado, que durante vários anos piorara cada vez mais, chegara ao limite. Na sequência de uma entrevista, em que o Arcebispo lhe chamou, entre outras coisas, «malandro, velhaco, vagabundo» (palavras cifradas na carta do filho para o pai, caso fosse interceptada pelos agentes do prelado), Mozart demitiu-se. Após uma recusa inicial da demissão, o Arcebispo aceitou. Quando este regressou a Salzburgo, o compositor permaneceu em Viena, onde ganhava a vida sobretudo dando aulas de piano e tocando em concertos particulares. A 16 de Julho de 1782 estreou-se, no Burgtheater, o Singspiel, Die Entführung aus dem Serail ­ a única ópera de Mozart que Joseph II conhecia. Apesar do seu sucesso, não houve outras encomendas para óperas, em primeiro lugar, por causa do despedimento da companhia alemã, no ano seguinte, e, em segundo, porque outros autores eram considerados mais aptos enquanto compositores de ópera italiana. A 5 de Agosto do mesmo ano, Wolfgang casou-se com Costanze Weber.

132

Le nozze di Figaro

133

Em 1783 dois dos principais compositores de ópera italiana do seu tempo visitaram Viena, dirigindo com grande sucesso, em ambos os casos, no Burgtheater, óperas compostas no ano anterior. A 28 de Maio, Giuseppe Sarti (1729-1802) apresentou Fra i due litiganti il terzo gode (Mozart iria citá-lo em Don Giovanni). A 13 de Agosto foi a vez de Giovanni Paisiello (1740-1816) com Il barbiere di Siviglia (Não devemos subestimar a sua influência em Le nozze di Figaro). É também neste ano que Mozart refere Da Ponte pela primeira vez, numa carta dirigida ao seu pai datada de 7 de Maio: «[...] Examinei pelo menos cem libretos e mais, mas quase que não encontrei nenhum que me satisfaça; quer dizer que seria necessário fazer tantas alterações aqui e ali, que mesmo que um poeta aceitasse fazê-las, ser-lhe-ia mais fácil escrever um texto completamente novo ­ o que é sempre a melhor solução. O nosso poeta aqui agora é um tal Abade da Ponte. Tem imenso para fazer ao rever peças para o teatro e tem de escrever per obbligo um libreto inteiramente novo para Salieri, o que lhe levará dois meses. Prometeu escrever a seguir um novo libreto para mim. Mas sabe-se lá se vai conseguir cumprir a palavra ­ ou se vai querer? Pois, como sabe, estes senhores italianos são muito amáveis na nossa presença. Basta, conhecemo-los! Se estiver em conluio com Salieri, nunca conseguirei nada dele. Mas, na verdade, adoraria mostrar o que consigo fazer numa ópera italiana!»

O Burgtheater de Viena antes de 1888. Fotografia de Michael Frankenstein (1843-1918) Aguarela anónima (séc. XIX) para uma das cenas de Le nozze di Figaro

tenho dúvidas. Mas haverá muito vaivém e discussão até conseguir que o libreto esteja em condições para corresponder exactamente ao que se pretende. E, com certeza, conforme o seu costume encantador, terá adiado tudo constantemente, deixando passar o tempo. [...] Mais uma vez, através de uma carta de pai para filha, datada de Salzburgo, a 28 de Abril de 1786, somos informados: «Le nozze di Figaro» será posta em cena pela primeira vez no dia 28. Será surpreendente se tiver êxito, pois sei que há movidas muito poderosas colocadas contra o seu irmão. Salieri e os seus aficionados farão todo o possível para que a sua ópera seja pateada. O Sr. e Sra. Duschek disseram-me ultimamente que é graças à grande fama que as suas capacidades e talento excepcionais lhe ganharam que tanta gente conspira contra ele. Le nozze di Figaro só chegou a estrear no dia 1 de Maio, com o seguinte elenco: Conde Almaviva ­ Stefano Mandini Condessa Almaviva ­ Luisa Laschi Susanna ­ Nancy Storace Figaro ­ Francesco Benucci Cherubino ­ Dorotea Bussani Marcellina ­ Maria Mandini Bartolo & Antonio ­ Francesco Bussani Basilio & Dom Curzio ­ Michael Kelly Barbarina ­ Anna Gottlieb Com estes cantores Mozart dispunha de vários nomes de cartaz. Benucci era provavelmente o melhor basso buffo do seu tempo, tendo sido especialmente valorizado pelo Imperador. Luisa Laschi e Nancy Storace eram ambas prime donne prestigiadas. Stefano Mandini, que tinha cantado o mesmo papel (Conde Almaviva) em Il barbiere di Siviglia, de Paisiello, era prezado quer como actor quer como cantor. As personagens secundárias eram igualmente cantores de reconhecido mérito. As duas primeiras récitas foram acolhidas por uma mistura de pateadas barulhentas da cabala e bravos vociferantes dos apoiantes do compositor. A partir da terceira o êxito estava garantido. Ninguém mais do que o Imperador reconheceu que esta ópera era uma obra-prima. Mesmo assim, teve apenas nove récitas, tendo sido reposta em cena em Viena apenas em 1789, produção para a qual Mozart compôs duas novas árias.

Do ponto de vista do compositor, nas suas cartas, não sabemos nada acerca da criação de Le nozze di Figaro. Ao que parece, Mozart andava de tal maneira atarefado que pouco escrevia. De Leopold, o seu pai, numa carta dirigida à sua irmã, datada de Salzburgo, a 11 de Novembro de 1785, sabemos apenas: Recebi finalmente do seu irmão uma carta de só doze linhas datada de 2 de Novembro. Pede desculpa, visto que está até às orelhas em trabalho na sua ópera «Le nozze di Figaro». Agradece-me e a vós ambos pelos nossos votos e solicita-me especialmente pedir-lhe desculpa, mandando beijinhos, que não tem tempo para responder logo à sua carta. Acrescenta que com o objectivo de manter as manhãs livres para poder compor, mudou todos os alunos para a parte da tarde, etc. Conheço a peça: é uma comédia muito aborrecida e a tradução do francês terá de ser muito livre para ter efeito como ópera. Queira Deus que o texto resulte. Quanto à música não

Le nozze di Figaro

135

Fora de Viena recebeu várias encenações no mundo germânico, ou no original ou em tradução alemã, ainda durante a vida do compositor (não se esquecendo de que a Boémia fazia parte do Império Austro-Húngaro). Talvez a mais importante tenha sido a de Praga, pois deixou claro, ainda no ano da estreia absoluta, o seu sucesso. A direcção musical da produção foi realizada por Johann Josef Strobach, mas Mozart e a sua esposa chegaram a presenciar a produção, chegando a Praga a 11 de Janeiro do ano seguinte. Numa carta dirigida ao Barão Gottried von Jacquin, em Viena, datada de 15 de Janeiro, o compositor relata da sua popularidade: [...] Pois aqui não falam sobre nada senão «Figaro». Nada é tocado, cantado ou assobiado senão «Figaro». Nenhuma ópera atrai como «Figaro». Nada, nada senão «Figaro». Sem dúvida, uma grande honra para mim! [...] Mozart esteve igualmente presente em Mannheim, em Outubro de 1790, para os ensaios e produção. Fora do mundo germânico, antes da segunda década de 1810, as produções foram escassas. Foi representada, numa tradução espanhola de V. R. de Arellano, em Madrid, em Maio de 1802. Foi apenas em Maio de 1945 (sic) que se estreou em Lisboa, em S. Carlos.

«Viva Da Ponte! Viva Mozart! Todos os empresários, todos os virtuosi deveriam abençoar os seus nomes. Enquanto viverem, nunca saberemos o que é a pobreza teatral.» O Imperador mandou-me vir e, sobrecarregando-me com parabéns amáveis, entregou-me mais cem zecchini, e contou-me como estava ansioso por ver Don Giovanni. Mozart regressou e, visto que Joseph iria para fora dentro de pouco de tempo, este mandou a partitura urgentemente para o copista para que fizesse partes cavas. A ópera foi encenada e... será preciso recordar?... Don Giovanni não agradou! Todos menos Mozart achavam que faltava qualquer coisa. Houve adições; algumas árias foram alteradas; houve uma segunda récita. Don Giovanni não agradou! E o que disse o Imperador? Disse: «Aquela ópera é divinal; eu diria até que é mais bela do que Figaro. Mas esta música não é carne para os dentes dos meus vienenses!» Contei a Mozart a observação do Imperador, que respondeu suavemente: «Dê-lhes tempo para a mastigar!» Não estava enganado. Seguindo o seu conselho, procurei que a ópera fosse muitas vezes repetida; com cada récita vieram mais aplausos e, aos poucos, até os vienenses de dentes pouco aguçados começaram a gostar do seu sabor e apreciar as suas belezas, chegando a colocar Don Giovanni entre as óperas mais belas de todos os tempos. Da Ponte não faz qualquer referência a Così fan tutte. Os actuantes e a posteridade divergem na sua avaliação da parceria Da Ponte-Mozart. Pelos vistos, dada a quase total ausência de referências a Da Ponte nas suas cartas, Mozart terá considerado o libretista como um poeta qualquer, não lhe atribuindo uma importância especial pelo sucesso das suas óperas. Da Ponte, apesar dos seus grandes elogios ao compositor (mas escrevendo numa altura em que o nome de Mozart já se encontrava bem reconhecido), considerava L'arbore di Diana o seu melhor libreto quer em termos da sua concepção, quer na sua poesia. Foi escrito para Martini e estreado em 1787. De facto, o tom com que o poeta fala de Martini, com quem colaborou com grande sucesso não apenas em Viena, mas posteriormente também em Londres, leva-nos a supor que se sentia bastante mais à vontade com Martini do que com Mozart. Da Ponte considerava igualmente que a melhor das três óperas da parceria com Mozart era Don Giovanni. Não é por acaso que foi esta a ópera que chegou a

encenar em Nova Iorque, em 1826. Havia emigrado para os Estados Unidos em 1805, tendo chegado a morrer cidadão americano. Na sua preferência, reflectia a preferência da sua época, pois ao longo do século XIX Don Giovanni seria, sem dúvida, a mais popular das três. A partir do século XX é que se tem vindo a apreciar mais Le nozze di Figaro.

Le nozze di Figaro ­ alguns aspectos musicais

[...] O finale de uma ópera italiana, embora ligado proximamente com o resto do drama, é, todavia, só por si, uma espécie de pequena comédia: requer o seu próprio enredo e um interesse especial: é sobretudo nesta parte que se exibem o génio de um compositor musical e o poder dos cantores; e para esta finalidade são reservados os maiores efeitos do drama. O recitativo é excluído desta divisão da peça. É cantado por inteiro, e tem de incluir toda a espécie de melodia. O adagio, o allegro, o andante, o cantabile, o armonioso, o strepitoso, o arcistrepitoso, sendo com este último que terminam habitualmente todos os actos. Constitui uma regra teatral que, no decurso do finale, todos os cantores, sejam quantos forem, têm de se mostrar em solos, duetos, trios, quartetos, etc., etc. E esta regra, o poeta é absolutamente obrigado a observar, sejam quais forem as dificuldades e absurdezas que daí possam resultar; e embora os críticos todos, começando com Aristóteles, se exclamem contra ela, devo aqui observar que os Aristóteles verdadeiros de um poeta dramático são, no geral, não só o compositor da música, mas também o primo buffo, a prima donna e não raramente o 2.º, 3.º e 4.º buffo da companhia.

Mozart e Da Ponte iriam colaborar mais duas vezes: em Il dissoluto punido, ossia Il Don Giovanni, estreado em Praga a 29 de Outubro de 1787, e revisto para uma produção no Burgtheater de Viena, no ano seguinte, assim como em Così fan tutte, ossia La scuola degli amanti, estreado no Burgtheater, a 26 de Janeiro de 1790. Mozart, nas cartas que nos chegaram, não mais faria referência a Da Ponte. É este que mais uma vez nos informa, nas suas Memorie, acerca de Don Giovanni, reclamando para si a proposta deste tema. Foi para Praga para dirigir os ensaios dos cantores. No entanto, foi obrigado a voltar a Viena antes da estreia, por insistência de Salieri (Percebe-se por Da Ponte que terá sido meramente uma manobra da parte de Salieri para dificultar mais uma vez uma estreia mozartiana.) Da estreia e dos eventos que se seguiram o poeta relata, na sua maneira inimitável de raconteur: Eu não presenciara a estreia de Don Giovanni em Praga, mas Mozart escreveu-me logo sobre a sua recepção maravilhosa, e Gardassoni [Domenico Guardasoni, o empresário da ópera de Praga], da sua parte, enviou-me as seguintes palavras:

Neste trecho de An extract from the life of Lorenzo Da Ponte (Nova Iorque, 1819), uma versão preliminar das suas Memorie (que incluem a mesma passagem, mas de uma forma mais exagerada), o poeta chama a atenção para uma série de questões que o compositor (para além do libretista) tem de tomar em consideração, não só no final dos actos mas, visto que o final é uma espécie de ópera em microcosmo, ao longo da ópera no seu todo. Levanta questões estruturais, tais como o uso de recitativos e o leque de andamentos e estilos disponíveis que têm de ser seleccionados e ordenados, sublinhando também o papel fulcral dos cantores (para além do compositor), pois todos têm de ser incluídos, em solo e em várias combinações com outros cantores. Neste breve texto, gostaria de fazer algumas observações sobre estas e outras questões musicais (e dramáticas), procurando mostrar como Mozart (e Da Ponte) em Le nozze di Figaro seguem algumas das convenções da opera buffa (ópera cómica) do seu tempo, mas modificam outras.

136

Le nozze di Figaro

137

Vaudeville final de Le Mariage de Figaro (edição pirata)

Há várias questões que dizem respeito à estrutura. Em primeiro lugar é o número de actos. Até cerca de 1775, por convenção, a opera buffa possuía três actos. A partir dessa data, levando à sua conclusão lógica a gradual redução, nos anos imediatamente anteriores, no tamanho do terceiro acto, tornou-se cada vez mais comum um formato em apenas dois actos. Em 1780 as óperas com três actos já estavam em minoria; até 1785 todas tinham dois, com uma excepção notável, re resto duplamente notável no contexto presente: Il barbiere di Siviglia, de Paisiello, que tinha quatro. Que Le nozze di Figaro tinha uma estrutura igualmente em quatro actos justifica-se plenamente pela adaptação que Da Ponte fez de La folle journée, ou Le mariage de Figaro, que possuía cinco, dos quais cortou quase inteiramente o terceiro, como já foi referido. No entanto, terá também havido certamente a intenção de homenagear a ópera de Paisiello, que tanto sucesso tivera em Viena em data tão aproximada. Com este ponto de partida, Mozart e Da Ponte juntaram os actos em pares. O primeiro acto termina não com um final como o que fora descrito por Da Ponte, mas sim com a ária de Figaro, «Non più andrai». O final do Acto III é de proporções mais reduzidas, quer no número de compassos, quer no número de personagens incluídas (apenas quatro). Efectivamente, portanto, a estrutura então habitual de dois actos estava a ser aplicada, mas com uma clara divisão no meio. A segunda convenção estrutural era a divisão rígida em recitativo secco (acompanhado pelo cravo) e os números cantados ­ árias, duetos, tercetos, coros, etc. (acompanhados pela orquestra). Só mais raramente, e principalmente em opera seria, uma secção de recitativo imediatamente anterior a uma ária era acompanhada pela orquestra, com a intenção de aumentar o seu efeito dramático ­ o chamado recitativo accompagnato. Uma das características importantes em Le nozze di Figaro é a maneira como Mozart reduz a fronteira tradicional entre recitativo e ária, usando vários mecanismos. Por exemplo, Figaro cita a sua ária anterior «Non più andrai» (com a orquestra) no meio de um recitativo. Mais importante ainda, por acontecer com alguma frequência, é, contudo, o modo como, em vários números cantados, há apenas um mínimo de introdução orquestral antes da entrada do cantor ou cantores. Em outras situações, no fim de um número, a música passa directamente para o recitativo seguinte sem uma secção orquestral terminal, ou até sem cadência final. Um caso gritante deste último fenómeno é a ária de Barbarina, «L'ho perduta», que inicia o Acto IV e termina num acorde da dominante, resolvida apenas

no recitativo que se segue. Como é evidente, estas decisões musicais não são gratuitas. Resultam num melhoramento significativo da fluência dramática da ópera. Como realça Da Ponte, existia uma série de convenções que diziam respeito aos cantores: o direito a um solo e a observação da hierarquia, que podia dar o direito a mais solos conforme a posição ­ tudo com a finalidade de poder exibir a voz da melhor maneira, garantindo, assim, a aceitação do público. Uma das características de Le nozze di Figaro é o número relativamente reduzido de solos e o número correspondentemente elevado de duetos e outros conjuntos. Seguindo de perto o texto original de Beaumarchais, Figaro e Susanna são-nos apresentados não em solos mas, logo no início da ópera, num duettino. Por ilustrar uma série de subtilezas com paralelos ao longo do resto da ópera, este número merece algumas observações mais detalhadas. Em primeiro lugar, a presença das duas personagens não implica uma falta de caracterização separada. A introdução orquestral apresenta dois temas distintos em tonalidades distintas: um primeiro tema mais «masculino», em Sol Maior, com notas repetidas e saltos melódicos, com uma figura rítmica pontuada associável a marchas; e um segundo mais «feminino», em Ré Maior, melodicamente muito mais suave e sensual, com o ritmo de uma dança elegante, a gavota. Como seria de esperar, quando entram as vozes, o primeiro acompanha Figaro e o segundo Susanna. Inicialmente, cantam em diálogo, mas à medida que Figaro abandona o que estava a fazer (medir o quarto) para admirar Susanna, a música muda para um dueto em paralelo. Iniciam este dueto acompanhados por motivos em cima de um acorde da sétima da dominante ­ a preparação para o regresso a Sol Maior. Sol Maior é a tonalidade de Figaro, mas o que cantam a partir daqui é o tema de Susanna. Musicalmente, pode ser interpretado como símbolo da relação entre os dois e o que o futuro lhes promete ­ que ficarão em casa de Figaro mas quem manda será Susanna. Outra característica deste duettino inicial é como ambos os temas possuem uma espécie de contraponto. No caso do contraponto do tema de Figaro, o facto de começar no terceiro tempo do compasso antecipa a gavota de Susanna, pois as gavotas começam sempre no terceiro tempo de um compasso quaternário. Quanto ao do tema de Susanna, é apenas um floreado de violinos que quase

Le nozze di Figaro

139

parece um riso ­ um outro floreado mas de trompas, que ocorre duas vezes neste número, tem um efeito semelhante. Estes contrapontos fazem com que o acompanhamento orquestral esteja mais «ocupado» do que era habitual para uma opera buffa italiana. Olhando para a partitura de Le nozze di Figaro e uma comparável italiana deste período, no que mais se repara é que há muito mais «actividade» na de Mozart ­ nas palavras atribuídas ao Imperador Joseph II a este respeito, «notas a mais». Se é que existe alguma fraqueza em Le nozze di Figaro será a série de solos no início do Acto IV. A seguir à cavatina de Barbarina que, por ser breve, serve a função de dar à cantora o seu momento sem prejudicar a acção do drama, chegamos às árias de Marcellina e Basilio, que sem estas não teriam qualquer solo. São frequentemente cortadas, pois só adiam os dois recitativos e árias, respectivamente, de Figaro e Susanna, e a conclusão da ópera. Da Ponte refere a importância nos finais (e ao longo da ópera) de contrastes de andamentos e estilos. Outro factor igualmente importante é a questão das tonalidades. Mozart é frequentemente citado pela atenção que dava à selecção de tonalidades e os raciocínios musicais que o levavam a escolher determinadas combinações. É verdade que, a certos momentos, passando de um número para outro, selecciona a distância de uma quinta, por exemplo, de Sol Maior para Dó ou Ré Maior, e que, noutros momentos, prefere uma terceira, por exemplo, de Sol Maior para Si bemol ou Mi bemol Maior. Cada uma destas opções tem implicações na criação de tensões, resoluções ou simplesmente mudanças de ordem musical. Quer nos finais, quer na ópera no seu todo, há sempre a sensação de uma planificação cuidadosa ao nível das tonalidades. Deve acrescentar-se, no entanto, que Mozart estava longe de estar sozinho neste respeito. Trata-se de um elemento tão fundamental para a coerência músico-dramática de qualquer ópera que constituía sempre uma das primeiras decisões no esboço musical que todos os compositores faziam. A tonalidade da abertura de Le nozze di Figaro é Ré Maior. O final último termina na mesma tonalidade, mas não é apenas isso que têm em comum, e que nos deixa sempre com um sentido de profunda satisfação no fim. A abertura estabelece desde o início da ópera, na sua agitação frenética, a loucura da «folle journée» que Beaumarchais criou, no meio da qual o casamento de Figaro e Susanna acaba por ser um mero pretexto para uma série de lições que os

protagonistas vão tirar do seu drama. No final que Mozart criou voltamos ao mesmo frenesim da abertura, no fim do louco dia. Será que nós, tendo testemunhado esta ópera, continuamos com a mesma loucura, ou será que ganhámos algum juízo?

A música no Barbier e no Mariage de Figaro de Beaumarchais

Na sua versão original, Le Barbier de Séville foi concebido como opéra comique (1772), para representação em Paris, na Comédie-Italienne. Neste contexto, a música constituía uma parte estrutural da obra. Mesmo como peça declamada, na versão revista que nos chegou, esta comédia está intercalada com canções que, embora não estruturais, continuam a desempenhar um papel significativo. A diferença é que surgem em contextos verosímeis, em que a música faz parte intrínseca do drama. Muito provavelmente, para grande parte de nós, é através de Il barbiere di Siviglia, de Rossini, que melhor se conhece o enredo de Le Barbier de Séville. Sendo assim, não nos surpreenderá que tal como nesta ópera, na peça original, haja uma serenata para Almaviva («Vous l'ordonnez»), e uma aula de música em que Rosine canta uma canção («Quand dans la plaine») e Bartholo responde com outra num estilo mais antiquado («Veux-tu, ma Rosinette», em quem, segundo Bartholo, o nome Rosinette substitui o «Fanchonette» original da canção). No entanto, na comédia de Beaumarchais há outros momentos adicionais. Quando Figaro entra pela primeira vez na Cena 2 do primeiro acto, está a compor uma canção, que naturalmente canta. Por outro lado, quando o Conde entra em casa de Bartholo e Rosine, no segundo acto, fingindo ser um militar bêbedo, entra a cantar «Réveillons-la». Na mesma cena, ao comparar o «seu» cargo de veterinário dos cavalos do exército com a profissão de médico de Bartholo, o Conde começa a recitar um poema, que continua cantando. Dois dos números musicais originais, em particular, tiveram grande sucesso. Vários comentadores da época referem a música de palco para a tempestade (um momento memorável também na ópera de Rossini), que terá sido composta, como, aliás, toda a música de Le Barbier, pelo violinista principal da Comédie-Française, Antoine-Laurent Baudron. Das canções propriamente ditas, de longe a mais popular foi a serenada, conhecida sobretudo pelo texto do início da segunda estrofe «Je suis Lindor». A sua música e o texto circulavam em Paris numa folha volante. Mozart, ao visitar Paris, em 1778, compôs um conjunto de Variações em Mi bemol sobre esta melodia (K354/299a).

A função da música em La folle journée, ou Le mariage de Figaro partilha algumas das mesmas características de verosimilhança, mas ilustra igualmente determinadas facetas mais típicas da tradição teatral francesa. Na primeira categoria, devemos incluir o momento na Cena 1 do segundo acto, quando Suzanne, cantando, abre a porta a Figaro [exemplo 1, página seguinte]. Perto do final do Acto II (o momento equivalente ao fim do Final do Acto II na ópera de Mozart), Figaro canta uma canção que dedica a Suzanne, acompanhado por Bazile à guitarra, enquanto todos partem, excepto a Condessa e Suzanne (que permanecem em cena para reflectir sobre os últimos eventos) [exemplos 2 e 3, página seguinte]. A maior oportunidade, no entanto, para a música é na cena do casamento, no Acto IV. As próprias indicações cénicas referem uma marcha para a entrada de todos e a presença de dançarinos, que na devida altura actuam numa dança apropriada ­ o fandango na ópera de Mozart. Bazile, que é, afinal, músico, também canta uma canção. Como o próprio se descreve a certo momento na comédia: «homem de talento, organista da aldeia, o meu emprego é o de ensinar cravo à Madame e canto às mulheres, de tocar bandolim aos criados, e sobretudo de entreter o patrão, sempre que lhe apetecer ordenar.» Em dois pontos, Le Mariage de Figaro ilustra duas características bastante frequentes no teatro francês do século XVIII. Em primeiro lugar, na cena em que Chérubin canta a sua romance à Condessa, do início do texto consta «(Sur l'air de Marlborough)», o que nos informa que a melodia a usar é a da canção popular «Marlbrough s'en va-t-en guerre», ainda hoje bastante conhecida em França sob o mesmo nome, e no mundo anglófono como «For he's a jolly good fellow». Suzanne, ao acompanhar Chérubin à guitarra, também canta a certos momentos (presumivelmente no refrão «Que mon coeur, que mon coeur a de peine»), encorajando, deste modo, uma participação da parte do público. Por outro lado, a peça acaba com um vaudeville, em que cada personagem presente no palco, começando com Bazile (que como mestre de música terá tido obrigação de dar início) e terminando com Figaro e Suzanne, canta uma estrofe sempre com a mesma música. Os vaudevilles, com tantas repetições, ficaram na mente dos membros do público, tornando-se frequentemente melodias populares, sendo reutilizados às vezes, por isso mesmo, noutras peças.

140

Le nozze di Figaro

141

A seguir ao vaudeville, o que também era uma característica comum, o espectáculo terminava com mais música e danças ­ o que a edição oficial da comédia denomina por «ballet géneral» e a edição pirata de que dispomos pelo termo mais habitual, «divertissement». A maior parte das músicas de Figaro foi publicada em, pelo menos, algumas das edições pirata. A edição oficial informa-nos apenas que se encontravam disponiveis em casa do violinista Baudron, sem serem reproduzidas. Enquanto a folha volante de «Je suis Lindor» foi impressa por um processo de gravura em cobre, as pautas da edição pirata foram feitas usando a técnica de xilografia. As xilografias terão sido preparadas separadamente para inserção no texto. Cada pauta é numerada no início da linha (para garantir que o tipógrafo as inserisse na ordem certa). Deve ter havido algumas dificuldades na preparação das xilografias, ou por pressa ou descuido. Por exemplo, no caso da primeira, destinada ao momento em que Suzanne abre a porta a Figaro, a distribuição do texto (que usa um tipo normal e não faz parte da xilografia) não bate certo com as notas. No compasso 4 do vaudeville final, uma haste teve de ser corrigida e a appoggiatura no fim do mesmo compasso deveria estar no compasso seguinte. Para além das suas qualidades textuais e dramáticas, a musicalidade intrínseca destas duas comédias terá contribuído, sem dúvida, para o sucesso das óperas que inspiraram.

Exemplo 1

Exemplo 2

Exemplo 3

Serenata «Je suis Lindor» de Le Barbier de Séville

Le nozze di Figaro

143

Dorothea Bussani Nascida em Viena, em 1763, Anna Dorothea Bussani (nascida Sardi), debutou como o primeiro Cherubino em Le nozze di Figaro. Foi igualmente a primeira Ghita em Una cosa rara, de Martini, a primeira Despina, em Così fan tutte, de Mozart, e a primeira Fidalma em Il matrimonio segreto, de Cimarosa, todos estreados em Viena. Casou-se com o baixo Francesco Bussani, o Bartolo/Antonio na estreia de Le nozze di Figaro. A partir de 1799, está estreitamente associada ao compositor Pietro Carlo Guglielmi (1763-1817), actuando em várias das suas óperas em Roma e Nápoles até 1806. Como este, viajou para Portugal em 1807, tendo sido contratada para o Teatro de São Carlos pouco antes da primeira invasão francesa, e permanecendo em Lisboa até ao Carnaval de 1809. A sua última actuação confirmada foi no King's Theatre, de Londres, no Verão desse ano.

Silhueta de Dorotea Sardi Bussani (séc. XVIII)

Jean-Honoré Fragonard, Le Baiser volé, 1780.

Julia Jones

Direcção musical Desde o início da actual Temporada do Teatro Nacional de São Carlos ocupa o lugar de Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa, destacando-se a direcção musical de Turangalîla (Messiaen) e Fidelio (Beethoven) no CCB. Nascida em Inglaterra, vem afirmando cada vez mais uma carreira de sucesso internacional com apresentações regulares nos principais teatros líricos da Europa. Dos seus compromissos mais recentes destacam-se a direcção musical de Un ballo in maschera e Così fan tutte na Opernhaus de Frankfurt, Macbeth e Otello na Staatsoper de Hamburgo, Le nozze di Figaro em Toronto e Così fan tutte na Royal Opera House, Covent Garden (Janeiro último). Na Staatsoper de Viena dirigiu Così fan tutte, Die Zauberflöte e La Bohème e, em 2004, estreou-se no Festival de Verão de Salzburgo à frente da produção de Die Entführung aus dem Serail. Também dirigiu Aïda, Otello e Madama Butterfly na Staastoper de Berlim, La Traviata no Gran Teatre del Liceu em Barcelona, Der fliegende Holländer na Ópera de Estrasburgo, Lohengrin no Teatro Comunale de Florença, onde obteve grande êxito junto do público e da crítica italiana, destacando-se ainda a sua presença em Washington, Sydney, Genebra, Lisboa (Die Entführung aus dem Serail), e na Volksoper de Viena. Entre 1998 e 2002 ocupou o cargo de Maestro Titular da Ópera de Basileia onde foi aclamada na direcção musical das produções de Otello e Macbeth, de Verdi, Idomeneo de Mozart e Der Rosenkavalier de R. Strauss. Nas salas de concerto já dirigiu um vasto número de Orquestras incluindo a Orquestra da Rádio de Viena e Sinfónicas de Montreal, Scottish Chamber Orchestra, Filarmónica de Estrasburgo, Orquestra do Maggio Musicale Fiorentino, Orquestra do Mozarteum de Salzburgo, Orquestra Sinfónica da Nova Zelândia e Orquestra Nacional de Bélgica. Para além dos concertos e óperas agendados na Temporada do São Carlos, futuros compromissos incluem La Damnation de Faust em Frankfurt e concertos em Génova, Copenhaga e Freiburgo.

Guy Montavon

Encenação É Director da Companhia de Ópera de Erfurt desde Agosto de 2002. Constituída por uma equipa de 350 pessoas, incluindo orquestra, coro e solistas, a Companhia leva à cena 225 espectáculos por ano, apresenta sete títulos diferentes e quatro reposições. Nascido em Genebra (1961), na zona francesa da Suíça, diplomou-se em Fagote no Conservatório da mesma cidade, onde ocupou o cargo de Director Assistente do Grand Théâtre de Genebra. Estudou depois Encenação de Teatro Musical na Academia de Teatro e Música de Hamburgo com o célebre encenador alemão, Götz Friedrich. Enquanto assistente de Giancarlo del Monaco, trabalhou em diversos teatros líricos incluindo os de Hamburgo, Berlim, Estugarda, Bregenz, Barcelona e a Metropolitan Opera House de Nova Iorque. Após obtenção do diploma (1986), encenou na Staatsoper de Hamburgo, seguindo-se Livorno, Pisa, Lyon, St. Gallen, Montpellier e Saarbrücken. Entre 1992 e 1995 ocupou, durante um longo período, o lugar de Director Artístico e Adjunto do Director de Ópera da Ópera de Bona. Encenou Carmen na inauguração do novo teatro de ópera de Helsínquia (1993). Desde 1996 até ao presente, foi Director do Stadttheater de Giessen. Seguiu-se a encenação de Lucia di Lammermoor em Montreal e Otello em Palm Beach, com direcção de Guadagno. Estreou-se na encenação em Erfurt com a ópera de Strauss, Friedenstag, no âmbito do Festival DomStufen (2003), seguindo-se o conto de fadas Das geheime Königreich de Ernst Krenek. Em 2005 encenou a estreia mundial da ópera de Philip Glass, Waiting for the Barbarians. É membro do júri de diversos concursos de prestígio e conferencista convidado (Interpretação operática) da Universidade de Tóquio. Foi condecorado com a Ordem de Chevalier des Arts et Lettres pela República Francesa (2008).

Moritz Gnann

Direcção musical Nascido em Tuebingen (Alemanha) em 1982. Desde o início da temporada de 2009/10 ocupa o cargo de Assistente Musical de Julia Jones no Teatro Nacional de São Carlos. Após estudos de Piano e Violino, diplomou-se em Direcção Musical na Universidade de Artes de Berlim. Prosseguiu os seus estudos na Musikhochschule de Dresden onde se diplomou com distinção. Trabalhou na Ópera de Aachen durante dois anos, onde dirigiu produções líricas incluindo Faust de Gounod e Orfeo ed Euridice de Gluck. Alargou a sua experiência na direcção musical participando activamente em Master Classes com Diego Masson, Bernard Haitink, Hartmut Haenchen, Sylvain Cambreling e Gianluigi Gelmetti. A Dartington International Summer School atribuiu-lhe diversas bolsas de estudo oferecendo-lhe a oportunidade de dirigir Die Zauberflöte, Il barbiere di Siviglia e Evgeni Onegin, assim como um extenso repertório sinfónico. Enquanto maestro convidado, trabalhou já na China, Indonésia e nos EUA. Foi assistente de Christian Thielemann na produção de Der Rosenkavalier, no Festival de Baden-Baden e no Verão de 2010 irá integrar o Departamento Musical de Bayreuth.

Hank Irwin Kittel

Cenografia e figurinos Estudou na Academia de Belas-Artes em Karlsruhe (Alemanha). Iniciou a sua carreira na pintura e instalação e viu os seus trabalhos expostos em diversos países. Em 1989 mudou-se para Berlim onde trabalhou, pela primeira vez, na área do desenho de cenografia e figurinos. Pouco depois, iniciou colaboração noutras cidades alemãs (Leipzig, Nuremberga, Dortmund e Braunschweig) trabalhando em produções de ópera, teatro e bailado. Desde 2002 é cenógrafo e figurinista principal do Teatro de Erfurt. Paralelamente ao cargo que assegura em Erfurt, assina frequentemente criações para outros teatros (líricos e de prosa), destacando-se a Ópera Nacional de Riga (Letónia), Teatro Nacional de Bratislava, Drama Theater de Düsseldorf, Staatstheater de Darmstadt e os Teatros de Innsbrück e Linz (Áustria).

146

Le nozze di Figaro

147

Torsten Bante

Desenho de luz Nascido em Weimar (Thüringen) na Alemanha, deu início à sua carreira no Teatro Nacional da cidade onde, durante dois anos, efectuou a sua formação de base do desenho de luz. Ao mesmo tempo, desenhava luz para projectos da Escola de Música «Franz Liszt» de Weimar, a qual apresenta entre duas e três produções anuais em Teatro próprio, um edifício com cerca de 200 anos. As produções para estudantes incluem algumas digressões, por exemplo, a França (Blois) e Itália (Siena). Depois da Queda do Muro, mudou-se para os Países Baixos onde permaneceu por dois anos e assistiu a múltiplos espectáculos que chegariam à Alemanha nos anos seguintes. De regresso ao seu país, integrou a equipa do Theater Erfurt onde começou como técnico e, passados três anos, completou a sua formação de desenhador de luz. Durante os últimos 16 anos trabalhou em mais de 100 produções naquele Teatro, destacando-se Wozzeck, The Mass, Otello e Waiting for the Barbarian, tendo esta última sido apresentada também em Amesterdão. Paralelamente, apresentou trabalhos com outros teatros, tais como «Art celebration» em Weimar, Berlim, Hungria, e no Festival do Castelo em Wernigerode. Em 2008 surgiu-lhe a oportunidade de dar formação às futuras gerações de técnicos de luz. Para a produção de Le nozze di Figaro, destaca-se a criação especial do solo electrificado constituído por 120 lâmpadas fluorescentes, conferindo assim à cena uma nova dimensão dramática.

Marco Vinco

baixo Afirmou muito rapidamente a sua carreira internacional com actuações regulares em alguns dos mais prestigiados teatros do mundo e palcos de concerto, destacando-se os Teatros Scala de Milão, Real de Madrid, Deutsche Oper de Berlim, São Carlos (Il turco in Italia, 2004), Opéra de Monte Carlo, Capitole de Toulouse, La Maestranza de Sevilha, Bunka Kaikan em Tóquio, Rossini Opera Festival de Pesaro, Comunale de Florença, Carlo Felice de Génova, Comunale de Bolonha, La Fenice de Veneza, Ópera de Roma, Regio de Turim, San Carlo de Nápoles, Filarmonico de Verona, e nos Festivais de Salzburgo, de Edimburgo e Mozart de A Coruña. Trabalhou com os maestros Daniele Gatti, Gianluigi Gemetti, Nicola Luisotti, Zubin Mehta, Marc Minkowski, Riccardo Muti, Alberto Zedda, e com os encenadores Robert Carsen, Dario Fo, Mario Martone, Pierluigi Pizzi, Gigi Proietti, Luca Ronconi, Toni Servillo e Franco Zeffirelli. Enquanto reconhecido intérprete de papéis rossinianos, e apesar da sua juventude, tem sido, desde 2001, uma presença habitual do Rossini Opera Festival. Compromissos recentes incluíram Matilde di Shabran no Covent Garden, Anna Bolena em Lyon e no Théâtre des Champs-Élysées em Paris, Don Giovanni no Suntory Hall em Tóquio, Le nozze di Figaro em Budapeste (versão de concerto), sob a direcção de Ivan Fischer, no La Monnaie de Bruxelas, em Lisboa e Las Palmas, Il barbiere di Siviglia na Arena de Verona e I puritani em A Coruña, e L'arbore di Diana no Liceu de Barcelona. Fez duas importantes estreias nos papéis de Don Alfonso em Lucrezia Borgia na Ópera Nacional de Varsóvia, e Escamillo em Carmen no Teatro Wielki em Poznan (Polónia). A sua discografia ´ inclui registos para as etiquetas Decca, TDK, Opera Rara, Dynamic, Naxos, Opus Arte e ROF .

Kosta Popovic

Maestro Titular do Coro Ocupou o cargo de Maestro Assistente na Metropolitan Opera House durante onze temporadas das quais nas últimas seis (2002 a 2008) foi Maestro Assistente do Coro. Paralelamente, colaborou com a Ópera Pacific, Grand Opera de Houston, Ópera de Santa Fé, Ópera de Washington, Teatro Municipal de Santiago (Chile), Sächsische Staatsoper em Dresden e no Teatro La Fenice em Veneza. É licenciado em Música pela Academia de Música de Belgrado e tem um Mestrado em Música da Juilliard School.

Jessica Muirhead

soprano De origem britânico-canadiana, licenciou-se (Master's Degree) pela Universidade McGill de Montreal, onde estudou com Lucile Evans. Posteriormente aos seus estudos, foi convidada a integrar o Estúdio Ensemble da Companhia Canadiana de Ópera e, na mesma temporada, fez a sua estreia europeia numa nova produção de Die Zauberflöte, no papel de Pamina, na Volksoper de Viena. Desde então, sucederam-se interpretações por toda a Áustria nos papéis de Pamina, Donna Anna, Antónia (Les Contes d'Hoffmann), Agathe (Der Freischütz), e Micaëla (Carmen). Cantou a Condessa Almaviva em Le nozze di Figaro com a Companhia Canadiana de Ópera e regressou em 2008 e 2010 com os papéis de Donna Anna e Micaëla. Durante a temporada de 2008/09 estreou-se na rádio alemã (Micaëla) com a Rundfunkorchester da Baviera e cantou pela primeira vez Musetta (La Bohème) na Staatsoper da Baviera, ao lado de Anna Netrebko no papel da protagonista Mimì. Recentemente, fez a sua estreia no Reino Unido, no papel de Alice em Falstaff, no âmbito de uma das digressões do Festival de Glyndebourne. É frequentemente convidada a actuar em concerto, na qualidade de solista, tendo cantado na Suécia, Suíça, Canadá e nos EUA, com um repertório que inclui Die Schöpfung de Haydn, as Sieben frühe Lieder de Berg, Elijah de Mendelssohn, Fauré de Requiem e o Te Deum de Dvorák.

148

Le nozze di Figaro

149

Joana Seara

soprano Nascida em Lisboa, iniciou os seus estudos na Academia de Música de Santa Cecília e no Conservatório Nacional, tirando a Licenciatura, o Mestrado e o Curso de Ópera na Guildhall School of Music and Drama, em Londres. Foi bolseira da Fundação Gulbenkian e galardoada com vários prémios em Inglaterra. Em 2004, estreou-se em ópera no papel de Zerlina (Holanda). Desde então, tem actuado pela Europa, principalmente em repertório barroco e clássico, com incursões recentes em repertório do século XIX com os papéis de Nannetta (Falstaff) e Gretel (Hansel und Gretel). Em Londres, foi Gretel para a Opera Holland Park e Damigella (L'incoronazione di Poppea) para a English National Opera. Foi Gretel (cover) no Festival de Glyndebourne de 2008. Já interpretou Despina (Così fan tutte) na Holanda, Inglaterra e Irlanda, e Galatea (Acis and Galatea) em França. Das orquestras com que trabalhou, destacam-se a Akademie für Alte Musik de Berlim, os King's Consort e os London Mozart Players. Trabalha regularmente nas produções de ópera dos Músicos do Tejo (direcção de Marcos Magalhães e encenação de Luca Aprea) no Centro Cultural de Belém. Tem colaborado com a Orquestra Gulbenkian, dirigida por Laurence Foster, Orquestra de Câmara Portuguesa, dirigida por Pedro Carneiro, e Orquestra Metropolitana de Lisboa, dirigida por Augustin Dumay. Com a Orquestra Barroca Divino Sospiro, dirigida por Enrico Onofri, actuou nos Festivais de Ile de France, Ambronay, Mafra e Varna. Os seus próximos projectos incluem uma digressão por Portugal no papel principal de L'Angelica de Souza Carvalho, com direcção de Pedro Castro, e Cherubino em La folle giornata de Marcos Portugal para a companhia inglesa Bampton Classical Opera.

Kristina Wahlin

meio-soprano Considerada uma das meios-sopranos mais talentosas da sua geração, iniciou a sua formação de Canto na Academia Real de Música em Estocolmo, a sua cidade natal. Completou a sua formação musical de cantora lírica na Royal Academy of Music de Londres pela qual se diplomou em 2000. Estreou-se na Dinamarca nos papéis de Cherubino (Le nozze di Figaro) e Ariodante (Handel) na Ópera de Funen (Dinamarca). Em 2004 repetiu o papel titular de Orfeo (Gluck). Obteve enorme êxito, junto do público e da crítica, com a interpretação de Isabella na versão de concerto de L'italiana in Algeri no Tivoli Concert Hall no Verão de 2004. Tem-se apresentado como solista com inúmeras orquestras sinfónicas, na Escandinávia, na interpretação de obras de J. S. Bach, W. A. Mozart, Handel e Rossini. Nas temporadas de 2006 a 2008 foi um dos membros principais da Ópera de Colónia. Ao longo da sua carreira interpretou os papéis protagonistas de Rosina, Hänsel, Isabella, Nicklausse, Cherubino e Giulio Cesare. Em 2008 cantou Siébel em Faust no São Carlos e, no ano seguinte, a Terceira Dama em Die Zauberflöte, ao ar livre, na Ópera Hedeland em Copenhaga. Em Setembro de 2009 cantou a parte de protagonista na estreia mundial da obra Amanhã num Ano (I morgen om et ar), para a companhia de teatro «nómada» Hotel Pro Forma, com música do grupo sueco de rock, The ° Knife. O espectáculo recolheu críticas notáveis e percorrerá a Alemanha, Bélgica e a Suécia em digressão. Já lhe foram atribuídos inúmeros prémios e distinções.

Leandro Fischetti

barítono Nascido em São Paulo, diplomou-se em Música pela Universidade Estadual Paulista tendo como professores Martha Herr (Canto) e Peter Dauelsberg (repertório de Lieder). Na qualidade de bolseiro da CAPES (Brasil) e da Fundação Hilde Zadek (Áustria), continuou os seus estudos na Escola Superior de Música de Karlsruhe (Alemanha), sob a orientação da Prof. Maria Venuti. Participou em cursos de aperfeiçoamento ministrados por Hilde Zadek e Christa Ludwig. Entre 2004 e 2008 foi membro da Companhia da Ópera de Colónia, onde cantou diversos papéis em óperas de W. A. Mozart, Puccini, Leoncavallo, Verdi, Humperdinck, Bizet, Strauss, Handel, Prokofiev, Ravel, Janácek, Maxwell Davies, entre outros. Actuou também no Teatro Comunale de Bolonha (Die Freunde von Salamanka, singspiel de Schubert) e no Teatro de la Maestranza de Sevilha (Doktor Faust, de Busoni). É cantor residente do Teatro Nacional de São Carlos desde a Temporada de 2008/09.

Luisa Francesconi

meio-soprano Dotada de um belo timbre de meio-soprano lírico, estudou em Brasília e aperfeiçoou-se com Rita Patané, em Milão. Tem uma excepcional capacidade para a execução de coloratura, destacando-se no repertório rossiniano e mozartiano na interpretação de papéis tais como Cenerentola, Rosina (Il barbiere di Siviglia), Isabella (L'italiana in Algeri), e também Segunda Dama (Die Zauberflöte), Cherubino (Le nozze di Figaro), Idamante (Idomeneo) e Zerlina (Don Giovanni). Tem obtido grande sucesso em óperas tais como I Capuleti ed I Montecchi (Romeo), Orfeo ed Euridice (Orfeo), Dido and Aeneas (Dido) e Les Troyens (Didon). Canta um vasto repertório concertístico, que vai da Missa em Si Menor de Bach e Nisi Dominus de Vivaldi à Segunda Sinfonia de Mahler e El amor brujo, de Manuel de Falla. Tem-se apresentado nos principais teatros brasileiros e italianos, destacando-se o Theatro Municipal do Rio de Janeiro, Theatro Municipal de São Paulo, Sala São Paulo, Auditorium Conciliazione e Teatro Argentina em Roma, Auditorium de Milão, Maggio Musicale Fiorentino, Teatro Massimo de Palermo, Teatro Massimo Bellini em Catania e Teatro Regio de Turim. Actualmente integra o Programa Jovens Intérpretes do Teatro São Carlos onde interpretou Flosshilde na produção da ópera Götterdämmerung, de Wagner, e a Fada Verde em A bela adormecida, de Respighi (versão portuguesa de Alexandre Delgado). Os seus próximos compromissos incluem Adriana Lecouvreur, de Ciléa, em Florença, e concertos com a Orquestra Sinfónica do Estado de São Paulo.

150

Le nozze di Figaro

151

Maria Luísa de Freitas

meio-soprano Nascida em Luanda, estudou no Conservatório Nacional de Lisboa com José Carlos Xavier. Actualmente trabalha repertório com o Maestro João Paulo Santos. Conquistou os seguintes prémios: «Bocage» no Concurso Nacional de Canto «Luisa Todi»; «La Voce» no Concurso «Spiros Argiris», em Itália; 1.º Prémio do Concurso Internacional de Canto «Bidu Sayão», no Brasil; e o 2.º Prémio no Concurso Nacional de Canto «Luisa Todi». Estreou-se no Coliseu do Porto, no papel titular da ópera Carmen de Bizet, com a Orquestra Nacional do Porto, sob a direcção de Marc Tardue, tendo sido aclamada pelo vigor da sua voz e presença cénica. Estreou na Fundação Calouste Gulbenkian, numa versão cénica, Diário de um desaparecido de Janácek, dirigida por João Paulo Santos, com encenação de Marie Mignot. Numa versão em português, interpretou o papel de D. Berta (Miss Baggott) em Let's Make an Opera (Britten), e Maddalena em Rigoletto (Verdi), no Festival de Óbidos. No Teatro Nacional de São Carlos interpretou os papéis de Alte None na ópera Sancta Susanna (Hindemith), A Voz do Além na ópera Les Contes d'Hoffmann (Offenbach), Marthe na ópera Faust (Gounod), e Segunda Norna em Götterdämmerung (Wagner), com direcção musical de Marko Letonja e encenação de Graham Vick. Interpretou vários papéis em versão de concerto, destacando-se o de Filipievna (Evgeni Onegin) de Tchaikovski, na Fundação Calouste Gulbenkian. No Festival Internacional de Música do Algarve cantou o papel de Amneris (Aida). Futuros compromissos incluem Olga em Evgeni Onegin (Tchaikovski) no Teatro Nacional de São Carlos, e a Rainha Louca, de Alexandre Delgado, no Centro Cultural de Belém.

Mário João Alves

tenor Fez os seus estudos com Fernanda Correia, continuando a sua formação em Turim e Génova. Venceu o 2.º Prémio do IV Concurso de Canto Luisa Todi. No Teatro Nacional de São Carlos integrou os elencos de Jeanne d`Arc au Bûcher, Les Troyens, La Borghesina, The English Cat, Four Saints in Three Acts, Il turco in Italia, Adina e O Nariz, destacando-se os papéis de Ferrando, Conde de Almaviva, Pedrillo, Nemorino e Tamino. Cantou Nemorino (Tóquio, Kyoto, Takamatsu e Ebetsu), Aronne em Mosè in Egitto (Sassari), Froh em Das Rheingold e Pedrillo (Bari), Agenore em Il re pastore (Como, Pavia), Le Berger em Oedipus Rex e Maintop em Billy Budd (Turim, Roma), Pedrillo (San Sebastian), Conde de Almaviva (Savona, Lucca, Bergamo e Rovigo), La fanciulla del West (Sevilha, Turim), Die Zauberflöte (Nova Iorque, Veneza e Bruxelas), L'Enfant et les sortilèges (Porto), Neues vom Tage, The Beggar's Opera e Albert Herring (Teatro Aberto), Pulcinella (Palermo) e Der Kaiser von Atlantis (CCB). Em 2008/09 estreou-se no papel de Cassio em Otello (Tenerife), Beppe em I pagliacci (Óbidos), Alfredo Germont (Queluz), Leandro em La Spinalba (CCB), D. Ottavio (Orvieto) e Ernesto em D. Pasquale (Diano Castello). Cantou nas obras Nona Sinfonia (Beethoven), Petite Messe solennelle, Carmina Burana, Magnificat, Messias, Requiem de Mozart, Stabat Mater (Dvo rák), Jewish Songs (Chostakovitch), Paulus (Mendelssohn), Passion and Ressurection (Harvey) e Te Deum (Bruckner). Próximos projectos incluem o papel de Pinkerton em Madama Butterfly (Prato), Petite Messe solennelle (Paris) e a Nona Sinfonia (Casa da Música). Gravou para a BMG, RCAVictor, Portugaller, AboutMusic, PortugalSom Farol e Numérica.

Donato Di Stefano

baixo Considerado um dos mais requisitados baixos buffo, preencheu a temporada de 2008/09 com as interpretações de Don Magnifico (La Cenerentola) no La Monnaie de Bruxelas e na Opéra National de Lorraine, Gianni Schicchi (papel titular) em Frankfurt, e Don Basilio em Leipzig. As próximas temporadas levam-no até à Ópera de Dallas para o papel titular de Don Pasquale, à Metropolitan Opera para Gianni Schicchi, à National Opera de Washington para Il barbiere di Siviglia (Bartolo), e à Companhia Canadiana de Ópera, à qual regressa com Don Magnifico. Nas duas últimas temporadas fez-se ouvir em Il barbiere di Siviglia em Toronto, Montreal e Dallas, em Manon Lescaut (Geronte) com a Grand Opera da Flórida, seguindo-se Telavive com Gianni Schicchi e a sua estreia na Metropolitan Opera, na mesma ópera (Simone). Em 2005/06 foi Don Magnifico na Ópera de Dallas, cantou em Amesterdão e Tóquio dirigido por Seiji Ozawa, e foi Bartolo (Il barbiere di Siviglia) e Don Magnifico em Trieste. Em 2004/05 cantou os papéis de Fra Melitone (La forza del destino) na Ópera de Frankfurt, Bartolo (Il barbiere di Siviglia) em Amesterdão, Don Magnifico no Milwaukee, e Bartolo (Le nozze di Figaro) em Florença. Estreou-se em Falstaff no Festival Saito Kinen (2003), com direcção de Ozawa. Foi dirigido por Salvatore Accardo, Bruno Campanella, Riccardo Chailly, Gianandrea Gavazzeni, Nikolaus Harnoncourt, Zubin Mehta e Riccardo Muti, e trabalhou com os encenadores Luc Bondy, Ferruccio Soleri e Robert Wilson. No seu país, cantou regularmente nos Teatros Scala, Comunale de Florença e de Bolonha, Ópera de Roma, San Carlo de Nápoles, Bellini de Catania, Massimo de Palermo, Regio de Parma, La Fenice de Veneza, Rossini Opera Festival de Pesaro, e no Festival dei Due Mondi de Spoleto. Fora do seu país, cantou nos principais centros musicais (Bilbau, Monte Carlo, Bruxelas, Madrid, Valência, Toronto, Lille, Tenerife, Zurique, Cardiff, Paris, Berlim), assim como no Festival de Salzburgo e em Lugano com a Orquestra da Rádio Suíça.

Ana Franco

soprano Nascida em 1984, iniciou os seus estudos de piano, com oito anos de idade, no Conservatório Nacional de Música de Lisboa, com a Prof. Anne Kaasa. Participou em diversos concursos e programas musicais televisivos. Em 2003 iniciou a sua formação em Canto na Escola de Música do Conservatório Nacional, tendo tido como tutora a Prof. Manuela de Sá e o Professor Acompanhador, José Manuel Brandão. Ao longo do curso teve a possibilidade de participar em vários projectos muito enriquecedores, tais como «Modinhas Luso-Brasileiras do séc. XIX», orientado pelo Prof. António Wagner Dinis, e trabalhar com, entre outros, os professores Paulo Brandão (coro), João Crisóstomo (coro), Anna Tomasik (Música de Câmara) e Armando Vidal (Música de Câmara). Entre 2006 e 2008 trabalhou como elemento reforço no Coro do Teatro Nacional de São Carlos. Realizou Master Classes com a cantora Mara Zampieri, a Prof. Susan McCulloch e o Maestro João Paulo Santos. Terminou o curso de Canto em 2008 e ingressou na Escola Superior de Música de Lisboa, onde estuda com os professores Sílvia Mateus, Francisco Sassetti e Nuno Vieira de Almeida. Apresentou-se como solista do Estúdio de Ópera do Teatro Nacional de São Carlos em Dido and Aeneas (Dido), em Julho de 2009, no contexto da inauguração do Jardim da Cascata do Palácio de Belém. No mesmo Teatro cantou Wellgunde (Götterdämmerung) e integrou o Programa Jovens Intérpretes para a Temporada de 2009/10.

152

Le nozze di Figaro

153

João de Oliveira

baixo-barítono Natural de Lisboa, iniciou os estudos musicais aos 11 anos de idade. Iniciou os estudos de Canto no Instituto Gregoriano de Lisboa com Helena Afonso. Estudou na Escola de Música do Conservatório com António Wagner Diniz e José Manuel Araújo. Participou nos cursos de aperfeiçoamento, «Opera Plus» (2002, 2003) na Bélgica, e em Master Classes com Tom Krause, Sarah Walker, Rudolf Knoll, Elisabete Matos, Nicolas Giusti e Mara Zampieri. Actualmente, trabalha com Enza Ferrari e Ildebrando d'Arcangelo. Em 2001, estreou-se em Rigoletto de Verdi, no papel de Sparafucile. Entre outros papéis destacam-se Sarastro, Orador e Segundo Homem Armado (Die Zauberflöte, de Mozart), Zio Bonzo (Madama Butterly, de Puccini), Cecco (Il mondo della luna, de Pedro Antonio Avondano), Zuniga (Carmen, de Bizet), Rei (Lo scoiatollo in gamba, de Nino Rota), D. Basilio (Il barbiere di Siviglia, de Rossini), Braz (As damas trocadas, de M. Portugal), Ferrando (Il trovatore, de Verdi), Comendador (Don Giovanni, de Mozart), D. Bartolo (Le nozze di Figaro, de W. A. Mozart), Barão/Marquês (La traviata, de Verdi) e Sacristão (Tosca, de Puccini). No Teatro Nacional de São Carlos integrou o elenco das óperas Otello (Verdi), O nariz (Chostakovitch), Macbeth (Verdi), Tosca, Salome (R. Strauss), na produção de Don Giovanni foi «cover» (Comendador) e Dido and Aeneas (Maga), em Julho de 2009, no contexto da inauguração do Jardim da Cascata do Palácio de Belém. De 2008 destaque-se a sua participação na estreia absoluta da fantasia musical Evil Machines, de Luís Tinoco, com encenação do ex-Monty Python, Terry Jones (Teatro S. Luiz) e num concerto dirigido por Mark Minkowski (Centro Cultural de Belém). É membro do Programa Jovens Intérpretes do Teatro Nacional de São Carlos no âmbito do qual cantou em, entre outras, A bela adormecida de Respighi (versão portuguesa de Alexandre Delgado).

Ana Cosme

soprano Nasceu no Bombarral, tendo iniciado os seus estudos musicais no Círculo de Cultura Musical Bombarralense. Estudou com José Carlos Xavier na EMCN, com Ana Paula Russo e com Elsa Saque e Sílvia Mateus na ESML onde obteve a Licenciatura. Fez parte do Coro de Câmara de Lisboa e do Coro da Fundação Calouste Gulbenkian. É membro do Coro do Teatro Nacional de São Carlos (TNSC). Na qualidade de solista, participou na cantata O Conquistador de Jorge Salgueiro, na Misa Cubana de José Maria Vitier, e no Stabat Mater de Pergolesi. Em recital, apresentou-se com os pianistas Anna Tomasik, Nuno Lopes, Francisco Sassetti, Nuno Vieira de Almeida (Ciclo Novos Cantores no Teatro S. Luiz) e, em Fevereiro de 2010, no TNSC, com João Paulo Santos (piano) e Abel Pereira (trompa). Integrou o elenco das seguintes óperas: Die lustige Witwe de Franz Léhar (IX Festival de Macau e com a Companhia de Ópera de Câmara do Real Theatro de Queluz), A raposinha matreira de Leos Janácek (TNSC), Albert Herring de Britten (Teatro Aberto), O achamento do Brasil de Jorge Salgueiro, Orpheo ed Euridice de Gluck (versão de concerto), A vingança da cigana de Leal Moreira (OCCO), Bataclan de Offenbach (OCCO) e A bela adormecida de Ottorino Respighi (TNSC, 2009).

Marco Alves dos Santos

tenor Licenciado em canto pela Guildhall School of Music & Drama, iniciou a sua carreira de solista profissional em 2003 ao integrar «Les Jeunes Voix du Rhin» (Opéra National du Rhin, França) onde deu vida, entre outras, à personagem de Tamino (Die Zauberflöte). Papéis posteriores incluem Tristan em Le Vin herbé (Teatro Aberto), Leandro em La Spinalba (Casa da Música) Orphée em La Descente d'Orphée aux enfers (Festivais de Vigo e de Óbidos), Cavaliere em La donna di genio de Marcos Portugal (Faro) e vários papéis em O nariz de Chostakovitch, com direcção de Donato Renzetti, para o Teatro Nacional de São Carlos. Do repertório sinfónico destacam-se concertos com a Orquestra Gulbenkian, Remix Ensemble ­ Casa da Música, Orquestra Metropolitana de Lisboa, Orquestra Sinfónica Portuguesa e Orquestra do Algarve dirigido por, respectivamente, John Nelson, B. Shembri, T. Netopil, C. Costa e O. Ferreira. Papéis recentes incluem Der Narr em Wozzeck para o TNSC/CCB, sob a direcção de E. Inbal; Ernesto em Don Pasquale (Orquestra do Norte), Anthony em Sweeney Todd para o Teatro D. Maria II/Teatro Aberto, sob a direcção de João Paulo Santos); e Nathanaël em Les Contes d'Hoffmann para o TNSC, sob a direcção de Gregor Bühl bem como apresentações em concerto. No Festival de Óbidos 2009 foi o Duque de Mântua na produção da ópera Rigoletto. Actualmente integra o elenco do Programa Jovens Intérpretes do Teatro Nacional de São Carlos.

Natália de Carvalho Brito

meio-soprano Natural de Almoçageme (Sintra), nasceu em 1975. Começou por estudar saxofone e, posteriormente, concluiu o curso de Canto da Escola do Conservatório Nacional de Lisboa com a Prof.ª Maria Cristina de Castro. Participou no Curso Internacional Opera Plus (Bélgica). Trabalhou Técnica Vocal e Interpretação com Mercê Obiol, Enza Ferrara, Elvira Ferreira, Isabel Biú, Jill Feldman, Muai Thang, Sarah Walker, Vera Rosza. Como solista interpretou os papéis de Índia Velha e D. Teresa de Jorge Salgueiro, Cherubino (Le nozze di Figaro), Dorabella (Così fan tutte), Magdalena e Giovanna (Rigoletto), Feiticeira e Dido (Dido and Aeneas, de Purcell), Madrigalista (Manon Lescaut, de Puccini) e Lettera (La Bohème). Em oratória e Lied destacam-se Dixit Dominus e Missa de Carlos Seixas, Misa Cubana de J. M. Vitier, Ode for the Birthday of Queen Anne (Handel), Stabat Mater e Petite Messe solennelle (Rossini), Gloria e Magnificat (Vivaldi), Johannes-Passion, Matthäus-Passion e Magnificat (J. S. Bach), Stabat Mater (Pergolesi), Missa da Coroação e Requiem (Mozart), Requiem für Mignon (Schumann), Missa (José João Baldi), Te Deum (Charpentier), In Terra Pax (Franck Martin), Liebeslieder e Neuliebeslieder (Brahms). Foi recentemente convidada a participar no concerto de gala da Banda Sinfónica da GNR. Apresentou-se em recital, numa homenagem ao compositor Tomaz del Negro, no Museu da Música, e na RTP/Antena 2 para o então Presidente da República, Jorge Sampaio. Também cantou nos Palácios de Monserrate, SottoMayor e Nacional da Pena. É membro efectivo do Coro do Teatro Nacional de São Carlos.

154

Le nozze di Figaro

155

Teatro Nacional de São Carlos

Conselho de Administração do OPART E.P .E.

Presidente

Director Artístico do TNSC

Christoph Dammann

Maestro Titular da Orquestra Sinfónica Portuguesa

Orquestra Sinfónica Portuguesa

Maestro Titular

Violas

Julia Jones

Pedro Santos Moreira

Vogais

Julia Jones

Maestro Titular do Coro do Teatro Nacional de São Carlos

Adjunto Musical do Maestro Titular

Moritz Gnann

I Violinos

Carlos Vargas Henrique Ferreira

Kosta Popovic

Director Técnico

Francisco Vicente

Directora de Espectáculos Adjunta

Alda Giesta

Director de Marketing

Mário Gaspar

Directora Financeira e Administrativa

Sónia Teixeira

Directora de Recursos Humanos

Sofia Dias

Evelyne Alliaume (Concertino Principal Convidado) Alexander Stewart (Concertino Adjunto) Pavel Arefiev (Concertino Adjunto) Leonid Bykov (Concertino Assistente) Veliana Hristova (Concertino Assistente) Alexander Mladenov Anabela Guerreiro António Figueiredo Asmik Bartikian Ewa Michalska Iskrena Yordonova Jorge Gonçalves Laurentiu Ivan Coca Luís Santos Margareta Sandros Marjolein de Sterke Natalia Roubtsova Nicholas Cooke Pedro Teixeira da Silva Regina Stewart

Pedro Saglimbeni Muñoz (Coordenador de Naipe) Céciliu Isfan (Coordenador de Naipe Adjunto) Galina Savova (Coordenador de Naipe Assistente) Cécile Pays (Coordenador de Naipe Assistente) Etelka Dudas Isabel Teixeira da Silva Joaquim Lima Maria Cecília Neves Maria Lurdes Gomes Rogério Gomes Sandra Moura Ventzislav Grigorov Vladimir Demirev

Violoncelos

Irene Lima (Coordenador de Naipe) Hilary Alper (Coordenador de Naipe Adjunto) Kenneth Frazer (Coordenador de Naipe Adjunto) Ajda Zupancic (Coordenador de Naipe Assistente) Alberto Campos (Coordenador de Naipe Assistente) Diana Savova Emídio Coutinho Gueorgui Dimitrov Luís Clode Margarida Matias Maria Lurdes Santos

II Violinos

Contrabaixos

Cantores em Residência na Temporada 2009.10 Ana Franco (Programa Jovens Intérpretes) Chelsey Schill Kristina Wahlin Luisa Francesconi (Programa Jovens Intérpretes) Maria Luísa de Freitas Raquel Alão (Programa Jovens Intérpretes) João Merino (Programa Jovens Intérpretes) João de Oliveira (Programa Jovens Intérpretes) Leandro Fischetti Luís Rodrigues Marco Alves dos Santos (Programa Jovens Intérpretes) Mário João Alves Musa Nkuna

Klara Erdei (Coordenador de Naipe Adjunto) Rui Guerreiro (Coordenador de Naipe Adjunto) Mário Anguelov (Coordenador de Naipe Assistente) Nariné Dellalian (Coordenador de Naipe Assistente) Aurora Voronova Carmélia Silva Inna Rechetnikova Kamélia Dimitrova Katarina Majewska Maria Filomena Sousa Maria Lurdes Miranda Slawomir Sadlowski Sónia Carvalho Tatiana Gaivoronskaia Witold Dziuba

Pedro Wallenstein (Coordenador de Naipe) Petio Kalomenski (Coordenador de Naipe) Adriano Aguiar (Coordenador de Naipe Adjunto) Duncan Fox (Coordenador de Naipe Adjunto) Anita Hinkova (Coordenador de Naipe Assistente) João Diogo José Mira Manuel Póvoa Svetlin Chichkov

Flautas

Katharine Rawdon (Coordenador de Naipe) Nuno Ivo Cruz (Solista A) Anthony Pringsheim (Solista B) Anabela Malarranha (Solista B)

156

Le nozze di Figaro

157

Oboés

Tubas

Coro do Teatro Nacional de São Carlos

Sopranos

Tenores

Ricardo Lopes (Coordenador de Naipe) Hristo Kasmetski (Solista A) Elizabeth Kicks (Solista B) Luís Marques (Solista B)

Ilídio Massacote (Solista A)

Ana Cosme Ana Luísa Assunção Ana Rita Cunha Angélica Neto Ana Maria Serro Filipa Lopes Glória Saraiva Isabel Biu Isabel Silva Pereira Luísa Brandão Maria do Anjo Albuquerque Patrícia Ribeiro Rita Paiva Raposo Sandra Lourenço Sónia Alcobaça Teresa Gomes

Tímpanos e Percussão

Clarinetes

Francisco Ribeiro (Coordenador de Naipe) Joaquim Ribeiro (Solista A) Felício Figueiredo (Solista B) Jorge Trindade (Solista B)

Elizabeth Davis (Coordenador de Naipe) Richard Buckley (Solista A) Lídio Correia (Solista B) Pedro Araújo e Silva (Solista B)

Harpas

Carmen Cardeal (Solista A)

Fagotes

David Harrison (Coordenador de Naipe) Carolino Carreira (Solista A) João Rolo Brito (Solista B) Piotr Pajak (Solista B)

Fortepiano

Nuno Margarido Lopes*

Alberto Lobo da Silva Alcino Vaz Álvaro de Campos Aníbal Real Arménio Afonso Granjo Carlos Pocinho Carlos Silva Diocleciano Pereira Francisco Lobão João Miguel Queirós João Miguel Rodrigues Luís Castanheira Mário Silva Miguel Calado Nuno Cardoso Vítor Carvalho

Barítonos e baixos

Trompas

António Nogueira (Coordenador de Naipe) Laurent Rossi (Solista A) Paulo Guerreiro (Solista A) António Rodrigues (Solista B) Carlos Rosado (Solista B) Tracy Nabais (Solista B)

Meio-sopranos

Trompetes

Jorge Almeida (Coordenador de Naipe) António Quítalo (Solista A) Latchezar Goulev (Solista B) Pedro Monteiro (Solista B) Pedro Pacheco* (Solista A convidado)

Trombones

* Reforços

Ana Cristina Carqueijeiro Ana Margarida Serôdio Ana Maria Neto Ângela Roque Antónia Ferraz de Andrade Cândida Simplício Isabel Assis Pacheco Laryssa Savchenko Luísa Lucena Luísa Tavares Manuela Teves Maria da Conceição Martinho Natália Brito Neide Gil Susana Moody

Aleksandr Jerebtsov António Louzeiro Carlos Homem Carlos Pedro Santos Ciro Telmo Costa Campos Daniel Paixão David Ruella Eduardo Viana Frederico Santiago João Miranda João Rosa Joel Costa Jorge Rodrigues Mário Pegado Osvaldo Sousa Simeon Dimitrov

Hugo Assunção (Coordenador de Naipe) Jarrett Butler (Solista A) Kevin Hakes (Solista A) Vítor Faria (Solista B)

Pianista Acompanhador

Kodo Yamagishi

158

Le nozze di Figaro

159

Gabinete de Estudos Musicais e Dramaturgia

Director de Estudos Musicais e Director Musical de Cena João Paulo Santos (Coordenador) Maestro Correpetidor

Sector do Som e Vídeo Miguel Pessanha (Chefe do Sector)

Direcção de Marketing

Director

Limpeza e Economato

Luís Santos

Contra-regra

Mário Gaspar Anabela Tavares (Assistente)

Relações Públicas

Nuno Margarido Lopes

João Lopes (Chefe do Sector) Arnaldo Ferreira Herlander Valente

Aderecistas

Ana Fonseca

Design

Programa Jovens Intérpretes

Coordenador

Lurdes Mesquita Maria Conceição Pereira Maria de Lurdes Branco Maria do Céu Cardoso Maria Teresa Gonçalves Maria Isabel Sousa Maria de Lurdes Moura Direcção de Recursos Humanos

Directora de Recursos Humanos

André Heller-Lopes

Cenografia e Figurinos

António Lameiro José Luís Barata

Sector das Costureiras Zita Pires (Chefe do Sector)

Ana Rego

Desenvolvimento Comercial

Rita Álvares Pereira

Sofia Dias Manuel Alves Sofia Teopisto Vânia Guerreiro Zulmira Mendes Gabinete de Gestão do Património Nuno Cassiano (Coordenador) António Silva Daniel Lima Egídio Heitor* Gabinete de Sistemas de Informação Pedro Penedo (Coordenador) João Filipe Reis Gabinete Jurídico Fernanda Rodrigues (Coordenadora) Juliana Mimoso* Secretárias do Conselho de Administração Regina Sutre Gabriela Metello

Bruno Silva Diogo Faro (Estagiário)

Canais Internet

Direcção Técnica

Director Técnico

Francisco Vicente

Director Técnico Adjunto

Maria de Lurdes Landeiro Anabela Pires Ana Paula Simaria Maria José Santos Miriam Mendonça

João Mendonça José Luís Costa

Projectos Especiais

Félix Manuel Wolf Joana Camacho Direcção de Espectáculos

Director de Cena

Maria Gil

Comunicação

Bernardo Azevedo Gomes

Adjunta da Direcção de Cena

Maria João Franco Alessandra Toffolutti (Coordenação de Programação) Fernando Carvalho (Novos Projectos) Teresa Serradas Duarte (Secretária)

Gabinete de Gestão da Produção Alda Giesta (Coordenadora do Gabinete e Directora Adjunta) Marketing Directo

Paula Meneses

Assistente da Direcção de Cena

Venâncio Gomes

Bilheteira

Álvaro Santos

Sector de Maquinistas José Silvério (Chefe do Sector) Graciano Lopes (Maquinista Chefe)

Fátima Machado Filomena Barros Lucília Varela

Gabinete de Gestão do Coro e Orquestra Margarida Clode (Coordenadora)

Luísa Lourenço Rita Martins Susana Clímaco

Augusto Baptista Carlos Reis Fernando Correia Jacinto Matias João Soares Joaquim Cândido Costa José António Feio José Luís Reis Luís Filipe Alves Manuel Friães da Silva Nilo Lopes

Sector de Electricistas Pedro Martins (Chefe do Sector) Serafim Baptista (Electricista Principal)

Direcção Financeira e Administrativa

Directora Financeira e Administrativa

Maria Beatriz Loureiro Celeste Patarra Jan Schabowski Jerónimo Fonseca Margarida Cruz Nuno Guimarães Rui Ivo Cruz

Gabinete de Pesquisa e Documentação Musical Paula Coelho da Silva (Coordenadora)

Sónia Teixeira João Pereira (Técnico Oficial de Contas) Ana Maria Peixeiro António Pinheiro Edna Narciso Fátima Ramos Marco Prezado Rui Amado Albano Pais (Tesoureiro)

Agostinho Sorrilha José Carlos Costa

* Prestadores de Serviço Expediente e Arquivo

Carlos Vaz Carlos Santos José Diogo Paulo Godinho Victor Silva

Susana Santos Miguel Vilhena Sandra Correia Carlos Pires

160

Le nozze di Figaro

161

Teatro Nacional de São Carlos

Bilheteira

Horário de bilheteira

Outras Informações

Bilhetes

Dias úteis ­ das 13:00h às 19:00h Dias de espectáculo - (incluindo sábados, domingos e feriados): das 13:00h até trinta minutos após o início do espectáculo. Duas horas antes do início do mesmo apenas poderão ser adquiridos bilhetes para o próprio dia.

Bilheteira On-line

O Teatro reserva-se o direito de alterar a sua programação em casos de força maior. A alteração substancial da sua programação constitui causa única para efeitos de reembolso de bilhetes adquiridos.

Legendas

Pode adquirir os seus bilhetes on-line em www.ticketline.pt bem como através de contacto telefónico com a Ticketline (707 234 234).

Rede Ticketline:

No caso de apresentação de óperas em língua estrangeira o Teatro garante um sistema de legendagem em português.

Pontualidade

Lojas ABREU, FNAC, WORTEN, BLISS, BULHOSA.

Reservas

Depois do início do espectáculo não é permitido o acesso à plateia até que tenha lugar o primeiro intervalo, durante o qual os espectadores serão conduzidos aos seus lugares pelos assistentes de sala.

Gravações e fotografias

CONCERTO COMENTADO

para famílias

Teatro Nacional de São Carlos 15. Maio 2010 às 16:00h Bedrich Smetana

Moldau (O Moldava)

As reservas podem ser efectuadas por e-mail ou telefone da bilheteira, as quais serão garantidas por 48 horas após a reserva. Só serão aceites reservas até 48 horas antes do dia do espectáculo. Tel. 213 253 045/6 email: [email protected]

Formas de pagamento

Não é permitida a utilização de qualquer tipo de gravadores ou máquinas fotográficas no interior do Teatro.

Bengaleiro

O Teatro conta com um serviço de bengaleiro situado dos dois lados exteriores da plateia.

Aparelhos sonoros

Numerário, Cheque, Multibanco, Cartão de crédito. A bilheteira do Teatro Nacional de São Carlos dispõe de uma caixa de multibanco durante o seu horário de funcionamento. Descontos

Jovens até 25 anos e Maiores de 65

Agradecemos que sejam desligados telemóveis e relógios electrónicos no interior da sala de espectáculos.

Restaurante e Cafetaria

Desconto de 35% válido para os bilhetes de plateia, frisas e camarotes de 1.ª e 2.ª Ordem Grandes. É necessário apresentar comprovativo de idade no acto de compra dos bilhetes para aplicação deste desconto.

Grupos 30% na aquisição de, no mínimo, 15 bilhetes por espectáculo. Matinées Família

Para além do restaurante/cafetaria no Foyer, o Teatro conta com um serviço de esplanada no Largo de São Carlos.

Transportes

Joly Braga Santos

Variações Sinfónicas sobre Um Tema Alentejano

Autocarros: 58, 100, 204* (*só serviço nocturno) Eléctrico: 28; Metro: Baixa-Chiado

Contactos: Teatro Nacional de São Carlos

Adultos sem jovens até 18 anos, pagam preço de récita normal. Máximo de 2 adultos por jovem até 18 anos. A partir do terceiro adulto, estes pagarão preço de récita normal. É necessário apresentar comprovativo de idade dos jovens no acto de compra dos bilhetes para matiné família.

Bilhetes «Última Hora» Ópera: duas horas antes de cada espectáculo, os bilhetes

Rua Serpa Pinto, n.º 9 ­ 1200-442 Lisboa Tel. 213 253 000 ­ Fax 213 253 083 Consulte a programação em www.saocarlos.pt

Franz Joseph Haydn

Abschiedsymphonie (A Sinfonia do Adeus) N.º 45

Direcção musical

disponíveis serão colocados à venda ao preço de 20 euros para a plateia, frisas grandes e camarotes de 1.ª e 2.ª Ordem Grandes. Os restantes lugares da sala poderão ser adquiridos a 15 euros. Concertos: duas horas antes de cada concerto, os bilhetes disponíveis serão colocados à venda ao preço de 10 euros.

Moritz Gnann

Comentários por

Alexandre Delgado

Este programa pode ser alterado por motivos imprevistos M/3 Tel. 213 253 045/6 www.saocarlos.pt Bilhetes à venda TNSC, Lojas FNAC, WORTEN, ABREU, El Corte Inglés, C. C. Dolce Vita www.ticketline.pt Reservas: 707 234 234 Apoio na divulgação

162

O Teatro Nacional de São Carlos é membro da Opera-Europa e observador da Pearle*

Os televisores do Foyer foram gentilmente cedidos por

Apoio na divulgação

Coordenação Editorial

Paula Vilafanha

Design Gráfico

Ana Rego

Fotografias dos ensaios

© Alfredo Rocha

Aguarela da capa

© Sandra Costa Brás

7C 1600 exemplares Impressão Textype

Preço do programa Tiragem

Information

Capa_Figaro

85 pages

Report File (DMCA)

Our content is added by our users. We aim to remove reported files within 1 working day. Please use this link to notify us:

Report this file as copyright or inappropriate

533289